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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Normas Ambientais Recomenda Uso de Rolha de Cortiça

A Organização Internacional do Vinho e da Vinha - OIV, criou recentemente (2011) novas normas ambientais (General Principles of the OIV Greenhouse Gas Accounting Protocol for the Vine and Wine Sector) para o setor vinícola que recomenda o uso de rolhas de cortiça enquanto produto sustentável.

As normas consistem num protocolo universal, denominado General Principles of the OIV Greenhouse Gas Accounting Protocol for the Vine and Wine Sector, que recomenda a utilização da rolha de cortiça enquanto produto sustentável.

O protocolo consiste em duas vertentes: Enterprise Protocol (Protocolo Empresarial) e Product Protocol (Protocolo de Produto). Estas permitem às empresas avaliar as suas emissões de carbono através de um sistema de cálculo e oferecem um guia de análise do Ciclo de Vida do Produto no qual a rolha de cortiça possui um papel preponderante.

Segundo um estudo publicado pelo Instituto Superior de Agronomia (ISA), de Lisboa, o produto pode fixar cerca de 6 toneladas de CO2 por hectare em um ano, o que corresponde, no caso de Portugal, a mais de 4 milhões de toneladas de CO2 por ano. Em consequência, é possível concluir que as florestas de sobro do Mediterrâneo (2,2 milhões de hectares) possibilitam a retenção de quase 14 milhões de toneladas de CO2 por ano.

Os benefícios ambientais das rolhas de cortiça são evidenciados numa análise sobre o Ciclo de Vida do Produto realizada pela Price Water House Coopers em 2008.

No que diz respeito à emissão de gases com efeito de estufa, o estudo revela que cada vedante de plástico emite 10 vezes mais CO2 que uma rolha de plástico e as emissões de CO2 da cápsula de alumínio são 24 vezes superiores às da rolha de cortiça.

Este estudo analisou sete indicadores-chave ambientais: a emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa; o consumo de energias não renováveis; o consumo de água; a contribuição para a acidificação da atmosfera; a contribuição para a deterioração da camada de ozonio; a contribuição para a eutrofização e a produção de desperdícios sólidos.

As rolhas de cortiça se classificaram como a melhor alternativa em seis dos indicadores, e ficaram em segundo lugar, abaixo dos vedantes de alumínio, no consumo de água.

Fontes: OIV, AgroNotícias

sábado, 2 de julho de 2011

Qualidade de um Vinho: como eles são classificados



O mais influente crítico de vinhos de todos os tempos, Robert Parker, baseou o seu sistema de avaliação de vinhos na escala de pontuação utilizada nas escolas americanas (e brasileiras). E em 1978 lançou um jornal chamado The Wine Advocate (antes de se tornar milionário com o vinho, ele era advogado) e passou a dar nota de 50 a 100 pontos para os vinhos que ele degusta, em sua biografia (O Imperador do Vinho – Elin Mccoy) ele se orgulha por degustar cerca de 200 vinhos toda manhã e não precisar mais do que 1 minuto para cada vinho!

Mas, nem tudo é crítica. Em uma época que pouco se sabia sobre vinho, Parker proporcionou aos consumidores uma possibilidade de conhecer vinhos através de um padrão de qualidade determinado – o dele. Mas foi muito importante. Junto ou depois dele outros críticos (Jancis Robinson, Wine Spectator, Hugh Johnson) criaram seus sistemas de pontuação. Alguns de maneira mais instrutiva, outros nem tanto, mas todos tornaram-se as pessoas influentes no mundo do vinho, ao ponto de causar a sorte ou desgraça de um produtor.

Mas até que ponto um vinho 85 ou 92 nos serve ou não. As notas são importantes para um referencial qualitativo, para que as pessoas entendam uma linguagem fácil, mas não têm importância nenhuma se ao apresentar um vinho não se tenha um descritor. O que me adianta ter um vinho branco de 95 pontos se eu não gosto de vinhos brancos!

O sistema de pontuação abaixo segue os padrões dos 100 pontos. Internacionalmente, o vinho deve ter atingido, ao menos, 50 pontos. A pontuação é o resultado da soma dos pontos reunidos na degustação (olhos: 5 pontos; nariz: 15 pontos; boca: 25 pontos; impressão total e potencial: 5 pontos)

75-79 pontos: Médio a bom – limpo, simples, mas harmônico para qualquer oportunidade assim como vinhos potencialmente ótimos, mas com pequeno defeito.

80-84 pontos: Muito bom – tonalidade limpa, harmônico, típico com característica reconhecida. Na maioria das vezes, oferece prazer na degustação.

85-89 pontos: Ótimo – vinho de ótima qualidade, que merece a atenção de qualquer apreciador exigente de vinhos. O vinho deve ter personalidade, tipicidade e profundidade.

90-94 pontos: Excelente – vinho de primeira qualidade, melhor de seu tipo. Equilíbrio perfeito, tonalidade absolutamente limpa e caráter inigualável.

95-99 pontos: Grande – vinho de classe internacional, que proporcionam experiência inigualável, capaz de deixar apaixonados os apreciadores de vinho.

100 pontos: Único – vinho passível de ser feito diferente, mas impossível de ser feito melhor.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A rolha faz a diferença

 
 
Vejam a foto acima, reparem nesta última rolha, a quinta da esquerda pra direita. É... Ela realmente destôa das outras não é mesmo? No visual ela é maior e mais larga, no tato é muito mais consistente. Foi retirada da garrafa de um Caymus 2008, um cabernet sauvignon californiano do Vale do Napa. Não resta a menor dúvida que o vinho é excelente, de nariz e de boca, caro, imponente e que tem seu valor. Contudo, será que precisa mesmo da rolha com esse tamanho?

Será que isso não encarece mais o produto? Sobre o ponto de vista do crescimento sustentável, será que é ecologicamente correto? Vejamos a seguir de onde são extraidas, como são produzidas, quais os tipos de rolha, a partir daí tirem suas conclusões.

A rolha é um objeto de cortiça compressivo e elástico,de origem vegetal obtido da casca do sobreiro. O sobreiro cujo o nome científico é Quercus suber é uma árvore encontrada principalmente nos seguintes paises: Portugal, Argélia,Espanha,Marrocos,França, Tunísia e Itália. Dos 22 bilhões de rolhas produzidas por ano no mercado mudial, 80% é porduzido em Portugal. Ao longo dos anos a rolha de cortiça tem se tornado um oligopólio natural.

Ainda é impossível desvincular a imagem de um bom vinho, de uma bela garrafa e uma boa rolha. Porquê? Pode ser pela tradição e pelo fascínio que esse tipo de produto exerce sobre o consumidor. Quantas vezes servimos um vinho para um leigo e nos deparamos com o seguinte cometário. "Esse vinho é muito bom ! Olha só o pêso dessa garrafa !" Pois é existe um certo misticismo com esses detalhes. Como se garrafa pesada fosse sinal de vinho bom.

Sobre a rolha posso dizer, é um componente que revolucionou a indústria do vinho. Material excelente para a vedação das garrafas por ser impermeável, elástica, resistente e durável.

Antes da descoberta da rolha, valia tudo para conservar o vinho, até mesmo o uso de azeite ou óleo vegetal, que não sendo missíveis com o vinho ( menor densidade) formava uma camada na superfície isolando-o do meio exterior.

O sobreiro como é chamado o Quercus suber é uma árvore que vive 150 anos e tem sua primeira extração de rolhas aos 20 anos. Suas extrações seguintes são a cada 10 anos. A cortiça mais adequada só é conseguida na terceira extração. Um sobreiro permite ao longo de sua existência 12 a15 extrações produtivas. O fato também da árvore só ser encontrada em pouquíssimos países, torna a cortiça um material caro. Não é por acaso que as rolhas dos vinhos inferiores são muito curtas e feitas de aglomerado de raspas ou só de pó de cortiça.

Uma rolha decente (comprida e de boa cortiça) é fundamental na conservação de um bom vinho, porém, isso não depente só da rolha, a garrafa tem que ficar numa posição que o líquido mantenha contato com a rolha pois, molhada a cortiça se expandirá e vedará completamente a garrafa. Uma rolha defeituosa pode apresentar vazamentos e permitir a entrada de oxigênio na garrafga, fato extremamente nocivo ao vinho.

Quando contaminada por fungos transmite ao vinho cheiro e gosto desageadáveis com características de mofo ou papelão molhado. O vinho com cheiro de mofo é chamado de "bouchonée"( do Francês; buchon = rolha). Por isso longe de ser pedantismo, examinar a rolha e cheira-la quando uma garrafa é desarrolhada à mesa.

A rolha de cortiça é companheira do vinho desde o século XVI. Atualmente existe uma grande discursão em torno do preço das rolhas e da contaminação a qual elas estão sujeitas. A contaminação pode ocorrer no sobreiro e nas reações com produtos químicos (fenois). Visto esses problemas passou-se a questionar o uso da rolha de cortiça e iniciaram-se pesquisas para encontrar um subistituto sintético à altura.

A guerra das rolhas de cortiça versus rolhas sintéticas está acirrada, os americanos,autralianos e inglêses acham que o vinho é como qualquer outro produto alimentício, e portanto a contaminação é imperdoável. Isso vai de encontro ao fato de que 10% dos vinhos fabricados são bouchonné. Os pró-cortiça apontam as impurezas das sintéticas e afirmam que o não uso da cortiça acarretaria sérios danos econômicos aos países produtores e levaria extinção das florestas de sobreiro e destruição do habitat natural de inúmeras espécies de pássaros raros.

Outro tipo de vedação de garrafas é a que utiliza tampa de rosca a "screw cap"(usadas também em garrafas de Uísque), esta vem se tornando popular, principalmente nos Estados Unidos, Nova Zelândia, Austrália e Inglaterra.

Existe uma campanha agressiva feita pelos pró-sintética e pró-rosca, a ponto de ocorrer em Nova York no ano de 2002, um jantar funeral da rolha de cortiça. Todos foram ao evento trajando luto e o fato que chamou atenção foi o pronunciamento da fomosa Master of Wine, Jancis Robinson que proferiu palavras de despedida à rolha tradicional.

Em 2003, outro expoente da enologia mundial Hugh Johnson escreveu em seu "Pocket Wine Guide 2003", que 5 a 10% das garrafas de vinho são contaminadas pelo tricloroanisol (TCA), que rolha de cortiça é importante no envelhecimento lento do vinho, mas os vinhos do dia a dia, de caráter fresco e frutado, devem ter tampa de rosca.

Em seu livro "O vinho no Gerúndio" o mestre Júlio Anselmo de Souza Neto afirma que: "Penso que uma garrafa de vinho com rolha sintética ou tampa de rosca é como uma mulher elegantemente vestida, mas calçando sandálias havainas".

Olhem novamente a foto, a terceira rolha da esquerda pra direita é de um Don Melchor 2005, um dos ícones da America do Sul. Um vinho tão bom ou melhor que o nosso Caymus 2005. Observem o tamanho da rolha do Don Melchor, ela não tem nada de paranormal. Já a segunda rolha da esquerda pra direita pertence a um super toscano Biondi Santi, o emblemático Sassoalloro 2005, também nada de paranormal. Duas rolhas extremamente simples utilizadas na vedação de dois grandes vinhos. Agora pensem, analisem e tirem suas conclusões.

Fontes:

01. Manual Didático do Vinho ( Daniel Pinto)
02. O Vinho no Gerúndio ( Júlio Anselmo de Souza Neto)
03. The Oxford Companion to Wine ( Jancis Robinson)
04. Larousse do Vinho

Texto e imagem extraidos do Blog Goles e Dicas! Aos amantes do vinho recomendo o Blog!