sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um brinde ao rendimento

Um estudo secular provou, que investir em garrafas de vinho pode ser um ótimo negócio. Levantamento da American Association of Wine Economists (AAWE), o aporte de recursos na bebida rendeu mais do que obras de arte ou títulos do governo durante os últimos 100 anos. Entre 1900 e 2012, os vinhos Premier Cru de Bordeaux conseguiram uma rentabilidade anual de 5,3%. O retorno caí para 4,1% ao retirar custos de estocagem e seguro. Mesmo assim é um bom investimento. No mesmo estudo, o vinho apenas perdeu para o mercado de ações cuja margem foi de 5,2%. O relatório alerta, no entanto, que a baixa rentabilidade na bolsa e os altos preços dos vinhos nos últimos anos serviram para diminuir a diferença entre esses dois investimentos. Outra revelação do relatório, que foi conduzido por pesquisadores da London Business School, é que as melhores safras encareciam fortemente durante poucas décadas, mas os preços se estabilizavam até que os vinhos se tornassem antiguidades e voltassem a subir.
 
Hoje existem até mesmo fundos de investimento criados especificamente para investir em vinhos refinados – não para beber, mas tendo como objetivo o lucro. Exemplo disso é o Bottled Asset Fund que faz parte de uma nova geração de veículos de investimento alternativo. Mas nada melhor do que exemplos mais próximos da economia da região sul para mostrar a oportunidade desse investimento. O Miolo Sesmarias 2008, que foi vendido em 2010 ao preço de R$ 180 a garrafa, hoje custa entre R$ 270 e R$ 320 – ganho de aproximadamente 80% em quatro anos. Já o Almaviva EPU safras 2010 e 2011 foi comercializado por R$ 190 o rótulo e, um ano depois, lojas já vendiam por R$ 290. Ou seja, esse excelente vinho chileno revelou um retorno de 52% em apenas um ano. Hoje, naturalmente, deve estar valendo muito mais. Eu mesmo não encontrei um valor estimado para o rótulo em pesquisa que fiz em sites especializados.

Além da possibilidade de bom retorno financeiro, se deliciar com a bebida de Baco pode fazer com que negócios não se percam. Pelo menos é isso que comprova o jornal New York Times. A respeitada publicação norte-americana afirma que se abster de álcool pode atrapalhar negociações – especialmente de executivos de vendas que se reúnem frequentemente com clientes. A afirmação foi baseada em depoimentos de profissionais que, ao deixarem de beber, diminuíram suas venda e clientes. De acordo com o NYT, isso acontece, pois reuniões de negócios acontecem, na maioria dos casos, em bares ou restaurantes e são acompanhadas de bons drinques. E dizer que não bebe ao cliente pode fazer com que ele suspeite que o vendedor não é capaz de "jogar o jogo". Mesmo assim, o New York Times cita exceções de abstêmios que fazem sucesso como Warren Buffet e Donald Trump. Eles não sabem o que estão perdendo – tanto para o bolso como para o paladar.

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