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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Herdade da Farizoa Seleção do Enólogo, um portuga tranquilo

Provamos mais um exemplar português, o Herdade da Farizoa Seleção do Enólogo, um vinho macio, com bom equilíbrio e pronto para ser bebido, prozudido pela Herdade da Farizoa, uma das quintas do grupo Companhia das Quintas, que conta ainda com outras 4 quintas: Quinta da Fronteira, Quinta do Cardo, Quinta de Pancas e Quinta da Romeira.
 
A Companhia das Quintas foi fundada em 1999 e, desde então, dedica-se exclusivamente à produção e comercialização de vinhos, espumantes e bebidas de elevada qualidade. Também desenvolve, desde sua criação, um plano de elevado dinamismo e inovação por meio de uma forte aposta nas mais elevadas técnicas de viticultura e enologia, o que a tornou uma das maiores empresas do setor em Portugal, com cerca de 400 hectares de vinha.
 
Herdade da Farizoa tem origem desconhecida. Porém, sabe-se que no século XVIII e parte do XIX, a propriedade pertenceu a uma das muitas ordens religiosas que viriam a se extinguir no ano de 1854. A vinícola possui um conjunto antigo de edificações, destacando-se um convento no qual se encontram referências a um passado de tradição vitivinícola. Na Herdade da Farizoa, encontram-se algumas das castas mais representativas da região do Alentejo, como a aragonez, uma variedade de grande qualidade, rica em taninos e que produz vinhos frutados, e a trincadeira, uma das varietais mais antigas e utilizadas no Alentejo.
 
A Herdade da Farizoa tem uma área de 60 hectares e está localizada na freguesia da Terrugem, integrada na sub-região de Borba, uma das três que constituem a Região Demarcada do Alentejo. O terreno, ligeiramente acidentado, torna fácil o trabalho na vinha, permitindo a total mecanização de algumas operações. O clima da região é caracterizado por primaveras e verões muito quentes e secos. Os valores relativos à insolação são muito elevados, particularmente no trimestre que antecede as colheitas, contribuindo para a perfeita maturação das uvas e para a qualidade dos vinhos.


Vamos ao vinho: visualmente mostrou cor rubi intensa, brilhante e a presença de lágrimas finas e rápidas. No nariz rico em aromas de frutas vermelha (cereja e ameixa), seguido de notas de cacau, café, tabaco e tostado. Em boca apresentou corpo médio com taninos redondos e em equilíbrio com a acidez e o álcool, com a fruta e o tostado aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Herdade da Farizoa Seleção do Enólogo
Tipo: Tinto
Casta: Aragonez, Touriga Nacional, Syrah e Alfrocheiro
Safra: 2012
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Herdade da Farizoa, Companhia das Quintas
Graduação: 14%
Onde comprar: Wine
Preço médio: R$ 78,00 (R$ 50,00 no Clube W)
Temperatura de serviço: 16º

sábado, 18 de outubro de 2014

"Infanticícido" do Cunha Martins Reserva 2011

Quando abrimos a garrafa do Cunha Martins Reserva 2011 o Crítico de Vinhos Rui Falcão logo disparou: acabamos de cometer um "infanticídio", uma referência a que o vinho ainda é jovem e que vai melhorar e muito com os anos em garrafa.
 
O vinho é produzido pela Quinta do Cerrado, um dos produtores mais antigos da Região do Dão. Trata-se de uma empresa familiar fundada em 1942 e que atualmente é administrada pela terceira geração da família Cunha Martins. Os seus mais de 60 anos de atividade são verdadeiro atestado de qualidade dos seus vinhos.
 
Localizada próxima à pequena aldeia de Oliveirinha, município de Carregal do Sal, a Quinta do Cerrado está integrada na Rota dos Vinhos do Dão, sendo possível visitar a sua bem equipada adega, os lagares de granito, as bonitas vinhas com as castas tradicionais da região e a charmosa casa rural.
 
O Cunha Martins Reservas é laborado a partir das castas Touriga-Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro e Jaen, foi vinificado com maceração prolongada, o que lhe confere estrutura e longevidade e envelheceu por 8 meses em barricas de carvalho português.
 
Visualmente o vinho apresentou cor vermelha rubi intensa e brilhante. No nariz trouxe aromas de frutas vermelhas, jasmim, chá, Caramelo, baunilha toques sutis de tostado. Em boca apresentou-se encorpado, com taninos potentes e alta acidez. Vinho ainda jovem, equilibrado e com final de boca longo.
 
Não encontrei o preço em nenhum site, mas o vinho já recebeu duas vezes a medalha de Boa Compra da Revista de Vinhos e é o segundo o site é vinho Reserva de menor preço comercializado pela Adega Alentejana.
 
O Rótulo:

Vinho: Cunha Martins Reserva DOC
Tipo: Tinto
Castas: Touriga Nacional 40%, Tinta Roriz 30%, Alfrocheiro 10% e Jaen 20%
Safra: 2011
País: Portugal
Região: Dão
Produtor: Quinta do Cerrado (Cunha Martins)
Enólogo: Célia Costa
Graduação: 13%
Onde comprar: ? (Importado pela Adega Alentejana)
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 18º

Nota:

Este vinho foi degustado durante a formação Academia de Vinhos de Portugal - Nível II, ministrada pelo renomado Jornalista e Crítico de Vinhos português Rui Falcão, realizada no Hotel Atlante Plaza no dia 28 de agosto de 2014.

quinta-feira, 22 de maio de 2014

Paulo Laureano Tradições Antigas Talha 2011

Os vinhos da Paulo Laureano Vinus dispensam apresentações e já perdi a conta de quantos rótulos deste produtor já passaram por aqui. Mas, nunca é demais repetir  duas marcas registradas da vinícola: a primeira é o uso exclusivo de castas autóctones e a segunda é buscar a tradição na produção de alguns de seus rótulos, como é o caso do Paulo Laureano Tradições Antigas Talha, em que poucas garrafas são produzidas e algumas são comercializadas em pequenas talhas.
 
A versão deste vinho que é distribuida em garrafa já passou aqui pelo blog e na postagem eu contei um pouco da história do mesmo: relembre.
 
O vinho vendido na talha é uma antiga paixão. Desde que eu e Fernanda conversamos com o Paulo Laureano, há dois anos, buscávamos adquirir uma talha, com a safra de 2010 não tivemos êxito, contudo no início do ano encontramos a safra de 2011 e resolvemos trazer uma, das 4000 produzidas, pra casa.
 
O vinho foi produzido utilizando as mesmas técnicas que os romanos utilizavam há 2.000 atrás. O Desengace (separação das uvas do cacho) foi realizado  num “ripanso” e a fermentação em talhas de barro, durante 10 dias. Filtração inicial através da “balsa”, estágio em depósito de inox e engarrafamento outubro de 2012.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi escura, intensa e brilhante. No nariz aromas intensos de frutos negros, notas de especiarias (pimenta e canela), terrosas e balsâmicas. Em boca taninos redondos e elegantes, excelente acidez e álcool sobrando um pouco, mas sem comprometer. Final de boca longo com a fruta e o balsâmico aparecendo no retrogosto.

Vinho com um preço acima do que estou acostumado a pagar, mas que vale pela sua elegância e pelo ritual de se degustar uma néctar produzido e armazenado como há dois milênios.

Degustado na companhia de Fernanda, meus pais, minha irmã e cunhado e os amigos Juberlan e Rejane. A harmonização ficou por conta de uma bela focaccia rechegada preparada por Fernanda. 
 
O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Tradições Antigas Talha
Tipo: Tinto
Castas: Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Tinta Grossa e Trincadeira
Safra: 2011
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Enólogo: Paulo Laureano
Graduação: 14%
Onde comprar em Recife: RM Express
Preço médio: R$ 98,00
Temperatura de serviço: 16º

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Paulo Laureano Tradições Antigas 2010

Há alguns dias Fernanda nos preparou um belo talharim ao molho de tomate com manjericão e para harmonizar escolhi um vinho que há muito paquerava: Paulo Laureano Tradições Antigas, da safra de 2010. Tanto eu quanto Fernanda somos fãs dos vinhos deste tradicional produtor português e por aqui já passaram diversos rótulos dele.
 
O Paulo Laureano Tradições Antigas 2010 teve uma pequena produção, como usualmente o é. Foram apenas 2400 garrafas e 600 talhas. Infelizmente não consegui uma talha, pois, pela sua pequena produção, tão logo as belas talhas chegaram aos estabelecimentos logo se vão.
 
A produção de vinho em talha, grandes ânforas de barro, remonta à civilização romana. Portugal tal como toda a Ibéria (Península Ibérica) foi objeto da ocupação deste povo durante séculos. A sua marca nalguns dos setores econômicos perdurou até aos dias de hoje, sobretudo na atividade agrícola.
 
É surpreendente como muitos destes utensílios foram usados até há muito poucos anos atrás. O fabrico do vinho em talha se manteve nas terras alentejanas ao longo dos séculos, sem grandes alterações na sua essência. Assumiu inclusive uma importância determinante na forma como o vinho foi produzido no Alentejo nos séculos XVIII e XIX. São Pedro do Corval junto a Reguengos e Monsaraz e Campo Maior no norte Alentejano eram dois dos mais importantes centros de produção de talhas nessa altura devido à riqueza dos seus solos em argila.
 
Após a enorme “revolução” que a vitivinicultura alentejana sofreu no final do século XX, com a modernização das suas adegas e mesmo na primeira metade do século em que a cultura da vinha foi muito restringida no Alentejo, a produção de vinhos de talha baixou bastante e centros importantes como Cabeção na região centro do Alentejo praticamente desapareceram em termos da produção deste tipo de vinho.
 
Restaram duas importantes áreas que souberam resistir ao evoluir dos tempos. Algumas pequenas adegas na região de Borba e da região de Vila de Frades junto à histórica região vitivinícola da Vidigueira, lado a lado com um dos centros arqueológicos testemunho da presença romana na Península Ibérica.
 
Nos últimos anos a produção destes vinhos históricos tem sido incentivada nesta área da Vidigueira e hoje a sua preservação está assegurada mantendo todas as suas características integrais.
 
A Paulo Laureano Vinus, na Adega do Monte Novo de Lisboa existe uma coleção de 14 talhas do século XIX ainda em ótimas condições de conservação. A capacidade das talhas varia de 1.500 a 2.300 litros. Decidimos por isso aderir também a este espírito cultural de preservação e desenhamos para o Brasil em exclusivo um vinho de talha construído de uma forma quase integral como se estivéssemos na época dos Césares.
 
Foram colhidas uvas das nossas vinhas antigas misturando, Aragonês, Trincadeira, Alfrocheiro, Tinta Grossa e Alicante Bouschet que foram esmagadas e desengaçadas de forma tradicional num ripanso (velha peça em madeira que serve para desengarçar e esmagar ligeiramente as uvas de forma manual).
 
Depois de colocadas em duas talhas, as uvas fermentaram durante 8 dias com vários recalques (rebaixamento das partes sólidas para o interior do mosto em fermentação) com cruzetas de madeira para uma boa extração de cor e taninos.
 
Finalizada a fermentação foi deixado que o vinho se clarificasse naturalmente através da deposição de todos os sólidos no fundo da talha. Quando isso aconteceu, foi retirado o vinho já fermentado, que passando pelas partes sólidas (cascas, sementes e alguns engaços) foi filtrado. Por fim o vinho madureceu em tanques de inox durante alguns meses para um melhor afinamento aromático e de estrutura.

Mas, depois desses relatos vamos ao resultado do líquido que resulta deste interessante processo.

Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi com halo mostrando sinais de evolução. Aroma com uma presença marcante de frutas escuras,notas de especiarias e algum balsâmico. Em boca mostrou taninos macios e boa acidez, repetiu as notas do nariz, com final de boca levemente adocicado e com fruta em compota de café aparecendo no retrogosto.

Vinho leve e fácil de beber. Ideal para ser bebido jovem e para acompanhar pratos leves. Bom custo versus benefício aqui em Recife, mas não creio que vale R$ 60, que é o preço médio cobrado em sites especializados.


O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Tradições Antigas
Tipo: Tinto
Castas: Alfrocheiro, Alicante Bouschet, Aragonez, Tinta Grossa e Trincadeira
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 38,00
Temperatura de serviço: 16º

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Casa de Sabicos

Detentora de uma casa agrícola com uma considerável área vitícola e uma adega tradicional herdada dos seus antepassados, a Avó Sabica cultivou nos seus filhos e netos o prazer de fazer e beber bons vinhos. Esta senhora foi uma mulher sábia, decidida e detentora de um extraordinário poder de aglutinação.

Em meados do século XIX, ela e os seus oito filhos produziam vinhos individualmente. A D. Sabica promovia então uma saudável competição em casa. Todos os anos era realizado um concurso que elegia entre eles o melhor vinho da família.

Quase dois séculos depois, dos mesmos solos, de vinhas com as mesmas castas, surge um novo vinho, através do qual, bisnetos e trinetos procuram preservar os tesouros que os vinhos da Avó Sabica escondiam. O Casa de Sabicos é disso um testemunho e simultaneamente uma homenagem àquela grande senhora.

A tradição familiar, somada aos mais de 30 anos de experiência do Eng. Joaquim Madeira no acompanhamento das vinhas e aos conhecimentos do enólogo Paulo Laureano, só poderia resultar em vinhos de qualidade superior, com preços competitivos. Os vinhos da safra 2001 esgotaram-se em poucos meses no mercado português. Em 2004, foi construída uma bonita e bem equipada adega, no meio das vinhas, o que contribuiu para a melhoria da já elevada qualidade dos vinhos deste produtor. Neste mesmo ano foi eleito pela Revista de Vinhos portuguesa “Produtor Revelação do Ano”, um dos prêmios mais disputados entre os produtores de vinho de Portugal.
 
Desta vinícola tivemos a oportunidade de degustar o Montoio Tinto 2009, o Casa de Sabicos Reserva Tinto 2007, o Joaquim Madeira Tinto 2007 e o emblemático Avó sabica 2004.
 
Montoito Tinto 2009
 
Vinho de entrada da Casa de Sabicos, com estágio de 6 meses em barricas de carvalho francês e americano. Montoito é uma pequena aldeia localizada a 35 Km de Évora, a capital do Alentejo. Nesta charmosa aldeia mora boa parte da família paterna do Manuel, o sócio da Adega Alentejana junto com a sua esposa. Em todas as viagens do Manuel a Portugal, Montoito é parada obrigatória de pelo menos 2 dias. Os primos do Manuel, Joaquim Madeira e Graça, são proprietários da Casa de Sabicos localizada a 2km de Montoito. O bonito rótulo desta garrafa é uma aquarela de autoria da Graça. Nela estão retratados o coreto, a igreja e a sua torre com os sinos localizados na praça principal de Montoito.

O vinho mostrou uma cor rubi vermelha, intensa e brilhante e uma boa formação de lágrimas. No nariz aromas de frutos vermelhos e leve toque de madeira. Em boca apareceu com taninos macios e uma boa acidez intensa. A fruta aparece no retrogosto. Um vinho com boa estrutura e com final de corpo de boa intensidade, suportando ainda alguns anos de guarda.

O Rótulo

Vinho: Montoito
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 50,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 
 
 
Casa de Sabicos Reserva Tinto

Este é uma vinho mais elaborado e que além das castas presentes no nontoito conta também com a Cabernet Sauvignon. Passagem de 12 meses por barricas de carvalho francês.

O rótulo mostrou uma cor rubi intensa, com lágrimas abundantes finas e lentas. No nariz mostrou-se intenso com a fruta vermelha aparecendo em evidência, seguida por notas elegantes de baunilha, fumo e café. Em boca mostrou grande volume, com notas de fruto fresco, de balsâmico e couro, final de corpo longo e intenso.

O Rótulo

Vinho: Casa de Sabicos Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 14%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 60,00
Temperatura de serviço: 16 graus

 
 
Joaquim Madeira Tinto 2007

O Eng. Joaquim Madeira é um romântico. Com este vinho ele simplesmente reproduziu os vinhos da década de 60, com muitas castas, uvas maduras e fermentações muito lentas (a fermentação alcoólica deste vinho durou 33 dias !). A única alteração foi o uso do controle de temperatura nas fermentações, tecnologia não disponível em 1960. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho português. Este vinho elegante e com boa estrutura deverá continuar a evoluir nos próximos 10 a 15 anos.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intensa e profunda, com boa formação de lágrimas nas paredes da taça. No nariz apareceu muito complexo, mostrando um pouco de fruta em compotas e fruta seca, notas sutis de chocolate e de madeira. Em boca  mostrou-se macio, frutado, muito equilibrado. Final de boca longo e persistent, juntamente com a excelente acidez.

O Rótulo

Vinho: Joaquim Madeira
Tipo: Tinto
Casta: Alfrocheiro, Alicante Bouchet, Aragonez, Cabernet Sauvignon, Carignan, Castelão, Crato, Grand Noir, Grenache, Moreto, Pinot Noir, Tinta Caiada, Touriga Nacional e Trincadeira
Safra: 2007
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 120,00
Temperatura de serviço: 16 graus
Avó Sabica 2004

O nome deste vinho de altíssima qualidade é uma justa e merecida homenagem dos bisnetos Joaquim Madeira e Graça Ramalho à sua Avó Sabica, uma senhora que viveu no século XIX e é muito admirada até os dias de hoje. Recebeu a nota 18, numa escala de 0 a 20, da conceituada Revista de Vinhos de Portugal. Estagiou 12 meses em barricas de carvalho francês. Foram produzidas apenas 4.800 garrafas numeradas.

Esse foi sem sombra de dúvida o melhor vinho degustado durante o passeio enológico por portugal. Um vinho com 8 anos de vida, mas ainda com muita potência e grande potencial para guarda.

Apresentou uma cor rubi, lágrimas abundantes e que escorriam lentamente pelas paredes da taça. No nariz mostrou-se muito complexo e intenso, rico em notas de frutas escuras, com notas de ervas e especiarias. Em boca, muito encorpado rico e cremoso, sobressaindo o caráter austero e firme. O álcool não aparece e está muito integrado aos taninos poderosos e a bela acidez, a qual lhe confere frescura.

O Rótulo

Vinho: Avó Sabica
Tipo: Tinto
Casta: Alicante Bouchet, Aragonez e Trincadeira
Safra: 2004
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Casa de Sabicos
Enólogo: Joaquim Madeira
Graduação: 15%
Onde comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 450,00
Temperatura de serviço: 16 graus
 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Passeio Enológico por Portugal: Paulo Laureano Vinus

Do stand da Adega do Borba partimos para o Stand da Paulo Laureano Vinus e, quem apresentou os vinhos foi nada mais nada menos que o próprio Paulo Laureano, um típico português com aquele bigodão e muita simpatia.


Paulo Laureano é um dos mais conceituados enólogos portugueses e uma referência dos vinhos no Alentejo.
Agrônomo, enólogo formado entre Portugal, Austrália e Espanha, depois de ensinar na Universidade de Évora durante 10 anos, resolveu dedicar-se, em exclusivo, aquilo que o move desde 2003, desenhar vinhos. Sobretudo na empresa que criou com a família em 1999, quando comprou uma pequena vinha junto a Évora (Vinea Maria’s) e que assume um maior impacto a partir de 2006 com a aquisição de 75 hectares de vinhedos na emblemática região alentejana da Vidigueira, num “terroir” muito especial, capaz de dar uma maior identidade e personalidade aos vinhos.

Paulo Laureano define-se como um enólogo minimalista. Para ele desenhar vinhos é uma paixão, desvendar os seus aromas e sabores, avaliar e otimizar as razões da sua identidade e personalidade, promovendo-os como verdadeiras fontes de prazer, são os pontos-chave da sua filosofia.
A sua aposta exclusiva nas castas portuguesas, traduz a sua maneira de estar, encarando o vinho como fator de cultura e civilização.
A vinícola passou a ter sede na Vidigueira, onde são produzidos todos os vinhos alentejanos da Paulo Laureano Vinus. O sucesso da marca Paulo Laureano, estruturada nos vinhos Paulo Laureano Clássico, Paulo Laureano Premium e Paulo Laureano Reserve, levou a esta ampliação da área dos vinhedos, onde as castas portuguesas são uma marca de diferenciação. O encepamento privilegia exclusivamente as castas portuguesas, com destaque para as uvas brancas Arinto, Roupeiro e Antão Vaz, esta ultima um verdadeiro “ex-libris” desta região e para as tintas Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet e Tinta Grossa, uma verdadeira raridade do patrimônio vinícola alentejano.

Os vinhos mais jovens e irreverentes, de prazeroso e fácil consumo, desenham a linha Paulo Laureano Clássico. Uma maior complexidade e profundidade associada a fermentação ou estágio dos vinhos em barricas de carvalho francês, surge na linha Paulo Laureano Premium. Vinhos mais desafiantes, para momentos mais especiais e gastronomia mais requintada. Aos vinhos Paulo Laureano Reserve está associada uma procura e seleção de uvas mais concentradas, em vinhas velhas e com pequenas produções, capazes de desenharem vinhos únicos para os mais exigentes consumidores. Longos estágios em barricas de carvalho francês de algumas das melhores tanoarias mundiais realçam a riqueza e elegância destes vinhos.

Além das linhas Paulo Laureano Clássico, Premium e Reserve, a Paulo Laureano Vinus produz sempre que possível alguns vinhos com edições muito limitadas, na maioria das vezes com menos de 3.000 garrafas. Como exemplo desta categoria de vinhos ultra premium podemos citar o Paulo Laureano Selectio Alicante Bouschet, Paulo Laureano/Laura Regueiro, Paulo Laureano Alicante Bouschet, Paulo Laureano Selectio Tinta Grossa e Paulo Laureano Reserve Vinea Julieta Talhão 24.
Iniciamos a degustação pelos brancos, em seguida o rosé e por fim os tintos.
Paulo Laureano Clássico Branco 2010
É o vinho da linha de entrada, produzido  com as castas Antão Vaz e Roupeiro. Mostrou uma bela cor amarela com reflexos esverdeados. No nariz mostra-se fresco, com aromas de frutas tropicais e um leve toque mineral. Em boca mostrou-se bem fresco, delicado e macio, com um final de corpo médio e refrescante, bom para o nosso calorzão de cada dia.


O Rótulo


Vinho: Paulo Laureano Clássico
Tipo: Branco
Castas:  Antão Vaz e Roupeiro
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Enólogo: Paulo Lareano
Graduação: 13%
Onde Comprar: RM Express
Preço médio: R$ 31,00
Temperatura de serviço: 12 graus

Paulo Laureano Premium Branco 2010

Esse rótulo faz parte de uma linha mais elaborada, com estágios de envelhecimento em barricas de carvalho francês. Na taça mostrou uma cor amarela citrina, com lágrmas finas, transparentes e lentas. Seu bouquet é muito rico, com notas minerais aparecendo em primeiro plano, seguidas de ligeira percepção floral e de frutas tropicais e ainda um delicado aroma de madeira. Em boca mostrou-se muito sedoso e macio, com a mineralidade repetindo-se  juntamente com um suave toque de madeira, o final de boca é fresco e longo. Muito elegante, equilibrado e agradável; recomendo!
 

O Rótulo
Vinho: Paulo Laureano Premium
Tipo: Branco
Castas: Antão Vaz (40%) e Arinto (60%)
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Enólogo: Paulo Lareano
Graduação: 13%
Onde Comprar: RM Express
Preço médio: R$ 40,00
Temperatura de serviço: 12 graus
 
 
Paulo Laureano Reserve Branco 2009

A linha Reserve trás vinhos como maior complexidade aromática. Esse rótulo é primoroso e o vinho da safra 2010 foi meu primeiro rótulo degustado para a CBE: relembre. A safra degustada no Passeio Enológico por Portugal manteve a qualidade da safra previamente degustada. Visualmente mostrou uma cor amarelo citrina com tons dourados, lágrima finas e lentas. No nariz mostrou a fruta em primeiro plano, com um toque de manga madura, seguido de especiarias e um elegante aroma de tostado que envolve toda a narina. Em boca, mostra-se inicialmente muito refrescante e depois mostra as características provenientes da sua passagem por barricas: untuosidade, com um toque sedoso que envolve a boca e deixa um gostinho de quero mais. Um vinho com um final de corpo longo e que que tem características gastronômicas bem fortes.

O Rótulo

Vinho: Paulo Laureano Reserve
Tipo: Branco
Castas: Antão Vaz
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço médio: R$ 50,00
Temperatura de serviço: 12 graus

Paulo Laureano Premium Rosé 2010

Um vinho de uma cor Salmão intensa belíssima, que só de olhar nos remete a culinária japonesa. No nariz mostra-se fresco e seus aromas são muito intensos, com o frutado em primeiro plano (ameixa), seguido de especiarias. Em boca mostrou-se elegante e com uma acidez fantástica, que confirma o que já se percebe na análise visual: é um vinho que cai bem com comida japonesa. Apresenta um final de corpo refrescante de intensidade  médio-longo.


O Rótulo



Vinho: Paulo Laureano Premium
Tipo: Rosé
Castas: Alfrocheiro (25%), Aragonez (50%) e Tinta Grossa (25%)
Safra: 2010
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço médio: R$ 35,00
Temperatura de serviço: 10 graus



Paulo Laureano Selectio Tinta Grossa 2009

Esse foi o único tinto que degustamos. Conheço o tinto da linha clássica, que é um excelente vinho para o dia a dia com um excelente custo versus benefício, já falei sobre ele aqui: relembre. Infezlimente não deu tempo de degustarmos os tintos Premium e Reserve.

O Paulo Laureano Selectio Tinta Grossa 2009 foi um dos melhores rótulos degustados no Passeio Enológico por Portugal. Visualmente apresentou uma fantástica cor granada, muito intensa e, lágrimas finas, rápidas e abundantes. Seu bouquet é complexo e intenso, onde variam no nariz os frutos negros em compota, alcaçus, especiarias e tostados (café). Em boca é intenso e potente, muito equilíbrio entre taninos, acidez e álcool. Seus taninos são aveludados e mostram leve adistringência, mostrando que ainda pode evoluir e deixar o vinho ainda mais redondo, intenso e elegante. Seu final de boca é prolongado e marcante. Um vinho com 18 meses de barricas e com grande potencial de evolução. Bom para beber agora ou guardar mais uns anos.


O Rótulo


Vinho: Paulo Laureano Selectio
Tipo: Tinto
Castas:  Tinta Grossa
Safra: 2009
País: Portugal
Região: Alentejo
Produtor: Paulo Laureano Vinus
Graduação: 14%
Onde Comprar: RM Expres
Preço médio: R$ 125,00
Temperatura de serviço: 18 graus

Fontes: Paulo Laureano Vinus, Adega Alentejana e impressões pessoais de degustação.