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domingo, 8 de janeiro de 2017

Por quanto tempo guardar um vinho?

 
Ninguém gosta de ter o desprazer de abrir uma garrafa especial, guardada durante anos, e perceber que o vinho não corresponde às expectativas. Mas os enófilos colecionadores, que gostam de amadurecer alguns rótulos antes de consumi-los, estão sujeitos a isso. O tempo pode ser extremamente recompensador, contudo, também cruel algumas vezes.
 
Definitivamente, não é fácil abrir uma garrafa após tanto tempo e se deparar com uma bebida “ruim”. Isso é duplamente decepcionante, pois você não só investiu o dinheiro da compra, mas também suas emoções, especialmente suas esperanças. No entanto, como diferenciar um vinho que já está quase morto – ou seja, passou do seu apogeu e, a cada dia, decai mais e mais – de um que apenas está atravessando um momento de discrição – ou seja, perdeu sua exuberância juvenil, mas tem potencial para seguir evoluindo e melhorar?
 
Antes de tentar solucionar essa questão, todavia, é preciso entender um pouco do processo de evolução do vinho, seus aromas e sabores. E, mais ainda, a estranha fase em que ele supostamente está “dormindo”.
 
Vinho em hibernação
 
Até hoje, ninguém foi capaz de explicar exatamente o porquê de certos vinhos entrarem em fase de latência, ou dormência, ou hibernação, como preferir.
 
A maioria das explicações remete à evolução da bebida em garrafa. Lembremos então que os aromas primários – fragrâncias das uvas – são costumeiramente os primeiros a serem percebidos. Esses aromas geralmente são acrescidos de outros, ditos secundários, produto da fermentação e do estágio em barrica, por exemplo. Por fim, há os aromas terciários, mais “misteriosos”, resultado das combinações entre ésteres e outros produtos voláteis com o álcool já na garrafa.
 
Dessa forma, há quem acredite que essa fase de latência é causada pelo processo de engarrafamento, quando o oxigênio é incorporado. Isso levaria a bebida a encontrar um novo equilíbrio químico. Há ainda quem aponte para os sulfitos, que geralmente são adicionados para ajudar a preservar o vinho e podem interferir nos aromas e sabores. Contudo, isso não explica o porquê de rótulos que não levam adição de enxofre também passarem por fases semelhantes.
 
 
Ainda dentro do tema do engarrafamento, outra possibilidade poderia ser a quebra precoce de algumas cadeias de taninos e outros compostos, que demorariam a se reagrupar. O transporte da garrafa e a exposição a variações de temperatura também ajudariam a gerar essa inconsistência evolutiva.
 
Curvas de evolução
 
Acredita-se que a primeira fase de latência de um vinho ocorra entre os seis primeiros meses após o engarrafamento a até um ano, quando o oxigênio e os sulfitos (se forem adicionados) estarão “reajustando” os aromas e sabores da bebida. Esse seria o motivo pelo qual muitos produtores só colocam seus rótulos à venda após esse período.
 
Há ainda quem aponte que uma segunda fase de dormência ocorre logo após o transporte (intercontinental) devido à intensa movimentação da garrafa e alternância de temperaturas. Esse estágio duraria cerca de um mês.
 
Apesar de o fenômeno ocorrer, não há consenso entre os produtores, enólogos e críticos de vinho. Há quem simplesmente não concorde com a teoria de que um vinho possa atravessar uma fase “ruim”, dizendo que são apenas estágios diferentes de sua evolução natural. Alguns chamam isso de curva evolutiva e, em certos momentos, o vinho pode estagnar, para, logo em seguida, partir para outro nível. Ou seja, para eles, esses vinhos apenas demorariam mais para alcançar seu pleno estágio de maturação.
 
Certos produtores bordaleses admitem que alguns rótulos podem entrar nessa fase de latência entre o terceiro e o quinto ano após o engarrafamento. Mas isso não é uma regra e tampouco há como definir quando um vinho ingressará em seu momento de hibernação.
 
Quanto tempo esperar?
 
 
Não há como determinar com exatidão a curva evolutiva de um vinho. Eles evoluem em ritmos diferentes e podem ou não entrar em fase de dormência. Uma teoria diz que vinhos de safras mais quentes tendem a passar por esse processo mais do que os de colheitas mais frias. De qualquer forma, é impossível prever se isso vai ocorrer ou não com um rótulo.
 
Já o crítico inglês Steven Spurrier acredita que esse é um fenômeno que acontece mais frequentemente com vinhos à base de Cabernet Sauvignon, Syrah, Mourvèdre e Sangiovese, por exemplo, e menos com Pinot Noir e Grenache. Segundo ele, os rótulos destas duas últimas variedades tendem a esvanecer com o tempo em vez de se “silenciarem”.
 
No entanto, grandes colecionadores do mundo chegaram a atestar que alguns dos mais prestigiados vinhos da Borgonha, por exemplo, atravessaram fases de latência por impressionantes 20 anos antes de se abrirem novamente. Spurrier lembra que, às vezes, Portos Vintage também passam por processo semelhante, sendo fragrantes quando jovens e ficando fechados durante décadas a fio até se mostrarem novamente.
 
O crítico Hugh Johnson, por sua vez, acredita que a questão está mesmo relacionada às safras. Segundo ele, cada safra evolui em uma certa velocidade, algumas mais lentamente, outras mais rapidamente. Mais do que isso, ele admite que nem sempre é capaz de reconhecer quando um vinho está passando por uma fase de dormência. “Sempre acho que abri o vinho cedo demais”, revela.
 
Abrir periodicamente
 
Uma solução para enfrentar esse problema, segundo os críticos, seria adquirir uma caixa e abrir as garrafas periodicamente para acompanhar a evolução da bebida. Spurrier, por exemplo, conta que quase sempre degusta as três primeiras garrafas de uma caixa de Bordeaux em seu período de latência, seis em bom estado e as últimas três já levemente decadentes. Johnson, por sua vez, simplifica as coisas dizendo: “Se você quer fruta, abra o vinho jovem. Se quer maturação, seja paciente”.
 
Morto ou dormindo?
 
Mas, enfim, o que caracterizaria essa fase de latência que a diferenciaria de um estágio mais avançado e próximo da decrepitude? Um vinho dormente tende a ser descrito como “fechado”. Ou seja, ele não revela quase nada nos aromas, tampouco em seus sabores. Críticos ingleses e norte-americanos costumam dizer que o vinho está “mudo”. Basicamente, ele não diz nada. Você procura os aromas frutados dos primeiros anos, mas eles não estão lá, estão escondidos, ou melhor, mudando lentamente. Por isso, também é dito que está passando pela “adolescência”.
 
Infelizmente, colocá-lo no decanter pouco ajudará. É consenso que, quando o vinho atinge esse estágio, nenhum tipo de aeração fará com que ele recupere as suas características juvenis, de frutas marcantes, por exemplo. Decantar pode até minimizar um pouco os efeitos, liberando alguns poucos aromas, mas não solucionará o problema. Apenas o tempo (em garrafa) pode ajudar nesse caso.
 
Mas como diferenciá-lo de um vinho cujo apogeu já ficou para trás e está indo rumo à morte? Enquanto um vinho dormente, apesar de não se expressar muito, revela boas caraterísticas e potencial – especialmente em sua estrutura –, rótulos que passaram do tempo tendem a apresentar aromas e sabores que nem sempre são agradáveis. Eles geralmente são marcados pela oxidação e os aromas frutados estão decadentes, aparecendo fragrâncias que os franceses definem como sous bois, uma mistura de algo terroso, com ervas e cogumelos – característica, todavia, que nem sempre pode ser considerada depreciativa. Em alguns casos, leves tons acéticos podem surgir, dando uma pista ainda mais clara de que o melhor momento daquele vinho já ficou para trás há tempos. A cor, apesar de também não ser um parâmetro definitivo, pode ajudar no reconhecimento. Tintos muito descoloridos e brancos muito escuros podem ser indícios de decrepitude.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O Vinho na Ponta da Língua

O Vinho na Ponta da Língua, de Maria João de Almeida, pretende revelar tudo o que o leitor precisa saber sobre... vinho. A edição é da Saída de Emergência.
 
A jornalista e crítica de vinhos Maria João de Almeida quer fazer de qualquer pessoa um craque em vinho, por isso, criou este manual. Com uma linguagem acessível, descontraída e bem-humorada (e as divertidas ilustrações de Cristina Sampaio), esta obra vai permitir-lhe responder a todas as dúvidas:

- A que temperaturas devemos servir o vinho?
- Que tipo de copos utilizar?
- Como fazer a análise sensorial? (visão, olfacto, paladar)
- Como combinar comida e vinho?
- Que utensílios devemos utilizar?
- Como armazenar vinho em casa?

sábado, 19 de novembro de 2016

Equipamento analisa vinho sem abrir lacre da garrafa

Obter informações sobre vinhos tintos sem violar o lacre da garrafa e sem comprometer o conteúdo, de forma que a garrafa ainda possa ser vendida após a análise, foi o objetivo de pesquisa do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP.
 
 
O trabalho da pesquisadora Esther Scherrer acompanhou a concentração de íons metálicos (como manganês, ferro e cobre) presentes no vinho e, com isso, inferiu se o local de produção é realmente aquele especificado no rótulo. Para fazer isso, utilizou-se um equipamento de ressonância magnética nuclear (RMN) semelhante àqueles usados em hospitais para exames clínicos. Terminada a medição, a garrafa de vinho continua exatamente como era antes.
 
O estudo analisou um total de 53 garrafas de vinho tinto, buscando a maior variedade possível entre países e tipos de uva, para observar qual dessas características surtia maior influência nos resultados. Íons metálicos estão naturalmente presentes em todas as bebidas que consumimos, sejam alcoólicas ou não, em concentrações variadas.
 
A garrafa é colocada inteira dentro dele e a medição dura em torno de dois minutos. O resultado é um gráfico que mostra o tempo de relaxação da amostra. Trata-se do tempo que a amostra demora para retornar à sua condição magnética inicial após ser irradiada com uma onda de rádio, nesse caso a onda foi de 9 Megahertz (MHz).
 
“Quando esse gráfico é comparado a um banco de dados pré-existente, podemos saber a concentração aproximada de metais presentes na amostra”, ressalta Esther. “Realizou-se ainda as medidas invasivas do vinho, aquelas que precisam que a garrafa seja aberta. Os resultados obtidos em ambas as análises foram correlacionados para construir esse banco de dados que foi mencionado”.
 
A pesquisa comparou vinhos de diferentes países e observou que os gráficos de relaxação das amostras foram bastante parecidos entre vinhos do mesmo país, ou de localidade geográfica parecida.
 
“Correlacionando esses gráficos com as medidas invasivas que fizemos, observamos que o íon metálico que mais influencia as medidas é o íon de manganês. Além de ter concentração mais expressiva que os demais íons ativos na RMN, sua interação com o campo magnético é bem maior que a dos outros íons em solução”, explica a pesquisadora. “Portanto, a classificação de vinhos tintos por país ou região de plantio é possível utilizando a Ressonância Magnética Nuclear, e acontece de acordo com a concentração de íons de manganês presentes na amostra”.
 
Segundo Esther, não existe muita aplicação industrial do método. “Antes do vinho ser engarrafado vale mais a pena realizar análises diretas de metais do que esperar o envase para depois realizar medidas de RMN”, observa. “O equipamento utilizado na pesquisa, em relação a aparelhagens similares para uso em embalagens fechadas, é mais comum, mais barato, mais fácil de ser operado e possui outras aplicações, como por exemplo a análise de frutas e sementes. Apesar disso, não é um equipamento que valha a pena ter em casa. Ele é bastante grande, cerca de 2 metros de comprimento, e ainda é caro para o consumidor comum”.
 
De acordo com a pesquisadora, num futuro próximo, o aparelho poderia ser usado em supermercados, onde o consumidor poderia analisar o produto desejado (seja vinho, azeite ou frutas frescas) antes de comprá-lo. Com informações da Agência USP.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Top 100 best buy Wine Enthusiast

Saiu a lista dos 100 Best Buy da Wine Enthusiast. Em 2016 a revista americana avaliou cerca de 21.000 vinhos de todas as regiões vinícolas do planeta. Quase 1.400 deles mereceram a designação “Best Buy”, ou seja, vinhos que apresentaram uma benéfica relação “preço x qualidade” para o consumidor, com boa avaliação dos críticos da revista e cujos preços de varejo (nos EUA) são iguais ou inferiores a US$15. Desse grupo foram selecionados os vinhos que compõem essa lista Top 100.

Confira a lista completa abaixo!


terça-feira, 20 de setembro de 2016

Aquecimento global ameaça indústria do vinho

Matéria publicada nesta segunda-feira (19) pelo jornal norte-americano The Wall Street Journal conta que Neil Paulett, um fabricante de vinho da região de Vale Clare, no Estado da Austrália Meridional, parou o carro em frente a uma fila de videiras em uma tarde chuvosa recente e analisou que as uvas que crescem ali estão amadurecendo um mês antes do que costumavam quando ele abriu a vinícola que leva seu nome, no início da década de 80. Mais uvas estão amadurecendo ao mesmo tempo também, encurtando o período tradicional de colheita em duas semanas, disse Paulett. Alguns cientistas atribuem essas mudanças à elevação da temperatura, algo que, segundo os pesquisadores, pode ser uma ameaça para produtores de vinho no mundo todo. As uvas que amadurecem cedo demais podem não desenvolver os sabores ideais, e a colheita tardia pode levar a níveis alcóolicos que tornariam a bebida desagradável ao paladar, dizem cientistas e viticultores.
 
Segundo a reportagem do Journal algumas das maiores vinícolas da Austrália, com a ajuda de acadêmicos e pesquisadores, estão investigando formas de reduzir esse impacto. Em jogo estão cerca de 24 mil empregos nos setores de produção de vinho e colheita de uvas da Austrália, assim como exportações avaliadas em 2,1 bilhões de dólares australianos (US$ 1,6 bilhão) por ano. A Treasury Wine Estates Ltd., segunda maior vinícola australiana em volume, de acordo com dados de 2015 coletados pela firma de pesquisa Euromonitor International, está cogitando podar mais suas vinhas no fim do ano, técnica que pode atrasar o amadurecimento. Já a Taylors Wines, maior vinícola de Vale Clare e a 11a da Austrália em volume, também realiza sua primeira experiência de atrasar o amadurecimento através da poda e pode vir a aplicar a técnica a 20% de seus vinhedos. A Taylors também expandiu suas operações nos últimos anos, em parte para processar mais uvas ao mesmo tempo e aproveitar melhor safras mais curtas. Algumas empresas estão espalhando mais palha entre as videiras para manter o solo resfriado.
 
De acordo com o WSJ se o período da colheita continuar se antecipando, os fabricantes de vinho ficarão sob forte pressão, diz Andrew Pike, que administra a Pikes Wine em Vale Clare com um irmão. “Não vamos mais conseguir o perfil de sabores que estamos procurando.” As uvas deixadas na videira por muito tempo continuam amadurecendo e acumulam mais açúcar, que a levedura transforma em álcool durante a fermentação — então, mais açúcar significa mais álcool. Isso não é só um problema para o sabor, mas algumas jurisdições também taxam mais os vinhos com teor alcoólico mais alto.
 
Fonte: Jornal do Brasil

Garrafas magnum oferecem melhores condições para envelhecimento

Cabernet sauvignon, malbec, merlot, tannat. Muitos são os tipos de vinhos, muitas também são as opções para engarrafá-los. Além das tradicionais garrafas de 750 mL, há mais de 20 tamanhos possíveis de guardar a bebida, cada um com características próprias. As garrafas vão desde as muito pequenas até as de proporções gigantescas, com cerca de 30 L. Entre todas as possibilidades, uma garrafa é queridinha de sommeliers e dos conhecedores de vinho, apesar de pouco difundida entre o público leigo: a magnum, com 1,5 L.
 
As razões para a preferência vão além da quantidade. Garrafas magnum são melhores para o envelhecimento, conservam a bebida e podem ser mais fáceis de guardar, além de, em geral, ser garantia de um vinho com mais qualidade. O sommelier espanhol Juan Atienza Arenales, responsável pela Adega Baco (no Sudoeste), ressalta as qualidades da magnum para o processo de envelhecer vinhos: "Elas favorecem o envelhecimento, com estabilização e uniformidade melhores. Ou seja, proporcionam uma evolução melhor e mais harmoniosa", afirma Arenales.

Ele explica que as magnum permitem que as características aromáticas do vinho fiquem mais pronunciadas e destacadas do que quando o armazenamento é feito em garrafas de tamanho menor. "Há um risco muito menor de acontecer alguma alteração na evolução do vinho. Garrafas desse tipo são menos propensas a mudanças de temperatura", esclarece o sommelier. Outra vantagem, segundo ele, está no armazenamento da própria garrafa. Pelo tamanho, as magnum não precisam ser colocadas na horizontal e podem ser guardadas em pé: "O vinho já vai ficar dormente e com melhores condições de evolução, sendo mais fácil e confortável a adegagem. Por isso, é desnecessário depositar as garrafas deitadas, horizontalmente."

Para Arenales, o público que procura vinhos armazenados nesse tipo de garrafa quer mais qualidade, tanto para envelhecimento quanto para abri-las em celebrações com número maior de convidados. "São pessoas que desejam comprar um vinho fino e bem desenvolvido, que pode ser destinado a uma celebração ou evento com número maior do que quatro pessoas - são ideais para seis pessoas", observa.
 
 
As razões para a preferência vão além da quantidade. Garrafas magnum são melhores para o envelhecimento, conservam a bebida e podem ser mais fáceis de guardar, além de, em geral, ser garantia de um vinho com mais qualidade. O sommelier espanhol Juan Atienza Arenales, responsável pela Adega Baco (no Sudoeste), ressalta as qualidades da magnum para o processo de envelhecer vinhos: "Elas favorecem o envelhecimento, com estabilização e uniformidade melhores. Ou seja, proporcionam uma evolução melhor e mais harmoniosa", afirma Arenales.

Ele explica que as magnum permitem que as características aromáticas do vinho fiquem mais pronunciadas e destacadas do que quando o armazenamento é feito em garrafas de tamanho menor. "Há um risco muito menor de acontecer alguma alteração na evolução do vinho. Garrafas desse tipo são menos propensas a mudanças de temperatura", esclarece o sommelier. Outra vantagem, segundo ele, está no armazenamento da própria garrafa. Pelo tamanho, as magnum não precisam ser colocadas na horizontal e podem ser guardadas em pé: "O vinho já vai ficar dormente e com melhores condições de evolução, sendo mais fácil e confortável a adegagem. Por isso, é desnecessário depositar as garrafas deitadas, horizontalmente."

Para Arenales, o público que procura vinhos armazenados nesse tipo de garrafa quer mais qualidade, tanto para envelhecimento quanto para abri-las em celebrações com número maior de convidados. "São pessoas que desejam comprar um vinho fino e bem desenvolvido, que pode ser destinado a uma celebração ou evento com número maior do que quatro pessoas - são ideais para seis pessoas", observa.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

É possível comprar vinhos de qualidade com mais economia

Desde o início do ano os consumidores puderam perceber um aumento no valor das “bebidas quentes”. Isso aconteceu porque no fim de 2015 houve uma mudança na cobrança do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), gerando aumentos de 15% a 30% nos preços dos vinhos. Com esses aumentos e o preço do dólar mais elevado, muitas pessoas tiveram que encontrar alternativas para os seus vinhos preferidos.
 
No entanto, isso não quer dizer que a qualidade tenha que ficar de lado no momento de comprar um rótulo para uma ocasião especial ou para degustar em situações mais prosaicas. Afinal, as noites mais frias de inverno são um convite para aproveitar uma garrafa de um bom vinho.
 
Conheça algumas dicas para driblar os preços mais altos e encontrar vinhos de alta qualidade com preços mais baixos. E aproveite, com moderação, os melhores sabores.
 
Preço não significa qualidade
 
O primeiro passo para escolher um bom vinho com mais economia é entender que os preços não estão intimamente ligados à qualidade da bebida. Os preços variam por diversos fatores e o melhor vinho para cada situação sempre será uma opinião pessoal. Por isso é sempre válido manter sua cabeça e seu paladar abertos ao novo.
 
Entre os fatores que interferem no preço estão a dificuldade para se produzir um vinho e os materiais empregados na produção. Vinhos de rápida maturação são perfeitos para várias situações e isso não desmerece o sabor da bebida, ao mesmo tempo em que eles podem chegar ao comércio com preços mais baixos e acessíveis.
 
As bebidas com valores maiores normalmente levam mais tempo para serem produzidas e precisam de cuidados especiais para chegar até à maturação mais adequada. Isso faz com que o preço fique mais elevado, tanto para cobrir os custos de produção quanto para garantir maior retorno aos produtores. Portanto, mantenha a cabeça aberta a todos os sabores antes de decidir qual é o melhor.
 
Procure em supermercados e lojas especializadas
 
Os supermercados conseguem, geralmente, oferecer preços mais baixos do que lojas especializadas, uma vez que podem comprar vinhos em maior quantidade. Assim, conseguem um poder de barganha igualmente maior, repassando esses descontos ao preço final. Ou seja, o preço que seus consumidores têm acesso.
 
Você consegue encontrar vinhos de boa qualidade em supermercados pelo preço de até R$ 60,00, normalmente. Já nas lojas especializadas, por contarem com uma seleção especial, você conseguirá encontrar vinhos de todas as faixas de preços, até mesmo promoções feitas de tempos em tempos, com uma maior variedade de rótulos.
 
Apesar de normalmente as pessoas criarem o consenso de que o supermercado é mais barato, visitar uma loja especializada pode render excelentes surpresas para os gostos mais refinados.
 
Conheça mais da área
 
Uma das dicas essenciais para que você consiga mais economia e, principalmente, possa reconhecer qual é a maior economia, é conhecer mais a área de vinhos. Para isso, você pode buscar mais informações em sites, blogs e e-commerces do gênero, onde estarão dicas e promoções. Com essa base será possível reconhecer ofertas com preços realmente atraentes, além de saber quais são os bons vinhos e comprar com o melhor custo-benefício.
 
Além disso, ao pesquisar na internet em lojas especializadas, você consegue verificar o preço de vários rótulos e fazer uma comparação entre as diferentes opções. Em sites mais completos, você poderá inclusive receber sugestões de harmonização e, assim, encontrar não apenas preços bons, mas também aquele vinho que atenderá as suas necessidades.
 
Diferentemente de outras bebidas, os vinhos possuem uma grande variedade de marcas e uvas. Por isso é sempre possível ter boas surpresas ao buscar um novo produto, quando se tem um certo grau de conhecimento sobre a bebida.
 
Faça parte de programas de fidelidade
 
Outra maneira de conseguir descontos ainda mais atraentes é se cadastrando em programas de fidelidade dos supermercados. Com isso, você receberá as melhores ofertas, podendo até mesmo participar de eventos voltados ao assunto no caso dos mercados mais “gourmet”. Em alguns, você receberá grandes descontos na aquisição de garrafa, comprando excelentes vinhos por até 50% a menos do que clientes não registrados nos programas.
 
Conheça também os benefícios do seu cartão de crédito. Muitas companhias, principalmente no caso de cartões voltados para clientes de categorias especiais do banco, oferecem programas de pontuação que podem ser trocados por vários produtos ou até mesmo em categorias especiais para amantes de vinhos.
 
Conheça os rótulos nacionais
 
A vitivinicultura brasileira tem sido um motivo de orgulho para o país. Cada vez mais premiada e reconhecida internacionalmente, a tradição de vinhos brasileiros está cada vez mais forte, produzindo bebidas com alto padrão de qualidade e preços mais atraentes, uma vez que, em muitos casos, não conta com a variação do dólar para chegar até as lojas.
 
Portanto, aposte nos vinhos brasileiros e experimente as diferentes adegas. A produção na Serra Gaúcha está cada vez mais diversificada, oferecendo excelentes vinhos tintos, brancos e espumantes, agradando até mesmo os paladares mais exigentes.
 
Mais economia com vinhos importados
 
Se ainda assim você não quiser abrir mão dos vinhos importados, ou só deseja variar suas escolhas para datas mais especiais, saiba quais são os países que oferecem garrafas mais baratas. É possível encontrar vinhos de diversas nacionalidades com superofertas, principalmente em promoções em lojas especializadas. Vinhos italianos, franceses e espanhóis de qualidade, por exemplo, podem custar em torno de R$ 40,00 em ocasiões especiais.
 
Porém, normalmente você encontrará os vinhos latinos com bons preços. Chilenos e argentinos, principalmente pela facilidade com que chegam ao Brasil, costumam ter preços bem competitivos, até mesmo quando se trata de rótulos nacionais.
 
Escolha uma nacionalidade e pesquise as opções
 
Uma boa maneira de conhecer mais vinhos é criar filtros em sua busca que permitam que as novidades apareçam. Comece selecionando uma nacionalidade e, dentro das suas opções, pesquise aquelas que são mais baratas. Selecione as garrafas com os mesmos preços, mas de uvas diferentes, educando seu paladar e ao mesmo tempo compreendendo quais são os vinhos que mais o agradam.
 
Cadastre-se em um clube de vinho
 
Para quem gosta de novidade e qualidade, fazer parte de um clube de vinho é uma excelente oportunidade de receber novos rótulos com preços mais baixos. Isso porque todos os meses você receberá uma quantidade definida de garrafas diferentes, de acordo com o valor pago e com o acordo feito diretamente com o clube.
 
Dessa forma, você sempre terá mais opções para degustar e saborear novos vinhos, além de receber informativos especiais que o ajudarão a conhecer mais sobre a área.
 
Fonte: Jornal Agora

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Taylor´s investe 1,5 milhões na renovação do centro de visitas

O grupo The Fladgate Partnership – responsável pela Taylor´s, Croft, Fonseca e Krohn – acaba de investir 1,5 milhões de euros na renovação do centro de visitas da Taylor´s, tendo agora em preparação a segunda fase do projeto global para os seus ativos imobiliários sitos no casco antigo de Vila Nova de Gaia.
 
 
A renovação do centro passou pela remoção de escritórios do edifício contíguo ao restaurante sobranceiro ao Douro que a Taylor´s tem em funcionamento há vários anos, pela aposta na inter-atividade tecnológica e pela criação de um circuito que permita aos visitantes uma visão global do que é o mundo do Vinho do Porto.
 
Para iniciar, o grupo suprimiu as visitas guiadas por colaboradores. Isso permite que cada visitante inicie a visita de imediato, sem ter de estar à espera da hora de mais uma ronda. Para iniciar a visita (que custa 12 euros), deve munir-se de um aparelho com um auricular – no qual pode escolher entre as línguas portuguesa, francesa, inglesa, alemã e espanhola (o mandarim e o russo chegarão em breve).
 
Cada ponto de vista corresponde a um número do aparelho – e o aparelho permite ao ouvinte a escolha entre uma explicação simples ou uma mais detalhada. No limite, a visita pode demorar cerca de duas horas.
 
Dentro de alguns meses – quando passar o período de verão, de pico de visitas, o grupo prepara a segunda fase do projeto de reconversão do parque imobiliário gaiense da Taylor’s, que passa pela reconversão do restaurante.
 
Turismo em alta
 
O turismo é cada vez mais um dos braços financeiros mais fortes do grupo. Com a atividade ainda centrada no Vinho do Porto – apenas de categorias especiais – a The Fladgate Partnership – holding que reúne os negócios da produção e distribuição de vinhos e do turismo - caminha com alguma pressa para uma situação em que a vertente do turismo pode chegar a valer 50% do volume de negócios consolidado, que está próximo dos 100 milhões de euros.
 
 
Para isso contam com o luxuoso hotel The Yetman – aberto em 2010 mesmo ao lado das instalações da Taylor´s que agora foram alvo de renovação – que, segundo o grupo, está quase sempre com a lotação esgotada; com o Vintage House Hotel, no Pinhão – que o grupo lançou em 1998, vendeu à empresa Douro Azul em 2013 e acabou por readquirir em 2016, depois de ter andado pelo entretanto desaparecido Grupo CS; e com o Hotel Infante de Sagres, bem no centro histórico da cidade do Porto, comprado em Abril de 2016.
 
Para além do parque hoteleiro, as caves Taylor’s abriram ao público em 1981; em 1992 a Quinta do Panascal (da Fonseca), foi a primeira quinta a abrir no Douro a lançar um projeto de enoturismo (não destinado a casamentos e batizados); as Caves Croft, em Vila Nova de Gaia, abriram em 2002; e o centro de visitas da Quinta da Roeda (da Croft) abriu em Setembro de 2015.
 
 

domingo, 3 de julho de 2016

Chileno Mário Geisse é referência do espumante nacional

O chileno Mario Geisse, que chegou ao Brasil em 1977, ajudou a elevar a qualidade de um dos melhores terroirs para a bebida
 
Geisse, a paixão pelo vinho começou cedo
 (Foto: Cave Geisse/Divulgação)
Primeiro produzir a melhor uva. Depois produzir o melhor vinho. Foram esses os desafios que se impôs o chileno Mario Geisse quando decidiu abrir uma vinícola no Brasil. No fim da década de 1980, Geisse, que havia chegado a Garibaldi em 1977, estava decidido a deixar o emprego que o trouxera ao Rio Grande do Sul.
 
Sua história, naquele momento, tinha-o levado a conhecer alguns dos principais terroirs das Américas, desde os familiares solos chilenos até os peruanos, passando por terras uruguaias, brasileiras e pelo Vale do Napa, na Califórnia.
 
No Chile, onde nasceu em 1946, filho de uma família de mineradores, o menino se encantou com a produção de vinho. Em Ovalle, sua cidade, a bebida era utilizada apenas para produzir pisco. “Sempre me apaixonou essa coisa que tem no vinho de você poder produzir a fruta e depois elaborar um produto final. A mistura entre a parte agrícola e a parte industrial que tem a indústria vinícola sempre foi minha paixão”, diz.
 
Essa paixão o levou a estudar agronomia. Durante o curso, Geisse começou a se especializar. Ainda que a vinicultura seja impregnada pela tradição, naquele momento, os anos 1970, as regiões tradicionais procuravam se modernizar, de olho em um mercado consumidor em expansão, e novos polos como a Califórnia, começaram a surgir. Geisse, sempre inquieto, passou um período com os produtores do Vale do Napa. “O estágio serviu para eu entender que as coisas estavam mudando, que a tradição era muito importante, mas a investigação devia vir junto e que ia mudar as coisas, como elas estão sempre mudando”.
 
Inquietude
 
De volta ao Chile, Geisse foi trabalhar em uma vinícola onde conheceu duas pessoas que o marcaram, o dono e o gerente. Este último, especialmente. “Ele era uma pessoa muito questionadora, que sempre nos levava a fazer ensaios e testes”, diz. O's incentivos que recebia despertaram o espírito do jovem profissional. “Foram duas pessoas muito importantes para estimular minha inquietude, despertaram meu espírito investigador. Foram as pessoas certas no momento certo para mim”.
 
A inquietude que levou a participar de uma seleção para trabalhar na Chandon, no Brasil. Ainda naquela década, a empresa que tem origem na França estava instalando um polo produtivo em Garibaldi, em um momento em que as multinacionais do vinho começaram a chegar ao Vale dos Vinhedos, o tradicional polo de produção gaúcho.
 
Quase despretensiosamente, Geisse ficou com a única vaga. Nunca tinha viajado para a região. O plano era ficar, aprender mais e voltar. Em 1977, quando saiu a primeira safra, teve uma surpresa. “Foi a maior surpresa técnica que tive na vida. A produção não tinha a qualidade que tem hoje, mas quando experimentei os primeiros espumantes que fizemos vi que eram melhores que os que fazíamos no Chile com uma uva aparentemente muito melhor”, relembra.
 
Alem da qualidade, Geisse ficou encantado também com o estilo de vida do Vale. “Esta é uma região absolutamente especial para espumantes. Naquele momento tomei a decisão de fincar pé no Brasil.” Assim, ficou na Chandon por dez anos.
 
Nos terrenos da Cave Geisse, em Pinto Bandeira (RS),
com a filha Renata (Foto: Cave Geisse/Divulgação)
Durante esse período, o aprendizado, mais uma vez, foi fundamental. A chegada das multinacionais elevou os padrões da produção local. Ciente do potencial da região e confiante em seu próprio talento, Geisse tomou a decisão mais difícil de sua vida. Deixaria o emprego que lhe dava estabilidade e muita tranquilidade para tocar uma produção própria.
 
Ao deixar a Chandon, decidiu que precisava encontrar o terreno ideal não para os espumantes, mas para a matéria-prima. “Eu queria a melhor uva possível para fazer espumante”. Começou então uma busca incessante. Encontrou o que queria na região de Pinto Bandeira. Comprou uma colônia. “Comecei devagarzinho a plantar e a fazer experiências”. Primeiro com o método tradicional, depois testando novos procedimentos.
 
Foram anos e anos de testes na Cave Geisse. Nesse período, Mario viajava pela América do Sul dando consultoria para se manter. “Isto foi feito através dos anos. Agora a vinícola está chegando a 40 anos. Um amigo sempre me disse que não importa quanto demore. Se está preocupado em fazer um produto de qualidade, não se preocupe em promovê-lo. As pessoas farão isso por você”.
 
Reconhecimento
 
Foi exatamente assim que aconteceu. Em 2011, a crítica britânica Fancis Robinson, uma das mais influentes autoridades mundiais, incluiu o Cave Geisse Brut 1998 como o único espumante do mundo em uma lista de 15 vinhos que iriam marcar o futuro da indústria vinícola em nível mundial pelo estilo. “Para mim há um antes e um depois desse reconhecimento”, diz Mário, lembrando que a escolha surpreendeu.  As pessoas se perguntavam: “Como se escolhe só um espumante e ele é brasileiro?”
 
Aos poucos, o mundo do vinho passou a entender o que o chileno tinha entendido naquele primeiro teste da Salton em 1977.  “O grande produto desta região é o espumante. Isso não é por acaso, não é uma coisa esporádica, a qualidade tem consistência. O Brasil está demonstrando que tem uma qualidade indiscutível sobre países tradicionalmente mais respeitados. O país está se consolidando. Doa a quem doer”, diz.
 
“As pessoas estão começando a perceber que a produção de vinhos tem uma característica e a produção de espumantes, outra. Se isso não fosse verdade, não existiria a Champanhe”, diz.
 
A começar por ele, é justamente o capital humano o grande valor do negócio de Pinto Bandeira. “Há pessoas que trabalham há 34 anos comigo. Acredito sobretudo no trabalho em equipe. Pude coprovar isso em minha experiência profissional. Ninguém pode fazer algo sozinho se não está acompanhado da pessoa adequada. Acho que aqui na Cave Gasse conseguimos formar uma equipe espetacular”, diz.
 
Fonte: Glob Rural

sábado, 4 de junho de 2016

As especificidades do Moscatel de Setúbal

O Moscatel de Setúbal faz parte integrante do triunvirato mágico dos três grandes vinhos generosos de Portugal, três grandes vinhos que ilustram a grandeza dos vinhos fortificados nacionais.
          
A par do vinho da Madeira e do vinho do Porto, é um dos vinhos mais surpreendentes e invulgares de Portugal. Apesar disso, ainda são poucos os que o conhecem verdadeiramente e ainda menos os que compreendem o estilo ou que conseguem identificar as nuances dos melhores Moscatel de Setúbal.
 
Apesar da proximidade a Lisboa, apesar da ligação íntima a um destino turístico, e por muito estranho que tal se afigure, o Moscatel de Setúbal continua a ser um grande desconhecido. Embora talvez seja mais correto afirmar que é simultaneamente um dos generosos mais conhecidos e um dos mais desconhecidos, um dos mais aceitos e um dos mais incompreendidos dos três grandes vinhos generosos nacionais. Sim, o Carcavelos é o quarto dos grandes generosos nacionais mas infelizmente, e por razões diversas, continua a subsistir num circuito comercial tão restrito que o seu consumo permanece quase confidencial.
 
Não é fácil entender por que é que o Moscatel de Setúbal continua a ser um desconhecido do grande público. Não o é por ser difícil de entender ou por ter uma legislação especialmente complicada. Será porventura o mais fácil de entender dos três generosos, o mais simples na legislação e na segmentação sem se estender por uma lista interminável de estilos possíveis.
 
Enquanto os vinhos da Madeira se subdividem em infindáveis classes e gêneros, em diferentes graus de doçura e em sete castas principais que convém conhecer, o Moscatel de Setúbal assenta raízes numa só casta, precisamente aquela que será um dos nomes mais fáceis de memorizar. Enquanto o vinho da Madeira se divide em famílias de vinhos com indicação de idade de três, cinco, dez, quinze, vinte, trinta, quarenta e mais de cinquenta anos, a que há que acrescentar as famílias Frasqueira e Colheita, o Moscatel assenta num só grau de doçura sem as particularidades dos vinhos com indicação de idade.
 
Enquanto os vinhos do Porto se distribuem em três grandes famílias, branco, tawny e ruby, entre vinhos de entrada de gama, vinhos com indicação de idade (mais uma vez dez, vinte, trinta e mais de quarenta anos), vinhos com indicação de data de colheita (LBV, Vintage e Colheita), vinhos redutivos e vinhos oxidativos, entre classes e subclasses de Vintage clássicos, single quintas, Vintage de anos não clássicos, o Moscatel de Setúbal é muito franco e direto, sem rodeios quanto ao que se poderá encontrar na garrafa.
 
O Moscatel de Setúbal limita-se a matizar entre duas declinações da casta Moscatel, a mais habitual Moscatel de Alexandria e a mais rara, interessante e indígena Moscatel Roxo, uma derivação local da casta Moscatel que em algum momento no tempo sofreu uma mutação genética que lhe permitiu ganhar um tom rosado na pele.
 
Fácil de entender e fácil de explicar. Afinal, o Moscatel de Setúbal trata de uma só variedade dividida em duas matizes, Moscatel de Alexandria e Moscatel Roxo, um só grau de doçura, oferecendo vinhos que são sempre envelhecidos num estilo oxidativo. Podem chegar sem indicação de idade, com indicação de idade ou com data de colheita impressa no rótulo. E nada mais há a acrescentar para se começar a conhecer os fundamentos do Moscatel de Setúbal.
 
O que não surge na maioria dos contra-rótulos, mas que seria uma das informações mais relevantes, é a indicação da região onde as vinhas estão plantadas, informações sobre o tipo de solos e a origem das uvas. Uma informação vital porque em Setúbal coexistem lado a lado duas realidades distintas que separam os Moscatel da região em dois estilos quase antagônicos. Vinhas plantadas em areia, os solos dominantes na região, e vinhas dispostas na serra da Arrábida, em solos profundamente calcários, duas realidades distintas que dão origem a vinhos igualmente diferentes e com poucos pontos de contato entre si.
 
Enquanto as vinhas plantadas em solos de areia permitem maturações significativas com uma concentração de açúcar substancialmente superior, as vinhas da Arrábida mantêm-se mais recatadas, mais frescas, menos intensas e com um grau de acidez substancialmente superior. Aquilo que para um vinho de mesa seria uma vantagem, uma maturação correta e relevante, transforma-se num inconveniente quando chegamos aos vinhos generosos muito doces como é o caso do Moscatel de Setúbal. Aquilo que para um vinho de mesa seria uma desvantagem, uma acidez elevada e sem tréguas, transforma-se numa vantagem profunda quando chegamos aos vinhos muito doces, onde a acidez é fundamental para temperar e cortar o peso do açúcar.
 
Por isso, os melhores vinhos Moscatel nascem invariavelmente de vinhas implantadas na serra da Arrábida, expostas às partidas de uma natureza mais inclemente. Também por isso é tão importante que quem desenha um Moscatel de Setúbal tenha a acidez em conta, imaginando o vinho em redor dessa mesma acidez, vinificando e fortificando uvas em menor estado de maturação, preservando o travo de frescura que é absolutamente indispensável a estes estilo de vinhos. Quem o consegue fazer, José Maria da Fonseca, Bacalhôa, Horácio Simões e Antônio Saramago entre outros, tem a fortuna de produzir alguns dos melhores generosos de Portugal.
 
Por Rui Falcão
Fonte: Fugas Vinhos

Uma nova geração feminina a dar cartas no vinho

Os novos Douro Boys são… Girls. As D’Uva – Portugal Wine Girls é um grupo de oito jovens mulheres que se juntaram numa associação informal para promover os seus vinhos no mercado externo. A união faz a força.


Tal como nos caso dos Douro Boys, as D’Uva compreenderam que, juntas, podiam fazer muito mais por cada um dos produtos do que se o tentassem promover de forma separada. Tal como os Douro Boys, também, a atividade destas Wine Girls será totalmente suportada pelas próprias, mais um caso de iniciativa e associativismo raros em Portugal.
 
Mas, ao contrário dos Douro Boys, cuja ação tanto tem feito para promover o Douro, as D’uva representam negócios em três regiões diferentes do país: o Alentejo, o Douro e a região de Lisboa.

As oito fundadoras da Portugal Wine Girls são Francisca van Zeller, da Quinta Vale D. Maria, Luísa Amorim, da Quinta Nova de Nossa Senhora do Carmo e Maria Manuel Poças Maia, da Poças Júnior, todas no Douro. Rita Cardoso Pinto, da Quinta do Pinto, em Lisboa, e Catarina Vieira, da Herdade do Rocim, Mafalda Guedes, da Herdade do Peso, Rita Fino Magalhães, do Monte da Penha e Rita Nabeiro, da Adega Mayor, estas últimas no Alentejo.

O fato de o grupo ser constituído exclusivamente por mulheres também não é de menos importância, como referiu por sua vez Francisca Van Zeller (cujo pai Cristiano Van Zeller é um dos Douro Boys) "abre possibilidades de comunicação segmentada, nomeadamente junto de organizações congeneres, na área do vinho e outras".

A presença de mulheres a liderar projetos vínicos não é uma tendência mas um fato que, em Portugal, não se esgota de forma nenhuma nestas oito inovadoras mas, como referiu Jorge Monteiro, presidente da ViniPortugal: "No mundo do vinho é preciso imaginação e capacidade de criar novos momentos. Este grupo feminino traz essa novidade, além da complementaridade igualmente importante neste setor".

domingo, 22 de maio de 2016

Como as mudanças climáticas afetam os vinhos

Vinhedo Canaã
O clima de uma região define o terroir de um vinhedo, isto é, os fatores ambientais que afetam a qualidade das uvas, como o índice pluviométrico, a temperatura, o solo e a topografia. Por esse motivo, os vinhedos e sua produção são extremamente sensíveis às mudanças climáticas. A maioria das uvas cresce em temperaturas de 12°C a 22°C. Em consequência do aquecimento global, as pesquisas nos últimos anos indicaram que o cultivo futuro dos vinhedos deverá ser feito em latitudes mais altas e em terrenos elevados.
 
Um artigo publicado em abril na revista Nature Climate Change, mostrou que as uvas na França estão sendo colhidas duas semanas mais cedo do que há 500 anos. Essa tendência afetará a qualidade do vinho, como aconteceu depois da onda de calor na Europa em 2003. As uvas expostas ao sol por muito tempo ficam mais doces e menos ácidas; podem, em alguns casos, transformarem-se em passas. Em determinados lugares, como no Napa Valley na Califórnia, a temperatura elevada demais pode prejudicar o cultivo de vinhedos. Se isso acontecer, as receitas de um setor que gera mais de US$1 bilhão por ano em impostos nos Estados Unidos irão diminuir.
 
Os desertos de Israel podem servir de laboratórios para o cultivo de vinhedos em climas mais quentes. Com o sol intenso nesses lugares um lado de uma uva pode aquecer até 50°C no verão, enquanto o lado na sombra ficará exposto a uma temperatura de 30°C. Aaron Fait, um pesquisador italiano da Universidade Ben Gurion, está usando telas de diferentes espessuras e cores para proteger as uvas em crescimento. A temperatura, peso, tamanho e composição química das uvas são monitorados e as condições de cultivo obedecem aos resultados do monitoramento.
 
Fait também pesquisa as combinações de variedades de uvas produzidas por meio de técnicas de cultivo e os rizomas, que permitirão o uso da água de modo mais eficaz; alguns tipos australianos são especialmente resistentes. A poda ou o uso de treliças para forçar o crescimento das videiras com diferentes formas, também ajuda a controlar o uso eficiente da água. Em razão de suas pesquisas, Fait tem sido consultado por viticultores de Bordeaux preocupados com o aquecimento global.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Corticeira Amorim desenvolveu tecnologia que analisa rolhas à unidade numa escala industrial

Um investimento de 10 milhões de euros permitiu à Corticeira Amorim desenvolver uma tecnologia inovadora que em 20 segundos deteta a presença, nas rolhas de cortiça, de um composto químico (TCA) associado a desvios sensoriais nos vinhos.
 
 
“NDTech é uma tecnologia de ponta que possibilita uma revolução em termos de controle de qualidade, na medida em que introduz pela primeira vez uma triagem individual nas linhas de produção das rolhas de cortiça, baseada em cromatografia gasosa, uma das análises químicas mais sofisticadas do mundo”.
 
Segundo explica, “tradicionalmente, cada análise de cromatografia gasosa demora cerca de 14 minutos”, mas com este desenvolvimento – feito em parceria com uma empresa internacional especializada – a Corticeira Amorim “conseguiu reduzir o tempo desta análise para cerca de 20 segundos, viabilizando a sua integração numa escala industrial”.
 
Como resultado, a corticeira passou a disponibilizar no mercado “rolhas de cortiça natural com garantia de TCA não detetável”, que garantem “um controle sensorial irrepreensível”.
 
Segundo a Associação Portuguesa da Cortiça (APCOR), o TCA é um composto químico vulgarmente presente na natureza e pode ser encontrado na madeira, no vinho, na água, no solo, em frutas, legumes e, também, na cortiça.
 
“É um produto exógeno ao vinho, à madeira e à rolha de cortiça, mas se estiver presente na atmosfera e entrar em contacto com as barricas, as rolhas de cortiça ou mesmo o vinho, é facilmente absorvido”,
 
De acordo com o grupo de Mozelos, Santa Maria da Feira, que é líder mundial no setor das rolhas de cortiça, a tecnologia NDTech assegura “uma precisão incrível”, sendo capaz de detetar “qualquer rolha de cortiça que apresente mais de 0,5 nanogramas/litro (partes por trilião) de TCA, removendo-a automaticamente da linha de produção”.
 
“Este nível de precisão numa escala industrial é surpreendente, tendo em conta que o limiar de deteção de 0,5 nanogramas/litro pode ser o equivalente a uma gota de água em 800 piscinas olímpicas”, explica.
 
Segundo a Corticeira Amorim, o desempenho da NDTech “está a ser validado por entidades líderes mundiais em investigação associada à indústria do vinho — a Geisenheim University, na Alemanha, e o Australian Wine Research Institute –, o que faz dela “a única tecnologia de controle individual de qualidade do TCA alvo de validação científica por parte de ambas as organizações”.
 
Esta nova tecnologia será inicialmente aplicada à gama de rolhas naturais ‘premium’ da corticeira, que são utilizadas “por algumas das marcas de vinho mais importantes do mundo, incluindo as principais marcas nacionais”.
 
Até agora, revela, a receptividade dos produtores de vinho tem sido “muito positiva, tendo em conta a importância da rolha natural no ‘packaging premium’ [embalagem de qualidade superior] de vinhos, muito valorizada em mercados-chave para a exportação, como os EUA ou a China”.
 
Para o presidente e administrador executivo da Corticeira Amorim, António Rios de Amorim, a “aposta contínua” da empresa no reforço da qualidade das rolhas de cortiça tem sido “determinante” na consolidação da sua liderança na indústria e no aumento, nos últimos cinco anos, das vendas de três mil milhões de rolhas para um número recorde de 4,2 mil milhões em 2015.
 
“Este crescimento resulta, em parte, de uma maior percepção generalizada das vantagens técnicas e de sustentabilidade da rolha de cortiça, assim como da capacidade que esta tem de aportar valor ao vinho. Com NDTech, simplesmente tornamos melhor aquele que já é o melhor vedante para vinho”, conclui.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Vinho de talha do Alentejo é "mina de ouro" que Portugal deve aproveitar

"O vinho de talha tem um grande potencial. É uma mina de ouro, Portugal e o Alentejo têm de aproveitá-la", defendeu à agência Lusa o especialista Paul White, à margem do 10.º Simpósio de Vitivinicultura do Alentejo, em Évora.
 
 
Em "muitas partes do `novo mundo`, as pessoas amadureceram o seu consumo de vinhos, entraram numa fase mais adulta, e estão agora mais recetivas a este tipo de vinhos, diferentes dos tradicionais", afirmou o também crítico de vinhos e que escreve em revistas do setor.
 
"Há 10 ou 12 anos, toda a gente queria vinhos frutados, mas, agora, a audiência global para os vinhos alterou-se. Querem vinhos como os de talha, que acompanhem melhor a comida e que tenham um sabor mais mineral e vegetal, mais complexo, sem tanta fruta ou notas de carvalho", argumentou.
 
Paul White, que falou hoje no simpósio, precisamente, sobre o vinho de talha e as novas tendências do mercado mundial de vinhos, realçou à Lusa que Portugal deve apostar neste antigo método de produção vinícola, no Alentejo usado sobretudo para vinhos brancos, antes que outros países "corram" nessa direção.
 
"Na zona onde vivo, na Nova Zelândia, há duas pequenas adegas e já têm duas talhas. E a maior empresa de vinhos do país também já tem algumas talhas. A minha previsão é que, dentro de 10 anos, quase todas as adegas por todo o mundo tenham talhas e comecem a produzir estes vinhos", alertou.
 
Em Portugal, segundo a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), o "grande guardião" dos vinhos de talha tem sido o Alentejo, que soube "preservar até aos dias de hoje este processo de vinificação desenvolvido pelos romanos" e que terá chegado à região há dois mil anos.
 
A CVRA explicou hoje à Lusa que, neste processo, as uvas esmagadas são colocadas dentro das talhas de barro e ficam a fermentar, durante vários meses, em cima das massas formadas pelas películas do fruto, saindo depois o líquido para o exterior, através de uma torneira, límpido e puro.
 
"O contacto do líquido com essas massas que ficam no fundo, obviamente, vai conferir-lhe características diferentes", além de que o vinho ganha "outros aspetos também diferenciadores" por a fermentação acontecer num recipiente em que "o material, o barro, apesar de revestido, tem porosidade", disse o presidente da CVRA, Francisco Mateus.
 
Este conjunto de características "não é possível replicar num ambiente de produção mais massiva", disse, referindo que, na talha, "fica-se com um vinho antigo, que marca a diferença nos tipos de vinhos que existem hoje em dia".
 
A CVRA, em 2011, reconheceu este método de produção e incluiu o vinho de talha na Denominação de Origem Alentejo, passando a assegurar o seu controlo de origem, ou seja, que é feito com uvas da região, e a certificar a qualidade do mesmo.
 
"Este era um método que, se calhar, não era tão conhecido no passado, era mais conhecido só em termos locais, mas começa, hoje em dia, a ganhar alguma expressão", destacou Francisco Mateus.
 
De acordo com dados da CVRA fornecidos à Lusa, no primeiro ano de certificação, foram produzidos 3.200 litros de vinho de talha. Esse número "tem aumentado gradualmente" e, no ano passado, a CVRA já certificou "quase 44 mil litros", ou seja, "12 vezes mais do que em 2011".
 
No ano passado, acrescentou o organismo, 20% do volume de vinho de talha "Alentejo" comercializado teve como destino a exportação, para países como os Estados Unidos, o Brasil, Angola e Suíça.
 
"Ainda são quantidades pequenas de um vinho de nicho de mercado, mas já vemos produtores de maior dimensão a produzirem vinho de talha, que antes era apenas um produto tradicional ou familiar, feito por pequenos produtores", pelo que "isso é bom" e pode contribuir para, nos mercados internacionais, "o Alentejo mostrar a sua diferenciação", argumentou o presidente da CVRA.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Vinho made in Brazil faz a festa na crise

Com o encarecimento do dólar, os vinhos brasileiros ganharam competitividade em relação aos importados. Mas esta não é a única boa notícia para a indústria nacional: o mercado de suco de uva integral está crescendo, não só aqui dentro, mas também lá fora, fazendo a alegria de pequenos fabricantes "butiques" no Sul, que vêm se expandindo no País. Dentre os importadores do nosso suco integral estão Bélgica, Holanda, EUA e Inglaterra
Um importado médio está mais para R$ 80 a garrafa, enquanto um vinho razoável nacional custa R$ 40. Além disso, a qualidade dos vinhos brasileiros também melhorou nos últimos anos.
Suco integral em alta
Para o especialista Marcelo Copello, sócio do Grupo Baco, que publica o Anuário Vinhos do Brasil e promove vários eventos na área, o avanço do consumo do suco integral, bem como das exportações, e o maior acesso aos vinhos nacionais são fatores importantes para amenizar a paralisação nesse mercado, impactado pelo câmbio, recessão e aumento do IPI. A boa performance do suco integral animou a inclusão, na grande prova de vinhos do Brasil 2016, de 6 a 9 de junho deste ano, no Rio de Janeiro, promovida pelo Grupo Baco.
Prova de 700 garrafas
Nesta quinta edição da grande prova de vinhos devem concorrer cerca de 700 fabricantes brasileiros e estrangeiros, mas a grande novidade é o suco de uva integral, uma nova dentre as 25 categorias. "O suco de uva integral foi o segmento da vitivinicultura brasileira que mais cresceu ano passado, ao redor de 30%", ressalta Copello. Os campeões, submetidos a um júri internacional de 20 especialistas, serão conhecidos ainda em junho, na Expovinis, a maior feira de vinho da América Latina, na capital paulista.
Cooperativismo paulista
A Casa do Cooperativismo Paulista, estande de apoio aos produtores rurais de cooperativas na feira Agrishow 2016, nesta semana em Ribeirão Preto (SP), mostrou que a recessão passou longe do nicho. "A crise econômica restringe os investimentos, mas é nesta hora que o cooperativismo surpreende", diz o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/SP), Edivaldo Del Grande. As 142 cooperativas paulistas movimentaram mais de R$ 20 bilhões em 2014, crescimento constante.
Rede de pessoas e negócios
De olho na demanda crescente por soluções que reduzam custos empresariais, Mauro Koraicho investiu R$ 4 milhões em um novo centro de negócios, o Infinity Business Network, em Alphaville (SP). O ambiente facilita a atividade de profissionais autônomos até grandes empresas, com uma novidade: a Networking Community, uma rede que integra as pessoas e gera mais possibilidades de negócios. A empresa espera retorno do investimento num período entre três e quatro anos, com expectativa de atingir 80% a 85% de ocupação até dezembro deste ano - cerca de 40 clientes.Textos, fotos, artes e vídeos da odiario.com estão protegidos pela legislação brasileira sobre direito autoral. Não reproduza o conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização de odiario.com. As regras têm como objetivo proteger o investimento que odiario.com faz na qualidade de seu jornalismo. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://maringa.odiario.com/viva-sabor/2016/04/congresso-da-oiv-no-brasil-reconhece-vitivinicultura-nacional/2140812/
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Com o encarecimento do dólar, os vinhos brasileiros ganharam competitividade em relação aos importados. Mas esta não é a única boa notícia para a indústria nacional: o mercado de suco de uva integral está crescendo, não só aqui dentro, mas também lá fora, fazendo a alegria de pequenos fabricantes "butiques" no Sul, que vêm se expandindo no País. Dentre os importadores do nosso suco integral estão Bélgica, Holanda, EUA e Inglaterra.
 
 
Um importado médio está mais para R$ 80 a garrafa, enquanto um vinho razoável nacional custa R$ 40. Além disso, a qualidade dos vinhos brasileiros também melhorou nos últimos anos.
 
Suco integral em alta
 
Para o especialista Marcelo Copello, sócio do Grupo Baco, que publica o Anuário Vinhos do Brasil e promove vários eventos na área, o avanço do consumo do suco integral, bem como das exportações, e o maior acesso aos vinhos nacionais são fatores importantes para amenizar a paralisação nesse mercado, impactado pelo câmbio, recessão e aumento do IPI. A boa performance do suco integral animou a inclusão, na grande prova de vinhos do Brasil 2016, de 6 a 9 de junho deste ano, no Rio de Janeiro.
 
Prova de 700 garrafas
 
Nesta quinta edição da grande prova de vinhos devem concorrer cerca de 700 fabricantes brasileiros e estrangeiros, mas a grande novidade é o suco de uva integral, uma nova dentre as 25 categorias. "O suco de uva integral foi o segmento da vitivinicultura brasileira que mais cresceu ano passado, ao redor de 30%", ressalta Copello. Os campeões, submetidos a um júri internacional de 20 especialistas, serão conhecidos ainda em junho, na Expovinis, a maior feira de vinho da América Latina, na capital paulista.
 
Cooperativismo paulista
 
A Casa do Cooperativismo Paulista, estande de apoio aos produtores rurais de cooperativas na feira Agrishow 2016, nesta semana em Ribeirão Preto (SP), mostrou que a recessão passou longe do nicho. "A crise econômica restringe os investimentos, mas é nesta hora que o cooperativismo surpreende", diz o presidente da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop/SP), Edivaldo Del Grande. As 142 cooperativas paulistas movimentaram mais de R$ 20 bilhões em 2014, crescimento constante.
 
Rede de pessoas e negócios
 
De olho na demanda crescente por soluções que reduzam custos empresariais, Mauro Koraicho investiu R$ 4 milhões em um novo centro de negócios, o Infinity Business Network, em Alphaville (SP). O ambiente facilita a atividade de profissionais autônomos até grandes empresas, com uma novidade: a Networking Community, uma rede que integra as pessoas e gera mais possibilidades de negócios. A empresa espera retorno do investimento num período entre três e quatro anos, com expectativa de atingir 80% a 85% de ocupação até dezembro deste ano - cerca de 40 clientes.
 
Por  Liliana Lavoratti

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Syrah ou Shiraz? Não importa, a uva produz vinhos coringas

Versatilidade é a característica que melhor define a Syrah ou Shiraz e os vinhos que produz. Essa uva está presente em diferentes países e regiões do mundo e se dá bem tanto em climas um pouco mais quentes como um pouco mais frios.
 
O Rhône, na França, sabe-se hoje por exames de DNA, é seu berço, de fato e de direito. Com isso, caiu por terra a teoria certamente mais romântica que atribuía essa paternidade à região em torno da cidade de Shiraz, na antiga Pérsia (hoje Irã), o que explicaria o nome pelo qual é conhecida em países como Austrália e África do Sul.
 
O DNA sepultou também a hipótese de que a uva teria chegado à Europa via Siracusa, na Sicília. Diferenças de grafia e de pronúncia à parte, a Syrah ou Shiraz marca presença também em Itália, Espanha, Portugal, Estados Unidos, Chile, Argentina e até no Brasil. E produz vinhos atraentes em todos eles.
 
A versatilidade se revela igualmente no fato de que ela produz exemplares mais leves ou mais encorpados, com ou sem passagem por carvalho. Em comum, revela muita fruta, notas de especiarias que lembram pimenta negra e, de modo geral, tem álcool na faixa dos 14%.
 
Por tudo isso, e pela boa acidez, esses tintos são bons coringas para se levar à mesa. Por último, mas razão não menos importante nesses tempos de vacas magras, há boa oferta de vinhos à base de Syrah em diferentes faixas de preço.
 
Fonte: Estadão

sábado, 16 de abril de 2016

A Cidade dos Vinhos

Bordeaux vai abrir La Cité du Vin, um mundo dedicado à cultura do vinho, ao qual muitos já chamam “o Guggenheim do vinho”. Custou mais de 80 milhões de euros mas espera gerar receitas anuais indirectas acima dos 40 milhões.
 


  
A Cité du Vin tem abertura oficial marcada para o dia 1 de Junho próximo mas a partir de agora já pode comprar (ou candidatar-se a ganhar) bilhetes para visitar o espaço no facebook.
 
O projecto está situado nas margens do Rio Garonne, em plena cidade de Bordéus. Trata-se de um complexo futurístico, composto maioritariamente por painéis em vidro e alumínio, em forma de decanter, que ocupa uma área superior a 13 350 m², divididos por dez andares. O último piso a uma altura de 55 metros. A Cité permite uma vista inigualável sobre a cidade e toda a região envolvente e foi desenhada pelo atelier de arquitectura francês XT-U, em conjunto com a casa de design de interiores inglesa Casson Mann e cada detalhe, interior ou exterior, evoca a alma do vinho.
 
O espaço irá oferecer exibições permanentes e temporárias, espetáculos, conferências e ‘workshops’ sobre o vinho e sua história. Para principiantes ou conhecedores, estes workshops podem versar a enologia do vinho, o food pairing ou mesmo a prova de vinhos raros. Um laboratório emerge mesmo os visitantes numa experiência tridimensional, acrescentando à prova luzes, sons e aromas.
 
E se os vinhos da região de Bordeaux ocupam naturalmente o centro das atenções, o projecto está aberto ao mundo: o restaurante Le7 irá oferecer uma carta de vinhos com mais de 500 entradas provenientes de 50 países diferentes, e o wine bar Latitude20 suplanta ainda essa oferta, com 800 entradas de 80 países. O espaço inclui ainda uma boutique e uma enoteca.
 
A Cité du Vin foi financiado com dinheiros públicos, na sua esmagadora maioria da cidade de Bordéus e de outras entidades regionais mas também recorreu ao mecenato, que financiou cerca de 20% da obra. Neste caso, sobretudo pelas principais casas de vinho de Bordéus e por uma liga de amigos norte-americanos. Não será por acaso que um dos embaixadores é o crítico de vinhos Robert Parker.
 
Com um orçamento anual de 12 milhões de euros, a maioria das receitas será gerada pela própria “cidade”, com a venda de entradas e a exploração dos espaços. Isto porque são esperados cerca de 450 mil visitantes ano (e cada entrada tem um custo de 20 euros) que deverão além disso gerar receitas indiretas para a cidade e região na ordem dos 40 milhões de euros.