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terça-feira, 18 de agosto de 2015

Os belos Pinot Noir do Oregon #cantuday

Quando falamos em vinhos dos Estados Unidos logo nos vem a mente os produzidos na Califórnia e quando o quesito é Pinot Noir Americano os do Napa Valley são os mais conhecidos, contudo há muita coisa boa por lá, como é o caso dos vinhos do Oregon.
 
O estado do Oregon localiza-se ao norte do estado da Califórnia e ao sul do estado de Washington. Suas regiões vinícolas se estendem pelos vales formados entre a Cordilheira Costeira e os Montes das Cascatas.
 
A indústria vitivinícola do Oregon só surgiu a partir de 1960, com a segunda onda de produtores de vinho americano, que ocorreu quando alguns produtores insatisfeitos com seus resultados na Califórnia e buscando alternativas para se fazer um vinho mais elegante e de estilo europeu, decidiram explorar o potencial de alguns vales do Oregon.
 
O estado do Oregon pode ser dividido em três grandes regiões produtoras: Willamette Valley, Umpqua Valley e Rogue Valley.

A melhor e mais destacada região é Willamette Valley, que se estende desde o sul da cidade de Portland até a cidade de Eugene. O clima é frio e úmido, as vinhas estão plantadas nas encostas e tem orientação sul/sudeste. O solo é vulcânico com presença de ferro.
 
Uma das principais vinícolas de destaque do estado é a King Estate Domaine, que foi considerada pela Wine Enthusiasts entre os top 100 produtores de vinhos do mundo do ano de 2014 e é um dos lançamentos da Cantu em 2015.
 
King Estate segue uma tendência de utilização de técnicas modernas mais naturais no manejo dos vinhedos próprios, e já é vista como uma das favoritas nos Estados Unidos. Além disto seu vinhedos estão localizado em uma área com grande amplitude térmica e estabilidade climática e os vinhos possuem certificação de produto orgânico.
King State Acrobat 2012
As uvas que deram origem a este vinho foram desengaçadas antes de serem mergulhadas a frio e durante vários dias foram prensadas e bombeadas para extração da cor da casca. Após a fermentação, o vinho foi transferido ao barril onde ele foi submetido à fermentação maloláctica para conferir uma textura mais macia  e aumentar a complexidade. O processo é finalizado com 6 meses de envelhecimento antes de ser engarrafado.
 
Na taça o vinho apresentou cor rubi clara, de pouca intensidade e lágrimas translúcidas finas e rápidas.

No nariz aromas de boa intensidade com a fruta (cereja, amora e framboesa) aparecendo em primeiro plano e sendo seguido de notas de terra molhada, couro e baunilha.

No paladar apresentou taninos finos, elegantes e em bom equilíbrio com a acidez. Repetiu as notas olfativas e um final de boca seco e de boa persistência.
 
 
O Rótulo
 
Vinho: King State Acrobat
Tipo: Tinto
Castas: Pinot Noir
Safra: 2012
País: Estados Unidos
Região: Oregon
Produtor: King State Oregon Wines
Graduação:  13,5%
Onde comprar: ? -  Importado pela Cantu
Preço médio: R$ 130,00
Temperatura de serviço: 14° a 16°
Pontuações e Premiações: Top 100 de 2014 pela Wine Espectator, 90 pts pela Wine & Spirits
 
 
King State Signature 2012
Um dos mais conhecidos Pinot Noir na América. As uvas são cultivadas seguindo rigorosas normas de cultivo orgânico e sustentável.
 
As uvas que deram origem ao vinho foram meticulosamente selecionadas a mão e antes de serem desengaçadas, em seguida, passam por fermentação em aço inoxidável seguido por fermentação maloláctica. Envelhecido 8 meses em carvalho francês (25% Novo, 25% 1 ano, 25% 2 ano, 25% neutro).
 
Na taça o vinho apresentou cor rubi clara e boa formação lágrimas, que apresentaram-se translucidas finas e lentas.

No nariz aromas ainda mais intensos que os observados no Acrobat , mostrando complexidade. Pude observar notas de frutas negra madura, chocolate amargo, tabaco, estrume, couro e elegante.

No paladar apresentou taninos macios e elegantes, alta acidez e álcool na medida certa. Final de boca seco e de longa persistência com repetição do chocolate, tabaco e estrume aparecendo no retrogosto.
 
Excelente vinho! Elegante, equilibrado e com boa estimativa de guarda.
 
O Rótulo
 
Vinho: King State Signature
Tipo: Tinto
Castas: Pinot Noir
Safra: 2012
País: Estados Unidos
Região: Oregon
Produtor: King State Oregon Wines
Graduação:  13,5%
Onde comprar: ? -  Importado pela Cantu
Preço médio: R$ 260,00
Temperatura de serviço: 14° a 16°
Pontuações e Premiações: Double Gold Medal Oregon Wine Awards

segunda-feira, 1 de junho de 2015

O surpreendente marroquino Tandem para a #cbe

O primeiro dia do mês é sempre especial, por ser o dia de falar do vinho escolhido para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, mas esse primeiro post do mês de julho tem um ar mais especial, porque o tema foi uma sugestão de quem vos escreve.
 
Os temas da CBE são sempre desafiadores e receber a tarefa de sugerir um, mesmo que esta não tenha sido a primeira vez, é sempre uma baita alegria misturada com uma certa dose de excitação em trazer algo que instigue os confrades a cascavilharem em suas adegas ou nas lojas especializadas por algo que faça com que os demais tenha a vontade de experimentar os vinhos que eles degustaram.
 
Para o mês de maio a minha sugestão para os confrades foi a seguinte: "Um vinho tinto de país que você nunca degustou harmonizado com um prato típico". E a minha escolha para meu quadragésimo primeiro vinho para CBE foi o Domaine des Ouleb Thaleb Tandem Syrah, proveniente da região de Rommaninas (Ben Slimane), no Marrocos.
 
Marrocos está situada no norte da África, bem próximo a Espanha e Portugal, sendo separada do primeiro, apenas pelo estreito de Gibraltar, canal que liga o Oceano Atlântico, ao Mar Mediterrâneo.
 
Com uma antiga história que provavelmente começou com os fenícios, e encontrou certa estabilidade nos tempos romanos, a atividade em escala verdadeiramente comercial começou no país somente no início do século 20, com a chegada de colonos franceses em 1912.
 
Desde a década de 1990, investimentos estrangeiros realizados no Marrocos têm ajudado a indústria do vinho a se desenvolver, a se modernizar, e voltar a brilhar, apesar das pressões da cultura de uma sociedade conservadora muçulmana. A incidência de impostos sobre bebidas alcoólicas, no país, é alta, e não há venda durante todo o mês sagrado do Ramadã. A produção é permitida por lei, mas a venda de bebidas alcoólicas para muçulmanos é oficialmente ilegal.
 
A maior produção marroquina e a de maior destaque é a de vinho tinto. Estima-se que represente 75% do total. E a opinião de alguns especialistas é que os melhores sabores vêm da região de Beni M'Tir, perto de Meknes.
 
E pasmem, o país possui nada mais nada menos que 14 denominações de origem, e uma 15ª, de maior status, chamada Coteaux de l’Atlas 1er Cru.
 
As principais variedades de uvas utilizadas para a produção de vinhos, no Marrocos, são aquelas normalmente encontradas em torno do Mediterrâneo, como a Grenache, Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot. Carignan e Cinsault já foram mais importantes, mas estão perdendo espaço.
 
Domaine des Ouled Thaleb, foi fundada em 1927, quando 3.000 hectares de vinhas foram plantadas em Ben Slimane. E, apesar da sua origem histórica, a vinícola só foi lançada oficialmente em 1968, através da parceria entre Allain Graillot, Jacques Poullain, dois famosos enólogos franceses e Thalvin, um importante produtor de vinhos no Marrocos. Desde então, os vinhos assinados pelo Domaine são considerados os melhores do Norte da África.
 
A região aonde está imbicada a vinícola é rica vegetação, bosques e lagos.
Também conhecida por vinícola Thalvin, essa propriedade está localizada há cinquenta quilômetros de distância de Casablanca, na parte litorânea do Marrocos, onde possui cerca de 450 hectares de vinhas plantadas. A Vinícola pode gabar-se de que é a mais antiga ainda em uso no país.
 
A região conta com solo aluvial-calcário e temperaturas altas durante o dia, com noites muito frescas, que proporcionam o amadurecimento lento e gradual das uvas. As videiras de Syrah são cultivadas de forma orgânica e 60% deste vinho passa por envelhecimento em barris de carvalho.
 
E o vinho? Este foi uma verdadeira e grata surpresa: rico em aromas e encorpado e equilibrado em boca, então sem mais demora vamos a nossa análise.
 
Visualmente mostrou cor rubi com halo denotando alguns traços de evolução e lágrimas finas e lentas. No nariz apresentou aromas de frutas vermelhas, notas florais, alcaçuz, pimenta preta, leve lembrança de alcatrão e couro, tudo isto muito bem integrado a notas de tostado. Em boca mostrou-se encorpado e estruturado, com taninos macios e ótima acidez. Final de boca longo com um mix das notas olfativas aparecendo no retrogosto.

Para harmonizar não podia faltar uma comida com os traços do culinária marroquina, como sugeri no tema, então Fernanda nos preparou um pernil de cordeiro com laranja e mel, além é claro de condimentos usuais na cozinha do país e para acompanhar um couscous marroquino com amêndoas e passas. E o vinho que já era surpreendente ficou ainda melhor com a comida e as receitas serão tema para outro post.


O Rótulo

Vinho: Domaine des Ouleb Thaleb Tandem
Tipo: Tinto
Castas: Syrah
Safra: 2010
País: Marrocos
Região: Rommaninas
Produtor: Domaine des Ouleb Thaleb
Enólogos: Alain Graillot e Jacques Poulain
Graduação: 14,5%
Onde comprar: Wine
Preço médio: R$ 120,00
Temperatura de serviço: 16° - 18°

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Cono Sur Orgânico Pinot Noir 2010

Com o passar dos tempos e já com algumas decepções no histórico, tenho deixado de comprar vinhos em supermercados, não só pela pequena oferta como também pela forma de armazenamento, que convenhamos é agressiva até para os vinhos de mesa, mas outro dia fui comprar umas coisas no Bom Preço e já na fia do caixa não me contive ao ver o Cono Sur Orgânico Pinot Noir na casa dos R$ 25,00.
 
Este Pinot Noir é parte de uma linha produzida de uvas cultivadas organicamente, certificado pela BCS Öko Garantie GmbH processo e que já teve outro vinho da mesma linha comentado aqui (confira).
 
Devo admitir que comprei com medo, porém o vinho foi uma grata surpresa e sem sombra de dúvida eu repetiria a compra. Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi clara, quase translúcida, halo alaranjado e boa formação de lágrimas. Um nariz cheio de notas frutadas (cereja e morango) e notas suaves de tostado. Em boca taninos sedosos e delicados em bom equilíbrio com a acidez. Álcool a 14% sobressaído um pouco, dependendo da temperatura. Final de boca levemente adocicado, de média intensidade e com a fruta aparecendo no retrogosto.

Vinho simples, mas muito correto e com um excelente custo versus  benefício. Bom para o dia a dia e para ser degustado com alimentos leves e pouco condimentados. O meu foi degustado em dois momentos, em um arrisquei com chocolate e deu certo e no outro com tarrada de pão de caixa com geléia de framboesa e queijo minas e deu mais certo ainda.
 

O Rótulo

Vinho: Cono Sur Orgânico
Tipo: Tinto
Castas: Pinot Noir
Safra: 2010
País: Chile
Região: Vale Colchagua
Produtor: Cono Sur
Graduação: 14%
Onde comprar: Bom Preço
Preço: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16 graus

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Cono Sur Orgânico Cabernet - Carménère 2010

Sempre achei interessante a figura de uma bicicleta nos rótulos dos vinhos da Cono Sur, pois sempre fui um amante desse meio de transporte e pelo caráter simbólico que ela representa, pois a bicicleta é o meio de transporte mais onipresente nas estradas de Chimbarongo, província do Valle del Colchagua, onde estão os vinhedos da empresa e é sobre duas rodas que os funcionários da vinícola chegam aos vinhedos.
 
A vinícola foi fundada em 1993 e seu nome faz referência às origens geográficas: os vinhos se originam no cone da América do Sul, no Chile, extremo ocidente do continente sul americano e onde se encontram privilegiados vales vitivinícolas.
 
Em 2000 a vinícola iniciou o cultivo orgânico de uvas, mas desde o início da sua história ela apresenta forte motivação pelas políticas ambientais, possuindo certificação ISO 9001 e 14001 pela gestão de qualidade e meio ambiente; possui também os status CarbonNeutral por ter neutralizado a emissão de CO2. Para os vinhos orgânicos possui certificação pela BCS Öko Garantie GmbH.

Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi violácea bem intensa e brilhante, com boa formação de lágrimas. Nariz frutado, com notas de ameixa, frutos secos e leves notas de especiaria e tostado. Em boca muito equilíbrio entre seus taninos potentes e macios, acidez e álcool; a fruta roxa apareceu de forma intensa, mas sem incomodar e com boa integração a notas de chocolate e tostado que aparecem no final de boca.

Eu eu Fernanda bebemos esse vinho de excelente custo versus benefício durante a vitória do Brasil sobre o Japão e harmonizamos com um churras de leve no fim de tarde da Capital Pernambucana e serviu também para "comemorar" a compra de uma bike para fugir do estressante trânsito de Recife e para cuidar da saúde do corpo e da mente.

O Rótulo

Vinho: Cono Sur Orgânico
Tipo: Tinto
Castas:  Cabernet Sauvignon e Carménère
Safra: 2010
País: Chile
Região: Valle del Colchagua
Produtor: Cono Sur
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: Bom Preço
Preço médio: R$ 32,00
Temperatura de serviço: 16º

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Eis o cara: Colomé Malbec Estate 2009 #malbecworldday

Chegamos ao nosso último vinho recebido pela Wines of Argentina para comemoração do Malbec World Day: o Colomé Malbec Estate 2009, rótulo este que foi o preferido por mim e pelos amigos Eli e Juberlan.

 
O vinho leva o nome da Bodega que o produz, a qual foi fundada em 1831,  e possivelmente é uma das adegas mais antigas da Argentina. Seus vinhedos se localizam entre 2.300 e 3.111 metros de altura, na região alta dos Vales Calchaquis considerada a área vitivinícola de maior altura no mundo.
 
A Bodega foi fundada pelo governador espanhol de Salta, Nicolás Severo de Isasmendi e Echalar. No ano 1854, sua filha Ascensión, unida em matrimonio com José Benjamín Dávalos, introduziu em Colomé as videiras francesas Malbec prefiloxera e Cabernet Sauvignon. Três vinhedos de 4 hectares cada um, os quais datam daqueles tempos, ainda produzem uvas que formam parte do vinho Colomé Reserva.
 
Colomé pertenceu às famílias Isasmendi-Dávalos ao longo de 170 anos. Em 1969, a família Rodó adquiriu a estância e adega, e a conservou durante 13 anos. Raúl Dávalos, descendente direto da família Isasmendi-Dávalos, recuperou a antiga granja da família no ano 1982 e a conservou até que o Grupo Hess (Donald e Úrsula Hess) a adquiriu em 2001. A partir de então plantaram vinhedos até chegar aos 140 has atuais distribuídos em 4 Estâncias.
 
A condução dos parreirais é feita de forma orgânica e biodinâmica, com colheita 100% manual e a produção das videiras é direcionada a um baixo rendimento, pois o primordial é a qualidade e não a quantidade.

O Colomé Estate Malbec amadureceu por 15 meses em barricas de carvalho  francês novas (20%) e de segundo uso (80%) para 80% do vinho.
 
Visualemente o vinho mostrou uma cor rubi escura e profunda, com halo púrpura e boa formação de lágrimas. No nariz inicialmente um pouco fechado, mas com a aeração mostrou todo seu esplendor com notas de ameixa, fruta em compota, alcaçuz, caramelo, chocolate amargo, especiarias, couro e notas harmoniosas de tostado. Em boca um vinho potente e elegante, com um equilíbrio ímpar, onde se observou taninos potentes, mas ao mesmo tempo finos e em harmonia com a boa acidez e com o álcool, que em nenhum momento se mostrou; repetição em boca a fruta, o chocolate e a pimenta, tudo muito bem integrado com a madeira. Final de boca seco e levemente adocicado, com excelente persistência e com a fruta, o chocolate e a pimenta aparecendo no retrogosto deixando um gostinho de quero mais.

O Colomé, assim como o Saurus e o Mendel, foi degusto em dois momentos: no dia 17, onde foi harmonizado com queijos de massa dura e costela bovina e, no dia 21 onde foi desafiado a harmonizar com feijoada. Nos dois momentos a acidez deu conta dos pratos.

Vinho dos 3 E´s: elegante, equilibrado e esplendoroso. Bom para beber agora o para ser guardado na adega por mais alguns anos, difícil é conseguir guardá-lo.

Excelente Malbec World Day e excelente vinhos selecionados para o Wine Bar. Que venham os próximos!
 
O Rótulo

Vinho: Colomé Estate
Tipo: Tinto
Castas: Malbec (85%), Tannat (8%), Cabernet Sauvignon (5%) e Syrah (2%)
Safra: 2009
País: Argentina
Região: Alto Vale Calchaquí, Salta
Produtor: Bodega Colomé
Enólogo: Thibaut Delmotte
Graduação: 14,5%
Onde comprar: Decanter
Preço médio: R$ 103,00
Temperatura de serviço: 16º - 18º
Pontuações recebidas: 92 RP e 90 WS - "smart buy"

terça-feira, 1 de maio de 2012

Jean Bousquet Reserva Malbec 2009 #CBE

Chegamos a mais uma edição da #CBE, a quarta em que o Vinhos de Minha Vida tem o prazer de participar. Este mês o tema foi escolhido pela conterrânea Fabiana Gonçalves; sommelier e jornalista, e também autora do blog escrivinhos, que disparou: "Um vinho orgânico ou biodinâmico, de qualquer nacionalidade e faixa de preço". Um maravilhoso tema, mas que me acarretou problemas sérios aqui em Recife.

Estive em três diferentes e grandes distribuidoras/lojas especializadas e deparei-me com a pequena, ou melhor mínima oferta de vinhos que seguissem a linha orgânica ou biodinâmica. Em todas as lojas as minhas opções ficaram restritas aos vinhos com a uva Malbec da vinícola argentina Domaine Jean Bousquet e ao Blend Tarapacá +Plus. Terminei por optar pelo Jean Bousquet Reserva Malbec 2009, pois já havia degustado o Tarapacá +Plus e não queria repetir o vinho para a edição da #CBE. Fiquei realmente chateado por não ter tido outras opções, onde estivesse incluídos rótulos do velho mundo.

A Domaine Jean Bousquet foi fundada pelo francês Jean Bousquet quando ele veio da frança para a Argentina estando ele nos seus 49 anos de idade (1997), tendo como princípio produzir vinhos de alta qualidade. Valendo salientar que a vinícola produz os seus vinhos seguindo a filosofia dos vinhos orgânicos.

O principal objetivo de Jean Bousquet era combinar as técnicas de elaboração de vinhos europeias com o clima e terroir excepcionais da região de Mendonza. E parece que seus objetivos estão sendo atingidos, pois apesar da primeira colheita só ter acontecido em 2002, a vinícola já exporta para mais de 30 países e seus vinhos vem sendo aclamados pela imprensa especializada internacional.

O Jean Bousquet Reserva Malbec 2009 foi hamornizado com um bom churrasco de carnes vermelhas na companhia de Fernanda e do meu filho. O vinho mostrou cor rubi violácea brilhante e intensa, com lágrimas finas, transparentes e lentas. No nariz a presença das frutas vermelhas maduras é bem marcante no início, seguido de notas de café e pimenta preta seca. Em boca repetiu a fruta e mostrou a madeira, seus taninos apareceram redondos e bem integrados com o álcool. No final de boca a acidez predominou e incomodou um pouco, mas foi abrandada com a diminuição da temperatura de serviço do vinho e com o uso de um aerador. O vinho apresenta uma boa estrutura e um final de boca médio longo.

O Rótulo

Vinho: Jean Bousquet Gran Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Malbec
Safra: 2009
País: Argentina
Região: Vale de Tunpugato (Mendoza)
Produtor: Domaine Jean Bousquet
Premiações: Medalha de Ouro no Mundus Vini International Wine Ward 2010, Medalha de Prata no Concurso Internacional de Vinhos Orgânicos - França...
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 16 graus

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O Primeiro Vinho Orgânico do Blog: Tarapacá +Plus 2009

O Rótulo do Tarapacá +Plus me chamou a atenção em meio há muitos belos e grandes rótulos da Adega da Casa dos Frios. Organically Grown Grapes (Uvas Organicamente Cultivadas) vem estampado bem abaixo do nome do vinho e este fato me fez comprar esta garrafa, pois nunca havia degustado um vinho orgânico.

Resolvi então pesquisar um pouco sobre vinhos orgânicos e trago algumas linhas antes mesmo de falar mais sobre o Tarapacá +Plus.

A agricultura orgânica aplicada nos vinhedos é um setor bastante próspero e uma realidade atual. Hoje, 4% da produção mundial é de vinho orgânico, inclusive no novo mundo - a Argentina, com produtores como Norton e família Zuccardi, o Chile, em bodegas como a Viña Carmen e o Brasil com Juan Carrau, que em 1997 lançou o primeiro vinho orgânico do Brasil.

Mas, afinal, o que é um vinho orgânico? Pode ser definido como o resultado de um sistema de produção agrícola que busca manejar, de forma equilibrada, o solo e demais recursos naturais (água, vegetais, animais, insetos) conservando-os em longo prazo e mantendo a harmonia desses elementos entre si e com os seres humanos.

A viticultura orgânica é a aplicação destes princípios aos vinhedos, ou seja, o viticultor manejará todo um ecossistema onde a vinha é a planta predominante. Qualquer alteração em um dos elementos desse ciclo afetará todos os demais.

Naturalmente os pesticidas, herbicidas e adubos químicos também são proibidos já que acabam entrando nas vinhas através da raiz. Isso também impede o esgotamento do solo. Todo o material aplicado é de origem orgânica, de preferência reutilizando materiais encontrados ao redor da região de cultivo, do mesmo ambiente.

Para se ter um selo de produto orgânico a tarefa não é fácil e muitos produtores termina desistindo, mas os que seguem dão ao vinho um "q" mais artistico do que na realidade já é.

A Viña Tarapacá nasceu em 1874 no sopé da Cordilheira dos Andes, a Vinícola Tarapacá conta atualmente com um amplo reconhecimento internacional, como uma das vinícolas chilenas de maior trajetória e tradição.

Tarapacá +Plus  é um vinho proveniente exclusivamente de uvas orgânicas certificadas, cuidadosamente selecionadas, do Vale do Maipo. Todos os componentes da mescla final envelhecem separadamente, durante 9 meses em barricas francesas e americanas, criando um vinho complexo, com marcadas notas de fruta negra e prolongado final de boca.

Rótulo removido quase que cirurgicamente. Vai para a coleção.

Sem sombra de dúvida é uma vinho com potencial de guarda, perceptível pelo intenso aroma de madeira e pelos taninos ainda um pouco agressivos (o produtor fala em 10 anos). O Tarapacá +Plus mostrou uma cor rubi intensa com um discreto halo violáceo, inúmeras lágrimas finas e rápidas, uma verdadeira chuva. Seu bouquet mostrou, no ínício, um ataque de madeira bem intenso, que com a aeração abrandou um pouco, logo depois surgiram os aromas de frutas negras, o chocolate, baunilha, um toque vegetal (pimentão) e algo de especiarias. Em boca repetiu as frutas (ameixa e amora), chocolate e madeira. Taninos potentes que com certeza abrandarão com o passar dos anos. Acidez e álcool bem integrados e um final de corpo longo.

Um vinho muito intenso e encorpado que vale cada centavo e que mostra duas artes: a do cultivo orgânico e a de produzir um assemblage com 6 uvas tintas de sabores e particularidades fantásticas.

A harmonização deste belo chileno orgânico ficou por conta de uma maravilhosa picanha argentina vinda diretamente da Patagonia, fiquei freguês do vinho e da picanha.

O Rótulo

Vinho: Tarapacá +Plus
Tipo: Tinto
Castas: 28% Syrah, 23% Cabernet Franc, 18% Cabernet Sauvignon, 17% Carménère, 8% Merlot, 6% Petit Verdot
Safra: 2009
País: Chile
Região: Valle del Maipo
Produtor: Viña Tarapacá
Graduação: 14,5%
Onde comprar: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 18º