sábado, 5 de janeiro de 2013

O berço dos vinhos tropicais

Por Andréia Debom
Fotos Fabiana Lavoratti

Que imagem você tem do sertão do nordeste brasileiro? Solo árido, sol, caatinga, jegues? Agora, olhe para a foto ao lado. A imensidão de terras, antes pincelada de cinza, agora tem o verde das plantações como cor predominante. É o Vale do São Francisco, uma área de terras banhada pelo grandioso Rio São Francisco e situada entre os Estados da Bahia e Pernambuco. Milagre? Não. É a tecnologia da agricultura irrigada. Nessas terras férteis as frutas são destaque. Há uma mistura de cores, aromas e sabores. Acerola, caju, manga, melancia e uva. Sim, a videira, planta que reina absoluta na Serra Gaúcha e que é a base para o sustento de muitas famílias também frutifica neste oásis nordestino. Nessas terras são plantadas variedades para consumo in natura e também para elaboração de vinhos finos, que inclusive têm recebido prêmios nacionais e internacionais nos últimos anos. O último deles foi para um tinto da variedade Syrah elaborado pela Vinícola Ouro Verde, empresa do grupo Miolo. O Testardi conquistou o primeiro lugar na categoria Tinto Nacional na degustação Top Ten promovida durante o Expovinis 2012, maior salão do vinho realizado na América Latina.
 
 
Terroir diferenciado

Cada garrafa de vinho traz uma história, e nenhuma é igual a outra. O Brasil possui nove regiões vitícolas. Cada uma delas elabora produtos com tipicidades distintas, já que os fatores naturais e humanos se diferem. É o chamado terroir. O Vale do São Francisco se caracteriza por apresentar vinhos tropicais, produtos leves, sem pretensões de guarda, fáceis de beber e com boa relação qualidade/preço. Esta região está integrada pelos municípios de Casa Nova, na Bahia; e Petrolina, Lagoa Grande e Santa Maria da Boa Vista, em Pernambuco. Por lá, a produção de vinhos iniciou por volta dos anos de 1980, por meio da vinícola Botticelli, e foi reforçada no início dos anos 2000 com a chegada de grandes investidores, entre eles os grupos Miolo, da Serra Gaúcha, e Dão Sul, de Portugal.

Atualmente, existem seis vinícolas, uma na Bahia e cinco em Pernambuco, que produzem cerca de sete milhões de litros de vinhos finos por ano, em 700 hectares de vinhedos. A atividade emprega cerca de 6 mil pessoas, direta e indiretamente, chegando a 30 mil se for incluída a produção de uvas de mesa. A região está situada entre os paralelos 8 e 9 do Hemisfério Sul, em clima tropical semiárido. Está a 350m de altitude, com média anual de temperatura de 26ºC, índice de pluviosidade de aproximadamente 550 mm, concentrada entre os meses de janeiro a abril.

Um dos fatores que mais chama a atenção no Vale do São Francisco é a capacidade de a colheita acontecer durante o ano todo, caso único no mundo. Numa mesma vinícola é possível observar todos os ciclos do vinhedo, desde o plantio até o momento em que as uvas são colhidas. “Por se tratar de uma região de clima quente, com alta luminosidade e água em abundância para a irrigação, as empresas vinícolas fazem um planejamento da época em que pretendem colher. Depois, realizam a poda de produção das videiras em diferentes períodos, adotando, com isso, o sistema de escalonamento para a poda dos lotes, o que proporciona períodos diferentes de colheita. Entre uma safra e outra, reduzem a irrigação para 15% a 20%, nos períodos secos, por cerca de 20 a 30 dias (este corresponde ao período de inverno em regiões temperadas). Em seguida, podam, aplicam cianamida hidrogenada para homogeneizar a brotação, aumentam a irrigação para 100% do coeficiente de cultura e um novo ciclo é iniciado”, explica o pesquisador das áreas de viticultura e enologia da Embrapa Semi-Árido, Giuliano Elias Pereira. O pesquisador também destaca outra característica importante das empresas: a possibilidade de escalonamento da produção. Com isso, não são necessárias grandes estruturas para vinificação em função da não concentração da produção em um período curto.

As variedades mais utilizadas para a elaboração de vinhos tintos finos são Syrah, Tempranillo e Cabernet Sauvignon. A estas cepas se soma as variedades Alicante, Aragonês, Tannat e Rubi Cabernet. Mas há outra que tem se destacado nas pesquisas da Embrapa Semi-árido: é a Petit Verdot. “Acredito no potencial desta uva. Ela pode ser a uva emblemática desta região, já que Syrah podemos encontrar em várias partes do mundo”, diz o pesquisador. Para vinhos brancos, Chenin Blanc e Moscato Cannelli se destacam, além da Sauvignon Blanc, Verdejo e Viognier. Para os espumantes, ganham espaço as variedades Itália, Chenin Blanc e Syrah. “Os vinhos apresentam características interessantes. Os brancos são leves, com aromas florais, fáceis de serem consumidos. Os tintos são variados, desde vinhos leves, jovens, até vinhos mais encorpados, que passam por algum período em barricas”, pontua Pereira. Os espumantes naturais são, na maioria, secos ou demi-sec, além do moscatel.

O sistema de condução mais utilizado é a latada, seguido pelo espaldeira. No entanto, outras formas estão sendo testadas pela Embrapa Semi-Árido. Uma deles é o lira modulável, um sistema de condução usado com sucesso em diversos países, cujos trabalhos realizados são obrigatoriamente manuais. A lira modulável, que pode ser mobilizada em determinados períodos do ciclo vegetativo da videira, pode ser um alternativa para a região, pelo fato de permitir a mecanização dos tratos culturais nos vinhedos. O estudo está sendo feito em parceria com o INRA Supagro de Montpellier, da França, e conta com a participação do especialista Alain Carbonneau, que está realizando estudos comparativos entre o uso da espaldeira e da lira modulável em uvas brancas e tintas, com diferentes porta-enxertos, no intuito de avaliar a melhor combinação que permitirá melhorar a tipicidade dos vinhos e reduzir os custos de produção.
 
Poda das Videiras
No vale é possível encontrar, na mesma época, vinhedos em floração...
... em fase de amadurecimento da fruta...
... e com as uvas maduras.
Após a colheita acontece a retirada das folhas e posteriormente a irrigação.
Vinícola Ouro Verde

De um lado da estrada, terra árida, jegues e bodes andando tranquilamente. De outro, vinhedos imensos, repletos de frutos. Na companhia dessas vinhas, mandacarus e cactos. O Vale do São Francisco é mesmo surpreendente. Na terra onde tudo frutifica, percebe-se que muitas pessoas depositam suas expectativas. Alguns desses personagens são peças chave para a construção desse sucesso. Pessoas como o empresário gaúcho Eurico Benedetti. Há mais de 10 anos ele está à frente da Vinícola Ouro Verde, localizada no município de Casa Nova, na Bahia. Entusiasta do potencial da região para vinhos tropicais, Benedetti também incentiva o enoturismo. Tanto é que no ano passado, em parceria com o empresário Luiz Rogério Rocha Pereira, apostou num passeio turístico denominado Vapor do Vinho, por meio do qual os turistas passeiam pelo Rio São Francisco e Barragem do Sobradinho em uma embarcação que serve vinhos e espumantes e ao final param na Vinícola Ouro Verde para conhecer a empresa e participar de um curso de degustação de vinhos. A vinícola, inaugurada em 2008, ainda não possui um restaurante para os turistas, mas a construção de um está nos planos do empresário. Somente em 2011 a empresa recebeu 16,3 mil visitantes.
 
Instalações da Vinícola Ouro Verde, onde são elaborados os produtos da marca Terranova.
A história da Vinícola Ouro Verde iniciou em 2002, quando Benedetti, que no Rio Grande do Sul é empresário do setor moveleiro, decidiu adquirir a Fazenda Ouro Verde. Na época, a propriedade produzia uvas de mesa para consumo in natura. Ir para o nordeste seria uma forma de ampliar os negócios da família no setor vitivinícola, já que no Rio Grande do Sul a família sempre teve ligação com o vinho. Logo depois da compra da área, iniciaram os testes para verificar o potencial das uvas e posterior elaboração de vinhos. Os resultados obtidos mostraram que com as uvas moscatéis se poderia elaborar vinhos espumantes frescos, mas seria necessária alta tecnologia para vinificação, já que a região é muito quente, o que acaba sendo um problema para o vinho. Feitos os investimentos, hoje o espumante, especialmente o moscatel, caiu no gosto dos consumidores, sendo o carro-chefe das vendas da empresa.

E se os espumantes têm apresentado resultados positivos, os tintos também. Prova disso é que o vinho Testardi Syrah 2010 foi destaque neste ano na degustação Top Ten que acontece durante a Expovinis. O vinho foi elaborado por meio de fermentação integral dentro de barricas novas de carvalho e envelheceu em barricas de carvalho por 12 meses. Nas brancas, a Chenin Blanc tem respondido positivamente, entre outras. Outras cepas vitiviníferas estão em testes. “Esta região tem muito potencial. Aqui não se desenvolvem fungos, praticamente não tem umidade. E isso representa muito para o vinho. Os vinhos finos daqui carregam características dessa região e podem ser trabalhados sem problemas. Na Serra Gaúcha temos 120 anos de cultura; aqui, estamos aprendendo a trabalhar”, destaca Benedetti, que salienta também a qualidade do suco que pode ser feito com uvas do Vale.

A Vinícola Outro Verde produz anualmente dois milhões de litros entre vinhos e espumantes, em 200 hectares próprios, e mais 520 mil litros de vinho para brandy. Até 2018, a empresa do grupo Miolo, que produz a linha Terranova, tem estimativa de produzir cinco milhões de litros de vinhos e 4,8 milhões de litros de vinhos para brandies, ampliando os vinhedos para 400 hectares.
 
Vinícola Vinibrasil

Produzir uvas no calor dos trópicos brasileiros. A ideia poderia ser vista como um tanto estranha. Não para um grupo português, que viu nas terras banhadas pelo Velho Chico uma oportunidade de ampliar seus negócios e se internacionalizar. Em 2002, o Grupo Dão Sul, um dos maiores de Portugal, depois de fazer várias pesquisas, inclusive no Rio Grande do Sul, decidiu investir em vinhedos no Vale do São Francisco, especificamente no município de lagoa Grande, em Pernambuco.

“Quando chegamos nesta região já havia alguns estudos que afirmavam que aqui poderíamos cultivar uvas finas, mas não havia nada que nos indicasse a variedade da uva, o que tipo de porta-enxerto. Por isso, o primeiro projeto que fizemos foi um campo experimental. Pegamos algumas variedades que tinham potencial para a região, e eram comercialmente viáveis para nós, e plantamos”, conta o enólogo da Vinibrasil, Ricardo Henriques. Hoje esta área para experimentos, de quase 6 hectares, tem 25 variedades, além de um banco genético com mais 50. As 15 cepas que mais se adaptaram estão implantadas em 200 hectares, entre elas Cabernet Sauvignon, Syrah, Aragonês, Touriga Nacional, Alicante Bouschet e Moscato Canelli.

A tecnologia empregada para a irrigação das vinhas e elaboração do vinho rendeu à empresa, em 2006, o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica. Além da distinção na área técnica, os vinhos da empresa receberam alguns destaques importantes, entre eles o de ser o melhor tinto brasileiro no Concurso Internacional de Vinho do Brasil, em 2003; o primeiro vinho brasileiro a receber 83 pontos pela revista Wine Spectator, uma das mais importantes do setor mundialmente, em 2004; e o melhor tinto brasileiro na degustação Top Ten, na Expovinis 2006.

A capacidade da vinícola é de 1,8 milhão de litros por ano. Desse total, mais da metade do que é produzido é de vinhos brancos, tintos e rosés. A outra parte, 40%, é espumante. “Mas nosso objetivo, já neste ano, é aumentar a quantidade de espumantes, já que o mercado, especialmente o brasileiro, tem respondido bem a este produto”, conta o enólogo.
 
Ricardo Henriques, enólogo da Vinibrasil.
Vinho na Chapada Diamantina baiana
 
Além do Vale do São Francisco, a Bahia investe em pesquisas para ampliar a área da vitivinicultura no Estado. Um bom exemplo é a cidade de Morro do Chapéu, distante pouco mais de 400 quilômetros de Casa Nova. Os vinhedos experimentais, localizados a 1.200 metros de altitude – no Vale do São Francisco a altitude é de 350 metros – foram implantados em fevereiro de 2011, uma parceria entre a Secretaria Estadual da Agricultura, Embrapa, Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola, Associação de Produtores do município e prefeitura. “Em Morro do Chapéu a altitude compensa a latitude, fazendo com que as videiras respondam diferentemente. As avaliações estão sendo feitas em diversas variedades implantadas, onde serão determinadas aquelas que serão divulgadas aos produtores, como aptas a serem utilizadas comercialmente”, explica o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Giuliano Elias Pereira. Outro fator positivo é que nesta região a temperatura pode chegar aos 12ºC. Mesmo assim, é necessária a irrigação, já que o verão é quente. O vinhedo experimental, pouco mais de um hectare, possui 10 variedades plantadas. Entre os destaques está a Sauvignon Blanc e a Malbec. A previsão é de uma colheita por ano.

As primeiras uvas do Morro do Chapéu nem foram colhidas, mas a possibilidade de ter o vinho como um produto local anima os moradores. Tanto é que diversas pessoas estão envolvidas no projeto, seja na organização e acompanhamento ou na torcida para que ele dê certo. Uma delas é Odilésio Gomes. Empresário do setor hoteleiro e presidente da associação de produtores, ele vê na vitivinicultura uma chance de desenvolver a agricultura familiar no município que já é produtor de outras frutas. “Temos que adequar a vocação desta terra para a cultura certa. A viticultura irá dar esse aproveitamento”, diz Gomes.

A ideia de plantar vinhas em Morro do Chapéu surgiu em 2010, logo após a visita do francês Cristian Jojô (presidente da Associação de Produtores de Vinhos e Champanhes da França). A convite do Superintendente da Política do Agronegócio, Jairo Vaz, ele fez uma análise prévia de solo e clima e destacou o potencial para a cultura. Depois disso, iniciaram as tratativas entre governo, Embrapa e associação de produtores para de iniciar o projeto de plantio do vinhedo experimental. “Depois de avaliar o potencial enológico das uvas e dos vinhos esta região poderá ser uma referência em termos de vinhos finos de altitude”, afirma o pesquisador da Embrapa, Giuliano Pereira.

Além de Morro do Chapéu, outra cidade na Chapada Diamantina, Mucugê, possui um vinhedo experimental. Por lá, as uvas serão colhidas em 2013.
 
Diversas variedades estão em testes.
Pesquisas em busca de uma identidade regional

O desenvolvimento da vitivinicultura no Vale do São Francisco, entre outros municípios da região, como Morro do Chapéu, por exemplo, tem apoio fundamental da Embrapa Uva e Vinho – Semi-Árido, localizada em Petrolina. Sob a coordenação do pesquisador Giuliano Elias Pereira, são desenvolvidas pesquisas que permitam estudar os fatores envolvidos na enologia tropical, determinar a composição físico-química e metabólica de uvas e vinhos, além de desenvolver técnicas e processos tecnológicos de vinificação que permitam a obtenção de vinhos com qualidade e tipicidade.
 
Pesquisador Giuliano em degustação de vinhos experimentais.
Na Bahia, políticas de incentivo ao setor
 
A agricultura irrigada trouxe desenvolvimento para o Vale do São Francisco. Novos empregos foram criados e a população tem melhores condições de vida. Nesse contexto, a produção de uvas e vinhos também tem papel importante, já que muitas famílias tiram do trabalho suado nos vinhedos seu sustento. Na Bahia, por exemplo, a Vinícola Ouro Verde emprega 155 pessoas. Mas a expectativa da Secretaria Estadual da Agricultura é aumentar esses números e levar para o Estado novos empreendimentos. Para isso, as empresas que quiserem elaborar vinhos ou sucos de uvas na Bahia podem ter descontos de ICMS de até 81%, inclusive a isenção do pagamento de ICMS para a aquisição de máquinas e equipamentos. “Além desses incentivos fiscais, temos outras vantagens, como a facilidade na logística, já que o porto de Salvador está próximo e possibilita também a exportação, e o clima. Aqui não falta água e não há risco de granizo”, destaca o secretário da Agricultura, Eduardo Salles. Ele e o superintendente da Política do Agronegócio, Jairo Vaz, trabalham para buscar no Rio Grande do Sul empresários interessados em comprar terras e construir duas vinícolas. “O Sul é exemplo de trabalho. Os gaúchos conhecem a tecnologia para produção de vinhos, por isso, queremos que venham para a Bahia. Outro atrativo é o preço das terras. Enquanto que no Vale dos Vinhedos um hectare pode chegar a R$ 500 mil, na Bahia o valor médio é de R$ 3 mil ao hectare. “Aqui os valores são muito atraentes. Com a tecnologia da irrigação colhe-se o ano inteiro. Se no Rio Grande do Sul se produz uma garrafa de vinho a cada real investido, aqui são 10 garrafas a cada real investido”, enfatiza o superintendente. Na Bahia, além do grupo Miolo, outras vinícolas gaúchas, como a Vinícola Valduga, estão em tratativas para investimentos no Vale do São Francisco.

 
Fonte: A Vindima

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Redegustando: Casillero del Diablo Carménère 2010

Não é novidade que gosto dos vinhos da Concha y Toro, já degustei vários e alguns já passaram por aqui, incluindo o próprio Casillero del Diablo Carménère, só que da safra 2009; confira a lista de todos rótulos desta vinícola que já forma tema de post aqui.
 
 
Nem eu tinha ideia de que já havia comentado tantos por aqui, alguns já passaram mais de uma vez por aqui, tais como o Trio Reserva Cabernet Sauvignon 2008, que já passou duas vezes e o Casillero del Diablo Reserva Privada 2008, o qual foi comentado 3 vezes por aqui. Hoje entra nessa lista o Casillero del Diablo Carménère. Mesmo assim ainda precisam passar por aqui Malbec, Merlot e Pinot Noir (deste produtor).
 
A Carménère é uma varietal proveniente da França e considerada a uva ícone do Chile. Seus vinhos são mais suaves que os Cabernet Sauvignon e possui aroma e sabor herbáceo que pode ser mais ou menos pronunciado de acordo com o tempo de maturação na videira antes da colheita.

Essa garrafa foi degustada no dia 29 de dezembro na casa dos amigos Juberlan e Rejane, após termos ido conferir o presépio de bonecos gigantes montado em frente a Igreja do Carmo em Olinda -PE.

"Olinda tem essa tradição dos bonecos gigantes, mas também tem a de montar presépios, que infelizmente parece estar sendo esquecida pelas pessoas", contou Fernando. O artista explica que há dois anos o presépio foi montado na praça só com a sagrada família. "Agora tivemos a ideia e a inspiração no presépio franciscano, com todos os pastores, anjos e com a apoteose barroca", disse. As peças mais altas têm até sete metros, pesando entre 35 a 40 quilos. Quem é de da Região Metropolitana do Recife não pode deixar de conferir e quem não é daqui e estiver de passagem pela capital pernambucana deve passar pela praça e visitar as peças.
 
Visualmente mostrou uma cor rubi escura, com reflexos violeta e lágrimas abundantes, finas e lentas. No nariz muita fruta, toques de madeira e discreto de chocolate. A medida que o vinho foi se oxigenando o herbáceo apareceu, mas sem incomodar. Em boca mostrou boa potência, com taninos redondos; a fruta repetiu-se e mostrou-se bem integrada ao tostado proveniente da passagem por barricas de carvalho americano. Final de boca seco e de boa persistência, onde apareceram o frutado e o tostado no início e com a aeração o herbáceo (pimentão) e o tostado.
 
Particularmente a safra de 2009 me agradou mais, porém esse não deixou a desejar em nada; continua sendo uma boa pedida para o dia a dia para que não gosta de gastar muito com vinhos e também que prefere vinhos simples.

O Rótulo

Vinho: Casillero del Diablo
Tipo: Tinto
Castas: Carménère
Safra: 2010
País: Chile
Região: Valle  Central
Produtor: Concha y Toro
Graduação: 13,5%
Onde comprar: RM Express
Preço: R$ 36,00
Temperatura de Serviço: 16º

Indo pelo ralo...

Cerca de 700 litros de vinho foram destruídos num ato de vandalismo em Abraxas di Pantelleria, Itália. Esse já é o segundo de uma série de ataques que produtores da região estão sofrendo.
Parte da colheita Abraxas 2012, bem como 250 litros da colheita de 2010 do vinho passito foi destruída no ato de vandalismo.
No começo de dezembro, a polícia italiana prendeu um ex-empregado do produtor de vinhos de renome mundial de Brunello di Montalcino, Gianfranco Soldera, por ter derramado barris no valor de milhões de euros.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Rótulo inteligente: será que funciona?

As garrafas dos vinhos brancos e rosés da Casa Agrícola Alexandre Relvas (CAAR), em Portugal, vão passar a ter rótulos com uma tinta especial que permite identificar a temperatura ideal para serem bebidos.
 
Alexandre Relvas, proprietáruio da vinícola, explicou que este tipo de rótulos já é usado nas cervejas, mas é recente no setor dos vinhos português. "Além da CAAR, há mais um pequeno produtor que usa uma tecnologia muito parecida nos rótulos de um vinho seu, mas com outro tipo de tinta", revelou.
 
Para testar esta inovação, a casa agrícola começou aplicar os rótulos especiais nos melhores vinhos da empresa. "Tivemos resultados muito bons", conta ele. "Estes rótulos são iguais aos outros. A única coisa que os distingue é terem uma tinta que muda de cor quando o interior da garrafa está entre oito e 11 graus, que é a temperatura ideal que os nossos vinhos brancos e rosés devem ser consumidos", esclareceu Alexandre Relvas.
 
Fontes: Revista Adega e Google Imagens

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Trio Reserva Tinto Cabernet Sauvignon 2008 #CBE

Como já foi dito no meu post anterior o tema de dezembro da CBE é um tema duplo e  eles foram sugeridos pelo confrade Luiz Cola do blog Vinhos e Mais Vinhos.
 
Este post é destinado a comentar ao tema especial, que nos foi proposto assim: inspirado no "fim do mundo": escolha um grande vinho de sua adega (tinto, branco, espumante ou sobremesa) para celebrar o fim "deste" ano, mas não o "do mundo".
 
O rótulo que escolhi é um dos mais antigos que tinha na adega, dele comprei duas garrafas em meados de 2011, a primeira degustei poucos dias após a compra e a segunda guardei para ver se ela suportaria 5 anos de guarda como diz o "+" da pontuação atribuída por Robert Parker.
 
O Trio é produzido pela gigante chilena Concha y Toro e seus quatro vinhos são todos assemblajados com 3 diferentes varietais com a proposta e intuito de extrair de cada uma das castas o seu máximo, resultando em vinhos equilibrados e intensos.
 
Visualmente o vinho mostrou uma cor rubi intensa e brilhante e halo com coloração discretamente alaranjada, mostrando alguma evolução; lágrimas abundantes, finas e lentas. No nariz mostrou aromas exuberantes, mostrando que a syrah cumpriu seu papel; a fruta vermelha apareceu ainda em boa intensidade, mas já com toques de compota, notas de pimenta, café e tostado. Em boca apresentou taninos macios e acidez ainda em boa intensidade, tudo muito equilibrado com o álcool. Grande estrutura com boa persistência; a fruta em compota, o café e o tostado apareceram no retrogosto, deixando o vinho com um gostinho de quero mais.
 
O vinho está com quase 5 anos de vida, mas pelas características encontradas ainda daria mais uns 3 anos a ele, dando a ele um potencial de guarda de mais ou menos uns 8 anos, onde o vinho pode ser degustado e dele se extrair o máximo.
 
Na ocasião o vinho me custou R$ 36 e hoje é encontrado em média a R$ 50, mas ainda continua tendo um bom custo x benefício e também pode figurar tranquilamente em minha relação de Minha Compra Certa.

O Rótulo

Vinho: Trio Reserva
Tipo: Tinto Assemblage
Castas: 70% Cabernet Sauvignon, 15% Shiraz, 15% Cabernet Franc
Safra: 2008
País: Chile
Região: Valle del Maipo
Produtor: Concha y Toro
Enólogo: Ignacio Recabarren
Graduação: 14%
Onde comprar: Pão de Açúcar
Preço: R$ 36,00
Temperatura de Serviço: 15 graus
Pontuações: 90+ RP

O delicado e elegante Henri Bourgeois Muscadet le Grande Reserve Sur Lie 2010 #CBE

Todo dia primeiro do mês é dia de Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, criada em fevereiro de 2007, sendo a primeira confraria nesses moldes no Brasil e até onde sei ainda é a única. Há um ano os confrades me aceitaram nessa "brincadeira" e por isso lhes sou grato, pois tem sido de grande aprendizado e como já citei anteriormente tem me feito trilhar por caminhos que nunca imaginei.
 
Essa é a edição de número 76, a nossa décima segunda participação e para o final de ano, diferentemente dos demais meses, um confrade lança o "tema duplo" e, quem mandou os temas foi o confrade Luiz Cola do blog Vinhos e Mais Vinhos, que é um dos mais tradicionais do Brasil. Os temas foram:
 
Tema de dezembro - Branco do Vale do Loire até R$ 150.
 
Tema de fim de ano - Inspirado no "fim do mundo": Escolha um grande vinho de sua adega (tinto, branco, espumante ou sobremesa) para celebrar o fim "deste" ano, mas não o "do mundo".
 
Neste post falarei apenas do tema de dezembro e em outro post comentarei sobre  o tema de fim de ano.
 
A minha escolha foi o Henri Bourgeois Muscadet le Grand Reserva Sur Lie 2010, um vinho branco do francês do Vale do Loire, produzido 100% com a casta Muscadet, antigamente conhecida como Melon de Borgonha ou ainda por Melon nos Estados Unidos.
 
Antes de falar do vinho falarei primeiramente do termo Sur Lie presente no rótulo, que eu desconhecia e que muitos também o desconhecem, vale a pena conhecer isso também.
 
Durante e após a fermentação é formado um residual de células de leveduras e eventualmente cascas de uva, o que, em Português, chamamos de Borras. Normalmente os vinhos ficam com pouco contato com esses resíduos, sendo logo filtrados. Nos casos dos vinhos Sur Lie, eles são deixados em contato com estas borras (lie em Francês e lees em Inglês) durante um tempo maior, sendo regularmente “mexido” o que os técnicos chamam de bâtonnage. Com este período de tempo Sur Lie (sobre as borras), que pode ser de vários meses dependendo do que o enólogo tem de objetivo, se pretende que o vinho ganhe complexidade, sabor e corpo. Tradicionalmente este processo Sur Lie é aplicado somente em vinhos brancos.*
 
Devo admitir que já estava por desistir de encontrar um vinho branco do Vale do Loire, pois fui a cinco lojas e em nenhuma delas encontrei e para ser sincero o que mais me desmotivou na busca foi o desconhecimento dos vendedores (mesmo em lojas especializadas), um me perguntou se Loire era um produtor e outro se era o nome de um vinho. Mas, ao visitar a última loja fui atendido pelo sommelier que me mostrou as 4 opções de vinhos do Vale do Loire de que a loja dispunha e ao falar sobre cada rótulo a explicação do Sur Lie me fez escolher o rótulo, além do fato de ser de uma varietal ainda não degustada.
 
Sem mais delongas vamos ao vinho. Visualmente o rótulo delicado e com letras manuscritas em tons dourados são um atrativo a parte e prenuncia a elegância do líquido dentro da garrafa. Rolha muito bela de boa qualidade. Vinho de cor amarelo bem claro com tons dourado, com discretíssima  (quase imperceptível) formação de perlage. No nariz muito intenso e delicado, com notas de flores e frutas como maracujá e maçã e notas de fermento, proporcionado pelo Sur Lie. Em boca apresenta bom corpo, com alguma untuosidade, porém com acidez marcante e muita delicadeza, repetiu a fruta e as notas de fermento. Bom corpo e final de boca delicado e refreescante e com o fermento aparecendo no retrogosto.
 
Vinho muito agradável e elegante - valeu cada centavo. Bom para bebericar ou para acompanhar frutos do mar, o rótulo caiu como uma luva para acompanhar um ensopado de camarão. Aprovado por mim, por Fernanda e por minha mãe que prefere vinhos suaves.
 
O Rótulo
 
Vinho: Henri Bourgeois le Grande Reserve Sur Lie
Tipo: Branco
Casta: Muscadet
Safra: 2010
País: França
Região: Vale do Loire
Produtor: Henri Bourgeois
Graduação: 12%
Onde comprar: Grand Cru
Preço médio: R$ 65,00
Temperatura de serviço: 12º
 
*Extraído do blog Falando de Vinhos

Aconteceu aqui

Iniciei o Vinhos de Minha Vida em abril de 2011 sem nenhuma pretensão, com intuitos modestos como: aprender mais sobre vinho e deixar aqui as impressões de um leigo sobre os vinhos degustados, mas para minha surpresa o blog tem conseguido atingir marcas que nunca imaginei e sou muito grato a cada um dos leitores por isto.
 
Eu e Paulo Laureano no Passeio Enológico por Portugal
O blog passou de uma média de 500 visualizações mês nos meses de 2011 para uma média de mais de 3700 mês em 2012; nos dois últimos meses ultrapassou as marcas das 5 mil e 6 mil visualizações, respectivamente. Na pesquisa Quem é Quem 2012 o blog figurou na quadragésima sétima posição, dentre 82 blogs listados, uma marca e tanto, considerando a curta vida do mesmo e o fato de não possuir patrocinadores.
 
Também figuramos várias vezes entre os mais lidos do Enoblogs e os posts Mais Populares, sendo em uma delas na primeira posição.
 
Ao todo, em 2012, foram 207 posts com temas variados relacionados ao vinho: saúde, arte, notícias, curiosidades, conteúdo mais aprofundado sobre vinhos, dentre muitos outros, não esquecendo é claro dos posts sobre vinhos degustados.
 
Comentei aqui sobre mais de 100 vinhos que degustei, para ser mais exato, sobre 108 vinhos, uns muito bons e outros ruins, porém que valeram a experiência.
 
O país que liderou, com 53 rótulos comentados, foi Portugal, seguido pelo Chile com 19 vinhos e em terceiro a argentina com 15, juntos os três países representaram 80% dos vinhos comentados. Outros países também apareceram aqui em 2012, um total 11, com quatro novos entrando na lista: Uruguai, Espanha, Israel e Estados Unidos, o que reflete um dos meus objetivos que é degustar diferentes vinhos de diferentes países visando dentre outras coisas aprimorar meus conhecimentos sobre a bebida.
 
Os tintos mais uma vez estiveram entre os mais degustados, seguido pelos brancos,  espumantes,  fortificados e por fim rosés. Minha proposta em 2013 é inserir mais brancos e espumantes na lista, sobretudo por serem mais adequados ao clima quente da região em que residp.
 
E para mostrar que uma das principais ideias do blog é aprendizado, passamos de cerca de dez variedades de uvas presentes nos vinhos comentados em 2011 para 67 em 2012. Mais uma vez a Cabernet Sauvignon liderou, mas foi seguida de perto das varietais Tinta Roriz e Syrah. Você pode conferir todas as uvas passeando no menu a direita.
 
Para não tornar os texto muito enfadonho apresentando os melhores vinhos degustados por categorias listarei vinhos que se destacaram de uma forma geral; então aí vai meu Top 5, não necessariamente na ordem:
 
 
Agradeço a todos os leitores por fazerem este blog continuar crescendo e findo desejando um ótimo 2013 com bons vinhos a todos, pois a vida é muito curta para vinhos ruins.
 
Saúde!
 
Abraços, Ewertom Cordeiro.