terça-feira, 21 de abril de 2015

Alguns termos para axuliar os iniciantes a escolher seus vinhos

Lá está você em frente a uma prateleira de vinhos no supermercado e o atendente do setor, solícito, aproxima-se oferecendo ajuda. Você tasca logo um "este vinho é suave?" e ele, alguém com certo conhecimento do assunto, possivelmente lhe diz que não, que é um vinho seco. Antes que você coloque sua pior cara de enfado e saia atrás de uma boa, velha e conhecida cerveja, saiba que não é o primeiro nem o último a passar por isso.
 
A linguagem do vinho é estranha? Sim, mas não se trata de caso único. Como qualquer outro ramo, temum jargão específico. Por isso, o vinho (como a informática, a música ou o futebol) criou um vocabulário muitas vezes incompreensível para a maioria das pessoas. Mas nada que não possa ser dominado com um pouco de prática e repertório.
 
"Suave", tecnicamente falando, é um vinho “não-seco". Isto é, um vinho doce que recebeu uma dose de açúcar após a fermentação da uva. É, na maioria das vezes, um vinho de menor qualidade, pois os vinhos doces tiram seu dulçor do açúcar residual da própria uva.
 
A linguagem do vinho tem seus truques e armadilhas. Ao provar um vinho leve, macio, delicado, e não-doce, diga que ele é leve, macio e delicado. Pronto. É algo fácil de avaliar e você não corre o risco de parecer pedante — ou soar como quem diz uma besteira. Só não tenha medo de falar sobre isso.
 
Com algumas dicas e termos muito usados, você não vai se intimidar no próximo papo em torno de uma garrafa.
 
 
1. Varietal
 
É um vinho feito geralmente com apenas uma variedade de uva. Se a legislação local permitir, pode-se adicionar uma pequena percentagem de outra uva. O hábito de nomear a variedade no rótulo surgiu com os produtores do novo mundo, ou seja, fora da Europa. Nos países europeus, a legislação de Denominação de Origem Controlada (a sigla AOC ou DOC que você vê nos rótulos franceses, italianos, etc.) restringe o uso de variedades por região. Mas isto muda para cada país. O exemplo mais famoso seria a Borgonha. Seus brancos são quase todos de chardonnay (há uvas quase abandonadas, como a aligoté) e seus tintos, de pinot noir.
 
2. Região
 
Um dos fatores mais importantes para definir a qualidade de um vinho. As regiões vinícolas europeias são estabelecidas há séculos. Porto, Bordeaux, Rioja e Chianti, por exemplo, têm o nome e a história associados ao vinho. Recentemente, países como Chile e Argentina vêm apostando mais neste diferencial. A Argentina, com suas macro-regiões Salta, Patagônia e Mendoza, especialmente esta última, faz um trabalho interessante neste sentido. Antes detectava-se pelo rótulo que o vinho era de Mendoza, uma região imensa. Hoje, é comum ler que o vinho tem origem em Tupungato, Vale de Uco, Lujan de Cuyo ou Maipú, entre outras. O Chile não fica atrás e declara onde nascem seus vinhos. Limari, Aconcagua, Casablanca, Leyda ou Maipo são cada vez mais mencionados entre os amantes do vinho chileno.
 
3. Terroir
 
É a combinação única dos fatores climáticos, geológicos e culturais que aparecem no vinho. Aquele rótulo que vem de um local frio, chuvoso, onde se cultivam vinhedos por mais de mil anos, será bem diferente de outro que veio de um deserto ensolarado, onde as vinhas começaram a ser plantadas no começo do século XX. Ao provar um pinot noir chileno e outro da Borgonha, feitos com a mesma variedade de uva, você notará uma diferença clara. Uma corrente importante nega a relevância do terroir nos vinhos fora da Europa. Cada vez mais, contudo, os bons produtores provam a força de seu terroir, seja no Chile, Argentina, Uruguai ou Austrália.
 
4. Madeira
 
Apesar de outros tipos de barrica serem usadas na fabricação do vinho, a enorme maioria delas é feita de carvalho. Sua origem pode ser basicamente francesa, americana ou do leste europeu. Cada uma destas origens dá características específicas ao vinho. E o enólogo é quem decide qual usar, em qual proporção e por quanto tempo. Ele pode utilizar uma percentagem de barricas de carvalho francês e guardar uma pequena parte do vinho em barricas de carvalho americano. Diz a lenda que o americano aporta mais aromas de baunilha, por exemplo. Quanto mais velho e rodado o barril, menos ele interfere no aroma e no sabor. Sua função é apenas oxigenar por meio dos poros da madeira. Mas não só isso. Cada barril recebe uma tostagem em seu interior antes de ser usado. O grau da tosta também interfere no resultado final, e muito. Basta procurar aromas de café, chocolate e caramelo no vinho tinto ou de creme de leite, manteiga e baunilha, nos brancos. Se os encontrar, grande serão as chances de o vinho ter passado algum tempo por madeira.
 
 
Tipos básicos de vinho
 
5. Tranquilo
 
Quando as pessoas pensam em vinho, quase sempre têm em mente o vinho tranquilo, isto é, aquele que não é nem espumante, nem doce. Ele pode ser branco, rosé ou tinto. Geralmente, trata-se do vinho que bebemos com a refeição.
 
6. Vinho de Sobremesa
 
Um vinho de sobremesa deve ser doce o suficiente para não parecer aguado ao lado de uma sobremesa. Há três maneiras básicas de produzir vinhos de sobremesa. Todas elas consistem em deixar parte do açúcar da uva (que viraria álcool durante a fermentação) permanecer na garrafa.
 
Na colheita tardia, a uva colhida muito madura, quase passa e murcha, tem menos água e uma maior concentração de açúcar natural. Em seu processo de fermentação, as leveduras não conseguem finalizar a transformação do açúcar, tamanha a quantidade, em álcool. E, como a fermentação não se completa, o resultado é um vinho doce, também denominado Late Harvest.
 
Botritizado é o vinho atacado por um fungo benigno que, ao atingir a casca da uva, faz uns furinhos. Nesse processo, há evaporação e um efeito parecido com o explicado no item anterior. São alguns dos mais valorizados vinhos de sobremesa do mundo. Mas é também o acompanhante mais cotado do foie gras.
 
Outra maneira comum de manter o açúcar da uva no líquido é interromper a fermentação com a adição de álcool (normalmente um álcool de uva), matando assim as leveduras. É o vinho fortificado. O exemplo mais famoso é o vinho do Porto. Em geral, tem um grau alcoólico maior. É uma grande companhia para queijos em geral.
 
7. Espumante
 
São os vinhos com "bolinhas" ou "borbulhas", como se diz em Portugal. O vinho espumante é gaseificado naturalmente. Quase todas as regiões vinícolas produzem espumantes. A mais famosa delas é a de Champagne, na França, por isso ocorre de as pessoas intitularem champagne qualquer espumante. Não cometa este erro. Até porque, entre os espumantes mais interessantes do mundo, estão as Cavas da Espanha, os Franciacorta italianos e, vale destacar, os ótimos espumantes brasileiros.
 
Os espumantes podem ter seis classificações conforme o teor de açúcar: Doux (doce), Demi-Sec (meio-seco), Sec (seco), Extra-Sec (extra-seco), Brut (bruto), Extra-Brut (extra-bruto) e o "Nature" (Pas Dose).
 
Não se engane quem leu o começo do artigo. Este Sec é doce, sim. Se você quer provar um espumante que não seja doce, tente Brut, Extra-Brut ou "Nature". Eu avisei que a linguagem do vinho tinhas uns truques e armadilhas...
 
Fonte: GQ Brasil

sábado, 18 de abril de 2015

Venda de espumantes cresce 15% em janeiro e fevereiro

Cada vez mais é frequente a associação de verão, praia, piscina e descontração, próprias da estação que recém terminou, com as borbulhas dos espumantes brasileiros. É o que mostram os números de comercialização do produto nos meses de janeiro e fevereiro deste ano. Na esteira da campanha promocional lançada pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), e de ações das próprias empresas, foram comercializados 1,2 milhão de litros da bebida, o que significa um aumento de 15,2% em relação aos primeiros dois meses de 2014. O destaque é para os moscatéis, com aumento de 31% e a venda de mais de 310 mil litros. Na comparação com a média dos últimos cinco anos (2010 a 2014), o índice de crescimento é ainda mais significativo: 35,7% para os espumantes de forma geral e mais de 50% na venda de moscatéis.
 
Para o gerente de Promoção do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin), Diego Bertolini, o resultado mostra a tendência de expansão das vendas dos vinhos espumantes para além das festas de final de ano. Bertolini destaca o aumento da comercialização de moscatéis como uma amostra de que novos consumidores estão sendo atingidos com as campanhas promocionais desenvolvidas pelo Ibravin e reforçadas pelas empresas com outras ações de marketing como venda em taças, distribuição de ice bags(sacola térmica que possibilita consumo na praia ou piscina) entre outras. "Enxergamos os moscatéis como a porta de entrada para o mundo do vinho. Por isso, o foco em rádios com perfil jovem e outras iniciativas em parceria com as empresas surtiram efeito", acredita.
 
O presidente do Sindicato da Indústria do Vinho, do Mosto de Uva, dos Vinagres e Bebidas Derivados da Uva e do Vinho (Sindivinho/RS), Gilberto Pedrucci, elenca três aspectos que considera decisivos para os bons resultados alcançados pelo setor na venda de espumantes. O empresário destaca o custo benefício da bebida em relação aos produtos importados, a quebra da sazonalidade no consumo e o reconhecimento de publicações como o Guia Descorchados 2015. "O fato das pessoas estarem consumindo o produto em diferentes períodos do ano e o reforço na imagem dos espumantes brasileiros com avaliações excelentes em publicações e concursos internacionais contribuem para consolidar essa posição do Brasil e a competitividade dos produtos", avalia.
 
O diretor de vendas Cléber Slaifer concorda com a avaliação do presidente do Sindivinho de que está ocorrendo uma diluição do consumo do produto mais uniformemente durante o ano.Slaifer afirma que tanto a empresa como as demais vinícolas que trabalham de forma mais direcionada com espumantes estão colhendo os frutos de um trabalho iniciado há alguns anos. Para ele, é necessário dar continuidade com ações mais pontuais, em outras regiões do país. "Precisamos associar o ganho de imagem enorme que estamos tendo com o espumante com a parte comercial. Fazer com que as campanhas cheguem na ponta,que é o consumidor", propõe.
 
Daniel Panizzi, gerente comercial de uma vinícola de pequeno porte, afirma que, apesar de ainda existir uma concentração maior de vendas nos meses de novembro e dezembro, nos últimos anos tem crescido o faturamento da empresa também nos meses seguintes. "Mesmo com uma certa retração que estamos observando no mercado, o mês de fevereiro foi excelente em vendas", informa. Localizada no município de Pinto Bandeira, a vinícola também trabalha com enoturismo e, segundo o gerente, o fluxo tem se mantido estável.
 
Franco Perini enfatiza que a campanha "Espumantes do Brasil. Esse é o clima do verão” teve relação direta com os resultados de vendas da empresa em que ocupa o cargo de diretor comercial. Segundo ele, a decisão de focar num novo perfil de consumidor surtiu o efeito desejado, e a iniciativa deve se repetir em outras ações. "Foi uma campanha assertiva, que tem gerado ótimos resultados e que pode servir de exemplo de promoção de vinhos com o público jovem e que ainda não está no mundo do vinho", propõe. Perini também sugere que sejam feitas campanhas voltadas ao consumidor final, em situações de consumo diversificadas.
 
Fonte: IBRAVIN

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Nosotros: a obra prima de Susana Balbo

Degustei toda linha Nosostros da Domínio del Plata durante evento promovido pela Importadora Cantu no Restaurante La Cuisine Bistrô e nas linhas deste post irei falar sobre o Nosotros, um vinho premium que reflete toda a excelência da casta Malbec.
 
O vinho é especial e fruto de um trabalho primoroso de Susana Balbo e toda sua equipe. O Nosotros é um blend nascido de várias rodadas de degustação de vinhos provenientes dos terroirs de Agrelo, Anchoris, Altamira e Los Aboles.
 
Após concluída a seleção dos vinhos o produto final amadureceu por 18 meses em barricas de carvalho francês criteriosamente selecionadas nos melhores lotes por Susana Balbo e posterior afinamento em garrafa por mais 2-3 anos em temperatura controlada entre 13° e 15°.
 
Visualmente o vinho mostrou, apesar dos 6 anos de vida, uma cor rubi violácea denotando jovialidade, lágrimas abundantes finas e rápidas. No nariz um vinho de grande complexidade aromática, no qual pude perceber aromas de cereja, cassis, ameixa, violeta, pimenta, chocolate, café, baunilha e tostado. Em boca apresentou-se exuberante: potente, encorpado, mas sedoso; seus taninos simplesmente magníficos, aveludados e adocicados. Os sabores repetiram-se de forma fiel, com grande integração entre madeira e fruta. Final de boca persistente e inesquecível.
 
Vinho memorável e que vai ficar guardado nas minhas memórias. E, antes que eu esqueça, o belo desenho que estampa o rótulo foi desenhado a mão pela própria Susana Balbo.
 
Para harmonizar uma bela carne vermelha, mas me perdoem esse aí eu beberia gole a gole, apreciando cada gota do vinho sem nenhum acompanhamento.
 
Deste primoroso exemplar da casta malbec foram produzidos apenas 12.000 garrafas e segundo a própria Susana Balbo um vinho com estimativa de guarda de 30 anos, que podem se tornar 50 anos se a cada 10 anos forem trocadas suas rolhas.
 

O Rótulo
 
Vinho: Nosotros
Tipo: Tinto
Castas: Malbec
Safra: 2009
País: Argentina
Região: Agrelo e Anchoris - Luján de Cuyo; Altamira - Valle de Uco; e Los Aboles - Tunuyán
Produtor: Dominio del Plata
Enólogo: Susana Balbo
Graduação: 14,5%
Onde comprar em Recife: Cantu
Preço médio: R$ 577,00
Temperatura de serviço: 16°

Vinhos brancos que passam por madeira ficam sem tanino?

Eles têm tanino, sim, mas é um tipo diferente. Há a aspereza, mas tanino de madeira é mais leve e ligeiro.



Fonte: CBN

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Viñedo de Los Vientos Tannat 2012

O Uruguai não é um produtor de vinhos aclamado, pura injustiça, pois produz excelentes vinhos, como é o caso do carnudo Viñedo de Los Vientos Tannat, um exemplar que expressa todo potencial da casta ícone do país.
 
A história da Viñedo de Los Vientes remota para o anos de 1920 com a chegada, proveniente de Alexandria, de Angelo Fallabrino juntamente com sua família. O empreendimento segue com Alejandro, filho do patriarca que destacou-se como uma das pessoas mais inovadoras da indústria vinícola do Uruguai nos anos 70 e 80. Com a morte de Angelo e Alejandro assume o comando da vinícola um dos três filhos de Alejandro: Pablo Fallabrino.
 
Viñedo de los Vientos, por sua localização próxima ao litoral, é acariciado permanentemente pelas brisas marinhas provenientes do Estuário do Rio de la Plata. A amplitude térmica entre o dia e a noite nesta região é outro fator que influi amplamente no desenvolvimento e crescimento da fruta, tendo dias de até 42ºC e noites com somente 15ºC.
 
A colheita das uvas é realizada a mão, em recipientes plásticos de uns 15 kg cada um, estes são levados à esteira transportadora, onde é realizada a seleção dos grãos. Desde lá se dirigem à prensa e passam diretamente a cubas de aço inoxidável para o começo da elaboração.
 
Visualmente o vinho mostrou cor rubi escura intensa e brilhante, com tingimento das paredes da taça provocado pelas suas lágrimas. No nariz aromas de fruta negra madura, pimenta do reino, chocolate amargo e notas de tostado bem integradas ao conjunto. Em boca volumoso, com taninos firmes, carnudos e bem acompanhados pele excelentes acidez. Final de boca seco e longo, com a fruta e o tostado aparecendo no retrogosto.
 
Levei esse vinho para casa dos amigos Juberlan e Rejane e harmonizamos com uma picanha na brasa.


O Rótulo
 
Vinho: Viñedo de Los Vientos
Tipo: Tinto
Castas: Tannat
Safra: 2013
País: Uruguai
Região: Atlántida
Produtor: Viñedo de Los Vientos
Graduação: 13,5%
Onde comprar: WINE
Preço médio: R$ 60,00 (R$ 34,00 na promoção)
Temperatura de serviço: 16°
Pontuações: 92 Pts DS

Custos de importação elevam preços de vinhos em até 150%, é pouco ou quer mais?

A carga tributária sobre os vinhos importados no Brasil está estimada em 82,25%, fora os impostos indiretos que incidem sobre salários e o selo fiscal. A informação é do advogado tributarista Carlos André Ribas de Melo, sócio de Milman e Barros Advogados.
 
Em entrevista exclusiva, o advogado, que também é membro do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, explica que custos como os de frete internacional, armazém alfandegário, desembaraço aduaneiro, rotulagem, selo fiscal, análises químicas e frete interno, entre outros gastos, podem majorar em até 150% os vinhos importados. Nesta entrevista, ele detalha o custo Brasil na importação de vinhos e analisa alternativas que poderiam reduzir o preço dos produtos importados nas prateleiras nacionais.
 
 
Marcelo Copello – Você pode nos explicar, passo a passo, como funciona o imposto sobre o vinho no Brasil? Quais os impostos e o percentual de cada um? No preço final de um vinho, quanto é imposto?
 
Carlos André – A tributação sobre o vinho, quando falamos de países não integrantes do Mercosul, é de 27% de Imposto de Importação, 7,60% de Cofins, ICMS médio de 26%, PIS de 1,65%, além de IPI, que é calculado com valor fixo por unidade, de acordo com a capacidade de líquido no recipiente e tipo de vinho alvo da importação, estimando-se em média que esse custo de IPI represente em média mais 20% do total. Temos assim uma carga tributária direta estimada de 82,25%, sem falar nos tributos indiretos que incidem sobre salários, prestadores de serviços, etc. Ainda há o selo fiscal, instituído em 2010, que é exigido em cada garrafa e que muitos importadores discutem em juízo.
 
MC – No Brasil o vinho paga mais imposto que a cerveja e outras bebidas? Por quê?
 
CA – Na verdade, o custo de importação da cerveja estrangeira é tão alto quanto o do vinho. E a tributação da cerveja nacional se assemelha à do vinho nacional, sendo por volta de 60%. A questão é que a política fiscal sobre as bebidas alcoólicas considera diversos fatores, como a graduação de álcool, por exemplo. Como apreciador de vinho, e por tudo que tem sido divulgado até hoje pela ciência, penso que os já comprovados efeitos benéficos do consumo moderado de vinho à saúde deveriam ser considerados nesta política fiscal.
 
MC – Além dos impostos, a burocracia para importar vinhos no Brasil é grande, o que acaba virando custo. Quais são os principais entraves burocráticos que oneram a importação?
 
CA – A importação toda tem uma complexidade grande. Os custos de frete internacional, armazém alfandegário, desembaraço aduaneiro, rotulagem na padronagem rigorosa do país, selo fiscal na garrafa, análises químicas (sempre demoradas) do Ministério da Agricultura e frete interno nas grandes distâncias do país, entre outros, podem elevar o custo total da importação para até 150%, dependendo do volume e da quantidade de carga que se está importando. Uma questão bastante sem sentido é exigir, na importação, que aquele vinho que já vem com certificado de análise química do país de origem, o que é obrigatório para ingresso no Brasil, por exigência de nossa legislação, seja novamente objeto de análise pelo Ministério da Agricultura brasileiro. De cada lote retira-se um litro de líquido (na prática, duas garrafas de 750 ml). Isso explica por que vinhos raros não são importados no Brasil, pois como de um vinho de milhares de reais vai se entregar, para análise, duas garrafas ao governo?
 
MC – Existem caminhos alternativos, dentro da lei, para evitar impostos ou burocracias? E qual seria a melhor maneira de conviver com a grande diferença entre tarifações nos estados?
 
CA – O que ocorre é que as empresas importadoras acabam tendo que se tornar experts em planejamento tributário, o que não significa recorrer a caminhos alternativos, mas sim, de acordo com o imenso arcabouço legislativo-tributário que disciplina esta atividade, fornecer ao empreendedor ferramentas que possam lhe auxiliar em, por exemplo, decidir por onde importar, por qual estado da federação ou estado trará seus produtos, fazendo essa análise de acordo com sua política de comercialização e com sua área de atuação, para verificar como serão onerado suas atividades. Isto porque o ICMS, imposto estadual, onera muito o custo do vinho e varia de estado para estado, havendo alguns com alíquotas reduzidas na importação e outros não, sem esquecer que essa alíquota reduzida inicial pode ser uma armadilha, pois na comercialização para outro estado aplica-se a chamada “substituição tributária”, gerando um recolhimento de ICMS adicional que pode chegar a 20% ou mais.
 
 
MC – Quais as dicas para quem quer começar a importar vinhos?
 
CA – Sei que isto, para qualquer empreendedor, é um clichê, mas a dica para quem quer começar a importar vinhos é: coragem, perseverança e sorte! Digo isto porque, geralmente, o novo importador é movido pela coragem de investir em um vinho que ainda não existe em nosso país e que, pelo menos neste meio, deve necessariamente tratar de algo que o importador conheça profundamente e, sobretudo, goste, a ponto de arriscar seu tempo e dinheiro em uma empreitada desta natureza. Já a perseverança diz respeito a enfrentar o que se convencionou chamar de “custo Brasil”, isto é, toda a burocracia a que qualquer empreendedor está sujeito ao abrir uma empresa em nosso país. E mais: o importador ainda enfrenta desafios adicionais, relacionados aos trâmites aduaneiros. Por, infelizmente ainda temos que creditar isto à sorte, o importador também tem riscos adicionais. Mesmo que alguns possam ser mitigados com uma boa negociação junto ao produtor, como variação cambial, outros são absolutamente imprevisíveis e, contratualmente, incapazes de proteção, como uma abrupta variação da alíquota do Imposto de Importação enquanto, em tese, por exemplo, os vinhos estão sendo transportados por via marítima. Como este imposto incide no momento do desembaraço aduaneiro do produto no país, é certo que isso por vezes tem grande impacto no posicionamento de preço no mercado, alterando seu preço de venda ou fazendo com que o importador tenha que eventualmente suportar as perdas decorrentes, sem poder repassar ao preço final.
 
MC – Hong Kong tinha impostos altos para importação de vinhos. Lá, foi feito um trabalho de redução progressiva até chegar a zero. Por conta disso, hoje este é um dos mercados de vinho mais dinâmicos do mundo, gerando uma série de negócios paralelos, como publicações, eventos, feiras, além de um comércio intenso, que aquece a economia. Este modelo, de alguma forma, poderia nos servir como exemplo?
 
CA – Sincera e humildemente falando, Hong Kong não pode servir ainda, pelo menos para nós, como referência neste e em qualquer outro tipo de assunto que envolva comércio. Lá, o valor das importações e exportações supera seu PIB, e é um Estado praticamente livre de tributos, o que me autoriza afirmar que este não é um exemplo para o Brasil, pelo menos por enquanto. Não creio que modelos de outros países venham a ser, em um futuro próximo, considerados pelos nossos poderes Executivo e Legislativo, já que o déficit público atinge níveis cada vez mais alarmantes e, no final das contas, quem suporta toda esta gastança somos nós, os contribuintes.
 
MC – Por que, ao contrário de diversos outros países, no Brasil vinho não é reconhecido como alimento? Caso venha a ser, o que mudaria com isso?
 
CA – Há um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, de autoria do deputado Edinho Bez, do PMDB de Santa Catarina, que propõe que o vinho seja considerado alimento, por suas propriedades organolépticas e benefícios à saúde trazidos por conta dos polifenóis, sendo relevante destacar o resveratrol. Desde que, é claro, seja consumido moderadamente, o que todo amante de vinho certamente faz. Mas é importante mencionar que, em termos práticos, se fosse aprovado este projeto, o ICMS diminuiria para, em média, 7%, comparado aos 26% antes apontados. E as alíquotas de PIS e Cofins também se reduziriam a menos da metade das atuais. Isso poderia, dado o efeito cascata, até chegar ao consumidor e gerar até uns 40% de redução no preço final de comercialização do vinho na gôndola.
 
Por Marcelo Copello
Fonte: Veja Rio
Entrevista publicada originalmente na revista BACO

terça-feira, 14 de abril de 2015

Um Malbec para você abrir no Malbec World Day

Você gosta de vinhos produzidos com a uva Malbec? Então não pode deixar de abrir um bom Malbec para comemorar o Malbec World Day. Durante evento em Recife com a Enóloga argentina Susana Balbo provei vários Malbec e hoje irei falar de um que é uma excelente opção para você abrir para brindar a uva: o BenMarco Malbec 2013.
 
O Malbec World Day acontece no próximo dia 17. A data comemora o dia mundial da Malbec e o evento é organizado pela Wines of Argentina - WofA e conta com ações em vários lugares no mundo inteiro. Para saber mais sobre a data clique aqui.
 
A linha de vinhos BenMarco tem vinhos que priorizam os aromas primários da uva no vinhedo e o frescor da fruta. São vinhos de alta concentração, expressivos e um verdadeiro tributo de Susana Balbo ao estilo de vinho tradicional argentino.
 
O BenMarco Malbec é produzido com uvas provenientes de três diferentes terroirs: Agrelo - Luján de Cuyo; Altamira - Valle de Uco e El Dique - Rivaldavia, que juntos atribuem ao vinho caráter opulento, mineral e autero e elegante.
 
Visualmente mostrou cor púrpura com lágrimas abundantes, rápidas e que tingiram as paredes da taça. No nariz vinho aromas de fruta negra madura, violetas, pimenta, café e aromas provenientes da passagem do vinho por barricas de carvalho francês e amercicano (baunilha e coco). Em boca um vinho carnudo (com repetição da fruta madura), estruturado, com taninos potentes, porém redondos em em perfeita harmonia com acidez e álcool. Final de boca longo com o café e notas de tostado aparecendo no retrogosto.
 
O vinho foi harmonizado com risoto de cordeiro, o que proporcionou o apareccimento de novos sabores ao vinho, como alfazema, nozes e toques metálicos.
 
O Rótulo
 
Vinho: BenMarco
Tipo: Tinto
Castas: Malbec
Safra: 2013
País: Argentina
Região: Agrelo, Luján de Cuyo; Altamira, Valle de Uco e El Dique, Rivaldavia
Produtor: Dominio del Plata
Enólogo: Susana Balbo
Graduação: 14,1%
Onde comprar em Recife: Cantu
Preço médio: R$ 81,00
                                                                                               Temperatura de serviço: 16°