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domingo, 16 de agosto de 2015

Schloss Johannisberger e seus deliciosos vinhos do mais antigo vinhedo Riesling do mundo #CantuDay

Dando sequência as postagens sobre os vinhos degustado no Cantu Day Recife, realizado no último dia 11, irei falar sobre os vinhos alemães da Vinícola Schloss Johannisberger e seus fantásticos e deliciosos rieslings.

 
A vinícola Schloss Johannisberger, esta localizada na região do Rheingau, uma privilegiada região. A propriedade foi citada pela primeira vez num inventário da Abadia Sanctis Johannis (São João Batista), em 1143. É uma das mais antigas em atividade de todo o mundo e é a primeira vinícola de Riesling do mundo, tendo cultivado e aprimorado a casta principal do país há cerca de 300 anos.
 
A região do Rheingau, na Alemanha, produz vinho desde a Alta Idade Média, e as primeiras mudas foram levadas pelos romanos, já no fim do Império, mas a viticultura se desenvolveu, de fato, apenas na Época dos Carolíngios, sob a dinastia de Carlos Magnus. O terroir local é frio, chove pouco, e tem muita luminosidade, embora pouco calor. O solo é formado por calcário e pedras: o local da uva Riesling por excelência.

Em 1870 notas fiscais de comerciantes holandeses mostram que o vinho era vendido aos ingleses como “First Growth”, termo que se assemelha ao “Grand Cru”, da Borgonha. No ano 2.000 foi classificado como vinhedo “Grosses Gewäsh”, equivalente alemão ao Grand Cru da Borgonha.
 
Vamos aos vinhos!

As uvas que deram origem aos vinhos são provenientes de um vinhedo íngreme com 45º de inclinação e 181m acima do nível do mar. A floresta no topo do Taunus protege as vinhas dos ventos frios do Norte e do Sul do Reno. O solo dos vinhedos conferem boa mineralidade a Riesling.

São fermentados a frio, lentamente, em barricas de carvalho das florestas do Rheingau, pois os enólogos acreditam que usar madeira autóctone ao invés de barrica importada deixa o vinho mais integrado e mais preparado para o envelhecimento.
 
Schloss Johannisberger "Gelblack" QbA Trocken 2013
 
A viticultura 2013 apresentou condições meteorológicas adversas, resultando em um rendimento reduzido em um terço de uma cultura média. Mas a qualidade foi muito boa, resultando em um vinho rico em extrato.

Uvas colhidas manualmente, com fermentação em tanques de inox (90%) e em tanques de madeiras (10%). Descansa sobres as borras por 4 meses.
 
Na taça o vinho apresentou cor amarelo esverdeada brilhante.

No nariz revelou aromas frutado como de pêssego maduro, abacaxi e lichia, seguido de notas de flor de laranjeira e jasmim e ainda um sutil toque de mineralidade.

No paladar apesar sutis notas adocicadas apresentou-se seco e suculento, com uma equilibrada e deliciosa acidez, que confere grande frescor ao líquido. Final de boca longo e com repetição das notas olfativas no retrogosto.
 
 
 
O Rótulo
 
Vinho: Schloss Johannisberger "Gelblack" QbA Trocken
Tipo: Branco
Castas: Riesling
Safra: 2013
País: Alemanha
Região: Rheingau
Produtor: Schloss Johannisberger
Graduação:12,2 %
Onde comprar: ? -  Importado pela Cantu
Preço médio: R$ 200,00
Temperatura de serviço: 8° a 10°


 
 
Schloss Johannisberger Grünlack Spätlese

Uvas colhidas manualmente de forma tardia. Fermentação em tanques de inox (90%) e em tanques de madeiras (10%). Descansa sobres as borras por 5 meses.
 
O paladar é limpo e brilhante intenso com frescura, bem integrada
doçura, delicadeza e suculentas frutas, realmente muito longo e muito elegante.
 
Na taça o vinho apresentou cor amarelo palha.

No nariz mostrou belos e intensos aromas de frutas (damasco, tangerina e maçã) e flores brancas (rosas, jasmim, flor de laranjeira e cravo).

No paladar revelou grande intenso frescor bem integrado ao dulçor; repetiu as notas olfativas de forma delicada e elegante. Final de boca longo e com a tangerina aparecendo no retrogosto.
 



O Rótulo
 
Vinho: Schloss Johannisberger Grünlack Spätlese
Tipo: Branco
Castas: Riesling
Safra: 2012
País: Alemanha
Região: Rheingau
Produtor: Schloss Johannisberger
Graduação:10,5 %
Onde comprar: ? -  Importado pela Cantu
Preço médio: R$ 350,00
Temperatura de serviço: 10°



 
Schloss Johannisberger Silberlack Troken Grosses Gewäsh
 
Uvas colhidas manualmente de forma tardia. Fermentação em tanques de inox (90%) e em tanques de madeiras (10%). Descansa sobres as borras por 6 meses.

Aroma complexo pedra amarela mostrando frutas como um pêssegos e damascos, limão, lavanda,
dica de smoky minerais e elegante picante no fundo.
O paladar é concentrado e tocas com apetitosos acidez e um final longo,
ótimo acabamento.
 
Na taça o vinho apresentou cor amarelo esverdeada profunda e intensa.

No nariz mostrou aromas intensos e complexos, com notas minerais aparecendo no início, seguido de aromomas de nectarina, damasco, limão, toque floral (lavanda), de especiarias, de fumaça e de petróleo.

No paladar apresentou boa concentração e apetitosa acidez, fazendo a boca salivar desde o primeiro gole. Final de boca longo e equilibrado com repetição do mineral, do defumado e do derivado de petróleo confirmando o olfato.
 
O vinho tem um aroma incrível e seu sabor parece não terminar nunca.
 

O Rótulo

Vinho: Schloss Johannisberger Silberlack Troken Grosses Gewäsh
Tipo: Branco
Castas: Riesling
Safra: 2012
País: Alemanha
Região: Rheingau
Produtor: Schloss Johannisberger
Graduação: 12,5 %
Onde comprar: ? -  Importado pela Cantu
Preço médio: R$ 530,00
Temperatura de serviço: 10°
 
Os vinhos são vinificadas em uma diversidade de estilos, que vão do seco à doce, e mesmo com sua baixa teor de álcool, eles são ricos em sabor, elegância e aromas, pena que não são para todos os bolsos, inclusive o meu.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Meu quadragésimo vinho para a Confraria Brasileira de Enoblogs #cbe

1° de maio, famoso dia do trabalhador, feriado para boa parte da classe trabalhadora, mas como primeiro dia do mês é também uma data para aquela publicação especial para a querida Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE.
 
Este mês o tema coube ao Gil Mesquita, fundador da primeira e única confraria virtual do país e também autor do blog Vinho para Todos, que sugeriu: "qualquer vinho de sobremesa, mas com uma dica de harmonização no post (de preferência com foto)".
 
Parece que foi ontem que participei pela primeira vez na CBE: relembre, mas hoje comento meu quadragéssimo vinho para esta distinta confraria e a minha escolha vem da Argentina, Susana Balbo Late Harvest Malbec 2010.

A Susana Baldo dispensa apresentações assim como seus vinhos, sendo sinônimo de esmero e qualidade, desde as linhas mais básicas aos seus vinhos topo de gama.

As uvas que deram origem ao vinho foram colhidas manualmente no final do período de colheita, quando as já haviam virado passas. Após o desengace total seguiu para fermentação em pequenos tanques com leveduras selecionada. Findo o processo de produção o vinho amadureceu por 18 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso.

Visualmente apresentou cor rubi escura com reflexos violáceos e lágrimas finas e rápidas. No nariz aromas de frutas secas, especiarias (cravo e canela), chocolate, café e tabaco. Em boca mostrou taninos doces e bom frescor. Final de boca de boa persistência com notas de fruta madura e chocolate amargo aparecendo no retrogosto.

A harmonização ficou por conta de um cheesecake de frutas vermelhas e calda de goibada, aportando novos sabores ao vinho


O Rótulo

Vinho: Susana Balbo Late Harvest
Tipo: Late Harvest - Colheita Tardia
Casta: Malbec
Safra: 2010
País: Argentina
Região: Agrelo, Luján de Cuyo
Produtor: Domínio del Plata
Enólogo: Susana Balbo
Graduação: 14,8%
Onde comprar: Cantu e Wine
Preço médio: R$ 100,00
Temperatura de serviço: 10°
 


* Post Scriptum (Texto extraído do site Sonoma)
 
O Cavaleiro Atrasado e a Colheita Tardia
 
"Tudo começou por engano, hoje é um dos vinhos de sobremesa mais típicos".
 
Colheita tardia?

A colheita tardia nada mais é do que colher as uvas várias semanas após o período ideal. As uvas vão perdendo água e ficando com mais açúcar concentrado, ou seja, mais doces (como uma uva passa).

A maioria dos vinhos de sobremesa e vinhos doces naturais, são produzidos por este método, entre eles os famosos franceses Sauternes e Muscat, os húngaros Tokaji e os italianos Vin Santo, Malvasia e Moscato.

Há vinhos maravilhosos feitos por colheita tardia, em várias partes do globo. No Novo Mundo, o Chile se superou nos vinhos produzidos com este método, mas também podemos citar o nordeste brasileiro e a África do Sul.

Mas você sabia que a colheita tardia foi descoberta por acidente?

Era uma vez...

Nossa história começa em uma cidadezinha alemã escondida, chamada Fulda, a cerca de 100 km ao norte de Frankfurt. Durante muitos anos (estima-se que de 1752 a 1802), quem governava Fulda eram os príncipes-bispos, chefes espirituais que também exerciam poder como soberanos da região. Assim sendo, tudo que acontecia em Fulda precisava do aval do príncipe-bispo, inclusive a colheita de uvas.

Na época da colheita, era uma correria: mensageiros indo de lá para cá, para pedir a permissão e voltar a tempo para o viticultor colher as uvas no período ideal, lembrando que as distâncias não eram percorridas com a facilidade de hoje.

Um belo dia, os monges que produziam vinho na colina de São João (Kloster Johannisberg, na Renânia), a 150 km do mosteiro do príncipe-bispo, enviaram o mensageiro Babbert para pegar a autorização da colheita. No meio do caminho, o pobre Babbert foi assaltado e chegou atrasadíssimo na corte do príncipe-bispo. Até pegar a autorização e voltar pras colinas, as uvas Riesling já estavam bem mais do que maduras, murchando e ressecando na videira. Os monges suspiraram de frustração, e decidiram fazer o vinho assim mesmo. Fazer o quê, se atrasou, atrasou! O vinho ainda precisa ser feito.

E no que deu?

O resultado foi um vinho doce delicioso que encantou a todos. As Rieslings maduras estavam mais docinhas e o vinho feito com elas era licoroso, diferente de tudo que havia. Foi aí que começou o processo de colheita tardia, que no século dezenove chegou à Alsácia, na França, onde foi chamada de “vendange tardive”; depois foi para a Itália, como “vendemmia tardiva”; para a Espanha, como “cosecha tardia” e, finalmente, para o Novo Mundo, chamada de “late harvest”.

O antigo mosteiro da colina de São João é, atualmente, um castelo. Dentro dele, existe uma estátua em homenagem ao mensageiro Babbert, que, graças aos seus infortúnios, fez com que hoje a gente se deliciasse com vinhos que acompanham sobremesas e adoçam nossa vida.

Por Carol Oliveira e Fernanda Braite