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quarta-feira, 1 de março de 2017

Paulo Laureano Vinhas Velhas Premium tinto 2013 #cbe

O primeiro post do mês é reservado ao vinho degustado para a primeira e única confraria virtual do Brasil. A ocasião é sempre especial e este mês um pouco mais, pois o tema foi de minha responsabilidade.
 
Há 5 anos (desde janeiro de 2012) faço parte desta distinta confraria, relembre meu primeiro vinho aqui, e há 4 anos (fevereiro de 2013) foi me dada a honra de sugerir o tema pela primeira vez, relembre.
 
Baseado nos fatos acima foi que escolhi o tema: "Vinho tinto alentejano com 3 ou mais castas". Explico: o primeiro vinho que degustei para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE foi o Paulo Laureano Reserve Branco 2010, um vinho produzido na DOC do Alentejo, pelo produtor que dá nome ao vinho  e que possui como característica usar apenas castas nativas portuguesas em seus rótulos, os quais são, em grande parte, vinhos de lote (coorte ou assemblage).
 
Para celebrar os 5 anos de CBE resolvi abrir um vinho do mesmo produtor que degustei lá no início e pra completar da safra de 2013, ano que sugeri pela primeira vez o tema.
 
O vinho escolhido foi o Paulo Laureano Vinhas Velhas tinto 2013, um exemplar produzido a partir das castas Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouschet, advindas do velho vinhedo Julieta, na Vidigueira.
 
Paulo Laureano é um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo. Para ele desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e optimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia.
 
Vamos ao vinho!
 
Na taça apresentou cor rubi de média intensidade, com reflexo violáceos, límpida e brilhante. Presença de lágrimas abundantes finas e lentas.
 
No nariz aromas intensos marcados pela presença de fruta madura, chocolate amargo, folhas secas, defumado e madeira.
 
Em boca um vinho de corpo médio com taninos macios e acidez já se esvaindo, álcool a 14%, mas sem sobressair. Repetiu as notas olfativas e apresentou um final de boca elegante e de boa persistência.
 
O vinho mostrou, como sempre uma boa experiência, mantendo o produto entre os meus prediletos.
 
Degustamos o vinho sem nenhuma pressa, apreciando cada gole, acompanhado de uma picanha.
 
 
O Rótulo
 
Vinho: Paulo Laureano Vinhas Velhas Premium
Tipo: Tinto Assemblage
Castas: Aragonez 40%, Trincadeira 40% e Alicante 20%
Safra: 2013
País: Portugal
Região: Vidigueira, Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 14%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 100,00
Temperatura de serviço: 18º
Pontuações: 93 pts Revista Adega
Degustado em: 28.02.2017

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Monte Velho 2013

Sou fã dos vinhos portugueses: a sua variedade de castas autóctones e a qualidade indiscutível dos produtos, mesmo nos mais simples, é encantador.
 
Alguns produtores figuram entre os meus prediletos, entre eles a Herdade do Esporão, que possui uma variada gama de vinhos produzidos nas regiões do Alentejo e Douro.
 
Há algum tempo degustei um dos exemplares mais vendidos no Brasil: Monte Velho, produto lançado 1992; o seu nome proveio do monte situado junto à albufeira da Caridade, na Herdade do Esporão. Na época, foi criado com a mesma origem e filosofia que o Esporão Reserva, mas com o intuito de chegar a mais pessoas e transformar o consumo de vinho diário numa experiência. Elaborado segundo a tradição vitivinícola do Alentejo, a sua diversidade de castas e técnicas de vinificação revelam o carácter típico da região onde nasce.
 
O vinho é produzido a partir de uvas provenientes de vinhas com 15 anos de idade plantadas de natureza granítica/xistosa, estrutura franco-argilosa. Após a fermentação maloláctica o vinho madureceu por 6 meses em tanques de inox e barricas de carvalho americano.
 
Na taça mostrou cor rubi límpida e brilhante. Lágrimas finas, e rápidas.
 
No nariz apresentou aromas de fruta vermelha, café, pimenta preta, coco queimado e tostado.
 
Em boca um vinho de corpo médio com taninos macios e boa acidez. Final de boca de boa intensidade com a fruta aparecendo no retrogosto.
 
O Rótulo
 
Vinho: Monte Velho
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional e Syrah
Safra: 2013
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Herdade do Esporão
Enólogos: David Baverstock e Luís Patrão
Graduação: 13,5%
Onde comprar / Importador: DLP / ?
Preço Médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 16º
Degustado em: 02.01.2016

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

José de Sousa V.R Alentejano 2010

Portugal definitivamente é um país produtor de vinhos que dificilmente vai te decepcionar, mesmo quando se fala nos vinhos mais simples, nos rótulos que você bebe no dia a dia.
 
O vinho José de Sousa V.R Alentejano é produzido por uma das mais tradicionais vinícolas portuguesas a José Maria da Fonseca, que vem produzindo vinhos há seis gerações e é a mesma que produz o famoso Periquita.
 
Este Alentejano é um corte das uvas Grand Noir, Trincadeira e Aragonez e tem 3 meses de passagem por barricas de carvalho francês e americano.
 
Visualmente o vinho apresentou cor rubi com alo alaranjado e lágrimas grossas e lentas. No nariz fruta negra madura, chocolate amargo, tabaco, notas de folha seca e terra molhada e leve aromas de tostado. Em boca mostrou corpo médio, taninos macios e boa acidez. Final de boca de média intensidade e com a fruta e o chocolate aparecendo no retrogosto.
 
Um vinho simples e correto e que foi bem com uma pizza que eu e Fernanda compramos.

O Rótulo

Vinho: José de Sousa V.R Alentejano
Tipo: Tinto
Castas: Grand Noir (45%), Trincadeira (35%) e Aragonez (25%)
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: José Maria da Fonseca
Graduação: 13,5%
Onde comprar: WINE
Preço médio: R$ 29,00
Temperatura de serviço: 16º

sábado, 12 de julho de 2014

Portas da Herdade Tinto 2012

Há pouco mais de um mês degustei com Fernanda o Portas da Herdade tinto, um vinho português simples, porém correto e equilibrado. Na realidade o rótulo faz parte daqueles vinhos que você compra sem esperar muita coisa e termina tendo uma surpresa, pois por R$ 23,00 não se imagina encontrar um vinho tão harmonioso como foi o caso deste.
 
O vinho é produzido pela Herdade da Farizoa, que está localizada na freguesia da Terrugem, concelho de Elvas e encontra-se integrada na sub-região de Borba, uma das três que constituem a Região Demarcada do Alentejo.
 
Na Herdade da Farizoa são encontradas algumas das castas mais representativas da região do Alentejo: Aragonez que é uma variedade de grande qualidade, rica em taninos e que produz vinhos frutados (cereja, e amoras), carregados de cor e aromáticos e Trincadeira que é uma das varietais mais antigas e utilizadas no Alentejo, cujas condições áridas permitem produzir tintos poderosos e ricos, com fruta vermelha e notas florais e de ervas verdes.
 
Visualmente mostrou cor rubi intensa e brilhante, com lágrimas finas e rápidas. No nariz aromas predomina a fruta fresca, leve toque de ervas aromáticas e de especiarias. Em boca mostrou corpo médio, com taninos macios e em bom equilíbrio com a acidez e o álcool. Repetição das notas olfativas e final de boca de média intensidade.
 
Vinho jovem e muito honesto, com um excelente custo versus benefício.
 
O Rótulo

Vinho: Portas da Herdade
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez, Trincadeira e Alicante
Safra: 2012
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Companhia das Quintas S.A (Herdade da Farizoa)
Graduação: 14%
Onde comprar: Wine
Preço: R$ 23,00
Temperatura de serviço: 16º

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paulo Laureano Tradições Antigas Talha 2011

Os vinhos da Paulo Laureano Vinus dispensam apresentações e já perdi a conta de quantos rótulos deste produtor já passaram por aqui. Mas, nunca é demais repetir  duas marcas registradas da vinícola: a primeira é o uso exclusivo de castas autóctones e a segunda é buscar a tradição na produção de alguns de seus rótulos, como é o caso do Paulo Laureano Tradições Antigas Talha, em que poucas garrafas são produzidas e algumas são comercializadas em pequenas talhas.
 
A versão deste vinho que é distribuida em garrafa já passou aqui pelo blog e na postagem eu contei um pouco da história do mesmo: relembre.
 
O vinho vendido na talha é uma antiga paixão. Desde que eu e Fernanda conversamos com o Paulo Laureano, há dois anos, buscávamos adquirir uma talha, com a safra de 2010 não tivemos êxito, contudo no início do ano encontramos a safra de 2011 e resolvemos trazer uma, das 4000 produzidas, pra casa.
 
O vinho foi produzido utilizando as mesmas técnicas que os romanos utilizavam há 2.000 atrás. O Desengace (separação das uvas do cacho) foi realizado  num “ripanso” e a fermentação em talhas de barro, durante 10 dias. Filtração inicial através da “balsa”, estágio em depósito de inox e engarrafamento outubro de 2012.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi escura, intensa e brilhante. No nariz aromas intensos de frutos negros, notas de especiarias (pimenta e canela), terrosas e balsâmicas. Em boca taninos redondos e elegantes, excelente acidez e álcool sobrando um pouco, mas sem comprometer. Final de boca longo com a fruta e o balsâmico aparecendo no retrogosto.

Vinho com um preço acima do que estou acostumado a pagar, mas que vale pela sua elegância e pelo ritual de se degustar uma néctar produzido e armazenado como há dois milênios.

Degustado na companhia de Fernanda, meus pais, minha irmã e cunhado e os amigos Juberlan e Rejane. A harmonização ficou por conta de uma bela focaccia rechegada preparada por Fernanda. 
 
O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Tradições Antigas Talha
Tipo: Tinto
Castas: Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Tinta Grossa e Trincadeira
Safra: 2011
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Enólogo: Paulo Laureano
Graduação: 14%
Onde comprar em Recife: RM Express
Preço médio: R$ 98,00
Temperatura de serviço: 16º

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

3 vezes Rapariga da Quinta

É a terceira vez que este rótulo, do competente Luis Duarte, passa aqui pelo blog, em uma "degustação vertical" ao longo do tempo, já que primeiro passou por aqui a safra 2008, depois a 2009 e agora a de 2011.
 
Vinho que, em 2009, recebeu 91 pts da WE e mantém a qualidade ao longo do tempo, sendo sinônimo de jovialidade e simplicidade, isso sem esquecer o excelente custo versus benefício, um verdadeiro best buy.

Na taça mostrou cor rubi intensa e brilhante, com boa formação de lágrimas. No nariz bouquet agradável de frutas vermelhas maduras, leves notas de especiarias e toques sutis de baunilha, tabaco e tostado. Em boca, taninos redondos e em bom equilíbrio com acidez e seus 14% de álcool, que não aparecem em nenhum momento. Final de boca agradável, de média intensidade e com a fruta e o tostado aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Rapariga da Quinta Colheita
Tipo: Tinto
Castas: Aragonês, Trincadeira e Touriga Nacional
Safra: 2011
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Luis Duarte Vinhos
Enólogo: Luis Duarte
Graduação: 14%
Onde comprar em Recife: DLP, RM Express e Casa dos Frios
Preço médio: R$ 31,00
Temperatura de serviço: 16º

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Paulo Laureano Tradições Antigas 2010

Há alguns dias Fernanda nos preparou um belo talharim ao molho de tomate com manjericão e para harmonizar escolhi um vinho que há muito paquerava: Paulo Laureano Tradições Antigas, da safra de 2010. Tanto eu quanto Fernanda somos fãs dos vinhos deste tradicional produtor português e por aqui já passaram diversos rótulos dele.
 
O Paulo Laureano Tradições Antigas 2010 teve uma pequena produção, como usualmente o é. Foram apenas 2400 garrafas e 600 talhas. Infelizmente não consegui uma talha, pois, pela sua pequena produção, tão logo as belas talhas chegaram aos estabelecimentos logo se vão.
 
A produção de vinho em talha, grandes ânforas de barro, remonta à civilização romana. Portugal tal como toda a Ibéria (Península Ibérica) foi objeto da ocupação deste povo durante séculos. A sua marca nalguns dos setores econômicos perdurou até aos dias de hoje, sobretudo na atividade agrícola.
 
É surpreendente como muitos destes utensílios foram usados até há muito poucos anos atrás. O fabrico do vinho em talha se manteve nas terras alentejanas ao longo dos séculos, sem grandes alterações na sua essência. Assumiu inclusive uma importância determinante na forma como o vinho foi produzido no Alentejo nos séculos XVIII e XIX. São Pedro do Corval junto a Reguengos e Monsaraz e Campo Maior no norte Alentejano eram dois dos mais importantes centros de produção de talhas nessa altura devido à riqueza dos seus solos em argila.
 
Após a enorme “revolução” que a vitivinicultura alentejana sofreu no final do século XX, com a modernização das suas adegas e mesmo na primeira metade do século em que a cultura da vinha foi muito restringida no Alentejo, a produção de vinhos de talha baixou bastante e centros importantes como Cabeção na região centro do Alentejo praticamente desapareceram em termos da produção deste tipo de vinho.
 
Restaram duas importantes áreas que souberam resistir ao evoluir dos tempos. Algumas pequenas adegas na região de Borba e da região de Vila de Frades junto à histórica região vitivinícola da Vidigueira, lado a lado com um dos centros arqueológicos testemunho da presença romana na Península Ibérica.
 
Nos últimos anos a produção destes vinhos históricos tem sido incentivada nesta área da Vidigueira e hoje a sua preservação está assegurada mantendo todas as suas características integrais.
 
A Paulo Laureano Vinus, na Adega do Monte Novo de Lisboa existe uma coleção de 14 talhas do século XIX ainda em ótimas condições de conservação. A capacidade das talhas varia de 1.500 a 2.300 litros. Decidimos por isso aderir também a este espírito cultural de preservação e desenhamos para o Brasil em exclusivo um vinho de talha construído de uma forma quase integral como se estivéssemos na época dos Césares.
 
Foram colhidas uvas das nossas vinhas antigas misturando, Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Tinta Grossa e Alicante Bouschet que foram esmagadas e desengaçadas de forma tradicional num ripanso (velha peça em madeira que serve para desengarçar e esmagar ligeiramente as uvas de forma manual).
 
Depois de colocadas em duas talhas, as uvas fermentaram durante 8 dias com vários recalques (rebaixamento das partes sólidas para o interior do mosto em fermentação) com cruzetas de madeira para uma boa extração de cor e taninos.
 
Finalizada a fermentação foi deixado que o vinho se clarificasse naturalmente através da deposição de todos os sólidos no fundo da talha. Quando isso aconteceu, foi retirado o vinho já fermentado, que passando pelas partes sólidas (cascas, sementes e alguns engaços) foi filtrado. Por fim o vinho madureceu em tanques de inox durante alguns meses para um melhor afinamento aromático e de estrutura.

Mas, depois desses relatos vamos ao resultado do líquido que resulta deste interessante processo.

Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi com halo mostrando sinais de evolução. Aroma com uma presença marcante de frutas escuras,notas de especiarias e algum balsâmico. Em boca mostrou taninos macios e boa acidez, repetiu as notas do nariz, com final de boca levemente adocicado e com fruta em compota de café aparecendo no retrogosto.

Vinho leve e fácil de beber. Ideal para ser bebido jovem e para acompanhar pratos leves. Bom custo versus benefício aqui em Recife, mas não creio que vale R$ 60, que é o preço médio cobrado em sites especializados.


O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Tradições Antigas
Tipo: Tinto
Castas: Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Tinta Grossa e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 38,00
Temperatura de serviço: 16º

segunda-feira, 18 de março de 2013

O simples, mas agradável Periquita 2009

O Perequita é certamente o vinho português mais vendido no Brasil e o país está entre os maiores mercados mundiais consumidores deste conhecido rótulo.
 
O vinho é produzido pela tradiciona vinícola portuguesa José Maria da Fonseca Vinhos S/A, um negócio familiar de quase dois séculos de vida. Produz vinhos desde 1834 e hoje é fruto da paixão partilhada pelos membros da sexta geração da família, que seguem preservando e projetando a memória e o prestígio do seu fundador. Consciente da responsabilidade de ser o mais antigo produtor de vinho de mesa e Moscatel de Setúbal de Portugal, a José Maria da Fonseca pratica uma filosofia de permanente aprimoramento, o que a leva a investir sempre mais em pesquisas e na produção, aliando as mais modernas técnicas ao saber tradicional, contribuindo decisivamente para a divulgação e o prestígio dos vinhos portugueses.
 
O Vinho Periquita se deve ao nome “popular” que as uvas do tipo Castelão têm em Portugal. Até 2001 o vinho Periquita era produzido especificamente com esta uva, desde a safra 2001 entretanto a vinícula passou a compor o vinho como um “corte” de 3 uvas, Castelão, Trincadeira e Aragonez, todas cepas nativas da península Ibérica. A Castelão continua correspondendo à maior parte do corte, mas a mistura deixou o vinho mais suave e fácil de beber, o que se mostrou acertado por se tratar de um vinho “corrente”, como chamado em Portugal, quase o que chamamos de vinho de mesa, só que feito com uvas viníferas (Vitis vinifera).
 
O vinho mostrou, apesar dos 4 anos de vida, uma cor rubi brilhante e viva, com halo púrpura bem discreto, sem grandes sinais de evolução e com boa formação de lágrimas. No nariz: aromas de frutas vermelhas maduras, leve floral e toques de especiarias e tostado. Em boca mostrou um bom equilíbrio entre taninos - acidez - álcool, repete a fruta e a especiaria. Final de boca de média intensidade com um adocicado leve aparecendo no retrogosto.
 
É um vinho jovem, sem grande poder de guarda. Equilibrado e honesto, que consegue cumprir bem o seu papel de ser um vinho para ser consumido de forma frequente e descontraída. Um vinho com bom custo versus benefício e que irá agradar os iniciantes ou os que não querem se aprofundar muito no mundo do vinho.
 
O Rótulo

Vinho: Periquita
Tipo: Tinto
Castas: Castelão (85%), Aragonez (%7) e Trincadeira (8%)
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos S/A
Enólogo: Domingos Soares Franco
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: Rede de Supermecardos
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16 a 18º

sábado, 29 de dezembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Roquevale

A Roquevale foi fundada por António Alfredo Gomes dos Santos, produtor de vinho na região de Torres Vedras, Estremadura e que foi o primeiro viticultor exterior ao Alentejo a acreditar no seu potencial para a produção de grandes vinhos. Em 1970, adquiriu na região do Redondo, a Herdade (Fazenda) da Madeira Nova de Cima e o Monte Branco. A primeira, de terrenos xistosos, para as castas tintas, e a segunda, de solos graníticos, essencialmente para as castas brancas.

Durante vários anos as uvas foram entregues numa Adega Cooperativa. Em 1983, por iniciativa do genro de Gomes dos Santos, Carlos Roque do Vale, foi criada a Roquevale. Seis anos mais tarde foi construída uma adega no meio das vinhas do Monte Branco e em 1989 iniciou-se a produção de vinho com marca própria.
 
Após ter sido diretor de uma Adega Cooperativa durante nove anos, Carlos Roque do Vale assumiu o controle da Roquevale. Com base na experiência que tinha adquirido, passou a construir, de forma determinada, uma grande empresa vitivinícola. O objetivo que impôs a si próprio era simples: “produzir vinhos que soubessem conquistar o mercado”. E atingiu-o de forma indiscutível. Atualmente com 200 hectares de vinhas próprias, uma adega moderna e bem equipada, caves de envelhecimento grandes e muito bonitas, a Roquevale é a segunda maior empresa privada de vinhos do Alentejo.
 
Esse foi o penúltimo stand que visitamos durante o Passeio Enológico por Portugal. Degustamos 5 rótulos da Roquevale e os descrevo nas linhas que seguem.
 
Convento da Serra Branco 2010
 
Vinho muito fácil de se encontrar no Brasil. Possui um rótulo com a imagem de um convento e uma imagem de azulejos  com a inscrição do nome do rótulo, tornando o rótulo e o nome do vinho muito harmonicos.
 
O vinho mostrou uma cor amarelho clara, com tons palha. Aromas de limão, denotando bastante frescor ao vinho. Em boca mostrou-se suave, com boa acidez e frescor. Final de boca refrescante e de média persistência.
 
O Rótulo
 
Vinho: Convento da Serra
Tipo: Branco
Casta: Fernão Pires, Rabo de Ovelha e Roupeiro
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 12,5%
Onde comprar: RM Express e DLP
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 12º
 
Terras de Xisto Rosé 2009
 
Vinho de cor vermelho cereja. No nariz também msotrou aromas frescos e de fruta vermelha (cereja) em boa intensidade. Em boca apresentou boa acidez, corpo médio e bom equilíbrio.
 
O Rótulo

 
Vinho: Terras de Xisto
Tipo: Rosé
Casta: Tinta Roriz, Castelão
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 12º
 
 
 
Convento da Serra Tinto 2010
 
Vinho de cor rubi intensa e brilhante com presença de poucas lágrimas, finas e lentas. No nariz mostrou aromas de fruta vermelha em média intensidade. Em boca mostrou taninos suaves e redondos, em bom equilíbrio com a acidez e o álcool. Final de corpo de média intensidade com a fruta aparecendo no retrogosto.
 
O Rótulo

 
Vinho: Convento da Serra
Tipo: Tinta
Casta: Tinta Roriz, Castelão e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16º
 
 
 
 
 
Tinto da Talha 2009
 
Este vinho nos transporta na história. O seu nome é uma homenagem às técnicas de vinificação utilizadas pelos romanos há 2000 anos atrás no Alentejo. É um vinho com maior requinte e mais trabalhado e recebeu melha de bronze da Decanter e de prata no Concurso Nacional de Vinhos.
 
Visualmente mostrou cor rubi intensa e fechada, com lágrimas finas e rápidas em grande quantidade. No nariz muito intenso, com toques florais e de fruta em compota. Em boca mostrou taninos potentes, mas macios e redondos, bom equilíbrio. Final de boca muito intenso e agradável, com um gole pedindo outro.
 

O Rótulo

 
Vinho: Tinto da Talha
Tipo: Tinto
Casta: Castelão e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13,5%
Onde comprar: ?
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16º
 
 
Roquevale Reserva Tinto Reserva 2005
 
Esse é o vinho Top da Roquevale; estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e americano e inúmeros prêmios dentre eles: Challenge International du Vin 2011 – GOLD Medal, Concours Mondiale de Bruxelles 2011 – Medaille OR, Internacional Wine Guide 2011 - Silver Medal, International Wine Challenge 2009 - Silver Medal, Concours Mondial de Bruxelles 2009 - Silver Medal, Vinalies Internationales 2009 - Vinalies d'Argent, Wine Master Challenge 2009 - Bronze Vine Leaf, Challenge International du Vin 2009 - Médaille d'Argent.
 
Visualmente mostrou uma cor rubi granada com uma verdadeira chuva de lágrimas finas e rápidas. No nariz primorosos, com notas de café, fruta vermelha madura, tostado e toques de couro, com a fruta em bom equilíbrio com a madeira. Em boca muito intenso e estruturado, com taninos potentes e em bom equilíbrio com álcool e acidez. Final de corpo persistente e com bom potencial de guarda.
 
O Rótulo

 
Vinho: Roquevale Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Tinta Caiada, Touriga Nacional e Alicante Bouschet
Safra: 2005
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13,5%
Onde comprar: ?
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16º

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Paulo Laureano Premium Tinto 2009

Os vinhos da Paulo Laureano Vinus estão sem sombra de dúvida entre os meus prediletos provenientes de Portugal. Vinhos que exaltam as castas portuguesas e que trazem ao consumidor muita potencia e equilíbrio.
 
O primeiro rótulo do produtor que degustei foi o tinto clássico (relembre), o rótulo de entrada, mas que assim como os demais mostra-se muito bem elaborado. Também foi deste produtor o vinho que escolhi para a minha primeira participação na CBE, o Reserve Branco 2010: primoroso. Em abril deste ano tive a oportunidade de degustar com o próprio Paulo Laureano outros rótulos no Passeio Enológico por Portugal.
 
O Paulo Laureano Premium 2009  é um corte de três tradicionais castas portuguesas: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet, teve 6 meses passagem por barricas de carvalho e está disponível em embalagens que vão de 375ml a 3000 ml.
 
O vinho apresentou uma cor rubi intensa e brilhante, halo rubi translucido e lágrimas grossas e lentas. Seu bouquet mostrou-se intenso e amadeirado em um primeiro instante, remotando para a necessidade de aeração, após cerca de 15 minutos os aromas começaram a abrir e mostraram a fruta negra madura, chocolate amargo, menta e tostado. Em boca mostrou-se bem estruturado, com taninos potentes e em bom equilíbrio com acidez e álcool. A fruta e o tostado aparecem novamente em boca. Corpo médio-longo com a fruta aparecendo final de boca. O rótulo ainda com potencial para mais uns 3 anos na garrafa
 
Harmonizou perfeitamente com um pernil de cordeiro.
 
O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Premium
Tipo: Tinto
Casta: Aragonez, Trincadeira e Alicante Bouchet
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Enólogo: Paulo Laureano
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 16 - 18º

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Casa de Sabicos

Detentora de uma casa agrícola com uma considerável área vitícola e uma adega tradicional herdada dos seus antepassados, a Avó Sabica cultivou nos seus filhos e netos o prazer de fazer e beber bons vinhos. Esta senhora foi uma mulher sábia, decidida e detentora de um extraordinário poder de aglutinação.

Em meados do século XIX, ela e os seus oito filhos produziam vinhos individualmente. A D. Sabica promovia então uma saudável competição em casa. Todos os anos era realizado um concurso que elegia entre eles o melhor vinho da família.

Quase dois séculos depois, dos mesmos solos, de vinhas com as mesmas castas, surge um novo vinho, através do qual, bisnetos e trinetos procuram preservar os tesouros que os vinhos da Avó Sabica escondiam. O Casa de Sabicos é disso um testemunho e simultaneamente uma homenagem àquela grande senhora.

A tradição familiar, somada aos mais de 30 anos de experiência do Eng. Joaquim Madeira no acompanhamento das vinhas e aos conhecimentos do enólogo Paulo Laureano, só poderia resultar em vinhos de qualidade superior, com preços competitivos. Os vinhos da safra 2001 esgotaram-se em poucos meses no mercado português. Em 2004, foi construída uma bonita e bem equipada adega, no meio das vinhas, o que contribuiu para a melhoria da já elevada qualidade dos vinhos deste produtor. Neste mesmo ano foi eleito pela Revista de Vinhos portuguesa “Produtor Revelação do Ano”, um dos prêmios mais disputados entre os produtores de vinho de Portugal.
 
Desta vinícola tivemos a oportunidade de degustar o Montoio Tinto 2009, o Casa de Sabicos Reserva Tinto 2007, o Joaquim Madeira Tinto 2007 e o emblemático Avó sabica 2004.
 
Montoito Tinto 2009
 
Vinho de entrada da Casa de Sabicos, com estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. Montoito é uma pequena aldeia localizada a 35 Km de Évora, a capital do Alentejo. Nesta charmosa aldeia mora boa parte da família paterna do Manuel, o sócio da Adega Alentejana junto com a sua esposa. Em todas as viagens do Manuel a Portugal, Montoito é parada obrigatória de pelo menos 2 dias. Os primos do Manuel, Joaquim Madeira e Graça, são proprietários da Casa de Sabicos localizada a 2km de Montoito. O bonito rótulo desta garrafa é uma aquarela de autoria da Graça. Nela estão retratados o coreto, a igreja e a sua torre com os sinos localizados na praça principal de Montoito.

O vinho mostrou uma cor rubi vermelha, intensa e brilhante e uma boa formação de lágrimas. No nariz aromas de frutos vermelhos e leve toque de madeira. Em boca apareceu com taninos macios e uma boa acidez intensa. A fruta aparece no retrogosto. Um vinho com boa estrutura e com final de corpo de boa intensidade, suportando ainda alguns anos de guarda.

O Rótulo

Vinho: Montoito
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 50,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 
 
 
Casa de Sabicos Reserva Tinto

Este é uma vinho mais elaborado e que além das castas presentes no nontoito conta também com a Cabernet Sauvignon. Passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês.

O rótulo mostrou uma cor rubi intensa, com lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se intenso com a fruta vermelha aparecendo em evidência, seguida por notas elegantes de baunilha, fumo e café. Em boca mostrou grande volume, com notas de fruto fresco, de balsâmico e couro, final de corpo longo e intenso.

O Rótulo

Vinho: Casa de Sabicos Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de serviço: 16 graus

 
 
Joaquim Madeira Tinto 2007

O Eng. Joaquim Madeira é um romântico. Com este vinho ele simplesmente reproduziu os vinhos da década de 60, com muitas castas, uvas maduras e fermentações muito lentas (a fermentação alcoólica deste vinho durou 33 dias !). A única alteração foi o uso do controle de temperatura nas fermentações, tecnologia não disponível em 1960. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho português. Este vinho elegante e com boa estrutura deverá continuar a evoluir nos próximos 10 a 15 anos.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intensa e profunda, com boa formação de lágrimas nas paredes da taça. No nariz apareceu muito complexo, mostrando um pouco de fruta em compotas e fruta seca, notas sutis de chocolate e de madeira. Em boca  mostrou-se macio, frutado, muito equilibrado. Final de boca longo e persistent, juntamente com a excelente acidez.

O Rótulo

Vinho: Joaquim Madeira
Tipo: Tinto
Casta: Alfrocheiro, Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Carignan, Castelão, Crato, Grand Noir, Grenache, Moreto, Pinot Noir, Tinta Caiada, Touriga Nacional e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 120,00
Temperatura de serviço: 16 graus
Avó Sabica 2004

O nome deste vinho de altíssima qualidade é uma justa e merecida homenagem dos bisnetos Joaquim Madeira e Graça Ramalho à sua Avó Sabica, uma senhora que viveu no século XIX e é muito admirada até os dias de hoje. Recebeu a nota 18, numa escala de 0 a 20, da conceituada Revista de Vinhos de Portugal. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. Foram produzidas apenas 4.800 garrafas numeradas.

Esse foi sem sombra de dúvida o melhor vinho degustado durante o passeio enológico por portugal. Um vinho com 8 anos de vida, mas ainda com muita potência e grande potencial para guarda.

Apresentou uma cor rubi, lágrimas abundantes e que escorriam lentamente pelas paredes da taça. No nariz mostrou-se muito complexo e intenso, rico em notas de frutas escuras, com notas de ervas e especiarias. Em boca, muito encorpado rico e cremoso, sobressaindo o caráter austero e firme. O álcool não aparece e está muito integrado aos taninos poderosos e a bela acidez, a qual lhe confere frescura.

O Rótulo

Vinho: Avó Sabica
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2004
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 450,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Monsaraz Tinto 2010

Esse alentejano foi o segundo rótulo degustado na casa do amigo Juberlan no dia 18. Esse aí foi aberto quase que em concomitância com saída do braseiro de uma bela picanha suína.

A CARMIM – Cooperativa Agrícola de Reguengos de Monsaraz – foi criada em 1971 por um grupo de 60 viticultores. Trinta e sete anos depois, a qualidade dos vinhos CARMIM passou a ser sinônimo de excelência. A empresa lidera o mercado nacional no segmento dos vinhos de qualidade.
 
A empresa possui atualmente cerca de mil associados e produz 24 referências de vinhos: dos brancos aos tintos, dos jovens aos reservas, passando pelos licorosos, rosé ou espumantes. A CARMIM também produz aguardente e azeites de reconhecida qualidade.
 
O Monsaraz Tinto 2010 é um vinho jovem. Visualmente mostrou uma cor rubi intensa e um halo atijolado claro, mostrando a evolução, com lágrimas lentas. No nariz mostra a fruta vermelha em primeiro plano e a madeira aparecendo de forma sutil. Em boca mostrou-se macio e redondo, com taninos bem integrados  a acidez e ao álcool; final de boca prolongado e com a fruta aparecendo no retrogosto.


O Rótulo

Vinho: Monsaraz
Tipo: Tinto
Castas: Trincadeira 40%, Aragonez 30% e Alicante 30%
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: CARMIM
Graduação: 13%
Onde comprar: Pescadeiro
Preço Médio: R$ 32,00
Temperatura de serviço: 16 graus

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Minha Compra Certa - Rapariga da Quinha Colheita Selecionada 2009

Há alguns vinhos que definitivamente você não tem medo de comprar, por isso resolvi criar mais uma sessão aqui no blog: Minha Compra Certa, para acessar basta ir ao menu Especiais e clicar no link com o nome da sessão.

Hoje irei postar sobre o primeiro vinho dessa nova sessão: Rapariga da Quinta Colheita Selecionada 2009, um vinho que leva o nome de Luís Duarte, que é um dos enólogos mais renomados de Portugal.

Luís Duarte é um dos enólogos mais renomado de Portugal. Em 1997 foi destacado com o título de Enólogo do Ano pela Revista de Vinhos, uma das publicações especializadas mais prestigiadas de Portugal. Em 2007 repetiu a façanha, conquistando novamente este título. Em 2010, foi nomeado para a categoria “Best Winemaker in the World” do Wine Awards 2010, um concurso realizado pela revista alemã Der Feinschmecker e ficou entre os seis finalistas.


Em seus quase 25 anos de carreira, sempre no Alentejo, Luis Duarte vem assinando muitos dos vinhos alentejanos que mais prazer proporcionam e maior sucesso tem alcançado. E recentemente tem nos presenteado com vinhos de seu projeto pessoal, elaborados com suas vinhas, daquelas que circundam a sua casa, são eles: Rubrica Tinto, Rubrica Branco, Rapariga da Quinta Colheita Selecionada, Rapariga da Quinta Reserva e Rapariga da Quinta Branco; todos eles receberam mais de 90 pontos nas safras de 2008 e 2009.

De um enólogo, e agora produtor, com um tal percurso, espera-se um vinho consequente com a sua carreira. E isso, para quem segue e conhece o trabalho de Luís Duarte, é uma daquelas premissas que está garantida.

O Rapariga da Quinta Colheita Selecionada já foi comentado aqui no Blog, só que a safra 2008: relembre.

A safra de 2009 recebeu 91 pts na WE, mostrando a qualidade e continuidade dos processos de excelência, dando ao consumidor confiança e a certeza de estar comprando um produto de qualidade, é aqui que podemos dizer que podemos comprar sem medo de errar.

O Rapariga da Quinta Colheita Selecionada 2009 mostrou uma cor rubi clara com sinais de evolução, lágrimas finas e lentas. No nariz muito aromático, com a fruta em predominância, mas bem integrada a elegantes e suaves notas de tostado. Em boca mostrou-se suave e delicado, com taninos redondos e elegantes em perfeita harmonia com o álcool e a acidez. Final de boca de média intensidade e a fruta aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Rapariga da Quinta Colheita Selecionada
Tipo: Tinto
Castas: Aragonês, Touriga Nacional e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor:Luís Duarte Vinhos
Enólogo: Luís Duarte
Graduação: 14%
Onde compra: RM Express
Preço Médio: R$ 35,00 (Por esta garrafa paguei R$ 29,00 na promoção)
Temperatura de serviço: 16 graus

sábado, 30 de junho de 2012

Pacato 2009

Estava outro dia em uma loja de bebidas e bati o olho em uma garrafa de vinho, o rótulo e o nome me chamaram a atenção: cores em harmonia assim como nome do vinho e imagem estampada no rótulo, o vinho - Pacato Tinto 2009, mas esse aí estava pacato apenas no nome... Errei no olho e na mão...

O vinho mostrou uma cor vermelho rubi, com halo violáceo e lágrimas finas e lentas. No nariz apresentou aroma de frutas vermelhas maduras, com um discreto toque de pimenta e café. Em boca apesar de taninos macios o que me vem a mente quando lembro do vinho é a acidez bem marcada e pronunciada, que só aumentou com o tempo, nem a aeração foi capaz de diminuir a acidez; fato este que me fez deixar a garrfa de lado após duas taças... Não agradou, quem sabe outra safra...

Do vinho degustei 2 taças e o que ficou? Dor... meu estômago, que dificilmente reclama, não aguentou e reclamou com uma dor de cabeça na fronte por umas 3 horas... E Fernanda, que já tem problemas de estômago, não aguentou mais que 150ml...

O Rótulo

Vinho: Pacato
Castas: Trincadeira e Syrah
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Herdade Monte da Cal
Graduação: 13%
Onde Comprar: DLP
Preço Médio: R$ 27,00
Temperatura de Serviço: 16 graus

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Monte do Pintor

“Quando o viajante acordou e abriu a janela do quarto, o mundo estava criado. Era cedo, ainda vinha longe o Sol. Nenhum lugar pode ser mais serenamente belo, nenhum o será com meios mais comuns, terra larga, árvores, silêncio…”

José Saramago - Prêmio Nobel da Literatura 1998
em VIAGEM A PORTUGAL capítulo
“A Grande e Ardente Terra de Alentejo”

Chegamos a mais uma postagem sobre o Passeio Enológico por Portugal - PEP, onde vamos falar sobre a Monte do Pintor, que assim como as demais vinícolas portuguesas presentes  no PEP e já comentadas aqui, possuem uma história bem recente, de alguns anos ou décadas.

A Monte do Pintor foi constituída em 1991 e o primeiro vinho produzido data de 1993. Ela está situada próximo a Igrejinha, conselho dos Arraiolos e têm uma área de 200 ha, dos quais 30 ha. Em 1995 iniciou-se a comercialização dos vinhos.

Seus vinhos são compostos, majoritariamente, por castas tradicionais alentejanas: Trincadeira e Aragonez, bem como Alicante Bouschet, Castelão, Verdelho, Antão Vaz e Arinto.

Monte do Pintor Branco 2010

Este é o primeiro rótulo branco produzido pela vinícola e foi lançado em 2011. É um vinho produzido a partir de vinhas novas de Antão Vaz, Arinto e Verdelho.

O vinho mostrou uma cor amarelo clara, com reflexos esverdeados. No nariz foram perceptíveis notas de frutas tropicais. Em boca mostrou-se muito fresco, uma boa acidez e um leve toque mineral, dando um bom volume e conferindo um bom final de boca.

O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor
Tipo: Branco
Castas: Antão Vaz, Arinto e Verdelho
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 12,5%
Onde Comprar: Loja de Bebidas (Loja Virtual)
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de Serviço: 12 graus

Pequeno Pintor Tinto 2008

Esse rótulo foi fruto de uma postagem recente: relembre e, portanto, não repetirei as impressões do mesmo.


O Rótulo

Vinho: Pequeno Pintor
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$  40,00
Temperatura de Serviço: 16 graus


Monte do Pintor Tinto 2008

Rótulo com 18 meses de repouso em barricas de carvalho francês de segundo uso e mais 6 meses de repouso em garrafa antes da comercialização. Visualmente mostrou uma cor rubi intensa sem sinais de evolução e lágrimas finas e lentas. Um bouquet  rico em frutas escuras em compota, notas de café tostado e madeira. Em boca repetiu a fruta com boa integração com a madeira e taninos potentes, mas macios e bem integrados ao álcool e a acidez.


O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 14%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$  80,00
Temperatura de Serviço: 16 graus


Monte do Pintor Reserva Tinto 2007

Trata-se do rótulo topo de gama da vinícola, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês de primeiro uso e repouso de mais 12 meses na garrafa e dele foram produzidas apenas 14.700 garrafas.

Visualmente mostrou uma cor rubi intensa e densa, sem sinais de evolução e lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se complexo com a fruta negra madura aparecendo em primeiro plano, seguido de delicadas notas de chocolate amargo e pimenta preta. Em boca muito intenso, com taninos sólidos e potentes, bom equilíbrio e boa persistência e um final de boca com notas de especiarias e a madeira sobressaindo um pouco, mas nada comprometedor.


O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 14%
Onde Comprar: Internet
Preço Médio: R$ 150,00
Temperatura de Serviço: 16 graus



* Os Rótulos são de autoria do Escultor português João Cutileiro


segunda-feira, 11 de junho de 2012

Pequeno Pintor 2008

Continuando a noite do dia dois de junho, passamos para um tinto do Alentejo que também estava na adega há algum tempo, sempre convidando a ser bebido.

Degustei esse mesmo vinho no Passeio Enológico por Portugal - PEP. O rótulo é produzido pela Monte do Pintor, a qual ainda será tema de uma postagem, onde falarei um pouco sobre a história da mesma bem como de todos os vinhos que degustei.

O Pequeno Pintor é o vinho mais simples da Monte do Pintor e trata-se de um corte das variedades Aragonez e Trincadeira. A safra degustada foi a de 2008. O rótulo da garrafa é uma atração à parte, visto que a ideia é que de fato pareça com uma pintura e mesmo fazendo uso de cores básicas não deixa o charme de lado.

O vinho mostrou uma bela cor granada com discretos reflexos violáceos, mas já com sinais de evolução; lágrimas finas e rápidas. No nariz, apesar do curto estágio em barricas de carvalho francês, a madeira mostra-se bem presentes, mas sem agredir e muito bem integradas com os aromas de frutas (ameixa e jambo). Em boca repetiu a fruta e a madeira e mostrou taninos sedosos bem integrados a acidez e ao álcool, dando uma final de corpo agradável e longo. Acompanhou bem tomates recheados e carne de sol.


O Rótulo

Vinho: Pequeno Pintor
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 40,00
Temperatura de Serviço: 16 graus

sábado, 12 de maio de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Adega do Borba


Chegou a hora de começar a falar sobre os vinhos degustados no Passeio Enológico por Portugal. Para ficar mais didático resolvi falar dos vinhos em postagens condensadas por produtor. Então, iniciarei pelos primeiros vinhos degustados: os rótulos da Adega do Borba.

Fundada em 1955, a Cooperativa de Borba foi a primeira de uma série de Adegas Cooperativas constituídas no Alentejo. Eleita Cooperativa do Ano em 2003, 2005 e 2009.

Foi fundada por 12 viticultores da região, inconformados com os baixos preços que os negociantes ofereciam pelos seus vinhos e com as misturas a que os sujeitavam, depreciando-lhes a qualidade e a imagem da região.

Foi o primeiro produtor de vinho a colocar no mercado um VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada) com uma designação alentejana.

Vamos então aos quatro rótulos degustados.

Borba DOC Tinto 2010

O primeiro rótulo da noite foi o Borba DOC Tinto 2010, que é nada mais nada menos que o segundo vinho mais vendido em Portugal. Visualmente mostrou uma cor rubi clara / granada, com lágrimas grossas e lentas. Seu bouquet mostrou-se muito aromático e agradável, com o frutado bem evidente. Em boca repetiu a fruta, mostrando um bom equilíbrio entre taninos, acidez e álcool. Agradável e bom para o dia a dia.

O Rótulo

Vinho: Borba DOC
Tipo: Tinto
Castas:  Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo (Sub-Região: Borba)
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Graduação: 13,5% 
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus

Adega de Borba Premium Tinto 2008

Esse rótulo chamou a atenção pela sua potência e ao mesmo tempo pela sua elegância. Visualmente apresentou uma belíssima cor rubi intensa e profunda, com lágrimas abundantes, finas e rápidas, sem sinais de evolução. No nariz apresentou um ataque de frutos vermelhos maduros, baunilha e tostado, provenientes dos 12 meses de estágio em barricas de carvalho novas. Em boca também se mostrou intenso, repetindo a fruta e a madeira, com taninos redondos e macios e uma final de boca persistente. Pronto para beber, mas com um potencial de guarda de 5 anos, segundo o produtor.



O Rótulo

Vinho: Adega do Borba Premium
Tipo: Tinto
Castas:  Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo (Sub-Região: Borba)
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Pontuações: 91 pts Wine Enthusiast
Graduação: 14%
Preço médio: R$ 77,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus



Senses Touriga Nacional 2009

Outro belo vinho, também muito aromático. Com cor rubi intensa, com reflexos violáceos, lágrimas grossas e lentas. Seu bouquet mostrou um primeiro ataque de madeira (que chegou a causar surpresa quando li que passou apenas 4 meses em barricas, informação depois corrigida... foram na realidade 12 meses), seguido de aromas de frutas e flores vermelhas e um delicado toque de menta, dando uma pequena refrescância. Em boca repetiu a madeira e a fruta, com taninos redondos e uma boa harmonia entre taninos e acidez. Álcool sem agredir, apesar dos seus 15% de graduação.

                                                                                                                                   O Rótulo

Vinho: Senses
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Nacional
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Graduação: 15%
Onde comprar:
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus

Borba Reserva Rótulo de Cortiça Tinto 2008

O rótulo de cortiça é um atrativo a parte, deixa a garrafa ainda mais bela e imponente. Visualmente mostrou uma cor rubi com certos reflexos de evolução, lágrimas finas e abundantes. No nariz, assim como os de mais rótulos, mostrou grande riqueza de aromas, com as frutas maduras em primeiro plano e a madeiras e especiarias vindo em seguida. Em boca repete a fruta e mostra taninos redondos e macios, com bom equilíbrio e uma boa persistência.

Rótulo

Vinho: Borba Reserva Rolha de Cortiça
Tipo: Tinto
Castas: Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Pontuação: 90 pts Wine Enthusiast
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus



Todos os vinhos nos pareceram muito equilibrados e agradáveis, com características olfativas muito intensas e marcantes. Vinhos para serem apreciados com calma, para que sejam degustados em sua plenitude, tirando deles tudo que há de melhor.