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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Vinha Val dos Alhos Castelão 2011

A Castelão é mais uma das castas tintas utilizadas na produção de vinhos de corte, contudo, na Península de Setúbal são produzidos vinhos vaietais com esta uva, que no passado passado foi conhecida por Periquita, nome de um dos vinhos portuguses mais vendidos no Brasil. A mudança no nome da uva se deu em razão de uma lei que proibe o uso do nome de uma variedade com fins comerciais.
 
A casta também é chamada João de Santarém ou Castelão Francês. Embora seja cultivada por todo o país, destaca-se sobretudo nas regiões costeiras a sul e por vezes entra na constituição do Vinho do Porto.
 
Esta casta revela o seu melhor em climas quentes e terrenos arenosos, mas pode adaptar-se a uma diversidade de condições. Os vinhos da casta Castelão são concentrados, aromáticos, com taninos bem marcados que lhes dão boas condições para envelhecer, mais agressivos na juventude, mas que se tornam macios com a idade.
 
A região da Península de Setúbal produz os mais conhecidos vinhos desta casta. Nos Vinhos Regionais do Algarve a Castelão é frequentemente combinada com a casta Tinta Negra Mole originando vinhos mais macios na juventude, mas com menor potencial de envelhecimento.
 
Tive a opornunidade de provar um exemplar 100% Castelão, o Vinha Val dos Alhos, um vinho que pode muito bem ser definido como: potente, porém macio e elegante.
 
Visualmente o vinho mostrou cor rubi viva e brilhante, com halo rubi claro e lágrimas finas e lentas. No narias aromas elegantes, com presença de muita fruta, alcaçuz, chocolate, tabaco e notas defumadas. Em boca mostrou opulência com taninos elegantes, alta acidez e excelente persistência. Um vinho gastronômico para beber agora ou para guardar por mais uns anos.
 
Adicione esse tinto na sua lista, pois é mais um vinho português que vale cada cntavo que custa.
 
O Rótulo:

Vinho: Quinta do Valdoeiro D.O.C.
Tipo: Tinto
Castas: Castelão
Safra: 2011
País: Portugal
Região: Palmela, Setúbal
Produtor: Horácio dos Reis Simões
Enólogo: Luís Camacho Simões
Graduação: 14%
Onde comprar: ? (Importado pela Adega Alentejana)
Preço médio: R$ 90,00
Temperatura de serviço: 18º

Nota:

Este vinho foi degustado durante a formação Academia de Vinhos de Portugal - Nível II, ministrada pelo renomado Jornalista e Crítico de Vinhos português Rui Falcão, realizada no Hotel Atlante Plaza no dia 28 de agosto de 2014.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Quinta das Setencostas 2009

Você já ouviu falar nas uvas Camarate, Tinta Miúda ou Preto Martinho? Não? Pois elas existem e estão entre as mais de 250 castas autóctones de Portugal e fazem parte, juntamente com a Castelão, do corte que compõe o tinto que é tema desta postagem: o Quinta das Setencostas 2009.
 
O rótulo é produzido pela  Casa Santos Lima, uma vinícola familiar que está localizada à 45km de Lisboa, na cidade de Alenquer e que foi fundada no século XIX pelo negociante de vinhos português Joaquim Santos Lima, um jovem senhor com boas habilidades de negociação.
 
Mais de 50 rótulos são elaborados em seus 200 hectares de vinha e 95% de toda essa produção é exportada para cerca de 45 países. Atualmente, a Casa Santos Lima é o maior produtor de Vinho Regional Lisboa e DOC Alenquer, além de ser um dos produtores mais premiados em concursos internacionais. Nessa zona as vinhas são protegidas do vento, favorecendo a maturação das uvas dando origem a vinhos mais concentrados.
 
Visualmente mostrou cor rubi escuro, halo levemente alaranjado e lágrimas em pequena quantidade. No nariz é explendoroso e rústico, com fruta madura,  especiarias (canela), café, tabaco e um belo toque de tostado. Em boca  mostrou taninos maduros, excelente acidez, repetição das sensações olfativas e final de boca longo, macio e de interessante frescor.

Rótulo de grande potencial gastronômico.
 
O Rótulo

Vinho: Quinta do Valdoeiro D.O.C.
Tipo: Tinto
Castas: Castelão, Camarate, Tinta Miúda e Preto Martinho
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alenquer, Lisboa
Produtor: Casa Santos Lima
Graduação: 13,5%
Onde comprar: Cantu
Preço médio: R$ 65,00
Temperatura de serviço: 16º
Premiações: Medalha de Ouro na Coupe des Nations e Mundus Vin

Nota:
Este vinho foi degustado durante a formação Academia de Vinhos de Portugal - Nível II, ministrada pelo renomado Jornalista e Crítico de Vinhos português Rui Falcão, realizada no Hotel Atlante Plaza no dia 28 de agosto de 2014.

segunda-feira, 18 de março de 2013

O simples, mas agradável Periquita 2009

O Perequita é certamente o vinho português mais vendido no Brasil e o país está entre os maiores mercados mundiais consumidores deste conhecido rótulo.
 
O vinho é produzido pela tradiciona vinícola portuguesa José Maria da Fonseca Vinhos S/A, um negócio familiar de quase dois séculos de vida. Produz vinhos desde 1834 e hoje é fruto da paixão partilhada pelos membros da sexta geração da família, que seguem preservando e projetando a memória e o prestígio do seu fundador. Consciente da responsabilidade de ser o mais antigo produtor de vinho de mesa e Moscatel de Setúbal de Portugal, a José Maria da Fonseca pratica uma filosofia de permanente aprimoramento, o que a leva a investir sempre mais em pesquisas e na produção, aliando as mais modernas técnicas ao saber tradicional, contribuindo decisivamente para a divulgação e o prestígio dos vinhos portugueses.
 
O Vinho Periquita se deve ao nome “popular” que as uvas do tipo Castelão têm em Portugal. Até 2001 o vinho Periquita era produzido especificamente com esta uva, desde a safra 2001 entretanto a vinícula passou a compor o vinho como um “corte” de 3 uvas, Castelão, Trincadeira e Aragonez, todas cepas nativas da península Ibérica. A Castelão continua correspondendo à maior parte do corte, mas a mistura deixou o vinho mais suave e fácil de beber, o que se mostrou acertado por se tratar de um vinho “corrente”, como chamado em Portugal, quase o que chamamos de vinho de mesa, só que feito com uvas viníferas (Vitis vinifera).
 
O vinho mostrou, apesar dos 4 anos de vida, uma cor rubi brilhante e viva, com halo púrpura bem discreto, sem grandes sinais de evolução e com boa formação de lágrimas. No nariz: aromas de frutas vermelhas maduras, leve floral e toques de especiarias e tostado. Em boca mostrou um bom equilíbrio entre taninos - acidez - álcool, repete a fruta e a especiaria. Final de boca de média intensidade com um adocicado leve aparecendo no retrogosto.
 
É um vinho jovem, sem grande poder de guarda. Equilibrado e honesto, que consegue cumprir bem o seu papel de ser um vinho para ser consumido de forma frequente e descontraída. Um vinho com bom custo versus benefício e que irá agradar os iniciantes ou os que não querem se aprofundar muito no mundo do vinho.
 
O Rótulo

Vinho: Periquita
Tipo: Tinto
Castas: Castelão (85%), Aragonez (%7) e Trincadeira (8%)
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Setúbal
Produtor: José Maria da Fonseca Vinhos S/A
Enólogo: Domingos Soares Franco
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: Rede de Supermecardos
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16 a 18º

sábado, 29 de dezembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Roquevale

A Roquevale foi fundada por António Alfredo Gomes dos Santos, produtor de vinho na região de Torres Vedras, Estremadura e que foi o primeiro viticultor exterior ao Alentejo a acreditar no seu potencial para a produção de grandes vinhos. Em 1970, adquiriu na região do Redondo, a Herdade (Fazenda) da Madeira Nova de Cima e o Monte Branco. A primeira, de terrenos xistosos, para as castas tintas, e a segunda, de solos graníticos, essencialmente para as castas brancas.

Durante vários anos as uvas foram entregues numa Adega Cooperativa. Em 1983, por iniciativa do genro de Gomes dos Santos, Carlos Roque do Vale, foi criada a Roquevale. Seis anos mais tarde foi construída uma adega no meio das vinhas do Monte Branco e em 1989 iniciou-se a produção de vinho com marca própria.
 
Após ter sido diretor de uma Adega Cooperativa durante nove anos, Carlos Roque do Vale assumiu o controle da Roquevale. Com base na experiência que tinha adquirido, passou a construir, de forma determinada, uma grande empresa vitivinícola. O objetivo que impôs a si próprio era simples: “produzir vinhos que soubessem conquistar o mercado”. E atingiu-o de forma indiscutível. Atualmente com 200 hectares de vinhas próprias, uma adega moderna e bem equipada, caves de envelhecimento grandes e muito bonitas, a Roquevale é a segunda maior empresa privada de vinhos do Alentejo.
 
Esse foi o penúltimo stand que visitamos durante o Passeio Enológico por Portugal. Degustamos 5 rótulos da Roquevale e os descrevo nas linhas que seguem.
 
Convento da Serra Branco 2010
 
Vinho muito fácil de se encontrar no Brasil. Possui um rótulo com a imagem de um convento e uma imagem de azulejos  com a inscrição do nome do rótulo, tornando o rótulo e o nome do vinho muito harmonicos.
 
O vinho mostrou uma cor amarelho clara, com tons palha. Aromas de limão, denotando bastante frescor ao vinho. Em boca mostrou-se suave, com boa acidez e frescor. Final de boca refrescante e de média persistência.
 
O Rótulo
 
Vinho: Convento da Serra
Tipo: Branco
Casta: Fernão Pires, Rabo de Ovelha e Roupeiro
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 12,5%
Onde comprar: RM Express e DLP
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 12º
 
Terras de Xisto Rosé 2009
 
Vinho de cor vermelho cereja. No nariz também msotrou aromas frescos e de fruta vermelha (cereja) em boa intensidade. Em boca apresentou boa acidez, corpo médio e bom equilíbrio.
 
O Rótulo

 
Vinho: Terras de Xisto
Tipo: Rosé
Casta: Tinta Roriz, Castelão
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 12º
 
 
 
Convento da Serra Tinto 2010
 
Vinho de cor rubi intensa e brilhante com presença de poucas lágrimas, finas e lentas. No nariz mostrou aromas de fruta vermelha em média intensidade. Em boca mostrou taninos suaves e redondos, em bom equilíbrio com a acidez e o álcool. Final de corpo de média intensidade com a fruta aparecendo no retrogosto.
 
O Rótulo

 
Vinho: Convento da Serra
Tipo: Tinta
Casta: Tinta Roriz, Castelão e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16º
 
 
 
 
 
Tinto da Talha 2009
 
Este vinho nos transporta na história. O seu nome é uma homenagem às técnicas de vinificação utilizadas pelos romanos há 2000 anos atrás no Alentejo. É um vinho com maior requinte e mais trabalhado e recebeu melha de bronze da Decanter e de prata no Concurso Nacional de Vinhos.
 
Visualmente mostrou cor rubi intensa e fechada, com lágrimas finas e rápidas em grande quantidade. No nariz muito intenso, com toques florais e de fruta em compota. Em boca mostrou taninos potentes, mas macios e redondos, bom equilíbrio. Final de boca muito intenso e agradável, com um gole pedindo outro.
 

O Rótulo

 
Vinho: Tinto da Talha
Tipo: Tinto
Casta: Castelão e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13,5%
Onde comprar: ?
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16º
 
 
Roquevale Reserva Tinto Reserva 2005
 
Esse é o vinho Top da Roquevale; estagiou 6 meses em barricas de carvalho francês e americano e inúmeros prêmios dentre eles: Challenge International du Vin 2011 – GOLD Medal, Concours Mondiale de Bruxelles 2011 – Medaille OR, Internacional Wine Guide 2011 - Silver Medal, International Wine Challenge 2009 - Silver Medal, Concours Mondial de Bruxelles 2009 - Silver Medal, Vinalies Internationales 2009 - Vinalies d'Argent, Wine Master Challenge 2009 - Bronze Vine Leaf, Challenge International du Vin 2009 - Médaille d'Argent.
 
Visualmente mostrou uma cor rubi granada com uma verdadeira chuva de lágrimas finas e rápidas. No nariz primorosos, com notas de café, fruta vermelha madura, tostado e toques de couro, com a fruta em bom equilíbrio com a madeira. Em boca muito intenso e estruturado, com taninos potentes e em bom equilíbrio com álcool e acidez. Final de corpo persistente e com bom potencial de guarda.
 
O Rótulo

 
Vinho: Roquevale Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Tinta Caiada, Touriga Nacional e Alicante Bouschet
Safra: 2005
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Roquevale
Enólogo: Joana Roque do Vale
Graduação: 13,5%
Onde comprar: ?
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16º

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Casa de Sabicos

Detentora de uma casa agrícola com uma considerável área vitícola e uma adega tradicional herdada dos seus antepassados, a Avó Sabica cultivou nos seus filhos e netos o prazer de fazer e beber bons vinhos. Esta senhora foi uma mulher sábia, decidida e detentora de um extraordinário poder de aglutinação.

Em meados do século XIX, ela e os seus oito filhos produziam vinhos individualmente. A D. Sabica promovia então uma saudável competição em casa. Todos os anos era realizado um concurso que elegia entre eles o melhor vinho da família.

Quase dois séculos depois, dos mesmos solos, de vinhas com as mesmas castas, surge um novo vinho, através do qual, bisnetos e trinetos procuram preservar os tesouros que os vinhos da Avó Sabica escondiam. O Casa de Sabicos é disso um testemunho e simultaneamente uma homenagem àquela grande senhora.

A tradição familiar, somada aos mais de 30 anos de experiência do Eng. Joaquim Madeira no acompanhamento das vinhas e aos conhecimentos do enólogo Paulo Laureano, só poderia resultar em vinhos de qualidade superior, com preços competitivos. Os vinhos da safra 2001 esgotaram-se em poucos meses no mercado português. Em 2004, foi construída uma bonita e bem equipada adega, no meio das vinhas, o que contribuiu para a melhoria da já elevada qualidade dos vinhos deste produtor. Neste mesmo ano foi eleito pela Revista de Vinhos portuguesa “Produtor Revelação do Ano”, um dos prêmios mais disputados entre os produtores de vinho de Portugal.
 
Desta vinícola tivemos a oportunidade de degustar o Montoio Tinto 2009, o Casa de Sabicos Reserva Tinto 2007, o Joaquim Madeira Tinto 2007 e o emblemático Avó sabica 2004.
 
Montoito Tinto 2009
 
Vinho de entrada da Casa de Sabicos, com estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. Montoito é uma pequena aldeia localizada a 35 Km de Évora, a capital do Alentejo. Nesta charmosa aldeia mora boa parte da família paterna do Manuel, o sócio da Adega Alentejana junto com a sua esposa. Em todas as viagens do Manuel a Portugal, Montoito é parada obrigatória de pelo menos 2 dias. Os primos do Manuel, Joaquim Madeira e Graça, são proprietários da Casa de Sabicos localizada a 2km de Montoito. O bonito rótulo desta garrafa é uma aquarela de autoria da Graça. Nela estão retratados o coreto, a igreja e a sua torre com os sinos localizados na praça principal de Montoito.

O vinho mostrou uma cor rubi vermelha, intensa e brilhante e uma boa formação de lágrimas. No nariz aromas de frutos vermelhos e leve toque de madeira. Em boca apareceu com taninos macios e uma boa acidez intensa. A fruta aparece no retrogosto. Um vinho com boa estrutura e com final de corpo de boa intensidade, suportando ainda alguns anos de guarda.

O Rótulo

Vinho: Montoito
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 50,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 
 
 
Casa de Sabicos Reserva Tinto

Este é uma vinho mais elaborado e que além das castas presentes no nontoito conta também com a Cabernet Sauvignon. Passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês.

O rótulo mostrou uma cor rubi intensa, com lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se intenso com a fruta vermelha aparecendo em evidência, seguida por notas elegantes de baunilha, fumo e café. Em boca mostrou grande volume, com notas de fruto fresco, de balsâmico e couro, final de corpo longo e intenso.

O Rótulo

Vinho: Casa de Sabicos Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de serviço: 16 graus

 
 
Joaquim Madeira Tinto 2007

O Eng. Joaquim Madeira é um romântico. Com este vinho ele simplesmente reproduziu os vinhos da década de 60, com muitas castas, uvas maduras e fermentações muito lentas (a fermentação alcoólica deste vinho durou 33 dias !). A única alteração foi o uso do controle de temperatura nas fermentações, tecnologia não disponível em 1960. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho português. Este vinho elegante e com boa estrutura deverá continuar a evoluir nos próximos 10 a 15 anos.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intensa e profunda, com boa formação de lágrimas nas paredes da taça. No nariz apareceu muito complexo, mostrando um pouco de fruta em compotas e fruta seca, notas sutis de chocolate e de madeira. Em boca  mostrou-se macio, frutado, muito equilibrado. Final de boca longo e persistent, juntamente com a excelente acidez.

O Rótulo

Vinho: Joaquim Madeira
Tipo: Tinto
Casta: Alfrocheiro, Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Carignan, Castelão, Crato, Grand Noir, Grenache, Moreto, Pinot Noir, Tinta Caiada, Touriga Nacional e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 120,00
Temperatura de serviço: 16 graus
Avó Sabica 2004

O nome deste vinho de altíssima qualidade é uma justa e merecida homenagem dos bisnetos Joaquim Madeira e Graça Ramalho à sua Avó Sabica, uma senhora que viveu no século XIX e é muito admirada até os dias de hoje. Recebeu a nota 18, numa escala de 0 a 20, da conceituada Revista de Vinhos de Portugal. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. Foram produzidas apenas 4.800 garrafas numeradas.

Esse foi sem sombra de dúvida o melhor vinho degustado durante o passeio enológico por portugal. Um vinho com 8 anos de vida, mas ainda com muita potência e grande potencial para guarda.

Apresentou uma cor rubi, lágrimas abundantes e que escorriam lentamente pelas paredes da taça. No nariz mostrou-se muito complexo e intenso, rico em notas de frutas escuras, com notas de ervas e especiarias. Em boca, muito encorpado rico e cremoso, sobressaindo o caráter austero e firme. O álcool não aparece e está muito integrado aos taninos poderosos e a bela acidez, a qual lhe confere frescura.

O Rótulo

Vinho: Avó Sabica
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2004
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 450,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 

sábado, 23 de junho de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Quinta da Chocapalha

A Quinta de Chocapalha está situada nas colinas ensolaradas da Região Demarcada de Lisboa, mais precisamente próxima à histórica Aldeia Galega da Merceana, município de Alenquer, a 45 Km da capital portuguesa. Esta quinta é referida desde o séc. XVI pelas suas excelentes vinhas e vinhos. Pertenceu desde os começos do séc. XIX a Constantino O`Neil, que mais tarde doou a Diogo Duff, ilustre fidalgo escocês muito estimado de El-Rei D. João VI que o condecorou com a comenda de «Torre e Espada».

 A Quinta permaneceu na posse da família Duff até à década de oitenta do século passado, altura em que foi adquirida por Alice e Paulo Tavares da Silva, pais da enóloga Sandra Tavares da Silva. A partir dessa data profundas benfeitorias nos 45 hectares de vinhas e novas técnicas de cultivo foram introduzidas na Quinta de Chocapalha, continuando-se assim as antigas tradições desta quinta vinhateira, sempre em busca de uma melhoria das qualidades e prestígio dos seus vinhos.

Só na vindima de 2000, momento em que as vinhas atingiram a sua maturidade e qualidade pretendida, decidiu-se proceder ao engarrafamento dos melhores vinhos aí produzidos.

A charmosa casa sede desta quinta foi construída em 1780. A Adega atual ficou pequena e está equipada com 2 lagares com pisa a pé. Uma adega nova, muito bonita e encravada no meio das vinhas, foi concluída e iniciou seu funcionamento em novembro de 2011. Muito bem equipada, mas respeitando as tradições desta quinta. O número de lagares com pisa a pé foi ampliado de 2 para 4.

A quinta produz os vinhos Quinta da Chocapalha Branco, Quinta da Chocapalha Arinto, Vinha da Palha Tinto, Quinta da Chocapalha Tinto, Chocapalha Reserva Tinto e CH By Chocapalha Tinto. Dentre eles só deixamos de degustar o Vinha da Palha Tinto 2008.

Quinta Chocapalha Branco 2009

Trata-se de um corte das uvas Viosinho e Arinto. Visualmente mostrou uma cor amarelo palha bem clara. No nariz mostrou aroma de floras e frutas brancas. Em boca mostrou-se intensos, com boa acidez e uma boa persistência. Final de boca bem agradável com a presença do frutado. Deste vinho foram produzidas apenas 3200 garrafas.

O Rótulo

Vinho: Quinta da Chocapalha
Tipo: Branco
Castas: 71% Viosinho e 29% Arinto
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Quinta da Chocapalha
Enólogos: Sandra Tavares da Silva e Diogo Sepúlveda
Graduação: 13%
Onde Comprar: Presenza (Loja Virtual)
Preço Médio: R$ 49,00
Temperatura de Serviço: 12 graus
Pontuações: 89 Wine Enthusiast

Quinta da Chocapalha Arinto 2009

O vinho mostrou uma cor amarela bem clara e brilhante. No nariz um mix de notas de frutas brancas e notas minerais. Em boca mostrou-se muito fresco e com acidez na medida, com bom equilíbrio. Uma boa pedida para os nossos dias quentes.

O Rótulo

Vinho: Quinta da Chocapalha
Tipo: Branco
Castas:  100% Arinto
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Quinta da Chocapalha
Enólogos: Sandra Tavares da Silva e Diogo Sepúlveda
Graduação: 12,5%
Onde Comprar: ?
Preço Médio: ?
Temperatura de Serviço: 12 graus
Pontuações: 88 RP



Quinta da Chocapalha Tinto 2007

Um vinho muito gastronômico com estágio de 18 meses em barricas de carvalho francês de segunda e terceira utilização.

Visualmente mostrou uma bela cor granada, com lágrimas finas e abundantes, com sinais de evolução. Um bouquet muito intenso, com notas de frutas escuras madura. Em boca mostrou muito potente e estruturado, com bom equilíbrio entre taninos, acidez e álcool; madeira aparecendo, mas sem agredir. Final de boca com a fruta aparecendo e mostrando uma longa persistência.

O Rótulo

Vinho: Quinta da Chocapalha
Tipo: Tinto
Castas: 30% Castelão, 30% Tinta Roriz, 20% Touriga Nacional, 15% Syrah e 5% Alicante Bouschet
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Quinta da Chocapalha
Enólogos: Sandra Tavares da Silva e Diogo Sepúlveda
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: Presenza (Loja Virtual)
Preço Médio: R$ 55,00
Temperatura de Serviço: 16 graus

Chocapalha Reserva Tinto 2007

Um vinho com estágio de 20 meses em barricas de carvalho francês de primeiro uso. Deste vinho foram produzidas apenas 6800 garrafas.

Visualmente mostrou uma cor rubi intensa, com reflexos violetas, com lágrimas grossas e lentas, sem sinais de evolução. No nariz a madeira aparece em evidência, seguido de aromas de furta vermelha madura e delicadas notas florais. Em boca mostra muita potência e concentração, com a madeira aparecendo bem forte; taninos maduros e bem integrados ao álcool e a acidez. Um vinho muito encorpado, com a madeira incomodando um pouco, mas com grande potencial de guarda, pelo menos mais 5 anos.


O Rótulo

Vinho: Chocapalha Reserva
Tipo: Tinto
Castas:  30% Tinta Roriz, 55% Touriga Nacional e 15% Syrah
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Quinta da Chocapalha
Enólogos: Sandra Tavares da Silva e Diogo Sepúlveda
Graduação: 14%
Onde Comprar: Presenza (Loja Virtual)
Preço Médio: R$ 150,00
Temperatura de Serviço: 16 graus
Pontuações: 92 Winr Enthusiast; Medalha de Bronze  Decanter World Wine Awards


CH by Chocapalha Tinto 2008

Vinho 100% Touriga Nacional com 22 meses de estágio em barricas novas de carvalho francês. Visualmente mostrou uma cor rubi intensa e reflexos violáceos, com lágrimas finas e abundantes. No nariz aromas intensos e com boa integração entre a madeira e os aromas de frutas vermelhas maduras. Em boca repetiu a fruta e a madeira, mostrou taninos maduros e bem equilibrados com álcool. Outro exemplar da Quinta da Chocapalha grande potencial de guarda.


O Rótulo

Vinho: CH by Chocapalha
Tipo: Tinto
Castas:  100% Touriga Nacional
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Lisboa
Produtor: Quinta da Chocapalha
Enólogos: Sandra Tavares da Silva e Diogo Sepúlveda
Graduação: 14%
Onde Comprar: ?
Preço Médio: ?
Temperatura de Serviço: 16 graus





Fontes: Adega Alentejana e Notas pessoais de degustação

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Monte do Pintor

“Quando o viajante acordou e abriu a janela do quarto, o mundo estava criado. Era cedo, ainda vinha longe o Sol. Nenhum lugar pode ser mais serenamente belo, nenhum o será com meios mais comuns, terra larga, árvores, silêncio…”

José Saramago - Prêmio Nobel da Literatura 1998
em VIAGEM A PORTUGAL capítulo
“A Grande e Ardente Terra de Alentejo”

Chegamos a mais uma postagem sobre o Passeio Enológico por Portugal - PEP, onde vamos falar sobre a Monte do Pintor, que assim como as demais vinícolas portuguesas presentes  no PEP e já comentadas aqui, possuem uma história bem recente, de alguns anos ou décadas.

A Monte do Pintor foi constituída em 1991 e o primeiro vinho produzido data de 1993. Ela está situada próximo a Igrejinha, conselho dos Arraiolos e têm uma área de 200 ha, dos quais 30 ha. Em 1995 iniciou-se a comercialização dos vinhos.

Seus vinhos são compostos, majoritariamente, por castas tradicionais alentejanas: Trincadeira e Aragonez, bem como Alicante Bouschet, Castelão, Verdelho, Antão Vaz e Arinto.

Monte do Pintor Branco 2010

Este é o primeiro rótulo branco produzido pela vinícola e foi lançado em 2011. É um vinho produzido a partir de vinhas novas de Antão Vaz, Arinto e Verdelho.

O vinho mostrou uma cor amarelo clara, com reflexos esverdeados. No nariz foram perceptíveis notas de frutas tropicais. Em boca mostrou-se muito fresco, uma boa acidez e um leve toque mineral, dando um bom volume e conferindo um bom final de boca.

O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor
Tipo: Branco
Castas: Antão Vaz, Arinto e Verdelho
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 12,5%
Onde Comprar: Loja de Bebidas (Loja Virtual)
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de Serviço: 12 graus

Pequeno Pintor Tinto 2008

Esse rótulo foi fruto de uma postagem recente: relembre e, portanto, não repetirei as impressões do mesmo.


O Rótulo

Vinho: Pequeno Pintor
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$  40,00
Temperatura de Serviço: 16 graus


Monte do Pintor Tinto 2008

Rótulo com 18 meses de repouso em barricas de carvalho francês de segundo uso e mais 6 meses de repouso em garrafa antes da comercialização. Visualmente mostrou uma cor rubi intensa sem sinais de evolução e lágrimas finas e lentas. Um bouquet  rico em frutas escuras em compota, notas de café tostado e madeira. Em boca repetiu a fruta com boa integração com a madeira e taninos potentes, mas macios e bem integrados ao álcool e a acidez.


O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 14%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$  80,00
Temperatura de Serviço: 16 graus


Monte do Pintor Reserva Tinto 2007

Trata-se do rótulo topo de gama da vinícola, com passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês de primeiro uso e repouso de mais 12 meses na garrafa e dele foram produzidas apenas 14.700 garrafas.

Visualmente mostrou uma cor rubi intensa e densa, sem sinais de evolução e lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se complexo com a fruta negra madura aparecendo em primeiro plano, seguido de delicadas notas de chocolate amargo e pimenta preta. Em boca muito intenso, com taninos sólidos e potentes, bom equilíbrio e boa persistência e um final de boca com notas de especiarias e a madeira sobressaindo um pouco, mas nada comprometedor.


O Rótulo

Vinho: Monte do Pintor Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Monte do Pintor
Enólogo: David Patrício
Graduação: 14%
Onde Comprar: Internet
Preço Médio: R$ 150,00
Temperatura de Serviço: 16 graus



* Os Rótulos são de autoria do Escultor português João Cutileiro


sábado, 12 de maio de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Adega do Borba


Chegou a hora de começar a falar sobre os vinhos degustados no Passeio Enológico por Portugal. Para ficar mais didático resolvi falar dos vinhos em postagens condensadas por produtor. Então, iniciarei pelos primeiros vinhos degustados: os rótulos da Adega do Borba.

Fundada em 1955, a Cooperativa de Borba foi a primeira de uma série de Adegas Cooperativas constituídas no Alentejo. Eleita Cooperativa do Ano em 2003, 2005 e 2009.

Foi fundada por 12 viticultores da região, inconformados com os baixos preços que os negociantes ofereciam pelos seus vinhos e com as misturas a que os sujeitavam, depreciando-lhes a qualidade e a imagem da região.

Foi o primeiro produtor de vinho a colocar no mercado um VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada) com uma designação alentejana.

Vamos então aos quatro rótulos degustados.

Borba DOC Tinto 2010

O primeiro rótulo da noite foi o Borba DOC Tinto 2010, que é nada mais nada menos que o segundo vinho mais vendido em Portugal. Visualmente mostrou uma cor rubi clara / granada, com lágrimas grossas e lentas. Seu bouquet mostrou-se muito aromático e agradável, com o frutado bem evidente. Em boca repetiu a fruta, mostrando um bom equilíbrio entre taninos, acidez e álcool. Agradável e bom para o dia a dia.

O Rótulo

Vinho: Borba DOC
Tipo: Tinto
Castas:  Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo (Sub-Região: Borba)
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Graduação: 13,5% 
Preço médio: R$ 45,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus

Adega de Borba Premium Tinto 2008

Esse rótulo chamou a atenção pela sua potência e ao mesmo tempo pela sua elegância. Visualmente apresentou uma belíssima cor rubi intensa e profunda, com lágrimas abundantes, finas e rápidas, sem sinais de evolução. No nariz apresentou um ataque de frutos vermelhos maduros, baunilha e tostado, provenientes dos 12 meses de estágio em barricas de carvalho novas. Em boca também se mostrou intenso, repetindo a fruta e a madeira, com taninos redondos e macios e uma final de boca persistente. Pronto para beber, mas com um potencial de guarda de 5 anos, segundo o produtor.



O Rótulo

Vinho: Adega do Borba Premium
Tipo: Tinto
Castas:  Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo (Sub-Região: Borba)
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Pontuações: 91 pts Wine Enthusiast
Graduação: 14%
Preço médio: R$ 77,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus



Senses Touriga Nacional 2009

Outro belo vinho, também muito aromático. Com cor rubi intensa, com reflexos violáceos, lágrimas grossas e lentas. Seu bouquet mostrou um primeiro ataque de madeira (que chegou a causar surpresa quando li que passou apenas 4 meses em barricas, informação depois corrigida... foram na realidade 12 meses), seguido de aromas de frutas e flores vermelhas e um delicado toque de menta, dando uma pequena refrescância. Em boca repetiu a madeira e a fruta, com taninos redondos e uma boa harmonia entre taninos e acidez. Álcool sem agredir, apesar dos seus 15% de graduação.

                                                                                                                                   O Rótulo

Vinho: Senses
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Nacional
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Graduação: 15%
Onde comprar:
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus

Borba Reserva Rótulo de Cortiça Tinto 2008

O rótulo de cortiça é um atrativo a parte, deixa a garrafa ainda mais bela e imponente. Visualmente mostrou uma cor rubi com certos reflexos de evolução, lágrimas finas e abundantes. No nariz, assim como os de mais rótulos, mostrou grande riqueza de aromas, com as frutas maduras em primeiro plano e a madeiras e especiarias vindo em seguida. Em boca repete a fruta e mostra taninos redondos e macios, com bom equilíbrio e uma boa persistência.

Rótulo

Vinho: Borba Reserva Rolha de Cortiça
Tipo: Tinto
Castas: Alicante Bouschet, Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Adega Cooperativa do Borba
Pontuação: 90 pts Wine Enthusiast
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 80,00
Temperatura de serviço: 16-18 graus



Todos os vinhos nos pareceram muito equilibrados e agradáveis, com características olfativas muito intensas e marcantes. Vinhos para serem apreciados com calma, para que sejam degustados em sua plenitude, tirando deles tudo que há de melhor.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Loios Tinto 2010

Na véspera do feriado o vinho escolhido foi um Vinho Regional Alentejano clássico: o Loios Tinto 2010, que custa em portugal cerca de 3 Euros, algo em torno de R$ 7,00.

O rótulo é produzido pela Vinícola João Portugal Ramos que,  em 1990, plantou os primeiros cinco hectares de vinha em Estremoz, onde vive desde 1988, dando início ao seu projecto pessoal.

A primeira vindima realizou-se em 1992 e nos anos que se seguiram o vinho foi elaborado em instalações arrendadas, sendo 1997 o primeiro ano em que foi vinificado nas novas instalações.

A construção da adega em Estremoz, no Monte da Caldeira, iniciou-se em 1997, tendo sido ampliada em 2000. Hoje em dia dispõe de cerca de nove mil metros quadrados de área coberta, encontrando-se dotada de moderna tecnologia de vinificação, sala de engarrafamento e caves com aproximadamente duas mil barricas de carvalho francês, americano e português, utilizadas para o estágio dos vinhos. Na adega do Monte da Caldeira o moderno convive harmoniosamente com a melhor tradição vinícola portuguesa, sendo que parte dos lotes destinados aos tintos mais sofisticados é pisada em lagares.

O Loios é um vinho simples, bom para o dia a dia, de bom custo benefício. Um vinho com um rótulo diferente e bonito com o nome em alto relevo, sua cor é rubi intensa e brilhante, com lágrimas finas, lentas e abundantes. Seu bouquet é muito vivo com a fruta mais evidente, um toque discreto de vegetal e leve pimenta seca. Em boca repete a fruta e a pimenta, de taninos redondos e macios e uma acidez sobressaindo um pouco, nada comprometedor e álcool na medida certa.

O Rótulo

Vinho: Loios
Tipo: Tinto
Casta: Aragonez, Castelão e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: João Portugal Ramos
Graduação: 13,5%
Onde comprar: Pescadeiro
Preço médio: R$ 33,00
Temperatura de serviço: 16 graus
Pontuação: 85 pts RP

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Mais um Portuga na Área: EA Tinto 2009

Os vinhos portugueses têm me conquistado a cada dia, pela sua qualidade e também pela imensa gama disponível com excelente custo benefício, portanto tenho certeza que ainda teremos muitos vinhos deste país comentados por aqui.
 
Há uns meses o confrade Juberlan me deu este EA Tinto 2009 e o que estava faltando era a oportunidade para degustá-lo, mas enfim ela chegou.
 
O que harmonizar com este rótulo? Arriscamos com o Rondele de queijo e presunto ao molho de tomate e foi uma bela escola, não só pelo excelente sabor da massa como também pela harmonia do molho de tomate com a acidez do vinho.
 
O EA Tinto 2009 mostrou cor rubi intensa com halo violáceo, lágrimas espessas e lentas. Aroma frutado intenso, com um toque de fruta seca / em conserva e um pouco de pimenta seca. Em boca muito agradável com a fruta repetindo-se, taninos macios e suaves, acidez na medida e bem integrada ao álcool. Final de corpo médio. Um vinho jovem agradável e fácil de beber.
 
 
O Rótulo
 
Vinho: EA
Tipo: Tinto
Castas: Aragonez, Trincaeira, Alicante, Castelão
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Adega Cartuxa
Enólogo: Pedro Baptista
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 35,00
Temperatura de serviço: 16º

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Jantar de harmonização - Primeira Edição

Em uma noite muito agradável e com um motivo especial: a nomeação de Rejane em concurso público, nos reunimos ontem (31 de agosto de 2011) na casa dos amigos Juberlan e Rejane, os grandes anfitriões de uma noite histórica: a noite palco do primeiro Jantar de Harmonização, o qual foi regado a rótulos do velho e novo mundo.

Mais uma vez surgiu a idéia da criação de uma confraria, que a cada encontro torna-se uma idéia mais concreta. Aproveito a oportunidade e proponho aos amigos a oficialização da criação de uma Confraria em nosso novo encontro: pensem em uma alcunha.

A idéia inicial era degustar o Gato Negro: rótulo chileno em um Jantar de Harmonização com uma carne com algum tipo de molho. Conversa vai e conversa vem optamos por harmonizar o rótulo previamente citado com Medalhão de Filé Mignon ao Molho de Gorgonzola.

Eu fui o primeiro a chegar até porque estava sobre os meus ombros a responsabilidade de preparar o Filé Mignon e que responsabilidade, pois apesar de gostar de por a mão na massa minha pequena experiência é com frutos do mar, não havendo ainda preparado nenhum prato a base de carne.

Iniciei o preparo do prato da noite e a medida que os convidados foram chegando o noite foi mudando de rumo e o desenho final foi distinto do imaginado inicialmente, mas não inferior e sim superior.

Após a chegada de Macílio e Ana iniciamos os trabalhos da noite. Com o Gato Negro ainda na adega fomos do novo para o velho mundo e o primeiro a sair da adega foi o Cabeço de Pedra, um vinho Português potente da região do Ribatejo.

O Cabeço de Pedra mostrou uma cor rubi intensa, com um bouquet de frutas vermelhas e um toque de madeira, resultado dos seus 8 meses de estágio em barricas de carvalho francês; em boca mostrou-se equilibrado, com um corpo médio e um final médio-longo.

 
O Rótulo

Vinho: Cabeço de Pedra
Tipo: Assemblage Tinto
Castas: Castelão (60%) e Tinta Roriz (40%)
Safra: 2008
País: Portugal
Região: Ribatejo
Produtor: Encosta do Sobral
Enólogos: João Melícias, Duarte, Alexandra Mendes e Pedro Sereno
Graduação: 13%
Onde comprar: Ingá Vinhos
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 16 graus


Nota: Uma parte da garrafa foi reservada e utilizada no preparo dos medalhões de Filé Mignon, os quais podem ser vistos em pleno preparo ao fundo.

Já após o fim do Cabeço de Pedra chega o último convidado da noite: Eli, que para variar chegou com um pequeno atraso de cerca de 2 horas... Iniciamos então o segundo rótulo da noite: Cotes du Rhône Tinto Abel Pinchard - Loron et Fil's (Beaujolais) 2010, que já foi tema de uma outra postagem do blog, postagem esta que descreveu momentos memoráveis.

Depois de algumas pedras no caminho enfim os medalhões ficaram prontos era a hora de realizar a montagem do prato e de torcer para que este fosse agradável ao paladar de todos. Creio eu que tenha agradado e o melhor tirou-me um pouco do receio em preparar pratos a base de carne.


Pratos montatos e servidos. Cadê o Gato Negro? Mudanças de planos! Macílio trouxe um Paralelo 8 Premium e nos propôs harmonizarmos o prato com este rótulo nacional. Xiii! Lá vamos nós: eu e minha falta de "enopatriotismo". Mas, que grata surpresa me foi este rótulo, o qual é produzido a partir de uvas vitiviníferas de parreirais do Vale do São Francisco, pleno sertão nordestino.

De uma região incomum para a vinicultura, o Vale do São Francisco, o Paralelo 8 Premium conseguiu atingir um bom grau de qualidade graças a forte investimento na vinícola Vini Brasil em associação com a Dão Sul. Feito com Cabernet Sauvignon, Syrah, Alicante Bouschet, Touriga Nacional e Aragonez.

Mais uam vez meu preconceito foi quebrado, o Paralelo 8 Premium 2007 mostrou-se um vinho imponente e de grande força e personalidade.

Um vinho de cor rubi escura com reflexos violáceos e lágrimas abundantes. Bom ataque no nariz, onde logo vem a madeira (baunilha) e em seguida frutas maduras como ameixa e goiaba vermelha. Em boca é onde está maior surpresa, pois revela uma complexidade e estrutura interessantes, destacando-se a fruta madura, com um bom equilibrio, taninos presentes, acidez equilibrada e final de boca médio.

A harmonização deixou um pouco a desejar, pois o vinho sobressaiu um pouco o prato, nada que comprometesse de forma muito grave, mas fica a observação... Faltou a pimenta no prato para fechar com o vinho.

Notas:

1.1 O vinho necessitava de decantação.
1.2 É um vinho de valor alto para úm rótulo Nacional, pois é possível comprar excelentes rótulos do velho mundo e do novo mundo por valores similares e inferiores. Creio que a carga tributária aplicada a vinhos nacionais precisa ser reduzida.

O Rótulo

Vinho: Paralelo 8 Premium
Tipo: Assemblage Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon (20%), Syrah (20%), Alicante Bouschet (20%), Touriga Nacional (20%) e Aragonez (20%)
Safra: 2007
País:  Brasil
Região: Vale do São Francisco
Produtor: Vini Brasil e Dão Sul
Enólogos: Carlos Lucas
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 70,00
Temperatura de serviço: 16 graus

Depois deste belo jantar fomos  surpreendidos com um Dow's Vintage 2003, um presente do Eli para Rejane, que vinha sendo "guardado a 7 chaves"; um grande rótulo para finalizar esta noite tão especial.

O Vintages são produzidos apenas nos anos de excepcional qualidade e representam apenas 2-3% da produção total. A espinha dorsal dos Portos Vintage é extraída dos vinheidos mais finos: Quinta do Bomfim e a Quinta da Senhora da Ribeira. É envelhecido em madeira por cerca de 18 meses e engarrafados sem filtragem. É um vinho com imenso poder e grande estrutura.

O Dow's Port Vintage 2003 recebeu 94 pontos do Robert Parker (vinho de primeira qualidade, melhor de seu tipo. Equilíbrio perfeito, tonalidade absolutamente limpa e caráter inigualável). Tem cor rubi intensa escura e brilhante, de lágrimas abundantes, encorpado com aroma de madeira, baunilha, chocolate e especiarias, em boca mostrou-se aveludado, macio, de final longo, equilibrado e intenso.


O Rótulo

Vinho: Dow's Port Vintage
Tipo: Porto
Castas: Predominantemente Touriga Nacional e Touriga Franca
Safra: 2003
País: Portugal
Região: Douro
Produtor: Symington Family Esteves
Graduação: 19%
Onde comprar: Casa dos Frios (Sob Encomenda)
Preço médio: R$ 150,00
Temperatura de serviço: 16 graus ou Temperatura Ambiente (Conforme Preferência)

E o saldo da noite foi positivo! Que venha os próximos jantares de harmonização!