terça-feira, 2 de abril de 2013

Aquecimento global pode trazer benefícios ao mapa vinícola mundial

O aquecimento global é um problema que tira o sono de muitos produtores de vinho. Muitos pesquisadores dizem que nos próximos 100 anos o mapa vinícola mundial pode estar totalmente diferente do que vemos hoje, que regiões tradicionais, como a França ou a Itália, podem deixar de produzir bons vinhos. Porém, de acordo com alguns novos estudos, o aumento da temperatura média pode, na realidade, trazer alguns benefícios, uma vez que regiões antes consideradas muito frias poderão estar aptas ao plantio de uvas viníferas.
 
Fernando Zamora, enólogo, pesquisador e professor da Universidade Rovira i Virgili, na Espanha, diz que prefere ser otimista quando trata do assunto. "Eu não tenho dúvidas de que nós ainda teremos vinhedos em regiões tradicionais. E tenho certeza de que novas regiões irão emergir", comenta, adicionando que, na Alemanha já estão sendo produzidos vinhos tintos muito bons em lugares onde o plantio era bem difícil. "Agora a Dinamarca também está começando a produzir vinhos".
 
 
Climatologistas que trabalham para a indústria do vinho calculam que até 2050 as temperaturas deverão subir de um a dois graus e que serão acompanhados de eventos climáticos extremos, seja para o frio ou para o calor.
 
"É bem improvável que as regiões continuem plantando as mesmas variedades e produzindo exatamente o mesmo estilo de vinho, porém, a mudança maior acontecerá nas regiões que têm problemas com a maturação das frutas, pois deixarão de tê-los", opina Gregory Jones, enólogo da Universidade Southern Oregon. "Se as pessoas aceitarem as mudanças de aroma, açúcar e acidez que vão acontecer nas regiões mais tradicionais, elas não terão problema algum", atesta Jean-Marc Touzard, coordenador da ACCAF, comitê internacional que trata de assuntos ligados ao aquecimento global.
 
De acordo com Jones, Tasmânia, partes da Nova Zelândia e do Canadá, o sul do Chile, Ontário e Inglaterra serão as maiores beneficiadas pelo aumento das temperaturas. "Qualquer lugar do mundo que já foi muito frio há 50 anos, hoje tem temperaturas mais amenas, que propiciam o cultivo da fruta, coisa que não acontecia antes, pois a uva não conseguia amadurecer", completa Jones.
 
Na contramão do temor, produtores de Beaujolais estão tirando proveito das temperaturas mais altas, que melhoraram a qualidade das uvas, que algumas vezes precisavam passar por processos de adição de açúcar para terem níveis de álcool aceitáveis. "A tendência é que, nos próximos dez anos, as uvas fiquem melhores. Depois disso os produtores podem ter problemas".
 
Fonte: Revista Adega 

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