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sexta-feira, 24 de maio de 2013

Cave de Ladac Côtes du Rhône 2009

Os vinhos franceses, por mais simples que sejam, sempre são líquidos agradáveis. Não foi diferente com o Cave de Ladac Côtes du Rhône, vinho proveniente de uma das mais famosas regiões vitivinícolas da França e de onde provém vinhos jovens, delicados, fáceis de beber e com um bom custo versus benefício.

Visualmente o rótulo mostrou uma cor rubi alaranjada, mostrando sua evolução já aos quatro anos de vida; lágrimas em pequena quantidade e que escorreram lentamente pelas paredes da taça. No nariz seu bouquet é muito delicado e tem a fruta vermelha em evidência, mas também notas de especiarias (café e pimenta) e notas de alcaçuz. Em boca repetiu a delicadeza e suavidade do nariz e repetiu a fruta e a pimenta. Final de boca seco e suave de média persistência.
 
Um rótulo simples, bem feito e que já está passando da hora de se degustar. Boa pedida para o happy hour acompanhado de pratos leves e puco condimentados.
 
O Rótulo
 
Vinho: Cave de Ladac Côtes du Rhône
Tipo: Tinto
Castas: Syrah, Grenache e Mourvedre
Safra: 2009
País: França
Região: Côtes du Rhône
Produtor: Compagnie Vinicole  de Bourgongne
Graduação: 12,5%
Onde comprar em Recife: DLP
Preço médio: R$ 30,00
Temperatura de serviço: 16º

domingo, 1 de julho de 2012

Barton & Guestier Gold Label Côtes du Rhône 2009 #CBE

O primeiro dia do mês é dia de post da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, que neste mês de julho chega a sua septuagésima edição e a sexta em que o Vinhos de Minha Vida participa.
 
A CBE possui particularidades que dificilmente outra confraria tenha: além de ser uma confraria virtual e possivelmente a única neste formato e das postagens terem dia certo para acontecer a CBE passa por momentos de certa ansiedade, que são os dias de aguardo do tema do mês subsequente, os quais são seguidos por desafiantes e divertidas buscas pelo vinho que será degustado e comentado aqui. Enfim, é uma confraria diferente e sinto-me muito privilegiado em participar da mesma e poder aprender com todos os confrades.
 
O tema do mês foi escolhido pelo confrade Daniel Perches, do blog Vinhos de Corte, que mandou ver dizendo: "Um vinho que tenha a uva Carignan. Se possível, um varietal, mas se não der, pode ser um corte. Qualquer país e qualquer preço".
 
A uva Carignan tem uma provável origem espanhola, onde pode ser chamada de Cariñena (em Aragón) ou Mazuelo (Rioja), apesar de ser a uva tinta mais plantada da França com cerca de 100 mil hectares (já teve quase o dobro, quase 212 mil hectares até 1968, mas muitos vinhedos foram arrancados). Tanto na França como na Espanha é mais utilizada em cortes do que na elaboração de vinhos varietais.
 
O Velho Mundo ainda é plantada na Itália, chamada de Carignano, presente na Lombardia e, sobretudo na ilha da Sardenha e também em Portugal (Ribatejo) e na Grécia. No Novo Mundo pode se encontrada na Argentina, Califórnia e sobretudo no Chile, país que mostra bons varietais, como da vinícola Odfjell, ou cortes em que ela predomina, como por exemplo em alguns vinhos da vinícola Morandé.
 
Por tudo que foi escrito acima e também pela curiosidade em conhecer e degustar uma varietal com essa uva queria muito ter encontrado um exemplar para compartilhar aqui com os confrades e leitores do blog, mas infelizmente não deu, mas fica a promessa de dentro em breve degustar e postar aqui sobre um varietal da Carignan.
 
A minha escolha do mês da CBE vem da França e foi um assemblage com as uvas Grenache, Syrah e Carignan: o Barton & Guestier Gold Label Côtes du Rhône 2009. Quando peguei a garrafa na prateleira e disse vai ser esse, logo vieram a mente pequenas aves originárias da ásia e que habitam também na Europa e Brasil: as Codornas; comprei essas pequenas aves e as preparei no forno após marinada em vinho tinto, cebola, alho, alho poró, ervas secas, sal e pimenta do reino por cerca de 4 horas.
 
O vinho mostrou uma cor rubi intenso, com nuances violetas e uma chuva de lágrimas lentas. No nariz mostrou média intensidade com a fruta escura aparecendo em um primeiro plano alternando-se com delicados toques de café tostado e pimenta seca. Em boca mostrou-se muito delicado e elegante, com taninos macios e bem integrados a acidez e ao álcool. Final de boca com sabor levemente picante e de média intensidade.
 
Um vinho fácil de beber, com um ótimo custo versus benefício que pode ser muito bem descrito como um vinho elegante e macio; harmonizou perfeitamente com as codornas, que ficaram de lamber os beiços.
 
 
O Rótulo


Vinho: Barton & Guestier Gold Label
Castas: Grenache (50%) , Syrah (30%) e Carignan (20%)
Safra: 2009
País: França
Região: Côtes du Rhône
Produtor: Barton & Guestier
Graduação: 13,5%
Onde Comprar: RM Express
Preço Médio: R$ 40,00 (pode chegar a R$ 85,00)
Temperatura de Serviço: 16 graus

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Masson Dubois Cotes du Rhône 2010

Esse foi o segundo rótulo degustado na noite de quarta passada na casa do confrade Eli, uma noite que pode ficar conhecida por: Rali do Peixe, visto que, em mais uma mirabolante história do Eli, compactuado com o seu amigo Ernesto Sabóia, nos contou uma história ou seria estória sobre uma trilha realizada entre Fortaleza e Camocin (se não me falhe a memória), sendo a distância entre elas de cerca de 380Km...

Em concomitância com o início da trilha vem uma chuva torrencial, a qual fez transbordar uma barragem, levando a cheia de dois rios deixando-os encurralados. Reza a lenda que a chuva os fez percorrer os primeiros 80Km em 5 horas. Depois de muita confusão o grupo dividiu-se, uns tentaram a travessia épica de um rio com a água chegando a altura mediana do vidro (pick-up ou seria submarino) e outro, com Eli, Ernesto Sabóia e um outro amigo seguiram por caminhos mais tradicionais/seguros, mas não livraram-se de travessias, pois ao chegarem em determinado ponto tiveram que realizar a travessia de um rio... ao findar a travessia estava alí a frente, logo no capô do carro um peixe saltitante, não se sabe é se irritado pelo incômodo lhe causado ou se alegre pois não precisaria mais nadar para chegar a Camocin, pois iria de carona e com direito a piloto e navegador... risos. Uns fazem peixa na teilha e outros no capô... Risos. Eles findam a história: pena que não tem foto... risos.

É na casa de Eli?! Então tem que ter uma história... Seria ele o autor do filme Forrest Gump: o contador de história? Risos. Run Eli, run, just run!

Bom, a história está boa, mas vamos ao vinho... Depois do Pata Negra passamos ao Masson Dubois Cotes du Rhône 2010, que é, juntamente com as histórias, outra marca da casa do Eli.

O Masson Dubois Cotes du Rhône é um assemblage das variedades Grenache, Syrah, Cinsault e Mouvedre. Visulamente mostrou cor rubi intensa, com lágrimas finas e abundantes, com aromas de frutas vermelhas e um pouco de ácool incomodando. Em boca repetiu a fruta, mostrou taninos suaves e muita acidez e álcool esquentando a boca. O álcool e a acidez incomodaram um pouco neste vinho ainda mais por tratar-se de um vinho que comumente é mais suave e fácil de beber.


O Rótulo
Vinho: Masson Dubois Cotes du Rhône
Tipo: Tinto
Castas: Grenache, Syrah, Cinsault, Mouvedre
Safra: 2010
País: França
Região: Cotes du Rhône
Produtor: Masson Dubois
Graduação: 14%
Onde comprar: Internet, Pescadeiro
Preço médio: R$ 25,00 (Internet) - R$ 50,00 (Pescadeiro)
Temperatura de serviço: 16º

sábado, 31 de dezembro de 2011

Mais que uma última edição de 2011

Do novo ao velho e ao novo velho e ao novo e ao velho e ao novo novamente. Não é rima, nem poema, nem um jogo de palavras e muito menos um erro de ortografia, trata-se de uma viagem pelo mundo do vinho. Assim foi a última edição do Jantar de Harmonização de 2011 (a nossa quarta edição) e tudo não poderia ter acontecido em lugar diferente: a casa dos Confrades Juberlan e Rejane - onde tudo começou como uma brincadeira descompromissada - há quase quatro meses atrás, na Primeira Edição do Jantar de Harmonização.


Essa imagem acima mostra o passeio que fizemos durante a agradável noite de 28.12.2011. Iniciamos na Argentina, viajamos a Cotes du Rhône - França, nos dividimos na ponte aérea: uns foram ao Chile e outros a Portugal, depois nos encontramos no Vale do São Francisco - Brasil e daqui para Itália e de lá voltamos ao Chile, findando nossa viagem pelo mundo do vinho.

Primeiro porto: Mendoza - Argentina, é de lá que vem o primeiro rótulo da noite - o Latitute 33º Malbec, quando ainda preparávamos os pratos e acompanhamentos da noite. Um vinho da Bodega Chandon, fundada em 1959 em Mendoza, sendo a primeira filial da Moëte & Chandon  fora da França. O vinho leva o nome por situar-se exatamente na Latitute 33º, a qual une solo, clima e a água mais pura proveniente da Cordilheira dos Andes.

O Latitute 33º Malbec mostrou cor rubi com toques violácios, lágrimas finas, abundantes e lentas. Seu bouquet mostrou frutas vermelhas - morango e cereja - com um pouco de madeira. Em boca manteve o frutado do aroma, com taninos levemente adocicados, de pouco adistrigência, porém bem integrado a acidez e ao álcool, que em momento algum sobresaiu. Pela sua suavidade pode ser tranquilamente degustado sem acompanhamento, mas cairia bem com queijos duros e uma carne vermelha sem molho.

O Rótulo

Vinho: Latitude 33º
Tipo: Tinto
Castas: Malbec
Safra: 2010
País: Argentina
Região: Mendoza
Produtor: Bodega Chandon
Graduação: 14,0%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16º

Atenção passageiros, desembarcaremos na Região de Cotes du Rhône em alguns minutos. Passamos ao segundo rótulo, um velho conhecido do blog e de safra já comentada aqui, o: Cotes du Rhône Abel Pinchard - Loron et Fill's (Beaujolais) 2010, um vinho sem grande complexidade, mas muito agradável e ótimo para ocasiões descontraídas e para o dia a dia. Harmonizamos com bruschettas de tomate.


Chegamos aos pratos principais da noite e dos vinhos para harmonização com cada um deles. Primeiro falemos do grupo que seguiu para o Chile e degustou o ícone da noite: o Assemblage Casillero del Diablo Reserva Privada Cabernet Sauvignon - Syrah 2008.

Escolhemos o pernil de cordeiro dessossado temperado com vinho, alecrim e ervas finas desidratadas para harmonizar com esse rótulo da Concha y Toro, a primeira garrafa a ser degustada dentre as quatro adquiras em Montivideo em Março de 2011.

A linha Casillero del Diablo é a mais conhecida da vinícola Concha y Toro e se tornou uma espécie de ícone de vinhos chilenos no mercado global, vendido em mais de 120 países. É também o vinho do Chile mais consumido no Brasil. A linha Reserva Privada é elaborada em anos que as safras são especias e a de 2005, por exemplo, teve estimativa de guarda de 10 anos.

O Casillero del Diablo Reserva Privada é um assemblage elaborado a partir de uvas selecionadas de vinhedos situados nas zonas de Pirque e Peumo.

A Mescla é composta principalmente pelo Cabernet Sauvignon proveniente de Pirque, lugar de origem do Casillero del Diablo, no Vale do Maipo e pelo Syrah que provém dos cerros de Peumo no Vale de Rapel.



Cada garrafa do Casillero del Diablo Reserva Privada permanece em barricas de carvalho francês durante 14 meses alcançando assim uma maior complexidade no vinho.

O vinho mostrou cor vermelho rubi profunda, intensa e brilhante, com uma maravilhosa chuva de lágrimas, finas, simétricas e rápidas. Aromas de frutas escuras como a framboesa e a ameixa e ainda de tostado e baunilha, provenientes dos meses de guarda em barricas. Em boca mostrou-se firme e bem estruturado, com taninos redondos, suaves e elegantes, e um bom equilíbrio entre a fruta, a madeira, a acidez e o álcool. Um vinho com mais uns anos de guarda... Ainda tenho três garrafas, só não sei se aguento esperar mais dois ou três anos para degustalas.

Ponto baixo do vinho: a rolha partiu-se em duas. Apesar de ser uma rolha diferenciada e padronizada a rolha mostrou-se pouco consistente e "fofa", algo que tenho percebido nos vinhos da Concha y Toro.

O Rótulo

Vinho: Casillero del Diablo Reserva Privada
Tipo: Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon 65% e Syrah 35%
Safra: 2008
País: Chile
Região: Valle del Maipo
Produtor: Concha y Toro
Enólogo: Marcelo Papa
Graduação: 14,5%
Onde comprar: RM Express, Pescadeiro
Preço médio: R$ 80,00 (essa foi $ 18,5 em Montivideo)
Temperatura de serviço: 16º

Fernanda e Rejane, foram a Portugal. Elas degustaram o Vinho Verde D.O.C. Pingo Doce 2006, um rótulo presenteado ao Confrade Juberlan por uma amiga. Parte da garrafa pode ser vista na quarta imagem: de cima para baixo. Pesquisei bastante, mas não encontrei nada sobre o vinho.

Os rótulos não fornecem muitas informações, usual nos vinhos do velho mundo, que em sua maioria, pelo menos os degustados por mim, não mostram sequer as castas utilizadas.
O vinho é de uma safra relativamente antiga (2006) e possivelmente não mostrou as características que ele apresentaria se fosse degustado ainda jovem.

O Vinho Verde é único no mundo. Um vinho naturalmente leve e fresco, produzido na Região Demarcada dos Vinhos Verdes, no noroeste de Portugal, uma região costeira geograficamente bem localizada para a produção de excelentes vinhos brancos. Berço da carismática casta Alvarinho e produtora de vinhos de lote únicos, a Região dos Vinhos Verdes festejou em 2008 o centenário da sua demarcação.

Com baixo teor alcoólico, e portanto menos calórico (as mulheres adoram... risos), o Vinho Verde é um vinho frutado, fácil de beber, ótimo como aperitivo ou em harmonização com refeições leves e equilibradas: saladas, peixes, mariscos, carnes brancas, tapas, sushi, sashimi e outros pratos internacionais.

O Vinho Verde D.O.C. Pingo Doce 2006 mostrou cor amarelo ouro, com tons queimados. De aroma adocicado e de damasco em conserva. Em boca mostrou-se doce, com sabor de damasco repetindo-se e média intensidade com leve acidez. Certamente não mostrou o que os vinhos verdes mostram muito claramente: o frescor. Foi harmonizado com Salmão temperado com azeite, alecrim e sal, acompanhado de berinjela.

O Rótulo

Vinho: Vinho Verde D.O.C. Pingo Doce
Tipo: Branco
Castas: Não informado no rótulo
Safra: 2006
País: Portugal
Região: Demarcada de Vinhos Verdes
Produtor: Não informado no Rótulo
Graduação: 10,5%
Onde comprar: ?
Preço médio: ?
Temperatura de serviço: 12º

Findos os rótulos das harmonizações: Casillero e Vinho Verde, embarcamos com destino ao Vale do São Francisco, Brasil e passamos a outro rótulo também já conhecido e comentado no Blog: o Paralelo 8. E por tratar-se também da mesma safra não voltarei a tecer comentários e notas sobre a degustação, quem quiser relembrar basta clicar no link com o nome do vinho.

Chegou a hora de voltar ao velho mundo, mas perdoem-me a franqueza e sinceridade, melhor teria se não tivéssemos ido. Degustamos o 6 rótulo da noite, o Italiano: Collezione Danti Primitivo Salento 2008, que curiosamente é de uma uva que há tempos venho querendo degustar: a Zinfandel.

Um vinho de cor rubi escura, quase negra, sem vivacidade e sem brilho, com lágrimas raras e lentas. No nariz apesar da fruta estar presente o que marcou foi o doce, talvez o côco e que não mudou muito com a evolução, o doce parece até ter ficado ainda mais intenso. Em boca os aromas adocicados foram tão acentuados que tornou a primeira impressão algo um tanto quanto desagradável e o que poderia amenizar parece não ter aparecido: o álcool.

O Rótulo
Vinho: Collezione Danti Primitivo Salento
Tipo: Tinto
Castas: Primitivo (Conhecida nos Estados Unidos como Zinfandel)
Safra: 2008
País: Itália
Região: ?
Produtor: Angelo Rocca & Figli SnC
Graduação: 13%
Onde comprar: ?
Preço médio: R$ 30,00
Temperatura de serviço: 17º

Hora de arrumar as malas, lavar as taças e voltar ao novo mundo para degustar o último rótulo da noite: o chileno Luis Felipe Edwards 2010.

O vinho mostrou cor rubi brilhante com tons violáceos, lágrimas finas e lentas. Seus aromas mostra um pouco de fruta, um monte de pimentão verde e leve toque de madeira. Em boca taninos rendondos e bem integrados a acidez e ao álcool, sem falar que o pimentão voltou e mostrou-se bem evidente. Quando comparado a outros Carmeneres achei que este apresentou muito o legume deixando seu sabor levemente desagradável. 

O Rótulo
Vinho: Luis Felipe Edwards
Tipo: Tinto
Castas: Carménère
Safra: 2010
País: Chile
Região: Valle Central
Produtor: Luis Felipe Edwards
Graduação: 13%
Onde comprar: RM Express
Preço médio: R$ 20,00
Temperatura de serviço: 17º

O ano finda, agradeço as novas amizades e aos agradáveis encontros para degustar vinhos e conversar. Momentos que tenho certeza que se repetirão. Obrigado aos anfitriões pela acolhida e pela amizade e aos demais pela companhia. Um ótimo 2012 para todos.


Tim Tim!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Cotes du Rhône Tinto Abel Pinchard - Loron et Fil's (Beaujolais) 2010

Em meio aos afazeres do último sábado eu e Juberlan fomos conhecer a Ingá Vinhos no bairro de Casa Forte. Entre os vislumbres de grandes rótulos do velho e do novo mundo, Juberlan comprou uma "tábua" de frios para presentear o amigo Eli.

Em meio a degustação do Santa Carolina Reserva Sauvignon Blanc 2009 recebemos uma ligação do Eli nos convidando a dar uma passada em sua casa para um cálice de vinho do Porto.
Então, já à noite, fomos eu, Fernanda e Juberlan fazer o que era para ser uma visita rápida aos amigos Eli e Simone, mas que tornou-se uma noite uma noite memorável.

Estávamos ali sentados à sala quando o Eli apareceu com uma garrafa de um Cotes du Rhône, mas esta nem de longe seria a principal personagem da noite, pois logo em seguida ele surgiu com um conjunto de taças de cristal devidamente acompanhadas de um belo decanter, foi então que deu-se início ao ápice da noite: Maria Júlia (6 anos), filha dos anfitriões logo nos argüiu, vocês gostam de histórias de amor? Querem que eu conte a história de amor destas taças? Quem não atenderia ao doce e ingênuo pedido de uma criança.

Maria Júlia inicia então a narrativa de uma bela história que iniciou-se no fim da década de 40 do século passado, a qual descreverei a seguir, perdoem-me apenas pela não reprodução fiel a da Júlia.

Um distinto jovem de nome Claucínio Farias (pai de Eli) enamorou-se de uma jovem, cuja graça é Dulce. Claucínio foi então cortejar Dulce, mas não antes sem pedir autorização a quem viria a tornar-se seu futuro sogro e ele, com o rigor que na época existia e que hoje nem de longe mais se fala, disse: ela só poderá namorar quando estiver com 16 anos.

O seu Claucínio pacientemente, mas não sem ansiedade aguardou o tempo necessário. Um certo dia, já no primeiro ano da década de 50 o seu Claucínio pede a mão da jovem Dulce em casamento e como presente de noivado ele lhe entrega um belo jogo de taças e decanter.

Estamos em 2011 e as taças e decanter que estavam a nossa frente no dia 6 de agosto deste mesmo ano, fazem parte de uma longa e sólida história de amor entre Sr. Claucínio Farias e Sra. Dulce Farias e foi com estas taças, que hoje pertencem ao Eli, as quais já estão na família a 61 anos, que pudemos apreciar o Cotes du Rhône, que nesta noite foi apenas o coadjuvante na história.



Falando um pouco sobre o vinho degustado, o Cotes du Rhône Tinto Abel Pinchard - Loron et Fil's (Beaujolais) 2010 é um vinho de cor vermelho rubí brilhante, com aromas suaves de temperos florais e frutas vermelhas. Lágrimas abundantes e rápidas. Em boca mostrou acidez equilibrada, com sabor suave de frutas vermelhas com final equilibrado e de corpo médio.

O vinho foi simples e incrivelmente harmonizado com queijo gruyère, geléia de framboeza e pão francês.

É um vinho jovem e de excelente custo benefício, bom para o dia a dia.

O Rótulo

Vinho: Côtes du Rhône
Tipo: Tinto Assemblage
Castas:  Grenache, Syrah, Mourvedre e Cinsault
Safra: 2010
País: França
Região: Cotes du Rhone Villages
Produtor: Loron et Fil's S.A.
Graduação: 13,5%
Onde comprar: Wine Store
Preço médio: R$ 25,00
Temperatura de serviço: 16 graus


Post Scriptum

Cerca de oitenta e cinco por cento dos vinhedos da Cotes-du-Rhône, estão divididas entre 12 principais AOCs mais as denominaçãoes Cotes-du-Rhône e Cotes-du-Rhône Village. Ao Norte as principais são Cote-Rotie, Hermitage, Cornas, St. Joseph, Crozes-Hermitage e Condrieu. Já ao Sul, encontramos Chateauneuf-du-Pape, Gigondas, Vaqueyras, Tavel, Lirac e Cotes do Ventoux. Vejamos um pouco melhor estas denominações.

Cotes-du-Rhône é uma denominação genérica representando praticamente 53% da produção total. Pode ser produzido em qualquer parte da região desde que sejam cumpridas as especificações da AOC que, neste caso, determinam que nos tintos seja usado um mínimo de 40% da cepa Grenache. São cerca de 171 comunas com 40.000 hectares de vinhedos gerando vinhos muito interessantes, que devem ser tomados jovens, entre três a quatro anos de vida.