quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Sancionada lei que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho

O projeto de lei 208/2015, que cria a Rota Catarinense da Uva e do Vinho, teve a sanção confirmada e foi transformado na Lei 16.873/2016 (Diário Oficial n° 20.220, de 18/01/2016). A proposta, apresentada pelo deputado Padre Pedro Baldissera (PT), foi aprovada por unanimidade em dezembro e já está em processo de implantação pelo Grupo de Trabalho de Enoturismo, dentro da Secretaria Estadual de Turismo.
 
Padre Pedro destacou nesta quarta-feira (3), no plenário da Assembleia Legislativa, a sanção ao projeto e lembrou os avanços obtidos na Serra gaúcha a partir da definição de rotas turísticas envolvendo a vitivinicultura, a hotelaria, a gastronomia, os artesãos locais, as propriedades da agricultura familiar e agroindústrias familiares. “A Lei prevê um plano específico para desenvolver as cinco principais regiões produtoras do Estado (Sul, Serra, Meio Oeste, Oeste e Vale).  Temos mais de 30 municípios com produção comprovadamente qualificada, mas que carecem de um programa que incentive o enoturismo e todos os setores que estão no seu entorno”, explica Padre Pedro.
 
O parlamentar explica que em março o Grupo de Trabalho de Enoturismo definirá de forma mais detalhada como as rotas serão organizadas, e qual a proposta de trabalho envolvendo os municípios produtores.
 
“Conseguimos a aprovação do Dia do Vinho e criamos a Mostra Catarinense do Vinho, que aconteceu de 2010 a 2014. Temos a lei que favorece estudantes e produtores, com o suco de uva na alimentação escolar. Agora queremos avançar para um calendário vinculado a esta rota da uva e do vinho, que garante visibilidade e também atrações para alavancar estas regiões”, explica.
 
A ideia da lei é provocar um efeito dominó em outros setores da economia, em especial a hotelaria e as pequenas e médias agroindústrias, artesãos, núcleos de produção em comunidades locais e tradicionais relacionadas à vitivinicultura.
 
Fonte: Portal da Ilha

Jogo do vinho: prazer e diversão

Para os amantes de um bom vinho e que não dispensam diversão na companhia da bebida, chega ao mercado mais uma versão do Jogo do Vinho. A novidade pode ser conferida na boutique de vinhos Confraria Carioca, no Casa & Gourmet Shopping, no Rio. A versão atualizada aprofunda os conhecimentos sobre essa bebida tão prestigiada.
 
Elaborado pelo consultor de vinhos e professor da Associação Brasileira de Sommeliers do Rio de Janeiro, Célio Alzer, é composto por um tabuleiro, 30 cartas que trazem informações sobre vinho tinto, branco e espumante, além de quatro peças e um livro com mil perguntas e respostas de múltipla escolha.

Em busca da rolha perfeita

 
Líder de mercado na distribuição e fabrico de rolhas naturais, produzidas com cortiça portuguesa, este é um negócio em expansão. Segundo a responsável, procuram agora “alargar o leque para as rolhas técnicas”. Para lá dos vinhos, a empresa também apresenta soluções para bebidas espirituosas e outros mercados de nicho, como o gin ou o vinho do Porto.
 
Para Isabel Allegro, esta é uma consequência natural da evolução do negócio. “Quisemos rentabilizar alguns dos subprodutos da matéria-prima. No fabrico das rolhas de cortiça havia sempre uma parte que não era aproveitada. Assim, garantimos uma rolha técnica funcional, indicada para outros produtos no mercado, mas com maior aproveitamento dos recursos”, explica.
 
Portugal – EUA – Mundo
 
Tudo começou nos EUA, em 1981, quando Jochen Michalski fundou a Cork Supply. Depois de ter trabalhado na indústria corticeira portuguesa, regressou ao outro lado do Atlântico com uma nova ideia de negócio: fornecer rolhas de cortiça aos melhores produtores de vinho do mundo.
 
Naquela época, esse era um mercado relativamente novo e o empresário achou que podia fazer a diferença. A matéria-prima vinha de Portugal, os acabamentos eram feitos nos EUA. O produto diferenciado, com forte atenção ao detalhe e um atendimento ao cliente cuidado, captaram a atenção dos produtores.
 
Austrália, África do Sul, Europa e América do Norte tornaram-se mercados importantes onde têm hoje representações. Mas Portugal continua a ser um epicentro no presente e futuro da empresa.
 
24 anos depois do primeiro laboratório
 
1 de abril de 1992. Foi neste dia, há quase 24 anos, que foi inaugurado o laboratório da Cork Supply em Portugal. O objetivo era simples: desenvolver novas técnicas de trabalhar a cortiça, para garantir a funcionalidade das rolhas. A primeira pessoa a trabalhar neste projeto foi Isabel Allegro.
 
“Fazemos o controlo de qualidade das rolhas e posso dizer que todos os dias são diferentes. Há poucas empresas no setor e nós apostamos muito em I&D (investigação e desenvolvimento). Desde esse tempo que vamos fazendo melhor, aplicando o que vamos experimentando em laboratório”, explica a atual diretora executiva da filial portuguesa.
 
Pouco tempo depois, em 1995, foi a vez de trazer também o fabrico de rolhas para Portugal. A maior proximidade com a matéria-prima e os projetos de investigação em curso justificaram a aposta. Nesse ano foi fundada a Cork Supply Portugal.
 
Vinte anos depois, o trabalho continua. “O grupo tem cerca de 400 colaboradores e a tendência é para aumentar. Em Portugal, trabalham metade dessas pessoas e este ano vamos contratar mais 40 técnicos”, avança Isabel.
 
Até ao final do ano, em São João de Ver (Santa Maria da Feira), vai funcionar uma nova fábrica direcionada para as rolhas de champanhe. Neste momento, já há três unidades fabris da empresa só em Portugal.
 
Segundo Isabel Allegro, este investimento está alinhado com as perspetivas de crescimento do negócio. “Já detemos 30% do mercado nos EUA e queremos crescer em Portugal. Além disso, a qualidade dos vinhos chineses está a subir muito depressa. Há um mercado de 600 milhões de garrafas e só poderá crescer”, explica a responsável.
 
Sustentabilidade e o futuro da floresta nacional
 
“Eu costumo dizer que a indústria corticeira é um bicho que, quando entra, já não sai de nós”. Para a diretora executiva, o trabalho continua tão motivante como no primeiro dia e destaca o papel da empresa na sustentabilidade do setor.
 
Os tempos da cortiça não podem ser acelerados e só trabalhando com os produtores é que podem garantir matéria-prima de qualidade. “Ajudamos os produtores e temos a sua confiança. Além disso, trabalhamos com engenheiros florestais que adoram tudo o que é floresta, que falam de árvores com paixão e fazem o melhor para as proteger”, refere Isabel Allegro.
 
Por outro lado, descreve esta relação próxima com os produtores como “importantíssima”. Segundo a responsável, “o sucesso do negócio está ligado ao valor atribuído à cortiça. Se o negócio das rolhas naturais deixar de existir, quem paga o produto-rei?”
 
Fonte: Observador
 

Operação investiga sonegação de R$ 4 milhões em contrabando de vinhos

A Polícia Federal (PF) e a Receita Federal estimam que R$ 4,8 milhões foram sonegados em impostos em um esquema que movimentou R$ 18 milhões com contrabando de vinhos e energéticos da Argentina para o Brasil. O esquema foi denunciado na Operação Formiga, deflagrada nesta terça-feira (2), com mandados em Santa Catarina e no Paraná.
 
Segundo a PF de Dionísio Cerqueira, no Oeste catarinense, foram expedidos 16 mandados de busca e apreensão e 17 mandados de condução coercitiva pela 1ª Vara Federal em Francisco Beltrão, no Paraná. Ao todo, foram 23 meses de investigação.
 
Eles devem ser cumpridos em duas cidades de Santa Catarina - Dionísio Cerqueira e Xanxerê, ambas no Oeste - e cinco cidades do Paraná - Barracão, Santo Antônio do Sudoeste, Francisco Beltrão, Marmeleiro e Curitiba. Até as 11h, a PF não informou quantos foram cumpridos.
 
O esquema
 
Em 2013, foi encontrado um um galpão em Marmeleiro, no Paraná, onde eram estocadas as bebidas para redistribuição a comércios brasileiros. O transporte do exterior até o galpão era feito em pequenas quantidades, depois distribuido em caminhões de transportados com notas falsas.
 
Ao todo, quatro grupos, que foram caracterizados como organização criminosa, forneciam produtos para Francisco Beltrão, Marmeleiro e Pato Branco, a partir de Barracão e Santo Antônio do Sudoeste. Depois, as mercadorias iam para compradores da região Sul e São Paulo.
 
Fonte: G1 - Santa Catarina RBSTU

Salton Moscatel, mais uma boa opção para o verão

Não precisa ser nenhum especialista para saber que o verão esse ano veio com a carga total, então nada mais justo que deixar seus vinhos tinto na adega e abusar dos espumantes, brancos e rosés.
 
Hoje falo de mais uma boa opção para esses dias tórridos: o Salton Moscatel, um vinho que vai super bem como aperitivo. Pelo dulçor característico e o baixo teor alcoólico a maioria dos enófilos e até os que não bebem vinho com frequência irão se deliciar com umas tacinhas desta bebida.
 
Vinho produzido na Serra Gaúcha pela gigante Salton e elaborado com uvas da variedade Moscato, sendo fermentado em tanques de aço inoxidável hermético (Método Charmat) à baixa temperatura, com fermentos selecionados específicos para que o produto preserve os aromas primários da variedade.

Vamos a nossa análise:
 
Na taça apresentou cor amarelo clara com reflexos esverdeados, boa formação de espuma e perlage abundante e de boa persistência.
 
No nariz mostrou aromas de boa intensidade com destaque para pêssego, pera, lichia, flor de laranjeira e jasmim, seguido de notas de damasco e mel.
 
Em boca mostrou corpo leve, boa cremosidade e bom equilíbrio entre dulçor e  acidez. Final de boca de média intensidade com as notras frutadas aparecendo no retrogosto.
 
Degustamos como aperitivo, mas vai bem com sobremesas, sorvetes e queijos de mofo azul.

O Rótulo
 
Vinho: Salton Moscatel
Tipo: Espumante
Castas: Moscato
Safra: Não Safrado
País: Brasil
Região: Serra Gaúcha
Produtor: Salton
Graduação: 7,5%
Onde comprar em Recife: DLP
Preço médio: R$ 30,00
Temperatura de serviço: 6° - 8°

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Mudanças que o vinho sofre durante o armazenamento

É fato conhecido que certos vinhos perdem logo em aspecto, perfume e gosto e até se deterioram em pouco tempo enquanto outros, particularmente os tintos superlativos, melhoram, aveludandose com o passar dos anos.
 
Os grandes vinhos não adquirem condições de consumo logo que finda o processo fermentativo. Necessitam de tempo para amadurecer, ajustando os componentes do suco que permaneceram após a transformação com os novos componentes que se formam, amalgamando-se aromas primários da fruta com os secundários da fermentação.
 
No processo surgem turvações e partículas em suspensão, que pedem tempo para serem eliminados por sedimentação ou pelo uso de recursos da enotecnia. Na presença moderada do oxigênio, os componentes indesejáveis são eliminados nas primeiras trasfegas, mas ainda é necessário um prazo para a eliminação de algum gás carbônico residual e de componentes voláteis indesejáveis.
 
Em boa parte dos casos, isso tudo se processa em barricas ou tonéis de carvalho - um tipo de madeira que confere odores agradáveis e desejados às bebidas alcoólicas, como vinho, uísque, cachaça, conhaque, contribuindo com a complexidade da bebida e com a formação de seu buquê.
 
É assim que a imagem de grandes vinhos, secos (Médoc, Barolo, Brunello, Vega Sicilia, Rioja Reserva, Jerez Fino etc) ou doces (Porto, Madeira, Jerez Cream, Vin de Paille etc) está associada ao recipiente de madeira em que é acomodado e conservado por bastante tempo.
 
Os aromas que se incorporam ao vinho podem vir dos componentes da madeira propriamente dita ou do seu tostado interno. Além disso, a intensidade dos aromas e do gosto da madeira depende do tempo de uso da barrica. Alguns rótulos da Califórnia e da Austrália ostentam a expressão "new oak" - carvalho novo - para indicar a presença de nuances amadeiradas, de baunilha ou de torrefação, tão ao gosto dos consumidores americanos.
 
Em áreas vinícolas européias tradicionais são usados tonéis de grande capacidade por muito tempo ou mesmo barricas usadas, com suas paredes tão cobertas por cristais que a madeira nem entra mais em contato com o vinho. Nesse caso a influência da madeira no leque aromático da bebida é pequena ou nula.
 
Aromas do carvalho
 
E qual seria o efeito de tudo isso para nós que vamos degustá-lo? A resposta está nos aromas que o carvalho comunica ao vinho. Dele provém a baunilha e outras especiarias como a canela, a pimenta e o alcaçuz. Do seu tostado interno, os aromas de torrefação como café, chocolate, caramelo e pão torrado.
 
A baunilha é uma especiaria cujo odor adocicado e cremoso é quase que obrigatório nos tintos do Médoc, em Bordeaux, e dos Gran Reserva da Rioja, na Espanha, para limitar a dois exemplos entre tantos. Ela tem como suporte químico a vanilina, um aldeído recendente presente no carvalho.
 
A canela é outro aroma de especiarias resultante da conservação em barrica e tem por principio a presença do aldeído cinãmico na composição do vinho. Sua presença no Chateauneuf-du-Pape tinto e em seu vizinho Gigondas, ambos do Rhône meridional, é reconhecida. Isso se repete certamente nos Shiraz de Barossa Valley, na Austrália.
 
O alcaçuz apresenta-se como uma síntese de odores caramelados, mentolados e florais. Adocicado e lembrando a rapadura, tem por fundamento a Glicirrizina, substância doce presente em tintos superiores. Associado á baunilha e à canela, o odor do alcaçuz é perceptível em vinhos franceses do Rhône e em Cabernets barricados da Califórnia. Nesses casos pode-se inferir que foram utilizadas barricas de tostado forte.
 
O odor da pimenta, fora sua indefectível presença nos tintos do Rhône Norte - Cote Rôtie, Hermitage -, desenvolve-se também nos Tannat, da França e do Uruguai, e com muita distinção, nos chilenos da Carménère, caldos que contam em sua composição, com o Felandreno, lembrando pimenta do reino e fazendo cócegas na mucosa olfativa.

Aromas da torrefação

Conheça também os odores da torrefação, também denominados "empireumáticos" pelos aficionados:
O aroma de caramelo, que tem a mesma origem da a baunilha, isto é, a vanilina do carvalho, mas sob a forma tostada. É o caso de certos Ribera del Duero e Riojas, mas facilmente encontrado também em vinhos de sobremesa como o Moscatel de Setúbal.
 
A nuance achocolatada do magnífico Vega Sicília, é notória. O mesmo acontece com os melhores Cabernet Sauvignon chilenos e com o Zinfandel de Napa e Sonoma, na Califórnia. Sua presença, assim como a do alcaçuz, provém de barricas de tostado forte.
 
Nada como perceber a nuance de café em um grande tinto borgonhês, das Côtes de Nuits, em um Chambertin, por exemplo. Ele se repete nos vinhos de primeira da Ilha da Madeira por conta do processo local de elaboração conhecido como "estufagem".
 
Ao aportar o componente maltol e elementos aromáticos da família das pirazinas, o carvalho pode estender uma nuance de pão torrado como se percebe sem dificuldades nos Chardonnays californianos, amadeirados e untuosos, com sua cor dourada escura.
 
Na prática da degustação, dificilmente é possível discernir tantos aromas em um único vinho, ao mesmo tempo. Mas não deixa de ser uma enorme satisfação constatar a presença de alguns deles, pelo menos, e de apreciá-los em vinhos notáveis por sua superior qualidade.

Por Euclides Penedo

Leopoldina Premium Chardonnay 2015 #cbe

Sabe aquele dia no qual publico um vinho especialmente para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE? Esse dia chegou e com ele o Leopoldina Premium Chardonnay 2015, o meu quinquagésimo exemplar comentado para a primeira e única confraria virtual do Brasil.
 
O tema deste mês foi sugerido pelo Tiago Bulla do blog Universo dos Vinhos, que foi: "degustarmos um belo chardonnay, sem passagem por madeira, de qualquer país e preço, mas já que o tema foi 'fácil', não vale corte, só varietal".
 
Nada melhor que um tema desses para degustar um vinho produzido com a rainha das brancas e sem interferência das barricas, nos proporcionando um néctar que preserva as características da uva.
 
Não são comuns os exemplares desta casta sem passagem por barricas de carvalho, até os mais simples costumam ter um breve amadurecimento em madeira de todo ou parte do líquido, mas fui a busca e consegui encontrar este exemplar da linha Leopoldina Terroir da gigante nacional Casa Valduga.
 
As uvas são selecionadas e em seguida é realizado o desengace das uvas frescas, seguido por maceração em frio e prensagem descontínua e delicada. Posteriormente é realizada a limpeza estática do mosto e adicionadas leveduras selecionadas Saccharomyces cerevisiae, dando início a fermentação alcoólica com temperatura de 15º a 16ºC. Por fim é realizada estabilização tartárico, filtração e engarrafamento.
 
Vamos a nossa análise:
 
Na taça apresentou cor amarelo palha com reflexos esverdeados, boa limpidez e lágrimas finas e lentas.
 
No nariz um vinho de aromas delicados e de boa intensidade, evidenciando-se notas de frutas frescas como maça e pera, seguido de notas de abacaxi e maracujá.
 
Em boca mostrou corpo médio, boa acidez e bom equilíbrio com o álcool. Bom frescor e deliciosa untuosidade. Final de boca de media persistência e com repetição das notas do abacaxi aparecendo no retrogosto.
 
Vinho refrescante e untuoso, fácil de se gostar e de beber.
 
Foi bem com a noite quente e com iscas de frango e queijo gouda.
 
 
O Rótulo
 
Vinho: Leopoldina Premium
Tipo: Branco
Castas: Chardonnay
Safra: 2015
País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Casa Valduga
Graduação: 12%
Onde comprar em Recife: DLP
Preço médio: R$ 41,00
Temperatura de serviço: 8°