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terça-feira, 21 de junho de 2016

Giacomo Montresor Amarone della Valpolicella 2012

Poder provar alguns vinhos que dificilmente beberíamos é um privilégio e uma satisfação e isso me é possível quando participo de feiras e eventos promocionais e graças a um desses pude degustar, por duas vezes um dos mais célebres e clássicos vinhos italianos e do mundo: o Amarone, produzido na região do Vêneto.
 
Antes de falar sobre minhas impressões sobre o vinho permitam-me discorrer algumas linhas sobe o Amarone.
 
O Vêneto é a região italiana que mais produz vinhos. No nordeste do país e com capital na bela Verona, os 75 mil hectares de vinhedos cultivados geram ao ano nada menos do que 850 milhões de litros, número equivalente a três vezes o total da produção brasileira.
 
Alguns vinhos são bastante populares por lá, como o Prosecco, o Soave, o Bardolino e o Valpolicella. O grande vinho vêneto, também considerado um dos maiores da Itália, porém, é outro. Chama-se Amarone della Valpolicella, ou, para que não seja confundido com o primo mais humilde, apenas Amarone. A confusão se dá não apenas pelo nome, pois geograficamente a zona de produção do Valpolicella é exatamente a mesma do Amarone.
 
Trata-se de um conjunto de suaves colinas ao norte de Verona, entre as cidades de Grezzana e Sant'Ambrogio di Valpolicella. As uvas também são as mesmas e pela legislação italiana devem ser: 40% a 70% de Corvina, 20% a 40% de Rondinella, 5% a 25% de Molinara. A primeira dá cor, caráter e maciez; a segunda contribui com a estrutura, e a terceira com a acidez e um delicado toque amargo.

O Amarone é bastante concentrado e seu teor alcoólico é elevado - nunca menor do que 14%, e pode chegar aos 17%. Além disso o vinho é "turbinado" por um procedimento conhecido como apassimento. A técnica consiste em deixar as uvas em caixas ou esteiras de quatro a cinco meses, em vez de serem esmagadas e fermentadas após a colheita. Durante este período, os frutos perdem cerca de 35% de seu peso - tornado o vinho, automaticamente, mais caro - e se tornam mais concentrados em perfumes, elementos gustativos e açúcares. As uvas adquirem um caráter resinoso não observado nas fermentações convencionais , e se convertem em um vinho de elevado teor alcoólico.
 
Um outro fator pode afetar a bebida. Eventualmente, em anos mais úmidos, alguns cachos são atacados pelo fungo Botrytis cinerea, também conhecido como "podridão nobre". Esse ataque é sempre bem-vindo pois imprime mais maciez, complexidade e intensidade aromática ao vinho.
 
Em janeiro ou fevereiro, a fermentação finalmente acontece, com longa maceração (contato do suco com as cascas da uva). O vinho é amadurecido, por lei, em barris de carvalho durante um período mínimo de 25 meses. O barril tradicionalmente utilizado é de tamanho grande (cinco mil litros), e de madeira usada. Alguns produtores já começam a usar recipientes menores de madeira nova, imprimindo aos seus produtos um estilo mais moderno. Esse estágio em madeira pode chegar a 48 meses. Antes de chegar ao mercado, o vinho descansa em garrafa por um ano. Este tempo em barricas confere a todos os Amarones um típico toque de oxidação.
 
Na taça mostrou cor rubi com reflexos sutilmente alaranjados. Intensa formação de finas e rápidas lágrimas.
 
No nariz apresentou aromas intensos e complexos sendo possível perceber notas de cereja, ameixa, framboesa, violetas, passas, folhas e frutos secos, especiarias, café, menta e tostado.
 
Em boca um vinho com taninos redondos e macios, acompanhados de boa acidez e álcool a 15,5% sem incomodar, mostrando excelente equilíbrio. Repetição das notas olfativas  e final de boca longo, elegante e complexo, com as notas de frutos secos e passas aparecendo no retrogosto.
 
O Rótulo
 
Vinho: Giacomo Montresor Amarone della Valpolicella
Tipo: Tinto
Castas: Corvina Veronese 65%, Molinara 18% e Rondinella 17%
Safra: 2012
País: Itália
Região: Vêneto
Produtor: Giacomo Montresor
Graduação: 15,5%
Onde comprar / Importador: Banca do Ramon / Cantu
Preço Médio: R$ 400,00
Temperatura de serviço: 16º
Degustado em: 14.04.2016

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Villa Spinosa Valpolicella Clássico DOC #cbe

Mês novo começando e junto com ele o nosso post especial para a Confraria Brasileira de Enoblogs, a primeira e única confraria virtual do Brasil. O tema do mês foi: "Valpolicella", do clássico ao ripasso, amarone, recioto...", escolhido pelo Alexandre Takei do blog Notas Etílicas.

Os vinhos do tema são produzido na região do Vêneto, que está situada no Nordeste da Itália, juntamente com o Trentino-Alto-Adige e a Friuli-Venezia-Giulia. Os vinhos mais famosos do Veneto são os tintos Valpolicella, Amarone della Valpolicella, Recioto della Valpolicella e Bardolino, o branco suave e o espumante Prosecco.

A minha escolha foi o Villa Spinosa Valpolicella Clássico DOC, uma das poucas opções disponíveis nas lojas onde fui garimpar o rótulo.

O Valpolicella é um tinto seco leve elaborado com as uvas Corvina Veronese, Rondinella e Molinara (a primeira dá cor, caráter e maciez; a segunda contribui com a estrutura, e a terceira com a acidez e um delicado toque amargo) com no mínimo 11% de álcool e deve ser bebido jovem. Os Valpolicella denominados Clássico são provenientes de vinhedos da região mais conceituada e históricamente original. Os que possuem a denominação Superiore têm mais estrutura, maior teor alcoólico (12%) e envelhecem dois anos na vinícola antes de serem comercializados.

Visualmente o vinho apresentou uma cor rubi bem clara, alaranjada (âmbar) e lágrimas finas translúcidas e lentas. No nariz aromas de fruta vermelha, amêndoas, notas de especiarias, toque balsâmico e discreto tostado. Em boca mostrou bom corpo, taninos macios e excelente acidez. Final de boca de boa intensidade e com a repetição das notas olfativas e a fruta e especiaria aparecendo no retrogosto.

Eu e Fernanda degustamos esse belo exemplar italiano no último dia 30 e para acompanhar Fernanda nos preparou um delicioso talharim com molho de tomate caseiro e filé mignon com molho de iogurte. Vinho e prato foram elevados pelo conjunto, uma beleza de harmonização.

O Rótulo

Vinho: Villa Spinosa Valpolicella Clássico DOC
Tipo: Tinto
Castas: Corvina Veronese e Corvinone
Safra: 2009
País: Itália
Região: Vêneto
Produtor: Azienda Agrícola Villa Spinosa
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios e RM Express
Preço Médio: R$ 55,00
Temperatura de serviço: 16º