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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Um vinho especial da adega para celebrar

Reunir-se com amor, família e amigos para beber um vinho sem qualquer motivo especial é muito massa, mas abrir aquela garrafa que estava guardada na adega para celebrar um momento especial é melhor ainda.
 
E foi para celebrar um momento super especial: a conclusão do curso de Gastronomia por Fernanda, que abrimos o Yarden Chardonnay, um branco israelense com 7 anos de vida e que estava a quase dois anos na adega.

Aproveito o vinho para saldar uma dívida com um tema da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, sugerido pela Rafaela Giordano do blog Le Vin au Blog -  "Qual vinho especial da sua adega você abriria para comemorar uma data importante? Por que não abrir agora?"

O Yarden Chardonnay rótulo faz parte da linha premium da Golan Heights e o seu nome significa Jordão em hebraico, uma homenagem ao histórico Rio Jordão mencionado nos escritos sagrados: a Bíblia. O Rio nasce no Monte Hermon, passa pelo Mar da Galileia e deságua no Mar Morto, atravessando desta forma a Terra Santa.

Trata-se de um varietal produzido exclusivamente a partir de uvas de vinhedos situados no extremo norte das Colinas de Golan, local cujas altitudes atingem 1200 metros acima do nível do mar.
 
Na taça o vinho apresentou cor  apresentou uma linda cor dourada e lágrimas grossas e lentas.
 
No nariz mostrou um bouquet intenso e fantástico. Pode-se perceber ainda aromas primários como manga, pêssego, notas florais sutis e algum mineral, mas as notas olfativas provenientes do tempo em garrafa são os que encantaram: flores secas, damasco,  avelã, nozes, amêndoas, mel, coco e cedro. Os 7 anos de vida fizeram seus aromas evoluírem até o seu ápice.
 
Em boca repetiu o mesmo explendor do olfato e mostrou-se untuoso, amanteigado e ainda com boa acidez. Vinho com bom corpo, boa textura e final de boca de longa persistência com de mel, frutos secos, coco e cedro aparecendo no retrogosto.

Vinho gastronômico e assim sendo fernanda nos preparou um salmão em cama de risoto ao queijo para escoltá-lo.
 

O Rótulo

Vinho: Yarden
Tipo: Branco
Castas: Chardonnay
Safra: 2008
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 98,00
Temperatura de serviço: 10°
Outros atributos: Vinho Kosher

segunda-feira, 3 de março de 2014

Yarden Muscat 2011

Vinho israelense fortificado, já viu? Eu não só vi como provei um belo exemplar há 15 dias durante a degustação dos vinhos da Golan Heights Winery, que já está deixando saudades.
 
O Yarden Muscat é produzido a partir de uvas de vinhedos situados na porção sul das Colinas de Golan. Um vinho doce surpreendente.
 
Vinificado através de curta fermentação alcoolica em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada, seguida de fortificação (adição de aguardente vínica). O aguardente amadureceu em barricas de carvalho; o vinho, já fortificado, amadureceu em tanques de aço sob temperatura controlada.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor amarelo clara e brilhante. No nariz mostrou aroma intenso com casca de lajanja em evidência, seguido de notas florais, mel e baunilha completando a paleta de aromas. Em boca mostrou muito leve e delicado, com boa acidez e interessante frescor; encorpado untuoso com boa persistência e as notas florais e do mel aparecendo no retrogosto.
 
O Rótulo

Vinho: Yarden
Tipo: Fortificado
Castas: Muscat de Alexandria
Safra: 2011
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 85,00
Temperatura de serviço: 8°
Outros atributos: Vinho Kosher

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Yarden Syrah 2009, um vinho para beber agora ou daqui a 15 anos

Yarden Syrah: um vinho memorável e que, pra mim e a maioria dos presentes na degustação guiada de vinhos israelenses, foi o melhor dos vinhos que nos foi apresentado.
 
Este rótulo é produzido a partir de uvas dos três melhores vinhedos de Syrah da Golan Heights: Ortal, no norte de Golan; Allone Habashan e Tel Phares em Golan central. A fermentação alcoólica ocorre em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada. Após a fermentação alcoólica, o vinho é submetido à fermentação maloláctica e amadurece durante 18 meses em barricas de carvalho francês.
 
A safra de 2003 recebeu troféu de Excelência no Concurso Citadelles Du Vin (Bordeaux, junho de 2007) e a safra de 2004 a medalha de Ouro no Challenge International du Vin 2009 (Bordeaux, abril de 2009).
 
A vinícola, apesar de jovem, vem conquistando, desde seus primeiros anos, os mais altos prêmios e reconhecimentos nos mais respeitados concursos internacionais, bem como dos mais famosos críticos. Em 2008 foi a primeira vinícola israelense a figurar na lista Top 100 da Winespectator, com o vinho Yarden Cabernet Sauvignon 2004.
 
Visualmente mostrou uma cor vermelho escura, quase negra, com halo vermelho sem sinais de evolução e uma chuva de lindas, finas e rápidas lágrimas. No nariz mostrou-se um vinho de grande exuberância, com notas de fruta madura (ameixa, amora e framboesa) e fruta em compota, seguidas de notas de especiarias como tabaco e pimenta, chocolate amargo, e toques de defumado, couro e terra molhada. Em boca repetiu as especiarias e mostrou notas de frutos secos. Um caldo encorpado, com taninos firmes, mas elegantes, boa acidez e álcool na medida certa. Final de boca seco de longa persistência final.
 
Vinho pronto pra beber, mostrando muita exuberância já com cinco anos de vida, mas que tem grande potencial de guarda; o produtor cita potencial para evoluir por 20 anos.
 
Gastronômico e deve acompanhar bem carnes vermelhas, sobretudo cordeiro e as de caça como javali; é de salivar só de imaginar.

Fernanda, Yael Gai e Eu.

O Rótulo

Vinho: Yarden
Tipo: Tinto
Castas: Syrah
Safra: 2009
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 197,00
Temperatura de serviço: 16°
Outros atributos: Vinho Kosher

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Hermon Red 2012

Hermon Red 2012, mais um vinho produzido nas frias Colinas de Golan, na Alta Galileia. Trata-se de um corte bordalês clássico: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot.
 
A fermentação alcoólica ocorre em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada. Após a fermentação alcoólica, o vinho é submetido à fermentação maloláctica e amadurece em tanques de aço inoxidável durante vários meses.
 
Visualmente mostrou cor rubi profunda com halo vermelho translúcido e lágrimas finas e lentas. No nariz aromas de fruta vermelha, algum componente herbáceo e notas de especiarias. Em boca repetiu a fruta e apresentou taninos macios e em bom equilíbrio com acidez e álcool. Bom corpo com final de boca de média persistência com com a fruta aparecendo no retrogosto.
 
Vinho delicado e com bom toque de frescor; enquadra-se bem na categoria  dos tintos de verão. Está pronto para ser bebido e não creio que mais anos irão fazê-lo evoluir.
 
O Rótulo

Vinho: Hermon
Tipo: Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot
Safra: 2012
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 90,00
Temperatura de serviço: 15°
Outros atributos: Vinho Kosher
 
Post Scriptum
 
"Os olhos de Israel, assim é carinhosamente chamado o Monte Hermon, ponto culminante do país, localizado no topo da Cordilheira do mesmo nome, entre a fronteira de Israel e a Síria. Assim denominado por causa de seus picos.
 
 
O Monte Hermom é citado inúmeras vezes na bíblia e uma das passagens encontra-se no livro de Cantares (Cânticos dos Cânticos), escrito por Salomão e que é um poema lírico escrito para exaltar as virtudes do amor entre um marido e sua esposa. O poema claramente apresenta o casamento como um plano de Deus. Um homem e uma mulher devem viver juntos dentro do contexto do casamento, amando um ao outro espiritualmente, emocionalmente e fisicamente.
 
"Vem comigo do líbano, minha esposa, vem comigo do Líbano; olha desde o cume de Amana, desde o cume de Senir e de Hermom, desde a morada dos leões, desde o monte dos leopardos". Cantares 4:8

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Yarden "Shaar-Adonay" 2011

Chegamos ao terceiro rótulo da noite de degustação de vinhos israelenses: o Yarden Chardonnay 2011 que, sem sombra de dúvidas foi o melhor Chardonnay que já degustei na vida.

O rótulo faz parte da linha premium da Golan Heights e o seu nome significa Jordão em hebraico, uma homenagem ao histórico Rio Jordão mencionado nos escritos sagradas: a Bíblia. O Rio nasce no Monte Hermon, passa pelo Mar da Galiléia e desagua no Mar Morto, atravessando desta forma a Terra Santa.

Trata-se de um varietal produzido exclusivamente a partir de uvas de vinhedos situados no extremo norte das Colinas de Golan, local cujas altitudes atingem 1200 metros acima do nível do mar.

Visualmente o vinho apresentou cor dourada e lágrimas grossas e lentas. No nariz simplesmente fantástico, com uma paleta de aromas me remetendo a melão, manga, pêra, pêssego, damasco, notas florais, minerais, de coco e de amêndoas. Em boca repetiu o mesmo explendor do olfato e mostrou-se untuoso, amanteigado. Vinho com bom corpo, boa textura e final de boca de longa persistência com notas de manga, coco e amêndoas aparecendo no retrogosto.

Vinho gastronômico e de excelente qualidade, pronto pra beber, mas com potencial de guarda de 10, anos segundo produtor. Eu e Fernanda trouxemos pra casa uma garrafa da safra 2008, a qual está repousando na adega.

O Rótulo

Vinho: Yarden
Tipo: Branco
Castas: Chardonnay
Safra: 2011
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 98,00
Temperatura de serviço: 10°
Outros atributos: Vinho Kosher

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Branco israelense com a cara do nosso verão: Hermon White 2012

O Hermon White 2012 foi o segundo rótulo da noite de vinhos israelenses na Casa dos Frios. Trata-se de um corte das uvas Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier e Sémillon provenientes de diversos vinhedos situados ao norte das Colinas de Golan, a porção mais fria da Região.
 
O nome do vinho vem do Monte Hermom, o qual tem forte ligação entre o povo judeu e as Colinas do Golã e esta remonta aos tempos bíblicos. Diz a tradição judaica que foi no Monte Havtarim, na região do Monte Hermon, a 1.296m acima do nível do mar, nos declives de Katef Sion, que Deus prometeu a Abrão que lhe daria a terra para seus descendentes. Um antigo túmulo marca o local e um robusto carvalho ergue-se, ao lado.
 
"Os olhos de Israel". Assim é carinhosamente chamado o Monte Hermon, ponto culminante do país, localizado no topo da Cordilheira do mesmo nome, entre a fronteira de Israel e a Síria. Assim denominado por causa de seus picos, é um dos principais centros de prática dos desportos de inverno. Com 2.224m, foi o local escolhido para a implantação de um centro de lazer para turistas e amantes do esqui, pois a neve faz parte da paisagem natural da área de novembro a março, coberto de branco os picos do Hermon. Das suas encostas, que degelam depois do inverno, nasce o rio Jordão.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor amarelo palha, com tons esverdeados. Seus aromas remetem a melão, maçã, pêssego e notas de flores brancas (flor de laranjeira, jasmim e cravo). Em boca mostrou grande frescor e repetiu as notas olfativas. Corpo médio e boa persistência com notas de melão e flor de laranjeira aparecendo no retrogosto.

Vinho muito suave e agradável, fácil de beber e uma excelente pedida para esse verão castigante que estamos tendo.

O Rótulo

Vinho: Hermon White
Tipo: Branco
Castas: Sauvignon Blanc, Chardonnay, Viognier e Sémillon
Safra: 2012
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 13,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 90,00
Temperatura de serviço: 10°
Outros atributos: Vinho Kosher
 
 
 
"...Como o orvalho do Hermon, que desce sobre os montes de Sião; porque alí o Senhor ordena a benção e a vida para sempre". Salmos 133:3 

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Gamla Brut

Se você nem imaginava que Israel ainda produzia vinhos o que você diria se soubesse que eles produzem vinhos espumantes? Pois é, os espumantes também fazem parte do Portifólio da Golan Heights Winery e eu pude provar um dos seus exemplares na degustação guiada que participei no último dia 18.
 
O Gamla Brut faz parte da linha de vinhos Gamla e é produzido com chardonnay e pinot noir provenientes de vinhedos situados nas Colinas de Golan, a área mais fria da região da Galiléia e considerada o melhor terroir de Israel.
 
A vinificação do vinho base é realizada em tanques de aço inox sob temperatura controlada e a segunda fermentação é realizada na garrafa (método tradicional ou champenoise). O líquido amadurece por 12 meses sobre as borras (sur lie) e só depois é disponibilizado para o consumo.

 
Visualmente o vinho apresentou uma cor amarelo palha bem clara com reflexos dourados, boa formação de espuma e perlage fina e duradoura. No nariz apresentou notas de maça, pêra, tangerina, flor de laranjeira e nuances de fermento. Em boca repetiu as notas cítricas e mostrou-se macio e refrescante. Corpo médio com final de boca de boa intensidade, seco e com o toque floral aparecendo no retrogosto.

É um bom espumante, valeu a experiência, mas o preço não é nada convidativo. Foi degustado como aperitivo, mas com certeza acompanha bem frutos do mar e culinária japonesa.
 
O Rótulo

Vinho: Gamla Brut
Tipo: Espumante
Castas: Chardonnay (50%) e Pinot Noir (50%)
Safra: Não safrado
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 11,5%
Onde comprar em Recife: Casa dos Frios
Preço médio: R$ 115,00
Temperatura de serviço: 6°
Outros atributos: Vinho Kosher

quinta-feira, 1 de março de 2012

Yarden Mount Hermon Red 2010 #CBE

Esta é a edição de número 66 da #CBE e a 2ª em que participo. O tema da vez é o mais inusitado de todos os 66 e foi sugerido pelo confrade Claudio Werneck (Le Vin au Blog) que mandou: "quanto mais diferente, incomum, curioso e pitoresco melhor".

Dei uma garimpada por algumas lojas, vi coisas diferentes, curiosas e incomuns, pelo menos para mim e minha escolha terminou sendo pelo incomum. Apesar de incomum a minha escolha me pareceu bastante atrativa por se tratar de um corte bordalês de um país que não sabia que produzia vinho em escala comercial internacional: Israel.

O vinho de uma região onde, para os cristãos, Noé produziu o primeiro vinho ("E começou Noé a cultivar a terra e plantou uma vinha". Gênesis 9:20) e também que foi palco do primeiro milagre de Jesus: "ordenou-lhe Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima. Então lhes disse: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E eles o fizeram. Quando o mestre-sala provou a água tornada em vinho, não sabendo donde era, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água, chamou o mestre-sala o noivo". João 2:8-9. 

Além destes fatos históricos referentes a região de onde provém o vinho, o mesmo também é um Vinho Kosher, que é um tipo desta bebida que satisfaz os rigorosos critérios de produção estabelecidos pelos rabinos, tornando-se assim adequados para o consumo por judeus ortodoxos*.

O Yarden Mount Hermon Red é produzido a partir de uvas de vários vinhedos situados nas frias Colinas de Golan, Galiléia. A fermentação alcoólica ocorre em tanques de aço inoxidável sob temperatura controlada. Após a fermentação alcoólica, o vinho é submetido à fermentação maloláctica e amadurece em tanques de aço inoxidável durante vários meses.
 
O Yarden Mount Hermon 2010 mostrou cor rubi sem sinais de evolução, com lágrimas finas e lentas. Ao nariz é bastante intenso e puro, com notas de framboesa e cereja complementadas por tons de especiarias (pimenta e um pouco de café). Em boca segue frutado, revelando estrutura sólida, com taninos macios e suaves, com acidez e álcool equilibrados e final médio longo. A medida que a temperatura do vinho foi igualando-se a temperatura ambiente a acidez passou a incomodar e o álcool a sobressair, não é por acaso que eles recomendam servir entre 13º e 15º.

Um vinho jovem com estimativa de Guarda entre 5 e 8 anos, mas já está pronto para beber.

Degustamos (eu, Juberlan, Rejane e meus pais) esse vinho do oriente médio com uma belíssima picanha ao forno acompanhada de batatas, vista ao fundo na imagem logo acima.

O Rótulo

Vinho: Yarden Mount Hermon Red
Tipo: Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Malbec e Petit Verdot (corte Bordalês)
Safra: 2010
País: Israel
Região: Colinas de Golan, Galiléia
Produtor: Golan Heights Winery
Graduação: 14%
Onde Comprar: Pescadeiro
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de Serviço: 16º
Outros atributos: Vinho Kosher


*Post Scriptum:

Pelo fato do vinho ser utilizado em numerosos cultos religiosos, os judeus insistem que o vinho destinado a ser usado em seus ritos religiosos deva ser produzido exclusivamente por judeus ortodoxos, para evitar sua possível contaminação ao ser manipulado por pessoas desprovidas de fé. Os vinhos kosher, que literalmente significa "certo" ou "correto", são produzidos sob estrita supervisão dos rabinos, e somente judeus ortodoxos, que respeitam o sabbath são aceitos para trabalhar nos processos de produção e engarrafamento dos mesmos. Alguns rabinos insistem que o vinho deva ser "fervido" (na verdade, submetido à pasteurização), de forma que os não judeus, portanto em sua visão, ateus, não mais o reconheceriam como vinho e, portanto não haveria o risco do vinho ser usado em seus rituais religiosos. O vinho assim tratado, "mevushal", lamentavelmente perde a maior parte de suas qualidades, mesmo quando são utilizadas as modernas técnicas de pasteurização ultra-rápida.

Em Israel, o vinho kosher deve ser produzido dentro das rigorosas leis alimentares vigentes no país, a saber:

1. Nenhum vinho pode ser produzido a partir de videiras com idade inferior a quatro anos.

2. O vinhedo se estiver localizado dentro de terras bíblicas, deve ser deixado uma vez sem cultivo a cada sete anos.

3. Somente videiras devem ser plantadas nas áreas de cultivo de vinhas.

4. Desde a chegada à vinícola, as uvas e o vinho resultante devem somente ser manuseados por judeus que respeitem integralmente o sabbath, sendo obrigatório o uso de materiais 100% kosher nos processos de produção, maturação e engarrafamento do vinho.

De todas estas leis, a segunda é de longe a mais dispendiosa e restritiva para ser seguida, porém com freqüência se usa um artifício para burlá-la. Assim, o vinhedo é vendido para um não judeu no ano em questão, que se encarrega de cultivar a terra e dar seqüência ao trabalho nas vinhas, revendendo-a no ano seguinte para o proprietário anterior, geralmente um judeu ortodoxo. Desta forma, as videiras não sofrem qualquer descontinuidade em seu ciclo produtivo, evitando-se desta forma os naturais prejuízos.

Na prática, no entanto, uma vinícola kosher acaba empregando um grande número de pessoas que não respeitam o sabbath, às quais é permitido manusear as uvas recém colhidas, sendo, porém vedado o contato com o mosto ou com o vinho.

Os enólogos e técnicos que não seguem os preceitos judaicos devem instruir os outros trabalhadores que os respeitam para realizar as operações físicas necessárias dentro da vinícola. Qualquer vinícola que se localize fora de Israel pode produzir vinhos kosher, desde que a quarta lei seja rigorosamente observada. Vinhos kosher de boa qualidade podem ser encontrados em várias regiões da França, Itália, África do Sul, Marrocos, Austrália e Estados Unidos, sendo que uma pequena parcela deste tipo de vinho é produzida em praticamente todos os países produtores de vinhos, para consumo local.