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quarta-feira, 25 de maio de 2016

Taylor´s Select Reserve Port: vigor, corpo, untuosidade e muita frunta na taça

Na última segunda participei de mais uma edição do Winebar, a qual teve como tema o Vinho do Porto e contou com a participação Fernando Seixas, responsável pela marca Taylor´s no Brasil. Na ocasião os participantes puderam aprender um pouco mais sobre vinho do porto e também foram apresentados dois vinhos, sendo um deles o Select Reserva, vinho este que degustei há mais ou menos um ano e ainda não havia comentado aqui.
 
Mas, antes de falar sobre minhas impressões sobre o vinho permitam-me falar um pouco sobre a Taylor´s.
 
Criada há mais de três séculos, em 1692, a Taylor’s dedica-se exclusivamente à produção de vinho do Porto e, especialmente, aos seus melhores estilos.
 
A Taylor’s tem o compromisso de permanecer independente e familiar. O patrimônio familiar garante a continuidade de propósito necessário para fazer vinhos de qualidade e de caráter.
 
A independência da Taylor´s também contribui para a proteção do seu futuro como produtor dos melhores vinhos do Porto, permitindo-lhe tomar decisões e fazer investimentos que estão mais de acordo com os interesses a longo prazo da empresa e das futuras gerações.
 
Como uma empresa familiar cujo sucesso é inseparável do sucesso da própria região do Douro, a Taylor’s continua empenhada em proteger esta bela região praticando uma viticultura que é economicamente e ambientalmente sustentável. O futuro do Vale do Douro e do seu ambiente único é também o futuro do vinho do Porto, um dos grandes vinhos clássicos do mundo e uma parte insubstituível do patrimônio da humanidade.
 
O Select Reserva da Taylor’s é elaborado a partir de um lote de jovens vinhos do Porto cuidadosamente selecionados e produzidos nas áreas do Baixo Corgo e do Cima Corgo, na região do Douro. Estes vinhos estagiam cerca de três anos em tonéis de carvalho, onde suavizam e desenvolvem sem perder o seu caráter fresco.

Na taça mostrou cor rubi profunda, intensa, brilhante e límpida. Lágrimas abundantes, finas e rápidas.
 
No nariz apresentou aromas de fruta negra em compota, frutos secos, especiarias, cedro e tostado.
 
Em boca um encorpado, vigoroso, untuoso e sedoso, mas sem perder o toque frutado. Boa acidez. Repetição das notas olfativas e final de boca longo e equilibrado.

Se você é fã de vinho do porto como eu não pode  deixar de deliciar-se pelos produzidos pela Taylor’s, que para muitos é a mais ilustre casa produtora de vinhos do Porto.

O Rótulo
 
Vinho: Taylor´s Select Reserve Port
Tipo: Porto
Castas: Blend de castas durienses
Safra: Não Safrado
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Taylor´s
Graduação: 20%
Onde comprar / Importador: Wine/ Qualimpor
Preço Médio: R$ 180,00 (R$ 70,00 em 2015)
Temperatura de serviço: 16º
Degustado em: 07.06.2015

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Porto Valdouro Tawny

Há muito tempo não degustava um porto e confesso que estava com saudade, pois são vinhos que me agradam bastante e me reportam ao meu início no mundo do vinho, tendo sido o Dow´s o primeiro vinho deste tipo que provei há tanto de anos atrás.
 
O porto que é tema do post é produzido por uma das poucas empresas que produz este tipo de vinho e que é gerida exclusivamente por portugueses: a Wiese & Krohn e que mantém a tradição de estampar suas garrafas com printura ao contrario da grande maioria que adotou os rótulos em papel.
 
A Wiese & Krohn foi fundada em 1865 por dois jovens Noruegueses, Theodor Wiese e Dankert Krohn. No início era uma pequena empresa, baseada na exportação de Vinho do Porto para os mercados escandinavos e para a Alemanha. Em 1880 Theodor Wiese decidiu vender a sua quota a Dankert Krohn.
 
Após a morte de Dankert Krohn em 1906 o negócio prosseguiu tendo como sócios, além da viúva e das filhas do fundador, Gomes Figueiredo e Edmund Arnsby, o primeiro um guarda-livros português e o último um gerente britânico, ambos ex-colaboradores no tempo de Dankert Krohn. Durante este período, a Wiese & Krohn estendeu a sua atividade comercial a novos mercados, tais como França, Bélgica e Países Baixos. Gomes Figueiredo reformou-se em 1921, ano em que Edmund Arnsby adquiriu a quota da família Krohn e admitiu como novos sócios o seu irmão Frederick - um provador muito experiente vindo da Casa Croft - e Edmundo Falcão Carneiro, diretor de exportação português a trabalhar na firma desde 1910.
 
Desde 1933 a empresa está aos cuidados da família Falcão Carneiro e é uma das poucas que estão em mãos portuguesas. A Wiese & Krohn é atualmente gerida pela terceira geração da família Falcão Carneiro. Os seus estoques de Vinho do Porto atingem mais de 5 milhões de litros e encontram-se alojados em seis caves em Vila Nova de Gaia e uma na Região Demarcada do Douro.
 
A empresa possui uma propriedade chamada Quinta do Retiro Novo, situada numa das zonas mais nobres do Douro - o vale do Rio Torto. Os vinhos procedentes desta área são famosos pela sua superior qualidade. Vintages, Late Bottled Vintages e Colheitas da nossa Casa são originários desta zona.
 
Mas chega de conversa e vamos ao líquido, o qual amadurece em barris de carvalho por 4 a 6 anos.
 
Visualmente apresentou cor rubi de média intensidade com reflexos granada e lágrimas finas, rápidas e abundantes. No nariz aromas de frutas secas, especiarias, tabaco, café, mel e madeira. Em boca mostrou-se encorpado e com bom equilíbrio entre acidez e doçura. Final de boca longo e harmonioso com a fruta seca e a notas de madeira aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Valdouro Tawny
Tipo: Porto
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz e Tinto Cão
Safra: Não safrado
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Weise & Kron
Graduação: 19%
Onde comprar em Recife: Pão de Açúcar
Preço médio: R$ 70,00
Temperatura de serviço: 15°

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Porto Comenda Tawny

O pão de açúcar definitivamente não é o melhor lugar para se comprar vinhos, primeiro porque a forma de acondicionamento não é  a mais adequada e segundo porque eles chegam a cobrar pelos vinhos valores 100% maiores que os cobrados em outras lojas.
 
Mas, isso não quer dizer que nunca compro rótulos por lá e ainda mais quando encontro uma promoção irrecusável e foi isso que aconteceu como Porto Comenda Tawny, que foi comprado a uma valor aproximadamente 50% menor, uma verdadeira pechincha.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor castanha e lágrimas abundantes, finas e lentas. No nariz notas de frutos secos, chocolate, baunilha, leve tostado e álcool aparecendo um pouco. Em boca repete as notas olfativas e mostra bom corpo e boa persistência, com final de boca doce e o chocolate aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Comenda Tawny
Tipo: Porto
Castas: Touriga Nacional; Touriga Franca, Tinta Roriz; e Tinta Barroca
Safra: Não safrado
País: Portugal
Região: Douro
Produtor:  Casa Manoel D. Poças Junior
Graduação: 19%
Onde comprar em Recife: Pão de Açúcar
Preço médio: R$ 50,00 (Na promoção R$ 25,90)
Temperatura de serviço: 12º

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Passeio Enológico por Portugal: Burmester

Em abril de 2012 eu e Fernanda tivemos a oportunidade de participar de uma evento organizado pela Adega Alentejana em prol dos vinhos portugueses, sobretudo os produzidos no Alentejo.
 
Degustamos com donos de vinícolas e enólogos, passamos por 13 stands e pudemos degustar mais de 40 diferentes rótulos, um verdadeiro passeio pela cultura vitivinícola de Portugal e hoje, 8 meses depois chegou a hora de falar dos vinhos degustados no último stand que visitamos, que foi o da Burmester com seus belos vinhos do Porto.

O vinho do Porto é um vinho generoso. Adiciona-se 20% de aguardente vínica ao mosto das uvas durante a fermentação, geralmente no segundo ou terceiro dia. Esta aguardente vínica mata as leveduras e a fermentação é interrompida. Como nem todo o açúcar foi transformado em álcool, o vinho fica doce. Por sua vez a graduação alcoólica sobe até aos 20% devido à adição da aguardente vínica.

A doçura do vinho varia em função do instante em que é adicionada a aguardente vínica. Se for no início da fermentação o vinho fica mais doce. No final da fermentação, o vinho será mais seco. O vinho do Porto é produzido nas quintas ao longo do vale do rio Douro e seus afluentes. Alguns vinhos estagiam nas próprias quintas. Outros são transportados em caminhões pipa até às famosas caves de Vila Nova de Gaia. Ambos envelhecem lentamente por décadas em cascos de carvalho de diferentes dimensões: as pipas (geralmente com 550 litros), os tonéis (até 15.000 litros) e os balseiros (até 30.000 litros).
 
A história de produção e exportação de vinhos do porto pela Burmester remotam para década de 50 do século XVIII. O nome da família e que dá nome ao vinho é oriundo da pequena cidade de Moelln, no norte da Alemanha, derivando do título Burgomestre, que significa chefe de município.
 
No final do milênio, o Grupo Amorim adquiriu a CASA BURMESTER, e recentemente foi adquirida pelo Grupo Sogevinus SGPS, S. A.
 
Burmester Porto Ruby

Esse, apesar de ser de uma linha mais simples, agradou muito. Ele já foi comentado no blog. Confira nossas impressões clicando aqui.
 


O Rótulo
 
Vinho: Burmester Ruby
Tipo: Porto
Castas: Touriga Franca e Tinta Roriz
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 12º



Burmester Porto Tawny

É um vinho do Porto clássico, através do qual o Porto se tornou conhecido a nível mundial. Inicialmente de cor tinta, este vinho é obtido por lotação de diferentes colheitas, primeiro envelhecido em balseiros de carvalho e posteriormente efectuado um blending de 4 anos. O seu envelhecimento e consequente oxidação em madeira de carvalho faz com que a sua cor passe de tinta a alaranjada (tawny).

Visualmente msotrou uma cor rubi alaranjada, com boa formação de lágrimas. Aromas de fruta madura (laranja, morango), e toques delicados de baunilha. Em boca muito equilibrado e elegante, com muita fruta e boa intensidade.


O Rótulo

Vinho: Burmester Tawny
Tipo: Porto
Castas: Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinto Cão e Tinta Roriz
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 12º
 

Burmester Jockey Club Porto
 
É um Tawny com cerca de 7 anos, resultante da cuidadosa selecção e lotação de vinhos longamente envelhecidos, representando um tributo ao espírito e paixão dos homens Burmester pelo desporto e pela natureza.

Visualmente o vinho mostrou uma cor alaranjada e brilhante muito bonita. No nariz mostrou um bouquet com frutas maduras, castanha, baunilha e leve toque de caramelo. Em boca mostrou boa estrutura, muito equilibrado e adocicado, com boa acidez e toques picantes.
 
 
O Rótulo
 
Vinho: Burmester Jockey Club
Tipo: Porto
Castas: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Franca e Touriga Nacional
Safra: Não safrado
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 12º


Burmester Latle Bottled Vintage 2005

Tal como o Vintage, o Late Bottled Vintage é produzido pelo método tradicional ficando, por isso, mais rústico e vigoroso. Envelhecido em enormes balseiros nas caves em Vila Nova de Gaia para preservar a sua cor retinta e sabor a fruta fresca, mostra-se fechado e frutado. É engarrafado entre a 4ª e a 5ª Primavera após a vindima, formando, ao longo do tempo, algum depósito em garrafa.

Por forma a apreciar todo o seu corpo, fruta e potentes taninos - uma vez que o tempo em madeira acelerou a sua evolução - aconselha-se o seu breve consumo.

Cor ruby bem viva e intensa e boa formação de lágrimas. No nariz mostrou aromas em boa intensidade e bem delicados, com frutos tropicais bem presentes, somando-se a estes aromas de cacau chocolate, menta e tostado. Em boca mostrou-se muito intenso, com boa acidez e o chocolate frutos e tostado aparecendo em bom equilíbrio.
produto

O Rótulo
 
Vinho: Burmester Latle Bottled Vintage
Tipo: Porto
Castas:Tinta Barroca e Touriga Franca
Safra: 2005
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 12º
 
 
Burmester White Porto 10 Anos

Visualmente mostrou uma cor amarelo dourada. No nariz um bouquet complexo e exuberante, dominado pelos aromas de frutos secos harmoniosamente combinados com notas de especiarias e intenso toque amadeirado. Em boca mostrou-se macio e sedoso no paladar, equilibrado e com vibrante estrutura. Final longo e persistente.


O Rótulo
 
Vinho: Burmester White 10 anos
Tipo: Porto
Castas: Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca
Safra: Não safrado
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: Templo dos Vinhos
Preço médio: R$ 120,00 (375ml)
Temperatura de serviço: 12º
 

Burmester Tawny Porto 20 anos

Esse rótulo é primoroso e se pudesse teria bebido toda a garrafa. Vininho de uma elegância e suavidade incrível. Confira o que achei dele clicando aqui.
 
produto
O Rótulo
  
Vinho: Burmester Tawny 20 anos
Tipo: Porto
Castas: Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca
Safra: Não safrado
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 175,00 - R$ 230,00 
Temperatura de serviço: 12º
 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Quinta do Passadouro

Situada em pleno vale do rio Pinhão perto da aldeia de Vale de Mendiz, a origem da Quinta do Passadouro remonta ao Séc XVIII, surgindo referenciada no célebre mapa do Douro elaborado pelo Barão de Forrester. Em 1991, Dieter Bohrmann, um empresário alemão apaixonado pelo Douro, decidiu comprá-la. Ele acreditava que com as uvas de alta qualidade do Douro, era possível não só produzir Vinho do Porto, mas também vinhos de mesa de gama alta. A sua idéia consistia em reservar alguns dos melhores lotes da produção com o objetivo de criar um vinho tinto de qualidade premium, como expressão máxima do que este terroir é capaz de oferecer.
 
Desta vinícola degustamos apenas um rótulo: o Quinta do Passadouro Vintage 2007. O rótulo mostro uma cor rubi violácea, bem fechada e intensa. No nariz aromas florais e de fruta madura em orimeiro plano, seguidos de notas mentoladas e de tostado. Em boca taninos aveludados, notas minerais e de frutos secos (amendoas e damasco). Vinho muito equilibrado e agradável.
 
O Rótulo
 
Vinho: Quinta do Passadouro Vintage
Tipo: Tinto
Casta: Tinta Barroca, Tinta Roriz, Touriga Nacional
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Quinta do Passadouro
Enólogo: Jorge Serodônio Borges
Graduação: 20%
Onde comprar: Adega Alentejana
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 12 - 14º

sábado, 17 de novembro de 2012

Burmester Porto Ruby

A história de produção e exportação de vinhos do porto pela Burmester remotam para década de 50 do século XVIII. O nome da família e que dá nome ao vinho é oriundo da pequena cidade de Moelln, no norte da Alemanha, derivando do título Burgomestre, que significa chefe de município.
 
No final do milênio, o Grupo Amorim adquiriu a CASA BURMESTER,  e recentemente foi adquirida pelo Grupo Sogevinus SGPS, S. A.
 
O Burmester Porto Ruby faz parte da linha standart da empresa. A média de idade dos vinhos que constituem o lote é de 3 anos e o envelhecimento se dá  em balseiros de carvalho (grandes depósitos de madeira) durante os primeiros 6 meses e em seguida o envelhecimento decorre em cubas de inox. É engarrafado jovem para preservar a sua personalidade forte e viva
 
O vinho mostrou uma cor rubi escura muito brilhante, com lágrimas abundantes, finas e velozes. No nariz seus aromas mostraram fruta vermelha madura, café, baunilha e tostado. Em boca, mostrou-se intenso e vigorosos, típico da sua jovialidade, repetindo a fruta vermelha madura (cereja e morango) e mostrando delicadas notas de café e tostado. Final de corpo de média intensidade com o doce aparecendo, de forma equilibrada, no retrogosto. Um vinho para se ter na adega e degustar um cálice no fim de um dia de trabalho.

O Rótulo

Vinho: Burmester Ruby
Tipo: Porto
Castas: Touriga Franca e Tinta Roriz
País: Portugal
Região: Douro
Enólogo: Pedro Sá
Produtor: Burmester
Graduação: 20%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 12º

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Fantástico e Especial Burmester Tawny 20 Anos #CBE

Chegamos a 71ª edição da CBE com mais um tema muito criativo, o qual foi sugerido pelo confrade Gustavo Kauffman do blog Enoleigos, que nos instigou a buscar no fundo de nossas mais agradáveis memórias dizendo:

"Neste mês eu gostaria de diversificar e trazer a tona variáveis tão ou mais importantes que o vinho em si! Falemos de nossa lembrança, pessoas, lugares e momentos. O tema deste mês é falar de um vinho que tenha marcado muito você! Férias inesquecíveis, o nascimento de um filho, bodas, casamento, não importa, descreva, degustando novamente ou não, suas percepções sobre o vinho degustado neste momento tão especial!"

A cada mês os temas tem sido cada vez mais criativos e desafiadores e esse não foi diferente. Muitos vinhos que degustei foram especiais, mas resolvi escolher um que faz parte da história do blog, então escolhi um vinho que degustei durante uma das comemorações do primeiro aniversário do Vinhos de Minha Vida.

A minha escolha para a CBE de agosto de 2012 foi o Burmester Tawny 20 anos e ele foi degustado em 26 de abril de 2012, durante o Passeio Enológico por Portugal e no exato dia em que o blog completou um ano.

Na ocasião da degustação o exemplar mostrou uma bela cor alaranjada com nuances acastanhadas, lágrimas abundantes, finas e rápidas. No nariz divinamente intenso, com aromas de frutas secas, predominando amendoas e castanha o Pará; um toque floral de almíscar e também nuances de couro e tostado, formando um conjunto elegante, forte e quente. Em boca repetiu os frutos secos associados a notas de mel, caramelo e baunilha, dando um adocicado agradável e saboroso. Apresenta um final de boca intenso, volumoso e longo.

Simplesmente o melhor porto já degustado, com um conjunto (garrafa, caixa, cor, aromas e sabor) extremamente harmonioso. Degustei dentro de um pacote de uma evento, mas para quem aprecia vinhos do porto esse aí vale cada centavo.

O Rótulo

Vinho: Burmester Tawny 20 Anos
Tipo: Porto
Castas: Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Roriz e Touriga Franca
Safra: Não Safrado
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Burmester
Enólogo: Francisco Gonçalvez
Graduação: 20%
Onde compra: Super Adega Express; Bacco´s
Preço Médio: R$ 175,00 - R$ 230,00
Temperatura de serviço: 12 graus

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Um ícone com mais de 250 anos de história: Dom José Ruby

Eis um clássico vinho português fortificado e porque não um ícone do mundo do vinho.

Em se tratando de um dos mais tradicionais vinhos do porto, não poderia deixar de escrever ou melhor transcrever algumas linhas dos mais de 250 anos de história da Real Companhia Velha.

Aos 10 de Setembro de 1756, por Alvará Régio de El-Rei D. José I, sob os auspícios do seu Primeiro-Ministro, Sebastião José de Carvalho e Mello, foi instituída a Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto-Douro, também denominada Real Companhia Velha. Formada pelos "principais lavradores do Alto-Douro e homens Bons da Cidade do Porto, à Companhia foi confiada a missão de sustentar a cultura das vinhas, conservar a produção delas na sua pureza natural, em benefício da Lavoura, do Comércio e de Saúde Pública".

Em 1781, a Real Companhia Velha levou os seus vinhos aos lábios imperiais de Catarina da Rússia, através de grandes carregamentos em navios fretados para o efeito, iniciando assim a navegação Portuguesa para os portos do Báltico e as permutas comerciais com aquele país.

Como consequência das acções da Companhia as exportações dos afamados vinhos da Região Douriense experimentaram um considerável e sucessivo aumento.

Durante as invasões francesas (1809) as tropas de Napoleão requisitaram os vinhos da Real Companhia Velha, que assim faziam parte da ração dos soldados Franceses.

Quase ao mesmo tempo (1811), Lord Wellington e as suas tropas consumiam também os vinhos da Real Companhia Velha, destacando-se um fornecimento de 300 pipas, feito através dos seus armazéns da Régua, ao exército então estacionado em Lamego.

Durante os séculos XVIII e XIX navios carregados com Vinho do Porto da Real Companhia Velha partiram para o brasil onde a Companhia detinha o exclusivo do fornecimento dos vinhos do Alto-Douro. Nos anos de 1851/52, a Companhia possuía entrepostos comerciais para os seus vinhos em quase todos os portos do mundo sob a protecção das missões diplomáticas Portuguesas.

A Companhia detinha também o exclusivo de fornecimento de vinhos aos taberneiros da cidade do Porto, que no ano de 1756 eram apenas 95.

Para fazer face a esta enorme expansão do seu comércio, a Companhia teve que mandar construir diversas fragatas de guerra para proteger a Navegação Portuguesa dos piratas Argelinos que vagueavam ao largo da costa Portuguesa.
No ano de 2006, a Real Companhia Velha celebrou 250 anos de existência e de atividade ininterrupta ao serviço do Vinho do Porto.

Para trás, fica o registo de uma história fabulosa e de um passado gloriososo. Para o futuro, existe a vontade de manter a elevada qualidade dos seus produtos e a confiança numa Companhia onde o rigor e a visão de fazer ainda mais história são uma preocupação constante.

O Dom José Ruby mostra em taça e em boca o porque de uma história tão longa. O vinhou mostrou cor ruby profunda, lágrimas finas e abundantes. Um bouquet muito rico em aromas de frutas vermelhas maduras e um pouco de chocolate e baunilha. Em boca muito macio e encorpado, de final médio. Degustei ele gelado e não agradou, pois escondeu os aromase o sabor, preferi a temperatura ambiente, onde os aromas apareceram e pareceu-me mais macio.

O Rótulo

Vinho: Dom José Ruby
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Bastardo, Tinta Carvalha, Tinto Cão, Mourisco
Safra: Não informado
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Real Cmpanhia Velha
Graduação: 19%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 40,00
Temperatura de serviço: 18º (prefiri em temperatura ambiente, mesmo aqui em Recife)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Velhotes Porto Ruby

De cor brilhante de intensidade e tonalidade forte, com cor vermelho violeta. Aroma a frutos frescos com uma vertente floral e madura, muito intensa. Com um paladar jovem, cheio de frutos vermelhos maduros, com uma estrutura forte, doce, uma acidez elevada e muito álcool (sobressaiu-se).

O Rótulo

Vinho: Velhotes Porto Ryby
Tipo: Tinto Fortificado
Castas: Tinta Roriz (30%), Tinta Barroca (30%), Tinto Cão (10%), Touriga Franca (30%).
Safra: Não fornecido em rótulo
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Porto Calem
Graduação: 20%
Preço médio: R$ 35,00
Onde Comprar: RM Express

Post Scripitum

Pelas mãos de Antônio Alves Cálem, em 1859, nasceu a Porto Calem. Logo no seu início, o principal objetivo foi o mercado brasileiro. Após esta conquista, a Porto Cálem chegou aos quatro cantos do mundo, possuindo a sua própria frota de caravelas, eternamente representadas na imagem da marca. No ano de 1998, a empresa foi adquirida pelo Grupo Sogevinus. Uma empresa que tinha capacidade de elevar o trabalho de muitas décadas e aliar o desenvolvimento tecnológico aos sabes ancestrais, fazendo assim, cada vez mais e melhor sem nunca esquecer a tradição em suas origens. PORTUGAL O progresso dos vinhos de Portugal nos últimos anos foi impressionante. A modernização tecnológica, aliada às maravilhosas uvas da terra, conduziu o país de volta ao mercado mundial. País que oferece rótulos atraentes por sua relação qualidade-preço, foi o primeiro a ter regiões demarcadas. Douro, Bairrada e Minho (Vinhos Verdes) são algumas de suas regiões produtoras. Também no Douro tem origem o tradicional Vinho do Porto.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Jantar de harmonização - Primeira Edição

Em uma noite muito agradável e com um motivo especial: a nomeação de Rejane em concurso público, nos reunimos ontem (31 de agosto de 2011) na casa dos amigos Juberlan e Rejane, os grandes anfitriões de uma noite histórica: a noite palco do primeiro Jantar de Harmonização, o qual foi regado a rótulos do velho e novo mundo.

Mais uma vez surgiu a idéia da criação de uma confraria, que a cada encontro torna-se uma idéia mais concreta. Aproveito a oportunidade e proponho aos amigos a oficialização da criação de uma Confraria em nosso novo encontro: pensem em uma alcunha.

A idéia inicial era degustar o Gato Negro: rótulo chileno em um Jantar de Harmonização com uma carne com algum tipo de molho. Conversa vai e conversa vem optamos por harmonizar o rótulo previamente citado com Medalhão de Filé Mignon ao Molho de Gorgonzola.

Eu fui o primeiro a chegar até porque estava sobre os meus ombros a responsabilidade de preparar o Filé Mignon e que responsabilidade, pois apesar de gostar de por a mão na massa minha pequena experiência é com frutos do mar, não havendo ainda preparado nenhum prato a base de carne.

Iniciei o preparo do prato da noite e a medida que os convidados foram chegando o noite foi mudando de rumo e o desenho final foi distinto do imaginado inicialmente, mas não inferior e sim superior.

Após a chegada de Macílio e Ana iniciamos os trabalhos da noite. Com o Gato Negro ainda na adega fomos do novo para o velho mundo e o primeiro a sair da adega foi o Cabeço de Pedra, um vinho Português potente da região do Ribatejo.

O Cabeço de Pedra mostrou uma cor rubi intensa, com um bouquet de frutas vermelhas e um toque de madeira, resultado dos seus 8 meses de estágio em barricas de carvalho francês; em boca mostrou-se equilibrado, com um corpo médio e um final médio-longo.

 
O Rótulo

Vinho: Cabeço de Pedra
Tipo: Assemblage Tinto
Castas: Castelão (60%) e Tinta Roriz (40%)
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Ribatejo
Produtor: Encosta do Sobral
Enólogos: João Melícias, Duarte, Alexandra Mendes e Pedro Sereno
Graduação: 13%
Onde comprar: Ingá Vinhos
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16 graus


Nota: Uma parte da garrafa foi reservada e utilizada no preparo dos medalhões de Filé Mignon, os quais podem ser vistos em pleno preparo ao fundo.

Já após o fim do Cabeço de Pedra chega o último convidado da noite: Eli, que para variar chegou com um pequeno atraso de cerca de 2 horas... Iniciamos então o segundo rótulo da noite: Cotes du Rhône Tinto Abel Pinchard - Loron et Fil's (Beaujolais) 2010, que já foi tema de uma outra postagem do blog, postagem esta que descreveu momentos memoráveis.

Depois de algumas pedras no caminho enfim os medalhões ficaram prontos era a hora de realizar a montagem do prato e de torcer para que este fosse agradável ao paladar de todos. Creio eu que tenha agradado e o melhor tirou-me um pouco do receio em preparar pratos a base de carne.


Pratos montatos e servidos. Cadê o Gato Negro? Mudanças de planos! Macílio trouxe um Paralelo 8 Premium e nos propôs harmonizarmos o prato com este rótulo nacional. Xiii! Lá vamos nós: eu e minha falta de "enopatriotismo". Mas, que grata surpresa me foi este rótulo, o qual é produzido a partir de uvas vitiviníferas de parreirais do Vale do São Francisco, pleno sertão nordestino.

De uma região incomum para a vinicultura, o Vale do São Francisco, o Paralelo 8 Premium conseguiu atingir um bom grau de qualidade graças a forte investimento na vinícola Vini Brasil em associação com a Dão Sul. Feito com Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez.

Mais uam vez meu preconceito foi quebrado, o Paralelo 8 Premium 2007 mostrou-se um vinho imponente e de grande força e personalidade.

Um vinho de cor rubi escura com reflexos violáceos e lágrimas abundantes. Bom ataque no nariz, onde logo vem a madeira (baunilha) e em seguida frutas maduras como ameixa e goiaba vermelha. Em boca é onde está maior surpresa, pois revela uma complexidade e estrutura interessantes, destacando-se a fruta madura, com um bom equilibrio, taninos presentes, acidez equilibrada e final de boca médio.

A harmonização deixou um pouco a desejar, pois o vinho sobressaiu um pouco o prato, nada que comprometesse de forma muito grave, mas fica a observação... Faltou a pimenta no prato para fechar com o vinho.

Notas:

1.1 O vinho necessitava de decantação.
1.2 É um vinho de valor alto para úm rótulo Nacional, pois é possível comprar excelentes rótulos do velho mundo e do novo mundo por valores similares e inferiores. Creio que a carga tributária aplicada a vinhos nacionais precisa ser reduzida.

O Rótulo

Vinho: Paralelo 8 Premium
Tipo: Assemblage Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon (20%), Syrah (20%), Alicante Bouschet (20%), Touriga Nacional (20%) e Aragonez (20%)
Safra: 2007
País:  Brasil
Região: Vale do São Francisco
Produtor: Vini Brasil e Dão Sul
Enólogos: Carlos Lucas
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 70,00
Temperatura de serviço: 16 graus

Depois deste belo jantar fomos  surpreendidos com um Dow's Vintage 2003, um presente do Eli para Rejane, que vinha sendo "guardado a 7 chaves"; um grande rótulo para finalizar esta noite tão especial.

O Vintages são produzidos apenas nos anos de excepcional qualidade e representam apenas 2-3% da produção total. A espinha dorsal dos Portos Vintage é extraída dos vinheidos mais finos: Quinta do Bomfim e a Quinta da Senhora da Ribeira. É envelhecido em madeira por cerca de 18 meses e engarrafados sem filtragem. É um vinho com imenso poder e grande estrutura.

O Dow's Port Vintage 2003 recebeu 94 pontos do Robert Parker (vinho de primeira qualidade, melhor de seu tipo. Equilíbrio perfeito, tonalidade absolutamente limpa e caráter inigualável). Tem cor rubi intensa escura e brilhante, de lágrimas abundantes, encorpado com aroma de madeira, baunilha, chocolate e especiarias, em boca mostrou-se aveludado, macio, de final longo, equilibrado e intenso.


O Rótulo

Vinho: Dow's Port Vintage
Tipo: Porto
Castas: Predominantemente Touriga Nacional e Touriga Franca
Safra: 2003
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Symington Family Esteves
Graduação: 19%
Onde comprar: Casa dos Frios (Sob Encomenda)
Preço médio: R$ 150,00
Temperatura de serviço: 16 graus ou Temperatura Ambiente (Conforme Preferência)

E o saldo da noite foi positivo! Que venha os próximos jantares de harmonização!