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quinta-feira, 2 de julho de 2015

Visan Côtes du Rhône Villages 2007 #cbe

Começo de mês é aquele momento especial e que foi aguardado com ansiedade, em que vários blogueiros escrevem sobre um vinho dentro tema específico escolhido por um dos confrades da primeira e única confraria virtual do Brasil: a CBE.
 
O tema do mês foi: "Um vinho francês que não seja nem Bordeaux e nem Borgonha", uma escolha muito legal do Cristiano Orlandi do Blog Vivendo Vinhos.
 
Para o tema abri o Visan, um corte de Grenache, Carignan e Syrah da AOC Côtes du Rhône Villages, da sub-região de Côtes du Rhône Meridional.
 
A região da Côtes du Rhône é quase uma continuação da Bourgogne, ao sul de Lion, e divide-se em duas sub-regiões, Setentrional e Meridional. Como o nome indica, toda a região se desenvolve nas encostas do rio Rhône e seu entorno. Nesta se produzem principalmente vinhos tintos, mas existem alguns rosés e brancos.
 
A denominação Côtes du Rhône pode ser utilizada em 171 diferentes municípios localizados ao longo do Vale do Rhône, Norte e Sul. Já a denominação Côtes du Rhône-Villages significa uma distinção permitida somente em 95 desses distritos, todos localizados no Rhône do Sul. Ao todo, 21 diferentes cepas são autorizadas nos vinhos de Côtes du Rhône. Grenache é uma das grandes estrelas da região. Muitos dizem que ela é a "carregadora de piano" dos vinhos cortados e deve constituir pelo menos 40% das uvas utilizadas na produção dos tintos (exceto para os Syrah do Norte).

O vinho que escolhi é produzido pela Domaine des Grands Devers, cuja propriedade compreende 62 hectares de vinha plantada, sobretudo nas encostas e morros. Totalmente cercado por uma densa floresta de carvalhos e trufas os  vinhedos se beneficiam de uma posição única, protegida dos ventos do norte e do sul, fato este que controla a influência do ambiente externo.

Mas chega de conversa e vamos ao líquido.

Visualmente apresentou cor rubi âmbar com halo alaranjado e lágrimas grossas e lentas. No nariz os aromas de fruta praticamente inexistiam e deram lugar a um bouquet de boa qualidade, contudo, média-pequena intensidade onde pude preceber notas de pimenta seca, cravo, alcaçuz, alcatrão, balsâmico e terrosas. Em boca mostrou corpo médio com taninos maduros, boa acidez e o álcool sobresaindo-se discretamente. Final de boca seco, com leve adstringência e média persistência e repetição da especiaria e do alcatrão no retrogosto.

Apesar de ainda serem perceptíveis alguns interessantes aromas, nitidamente o vinho já entrou em declínio, mas foi uma boa experiência.

Para harmonizar Fernanda nos preparou aspargos com presunto tipo parma e molho de gorgonzola e também uma adaptação da receita do Boeuf a Wellington, onde o filé mignon bovino foi substituído pelo suíno.


O Rótulo

Vinho: Visan Côtes du Rhône Villages
Tipo: Tinto
Castas: Grenache, Carignan e Syrah
Safra: 2007
País: França
Região: Côtes du Rhône Villages, Côtes du Rhône
Produtor: Domaine des Grands Deevers
Graduação: 13,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 55,00
Temperatura de serviço: 16°

sábado, 8 de março de 2014

O jovem e potente Canepa Genovino Carignan 2009 #aveclevin

No nosso último encontro da Avec le Vin Pedro e Luciana levaram um Carignan simplesmente magnífico: o Canepa Genovino, que com seus 5 anos de vida ainda está jovem e mostrou que ainda tem um bom caminho pela frente.
 
O rótulo é produzido pela tradicional Viña Canepa fundada por Giuseppe Canepa em 1930 e já em 1940 passou a exportar seus vinhos. Recentemente a vinícola firmou parceria com a Concha y Toro objetivando potencializar seu crescimento internacional.
 
A vinícola está localizada no Vale Central, região que representa a tradição da viticultura chilena. A maior concentração de vinhas e vinícolas do Chile está localizada nesta região, que compreende os vales de Maule, Curicó, Colchágua, Cachapoal e Maipo. As microregiões são muito diferentes entre si, e a característica mais notável é seu isolamento impressionante. É uma zona tradicional, grande e fértil, onde as uvas crescem bem e amadurecem facilmente.
 
Canepa Genovino é um 100% Carignan, uma casta originária da região de Aragão, na Espanha, onde também é conhecida como Cariñena. Também é amplamente encontrada no sul da França.
 
Videiras desta casta vieram parar no Maule no na década de 50 do século passado com o objetivo de ajudar a dar acidez, cor e estrutura aos vinhos produzidos com a uva País. Parte destas videiras plantadas em sequeiro* ou em vasos, sem arames de condução, que parecem mãos de grossos pulsos talhadas pelo tempo e pelas colheitas, com seus fortes dedos tortos erguendo-se no ar – ainda estão lá. São pouco mais de 500 hectares de vinhedos, alguns com mais de 60 anos de idade e são estas videiras que deram origem ao Canepa Genovino.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi escura e intensa, com lágrimas finas rápidas e abundantes. No nariz intenso, cheio de frutas negras, notas florais (violetas), de pimenta, café torrado e tostado. Em boca cheio, carnudo... mas elegante; taninos jovens e potentes, excelente acidez e álcool na medida certa. Repetiu as notas olfativas e mostrou bom corpo com final de boca longo e com a fruta, o café e o tostado aparecendo no retrogosto.
 
Vinhaço! Potente, mastigável e que vai ganhar muito com mais alguns anos de guarda... Excelente fechamento do nosso encontro.
 
O Rótulo

Vinho: Canepa Genovino
Tipo: Tinto
Castas: Carignan
Safra: 2009
País: Chile
Região: DO Cauquenes, Valle del Maule
Produtor: Viña Canepa
Enólogo: Javier Solari
Graduação: 13,5%
Onde comprar: Wine
Preço médio: R$ 130,00 (R$ 110,50 para sócios do ClubeW)
Temperatura de serviço: 16°
Premiações e Pontuações: Wine Advocate - 90 Pts, Concours Mondial de Bruxelles - Medalha de Ouro
 
* Post Scriptum
 
Agricultura de sequeiro é uma técnica agrícola para cultivar terrenos onde a pluviosidade é diminuta. A expressão sequeiro deriva da palavra seco e refere-se a uma plantação em solo firme. Mas isso não impede que o plantio seja irrigado em época de seca.

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Domaine de Paris Flûte À Corset Cotês de Provence 2012 #cbe

A Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE chega a sua octogésima sexta edição e o blog ao vigésimo quarto vinho degustado especialmente para a única confraria virtual do país.
 
O tema do mês foi sugerido pelo Alexandre Frias do Diário de Baco, que mandou ver dizendo: "aproveitando esse inicio da primavera, minha sugestão é um Rosé do Velho Mundo, sem limite de preço".
 
Os vinhos rosés, apesar de agradarem, sobretudo nesses dias tórridos que vieram de mala aqui para a Veneza pernambucana, não são muito fáceis de se encontrar, então fui garimpar e a minha escolha veio da região da Provence, famosa pelos seus rosés e por ser o berço destes vinhos.
 
O Domaine de Paris Flûte À Corset Cotês de Provence 2012 é um DOC produzido pela vinícola Damaine de Paris, propriedade da família Brun desde 1900, e está situado nos municípios de Gonfaron e Pignans, nas encostas interiores do maciço dos Mauros.

O vinho é produzido com quatro castas tintas: grenache, syrah, cinsault e carignan, provenientes de videiras com 30 anos de idade.

O vinho vem uma garrafa de formato diferente e rótulo pequeno e delicado, dando ao conjunto uma boa elegância. O líquido mostrou uma cor salmão bem clara, com lágrimas grossas e lentas. Bouquet intenso, com notas de frutas vermelhas, toque floral e delicada nota especiada. Em boca mostrou boa acidez e frescor, com repetição das notas olfativas. Final de boca de boa intensidade, refrescante e com toques minerais aparecendo no retrogosto.
 
Vinho fácil de gostar e beber: rapidinho a garrafa ficou vazia.

O Rótulo

Vinho: Domaine de Paris Flûte À Corset Cotês de Provence
Tipo: Rosé
Castas: Grenache (40%), Syrah (30%), Cinsault (20%) e Carignan (10%)
Safra: 2012
País: França
Região: Provence
Produtor: Les Vins Breban
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: Lacomex
Preço médio: R$ 46,00
Temperatura de serviço: 10º

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Aqui nasceu o Rosé - Domaine de Pontfract 2011 #CBE

No início do ano, alguns dias após completar meu primeiro ano de vida como membro da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, recebi um honroso presente: o de mandar o tema de janeiro, referente a edição de número 77 da única confraria virtual do Brasil.
 
Alguns diferentes temas passaram pela minha mente e então, como por um lampejo, lembrei-me de que havia visto um vinho rosé de cor delicada, elegante e atraente, fui pesquisar e vi que tais vinhos eram provenientes da região francesa da Provence, a qual é considerada o berço do vinho rosé.
 
Aliando o calor quase insuportável que tem feito aqui em Recife a história por trás destes vinhos, sugeri o tema: "As temperaturas deste verão estão escaldantes então vamos nos refrescar a beira da piscina, de um lago, na praia, no conforto do lar... degustando um autêntico vinho Rosé da Provence".
 
Antes de falar do vinho que escolhi permitam-me trazer algumas linhas sobre a história dos vinhos da Provence.
 
Aqui nasceu o Rosé
 
Há 26 séculos, os gregos de Phocea, que fundaram Marselha, trouxeram a Provence a cultura da videira e do vinho. Naquela época o vinho era de cor clara e essa tradição se aprimorou até os dias de hoje. Desta forma, a Provence é considerada o mais antigo vinhedo francês e o rosé o mais antigo vinho do mundo.
 
Terra generosa e de contrastes, luminosa e acolhedora, a Provence abriga um mundo vinícola que possui a marca do seu terroir e que faz um vinho à sua imagem.

Aque são produzidos rosés luminosos e vivos, às vezes maliciosos e turbulentos, brancos elegantes e saborosos, tintos calorosos e potentes.

As castas usulamente utilizadas nos vinhos da região são: tintos e rosés: Syrah, Grenache, Mourvèdre, Cinsault, Tibouren, Carignan. Brancos : Rolle, Sémillon, Clairette, Ugni Blanc.
 
As regiões são subdivididas em: Cotês de Provence, Coteaux d´Aix-en-Provence e Coteaux Varois en Provence; o meu rótulo é da primeira região, sobre a qual trancrevo mais algumas linhas.
 
AOC Côtes de Provence
 
A área de produção da denominação AOC Côtes de Provence se estende de Aix-en-Provence até Nice, sobre 3 departamentos: o Var, o Bouches du Rhône e um enclave nos Alpes Marítimos, sendo 84 municípios em 20.500 hectares.
 
 
Geologia

O terroir da denominação Côtes de Provence tem uma geologia complexa, já que apresenta desde solos calcários (Norte e Leste), cristalinos (Sul e Oeste) e vulcânicos ao extremo leste sobre o terroir de Fréjus. O clima é globalmente mediterrâneo, mas as diferenças em função do relevo e da influência do mar são importantes.

Um mosaico de “terroirs”

Devido a grande variedade do terroir, não existe apenas um, mas sim muitos tipos de Côtes de Provence, tendo cada um sua personalidade geológica e climática. O reconhecimento dos diferentes “terroirs” é, portanto uma etapa decisiva em direção a um refinamento da qualidade.
 
Cinco grandes zonas naturais constituem a denominação e dentro delas são delimitadas três denominações de terroir: Saint-Victoire, Fréjus e La Londe.
 
O vinho que escolhi é o Domaine de Pontfract, produzido pelo Les Vins Bréban em uma propriedade que está com a família há 3 séculos, localizado há poucos km de Brignoles. O vinhedo de 20 ha está localizado num terroir calcário muito ensolorado.

Vinho de sangria e de vinificação moderna com o controle permanente da temperatura. As vindimas são mecânicas e a produção média anual é de 100.000 garrafas.
 
O vinho podia ser tranquilamente degustado como um aperitivo, mas eu preferi harmonizar com uma Paella, um prato simples de fazer e que caiu bem com o refrescante e gastronômico Domaine de Pontfract 2011. Degustei o vinho no conforto do meu lar em uma almoço em família no último domingo, mas cairia perfeitamente em um dos outros locais que sugeri no tema.
 
Sem mais delongas, passemos a análise degustativa do vinho!
 
Visualmente muito delicado, com uma bela garrafa com inscrições em alto relevo. Vinho de cor salmão bem clara. No nariz mostrou um bouquet intenso, com notas de frutas vermelhas (morango e cereja) e também frutos brancos maduros (pêra e pêssego), seguido de toques de damasco e especiarias. Em boca repetiu a fruta vermelha e mostrou também notas especiadas muito interessantes, com elegantes e delicadas notas de fermento. Final de boca de boa intensidade, refrescante e agradável.
 
O Rótulo

Vinho: Domaine de Pontfract
Tipo: Rosé
Castas: Grenache 60%, Cinsault 30% e Carignan 10%
Safra: 2011
País: França
Região: AOC Côtes de Provence
Produtor: Les Vins Bréban S.A.
Graduação: 13%
Onde comprar: Lacomex
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 8º
Premiações: Médaille d’Or Concurso Geral de Paris em 2012

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Casa de Sabicos

Detentora de uma casa agrícola com uma considerável área vitícola e uma adega tradicional herdada dos seus antepassados, a Avó Sabica cultivou nos seus filhos e netos o prazer de fazer e beber bons vinhos. Esta senhora foi uma mulher sábia, decidida e detentora de um extraordinário poder de aglutinação.

Em meados do século XIX, ela e os seus oito filhos produziam vinhos individualmente. A D. Sabica promovia então uma saudável competição em casa. Todos os anos era realizado um concurso que elegia entre eles o melhor vinho da família.

Quase dois séculos depois, dos mesmos solos, de vinhas com as mesmas castas, surge um novo vinho, através do qual, bisnetos e trinetos procuram preservar os tesouros que os vinhos da Avó Sabica escondiam. O Casa de Sabicos é disso um testemunho e simultaneamente uma homenagem àquela grande senhora.

A tradição familiar, somada aos mais de 30 anos de experiência do Eng. Joaquim Madeira no acompanhamento das vinhas e aos conhecimentos do enólogo Paulo Laureano, só poderia resultar em vinhos de qualidade superior, com preços competitivos. Os vinhos da safra 2001 esgotaram-se em poucos meses no mercado português. Em 2004, foi construída uma bonita e bem equipada adega, no meio das vinhas, o que contribuiu para a melhoria da já elevada qualidade dos vinhos deste produtor. Neste mesmo ano foi eleito pela Revista de Vinhos portuguesa “Produtor Revelação do Ano”, um dos prêmios mais disputados entre os produtores de vinho de Portugal.
 
Desta vinícola tivemos a oportunidade de degustar o Montoio Tinto 2009, o Casa de Sabicos Reserva Tinto 2007, o Joaquim Madeira Tinto 2007 e o emblemático Avó sabica 2004.
 
Montoito Tinto 2009
 
Vinho de entrada da Casa de Sabicos, com estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. Montoito é uma pequena aldeia localizada a 35 Km de Évora, a capital do Alentejo. Nesta charmosa aldeia mora boa parte da família paterna do Manuel, o sócio da Adega Alentejana junto com a sua esposa. Em todas as viagens do Manuel a Portugal, Montoito é parada obrigatória de pelo menos 2 dias. Os primos do Manuel, Joaquim Madeira e Graça, são proprietários da Casa de Sabicos localizada a 2km de Montoito. O bonito rótulo desta garrafa é uma aquarela de autoria da Graça. Nela estão retratados o coreto, a igreja e a sua torre com os sinos localizados na praça principal de Montoito.

O vinho mostrou uma cor rubi vermelha, intensa e brilhante e uma boa formação de lágrimas. No nariz aromas de frutos vermelhos e leve toque de madeira. Em boca apareceu com taninos macios e uma boa acidez intensa. A fruta aparece no retrogosto. Um vinho com boa estrutura e com final de corpo de boa intensidade, suportando ainda alguns anos de guarda.

O Rótulo

Vinho: Montoito
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 50,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 
 
 
Casa de Sabicos Reserva Tinto

Este é uma vinho mais elaborado e que além das castas presentes no nontoito conta também com a Cabernet Sauvignon. Passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês.

O rótulo mostrou uma cor rubi intensa, com lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se intenso com a fruta vermelha aparecendo em evidência, seguida por notas elegantes de baunilha, fumo e café. Em boca mostrou grande volume, com notas de fruto fresco, de balsâmico e couro, final de corpo longo e intenso.

O Rótulo

Vinho: Casa de Sabicos Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de serviço: 16 graus

 
 
Joaquim Madeira Tinto 2007

O Eng. Joaquim Madeira é um romântico. Com este vinho ele simplesmente reproduziu os vinhos da década de 60, com muitas castas, uvas maduras e fermentações muito lentas (a fermentação alcoólica deste vinho durou 33 dias !). A única alteração foi o uso do controle de temperatura nas fermentações, tecnologia não disponível em 1960. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho português. Este vinho elegante e com boa estrutura deverá continuar a evoluir nos próximos 10 a 15 anos.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intensa e profunda, com boa formação de lágrimas nas paredes da taça. No nariz apareceu muito complexo, mostrando um pouco de fruta em compotas e fruta seca, notas sutis de chocolate e de madeira. Em boca  mostrou-se macio, frutado, muito equilibrado. Final de boca longo e persistent, juntamente com a excelente acidez.

O Rótulo

Vinho: Joaquim Madeira
Tipo: Tinto
Casta: Alfrocheiro, Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Carignan, Castelão, Crato, Grand Noir, Grenache, Moreto, Pinot Noir, Tinta Caiada, Touriga Nacional e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 120,00
Temperatura de serviço: 16 graus
Avó Sabica 2004

O nome deste vinho de altíssima qualidade é uma justa e merecida homenagem dos bisnetos Joaquim Madeira e Graça Ramalho à sua Avó Sabica, uma senhora que viveu no século XIX e é muito admirada até os dias de hoje. Recebeu a nota 18, numa escala de 0 a 20, da conceituada Revista de Vinhos de Portugal. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. Foram produzidas apenas 4.800 garrafas numeradas.

Esse foi sem sombra de dúvida o melhor vinho degustado durante o passeio enológico por portugal. Um vinho com 8 anos de vida, mas ainda com muita potência e grande potencial para guarda.

Apresentou uma cor rubi, lágrimas abundantes e que escorriam lentamente pelas paredes da taça. No nariz mostrou-se muito complexo e intenso, rico em notas de frutas escuras, com notas de ervas e especiarias. Em boca, muito encorpado rico e cremoso, sobressaindo o caráter austero e firme. O álcool não aparece e está muito integrado aos taninos poderosos e a bela acidez, a qual lhe confere frescura.

O Rótulo

Vinho: Avó Sabica
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2004
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 450,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 

domingo, 1 de julho de 2012

Barton & Guestier Gold Label Côtes du Rhône 2009 #CBE

O primeiro dia do mês é dia de post da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que neste mês de julho chega a sua septuagésima edição e a sexta em que o Vinhos de Minha Vida participa.
 
A CBE possui particularidades que dificilmente outra confraria tenha: além de ser uma confraria virtual e possivelmente a única neste formato e das postagens terem dia certo para acontecer a CBE passa por momentos de certa ansiedade, que são os dias de aguardo do tema do mês subsequente, os quais são seguidos por desafiantes e divertidas buscas pelo vinho que será degustado e comentado aqui. Enfim, é uma confraria diferente e sinto-me muito privilegiado em participar da mesma e poder aprender com todos os confrades.
 
O tema do mês foi escolhido pelo confrade Daniel Perches, do blog Vinhos de Corte, que mandou ver dizendo: "Um vinho que tenha a uva Carignan. Se possível, um varietal, mas se não der, pode ser um corte. Qualquer país e qualquer preço".
 
A uva Carignan tem uma provável origem espanhola, onde pode ser chamada de Cariñena (em Aragón) ou Mazuelo (Rioja), apesar de ser a uva tinta mais plantada da França com cerca de 100 mil hectares (já teve quase o dobro, quase 212 mil hectares até 1968, mas muitos vinhedos foram arrancados). Tanto na França como na Espanha é mais utilizada em cortes do que na elaboração de vinhos varietais.
 
O Velho Mundo ainda é plantada na Itália, chamada de Carignano, presente na Lombardia e, sobretudo na ilha da Sardenha e também em Portugal (Ribatejo) e na Grécia. No Novo Mundo pode se encontrada na Argentina, Califórnia e sobretudo no Chile, país que mostra bons varietais, como da vinícola Odfjell, ou cortes em que ela predomina, como por exemplo em alguns vinhos da vinícola Morandé.
 
Por tudo que foi escrito acima e também pela curiosidade em conhecer e degustar uma varietal com essa uva queria muito ter encontrado um exemplar para compartilhar aqui com os confrades e leitores do blog, mas infelizmente não deu, mas fica a promessa de dentro em breve degustar e postar aqui sobre um varietal da Carignan.
 
A minha escolha do mês da CBE vem da França e foi um assemblage com as uvas Grenache, Syrah e Carignan: o Barton & Guestier Gold Label Côtes du Rhône 2009. Quando peguei a garrafa na prateleira e disse vai ser esse, logo vieram a mente pequenas aves originárias da ásia e que habitam também na Europa e Brasil: as Codornas; comprei essas pequenas aves e as preparei no forno após marinada em vinho tinto, cebola, alho, alho poró, ervas secas, sal e pimenta do reino por cerca de 4 horas.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intenso, com nuances violetas e uma chuva de lágrimas lentas. No nariz mostrou média intensidade com a fruta escura aparecendo em um primeiro plano alternando-se com delicados toques de café tostado e pimenta seca. Em boca mostrou-se muito delicado e elegante, com taninos macios e bem integrados a acidez e ao álcool. Final de boca com sabor levemente picante e de média intensidade.
 
Um vinho fácil de beber, com um ótimo custo versus benefício que pode ser muito bem descrito como um vinho elegante e macio; harmonizou perfeitamente com as codornas, que ficaram de lamber os beiços.
 
 
O Rótulo


Vinho: Barton & Guestier Gold Label
Castas: Grenache (50%) , Syrah (30%) e Carignan (20%)
Safra: 2009
País: França
Região: Côtes du Rhône
Produtor: Barton & Guestier
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 40,00 (pode chegar a R$ 85,00)
Temperatura de Serviço: 16 graus

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Cono Sur Bicicleta Cabernet Sauvignon 2009

Uns compram vinho por indicação, outros pelo nome, outros ainda de acordo com sua própria personalidade e, muitos outros pelo rótulo. Esse Cono Sur foi escolhido pelo rótulo, a simplicidade e a leveza que a bicicleta estampada trouxe me atraiu sobremaneira.

Sempre procuro pesquisar e ler um pouco sobre o produtor de todos os vinhos que degusto e com este não foi diferente e a história desta vinícula é um tanto quanto surpreendente.

A Viña Cono Sur é bem jovem: 19 anos, mas já possui uma história de uma gigante. Fundada em 1993 a Vinícola possui dois interessantes projetos o "Proyecto Pinot Noir" destinado a produzir vinhos premium de categoria mundial e o projeto de produção de vinhos orgânicos, que produz vinhos com as cepas Sauvignon Blanc, Chardonnay, Pinot Noir e um corte Cabernet Sauvignon-Carmenere.

Mas, o que mais impressiona na jovem empresa são as suas conquistas. Em 2002, menos de dez anos de sua criação a Viña Cono Sur foi a primeira Viña da America Latina a ter seu sistema de gestão certificado com as normas ISO 9001 e ISO 14001. Em 2003 teve a primeira colheita certificada de uvas orgânicas (apenas 3 anos após o início do cultivo) e se firmou como a terceira maior exportadora em volume do Chile. Em 2007 finaliza o ano como a segunda vinícola chilena em vem exportação de vinhos engarrafados e no mesmo ano é a primeira vinícula do mundo a obter o status CarbonNeutral, por conseguir neutralizar as emissões de CO2 produzido a partir do processo de produção dos vinhos e em 2010 torna-se a primeira vinícula da américa e a terceira do mundo a obter o certificado ISO 14064-1.

E o vinho!!! O Cono Sur Bicicleta Cabernet Sauvignon 2009 é um vinho da linha de entrada da vinícola e mostrou-se acima de tudo um vinho simples, direto e muito correto. De cor rubi intensa com lágrimas finas e lentas. Seus aromas são intensos e bem perceptíveis, destacando-se ameixa, pimenta do reino, menta e um pouco de pimentão. Em boca repetiu a fruta, a pimenta e a menta. Taninos, acidez e álcool bem equilibrados e integrados. Final de corpo médio.

Acompanhou bem uma manhinha temperada apenas com sal azeite e vinho e preparada na chapa.

O Rótulo

Vinho: Cono Sur Bicicleta
Tipo: Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon (Carménère, Merlot, Syrah, Malbec, Carignan, Alicante)
Safra: 2009
País: Chile
Região: Valle Central
Produtor: Viña Cono Sur
Enólogo: Adolfo Hurtado
Graduação: 13,5%
Onde comprar: Pão de Açucar
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 18º