domingo, 8 de janeiro de 2017

Vinicultor nos EUA inova ao detalhar custo de produção de vinho

No último trimestre de 2015, depois que todas as suas uvas cresceram, foram colhidas, esmagadas e colocadas em grandes barris de carvalho, Mark Tarlov começou a fazer as contas.
 
Como qualquer bom vinicultor, fez o levantamento dos custos --mão de obra, equipamentos, até mesmo embalagens-- e dividiu por garrafa. Finalmente, calculou um preço, com uma margem de lucro de 45 por cento, e decidiu criar um site que usaria para vender o vinho.
 
Este pequeno lote de pinot noir, chamado Alit, do úmido Vale de Willamette, no Oregon, EUA, é vendido por US$ 27,45 a garrafa, e Tarlov talvez seja o único vinicultor do mundo que diz aos clientes exatamente por que cobra esse preço.
 
O barril custa US$ 1,1 por garrafa. O cultivo e a colheita absorvem outros US$ 5,66. E a embalagem, caixas especiais de papelão para entrega que não exigem proteção extra, custa US$ 2,88.
 
O vinho Alit é vendido diretamente aos consumidores ? assim como muitos outros vinhos. Ele é cultivado usando técnicas tradicionais e completamente naturais; que também são relativamente comuns atualmente. O que realmente o diferencia é a maneira pela qual é precificado.
 
"Não conheço ninguém que faça o que ele está fazendo", disse Joshua Greene, editor que publica a revista Wine & Spirits.
 
O preço da maioria dos vinhos é fixado de acordo com a qualidade e com o tipo de cliente que a vinícola deseja atingir ? e não com base no custo dos barris, das garrafas e da mão de obra. "O preço é ditado pela marca", explicou Greene. "Você diz: 'Quero fabricar um vinho para o 1 por cento', depois você trabalha a partir disso."
 
Tarlov está fazendo o oposto. "Usamos os elementos do vinho esotérico, de grande qualidade, e dizemos, 'você deveria tomar este na terça-feira'", disse. "Você não tem que reverenciar o vinho."
 
O modelo de negócios de Tarlov, de cálculos transparentes, foi adotado em outros setores de varejo. Mais especialmente, a marca Everlane construiu um império no segmento de vestuário ao se dirigir diretamente a clientes na internet para detalhar custos de materiais, transportes e taxas para cada peça.
 
Para alguns itens, a empresa até permite que os clientes escolham o preço, e o menor preço não proporciona nenhum tipo de lucro. A ideia também se espalhou entre outras startups, como a fabricante de bolsas Oliver Cabell.
 
O que está nas entrelinhas: os intermediários estão sendo eliminados e tanto os criadores quanto os consumidores estão recebendo mais pelo dinheiro que investem e gastam.
 
Praticamente todo vinicultor do mundo vende diretamente aos consumidores, mas normalmente eles dão justificativas por venderem pelos mesmos preços das lojas de varejo. Assim, não prejudicam seus parceiros no atacado e também embolsam ganhos significativos.
 
Os distribuidores e varejistas que vendem outros vinhos de Tarlov ainda não fizeram nenhum tipo de retaliação, pelo menos por enquanto. "Mas soou o alarme e irá soar ainda mais alto", disse Tarlov. "Mas eu adoraria ser aquele que irá destruir o meu próprio negócio."

Por quanto tempo guardar um vinho?

 
Ninguém gosta de ter o desprazer de abrir uma garrafa especial, guardada durante anos, e perceber que o vinho não corresponde às expectativas. Mas os enófilos colecionadores, que gostam de amadurecer alguns rótulos antes de consumi-los, estão sujeitos a isso. O tempo pode ser extremamente recompensador, contudo, também cruel algumas vezes.
 
Definitivamente, não é fácil abrir uma garrafa após tanto tempo e se deparar com uma bebida “ruim”. Isso é duplamente decepcionante, pois você não só investiu o dinheiro da compra, mas também suas emoções, especialmente suas esperanças. No entanto, como diferenciar um vinho que já está quase morto – ou seja, passou do seu apogeu e, a cada dia, decai mais e mais – de um que apenas está atravessando um momento de discrição – ou seja, perdeu sua exuberância juvenil, mas tem potencial para seguir evoluindo e melhorar?
 
Antes de tentar solucionar essa questão, todavia, é preciso entender um pouco do processo de evolução do vinho, seus aromas e sabores. E, mais ainda, a estranha fase em que ele supostamente está “dormindo”.
 
Vinho em hibernação
 
Até hoje, ninguém foi capaz de explicar exatamente o porquê de certos vinhos entrarem em fase de latência, ou dormência, ou hibernação, como preferir.
 
A maioria das explicações remete à evolução da bebida em garrafa. Lembremos então que os aromas primários – fragrâncias das uvas – são costumeiramente os primeiros a serem percebidos. Esses aromas geralmente são acrescidos de outros, ditos secundários, produto da fermentação e do estágio em barrica, por exemplo. Por fim, há os aromas terciários, mais “misteriosos”, resultado das combinações entre ésteres e outros produtos voláteis com o álcool já na garrafa.
 
Dessa forma, há quem acredite que essa fase de latência é causada pelo processo de engarrafamento, quando o oxigênio é incorporado. Isso levaria a bebida a encontrar um novo equilíbrio químico. Há ainda quem aponte para os sulfitos, que geralmente são adicionados para ajudar a preservar o vinho e podem interferir nos aromas e sabores. Contudo, isso não explica o porquê de rótulos que não levam adição de enxofre também passarem por fases semelhantes.
 
 
Ainda dentro do tema do engarrafamento, outra possibilidade poderia ser a quebra precoce de algumas cadeias de taninos e outros compostos, que demorariam a se reagrupar. O transporte da garrafa e a exposição a variações de temperatura também ajudariam a gerar essa inconsistência evolutiva.
 
Curvas de evolução
 
Acredita-se que a primeira fase de latência de um vinho ocorra entre os seis primeiros meses após o engarrafamento a até um ano, quando o oxigênio e os sulfitos (se forem adicionados) estarão “reajustando” os aromas e sabores da bebida. Esse seria o motivo pelo qual muitos produtores só colocam seus rótulos à venda após esse período.
 
Há ainda quem aponte que uma segunda fase de dormência ocorre logo após o transporte (intercontinental) devido à intensa movimentação da garrafa e alternância de temperaturas. Esse estágio duraria cerca de um mês.
 
Apesar de o fenômeno ocorrer, não há consenso entre os produtores, enólogos e críticos de vinho. Há quem simplesmente não concorde com a teoria de que um vinho possa atravessar uma fase “ruim”, dizendo que são apenas estágios diferentes de sua evolução natural. Alguns chamam isso de curva evolutiva e, em certos momentos, o vinho pode estagnar, para, logo em seguida, partir para outro nível. Ou seja, para eles, esses vinhos apenas demorariam mais para alcançar seu pleno estágio de maturação.
 
Certos produtores bordaleses admitem que alguns rótulos podem entrar nessa fase de latência entre o terceiro e o quinto ano após o engarrafamento. Mas isso não é uma regra e tampouco há como definir quando um vinho ingressará em seu momento de hibernação.
 
Quanto tempo esperar?
 
 
Não há como determinar com exatidão a curva evolutiva de um vinho. Eles evoluem em ritmos diferentes e podem ou não entrar em fase de dormência. Uma teoria diz que vinhos de safras mais quentes tendem a passar por esse processo mais do que os de colheitas mais frias. De qualquer forma, é impossível prever se isso vai ocorrer ou não com um rótulo.
 
Já o crítico inglês Steven Spurrier acredita que esse é um fenômeno que acontece mais frequentemente com vinhos à base de Cabernet Sauvignon, Syrah, Mourvèdre e Sangiovese, por exemplo, e menos com Pinot Noir e Grenache. Segundo ele, os rótulos destas duas últimas variedades tendem a esvanecer com o tempo em vez de se “silenciarem”.
 
No entanto, grandes colecionadores do mundo chegaram a atestar que alguns dos mais prestigiados vinhos da Borgonha, por exemplo, atravessaram fases de latência por impressionantes 20 anos antes de se abrirem novamente. Spurrier lembra que, às vezes, Portos Vintage também passam por processo semelhante, sendo fragrantes quando jovens e ficando fechados durante décadas a fio até se mostrarem novamente.
 
O crítico Hugh Johnson, por sua vez, acredita que a questão está mesmo relacionada às safras. Segundo ele, cada safra evolui em uma certa velocidade, algumas mais lentamente, outras mais rapidamente. Mais do que isso, ele admite que nem sempre é capaz de reconhecer quando um vinho está passando por uma fase de dormência. “Sempre acho que abri o vinho cedo demais”, revela.
 
Abrir periodicamente
 
Uma solução para enfrentar esse problema, segundo os críticos, seria adquirir uma caixa e abrir as garrafas periodicamente para acompanhar a evolução da bebida. Spurrier, por exemplo, conta que quase sempre degusta as três primeiras garrafas de uma caixa de Bordeaux em seu período de latência, seis em bom estado e as últimas três já levemente decadentes. Johnson, por sua vez, simplifica as coisas dizendo: “Se você quer fruta, abra o vinho jovem. Se quer maturação, seja paciente”.
 
Morto ou dormindo?
 
Mas, enfim, o que caracterizaria essa fase de latência que a diferenciaria de um estágio mais avançado e próximo da decrepitude? Um vinho dormente tende a ser descrito como “fechado”. Ou seja, ele não revela quase nada nos aromas, tampouco em seus sabores. Críticos ingleses e norte-americanos costumam dizer que o vinho está “mudo”. Basicamente, ele não diz nada. Você procura os aromas frutados dos primeiros anos, mas eles não estão lá, estão escondidos, ou melhor, mudando lentamente. Por isso, também é dito que está passando pela “adolescência”.
 
Infelizmente, colocá-lo no decanter pouco ajudará. É consenso que, quando o vinho atinge esse estágio, nenhum tipo de aeração fará com que ele recupere as suas características juvenis, de frutas marcantes, por exemplo. Decantar pode até minimizar um pouco os efeitos, liberando alguns poucos aromas, mas não solucionará o problema. Apenas o tempo (em garrafa) pode ajudar nesse caso.
 
Mas como diferenciá-lo de um vinho cujo apogeu já ficou para trás e está indo rumo à morte? Enquanto um vinho dormente, apesar de não se expressar muito, revela boas caraterísticas e potencial – especialmente em sua estrutura –, rótulos que passaram do tempo tendem a apresentar aromas e sabores que nem sempre são agradáveis. Eles geralmente são marcados pela oxidação e os aromas frutados estão decadentes, aparecendo fragrâncias que os franceses definem como sous bois, uma mistura de algo terroso, com ervas e cogumelos – característica, todavia, que nem sempre pode ser considerada depreciativa. Em alguns casos, leves tons acéticos podem surgir, dando uma pista ainda mais clara de que o melhor momento daquele vinho já ficou para trás há tempos. A cor, apesar de também não ser um parâmetro definitivo, pode ajudar no reconhecimento. Tintos muito descoloridos e brancos muito escuros podem ser indícios de decrepitude.

Edegar Scortegagna, presidente da Associação Brasileira de Enologia, comenta o mercado de vinhos nacionais

Edegar Scortegagna, enólogo da Luiz Argenta Vinhos Finos, assume em 2017 o cargo de presidente da Associação Brasileira de Enologia (ABE). Abaixo ele fala sobre o vinho brasileiro.
 
 
Qual o maior desafio do vinho brasileiro hoje? A concorrência dos importados? 
 
Não vejo outros países como concorrentes. O consumidor não é fiel, e nem deve ser, ele gosta de provar diferentes vinhos. Então acredito que o maior desafio é fazer o consumidor conhecer mais os produtos brasileiros, criar cursos de degustação, falar cada vez mais sobre nossos rótulos.
 
Acha que a aceitação do público melhorou? O preço atrapalha?
 
A aceitação do público melhorou muito, principalmente nos últimos dois anos. Mas ainda precisamos de um voto de confiança, que acreditem no vinho brasileiro e que brindem com ele para ajudar os produtores nacionais e a economia. O problema maior sobre os preços do vinho brasileiro são os impostos. Além disso, também dependemos dos insumos importados, com alta carga tributária. Outro ponto é que cada estado tem sua tributação, o que faz com que o mesmo vinho tenha preços distintos em diferentes lugares.
 
Você é de uma geração de enólogos que atuou no exterior antes de trabalhar no País. Que influências trouxe de lá?
 
A Europa produz vinhos há milhares de anos e ensina enologia há mais de cem anos. Tenho certeza de que estudar outras realidades, conhecer novos terroirs, só faz crescer a cultura dos vinhos. Não estou dizendo que os vinhos de outros países são melhores ou piores do que os nossos, mas o fato de conhecer outras realidades e saber adaptá-las à nossa pode fazer a diferença.

sábado, 7 de janeiro de 2017

Coravin começa a ser vendido no Brasil

Um dos brinquedinhos mais disputados pelos habitantes do mundo do vinho, o Coravin passa a ser vendido oficialmente no Brasil. O aparelho consegue extrair a bebida de garrafas sem desarrolhá-las. Lançado há três anos, causou furor entre os enófilos por permitir que vinhos raros e/ou caros pudessem ser degustados em diferentes estágios de sua vida sem causar prejuízo ao que remanescia na garrafa. Seu grande trunfo é um sistema que usa uma agulha para retirar o líquido e, ao mesmo tempo, injetar gás argônio para impedir que o oxigênio, inimigo mor do vinho, causasse danos ao precioso líquido.
Foi usado, por exemplo, em provas de vinhos raros, como o Bordeaux do século 19 da foto acima. E ampliou a oferta de taças em restaurantes mundo a fora – o NoMad, de Nova York, foi um dos primeiros entusiastas–, que passaram a vender rótulos além dos varietais famosos em regiões próximas, arriscando até incluir na lista garrafas que custam muitos dígitos.
Muitos dígitos, aliás, são o problema que Coravin oferece para quem deseja ter um exemplar em casa. No Brasil, custa entre R$ 2,8 mil e R$ 3,56 mil, a depender do modelo, no site da importadora Concept. Para quem não quer dispor da quantia, fica a piada que corre sobre o aparelho na internet: quem precisa de um Coravin em casa é porque não tem amigos suficientes. 

Projeto Comprador busca incrementar vendas para Rússia e Oriente Médio

Sete profissionais que representam empresas na Rússia e no Oriente Médio visitaram, no início de dezembro passado, a Serra Gaúcha participando do Projeto Comprador, realizado pelo Wines of Brasil, em parceria com os escritórios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) em Moscou, na Rússia, e em Miami, nos Estados Unidos. O grupo veio para conhecer o mercado nacional de vinhos, espumantes e sucos de uva e prospectar novos negócios.
 
O Wines of Brasil é um projeto setorial de divulgação dos vinhos brasileiros no Exterior, desenvolvido pelo Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) em conjunto com a Apex-Brasil.
 
“Os vinhos e espumantes brasileiros têm diferencial. São elegantes, gastronômicos, leves, frescos e frutados. E é este estilo que vai fazer os produtos se destacarem no mercado mundial”. A declaração do gerente de Importação russo Vasily Izraliantc revela a surpresa identificada pelos participantes. A comitiva inclui ainda integrantes do escritório da Apex-Brasil na Rússia, o brasileiro Almir Ribeiro Americo e a russa Milena Babayan, representantes de importadoras russas, Svetlana Selivanova e Mikhail Bodukhin, a jornalista russa especializada em vinhos Tatiana Zlodorena e o gerente de Alimentos e Bebidas, o brasileiro Daniel Miranda.
 
Durante cinco dias, o grupo visitou nove vinícolas da Serra Gaúcha (Aurora, Casa Perini, Casa Valduga, Don Guerino, Lidio Carraro, Miolo, Mioranza, Pizzato e Salton), degustou seus rótulos e conheceu os métodos de elaboração dos produtos.
 
 
Para o gerente de Alimentos e Bebidas da Fogo de Chão no Oriente Médio, o brasileiro Daniel Miranda, a vinda à região evidenciou o potencial da vitivinicultura nacional e possibilitará a inserção dos rótulos verde-amarelos nas cartas de vinhos das 13 novas unidades da rede de restaurante americana que serão abertas nos próximos quatro anos no Oriente Médio, no norte da África e na Oceania. “Sou consumidor dos vinhos do nosso país e vejo como a qualidade deles cresceu ao longo desses anos. Há mais investimentos, os produtores estão viajando e conhecendo mais e, assim, evoluindo”, avalia Miranda.
 
As duas primeiras filiais dessa prospecção da Fogo de Chão já abrem no próximo ano: em janeiro, na Arábia Saudita, e em março, em Dubai. “É uma grande oportunidade para apresentarmos os vinhos brasileiros para o mundo inteiro. Em Dubai há mais de 200 nacionalidades circulando. Para começar, quero colocar, pelo menos, 20 rótulos brasileiros em nossa carta. Acho que devido ao calor, vamos conseguir explorar mais os espumantes e os vinhos brancos e rosés. O suco de uva também vai conquistar”, acredita o gerente de Alimentos e Bebidas. Em Dubai, a Fogo de Chão abrirá filial em um local que há permissão para a venda de bebidas alcoólicas.
 
O gerente de Importação da Marine Express, Vasily Izraliantc, conta que a viagem está sendo encantadora. “Quando pensava no país, vinha na mente café, tabaco, Carnaval e futebol. Foi surpreendente. A produção é diversificada, com tecnologia avançada. Já visitei muitas vinícolas, mas aqui encontrei tecnologias que não vi em outros lugares”, conta.
 
De acordo com Izraliantc, na Rússia o consumo é praticamente igual entre vinhos tranquilos e espumantes, mas vem se observando um crescimento no mercado das borbulhas. O país é responsável por 85% da comercialização nacional. Apenas 15% dos rótulos são importados.
 
Para o presidente do Ibravin, Dirceu Scottá, a Rússia e o Oriente Médio são mercados muito promissores. “Com a vinda destes profissionais, temos a expectativa de aumentar a comercialização para os países e, através destes contatos, termos auxilio na promoção dos produtos na Rússia e no Oriente Médio”, pontua o dirigente.
 
Fonte: IBRAVIN

Safra 2017 deve atingir 600 milhões de quilos de uva

Depois da quebra de 57% da última colheita, representantes do setor acreditam em uma produção com quantidade normal e de muita qualidade
 
 
As previsões são boas e tudo indica que as condições climáticas e o manejo realizado pelos produtores ao longo dos meses ajudarão para que safra de uva se normalize esse ano. Depois de uma perda de 57% em 2016 – considerada a maior quebra desde 1969 –, a expectativa é que a produção no Rio Grande do Sul atinja 600 milhões de quilos de uva em 2017, cerca de 100% a mais se comparado ao ano anterior, quando foram colhidos pouco mais de 300 milhões de quilos.
 
De acordo com o vice-presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho/RS), Oscar Ló, as primeiras uvas começaram a ser colhidas no início de janeiro, com maior incremento de volume a partir da segunda quinzena do mês. “Estamos muito contentes com a qualidade, os vinhedos estão com uma boa produção. As condições climáticas estão muito favoráveis neste ano. Tudo indica que teremos uma safra normal e, com isso, os estoques também deverão voltar aos patamares dos anos anteriores, alcançando o armazenamento de cerca de 150 milhões de litros. A quebra do último ano não impactará negativamente na qualidade e nem no volume da produção desta safra”, avalia Ló.
 
O coordenador e o vice-coordenador da Comissão Interestadual da Uva, Denis Debiasi e Olir Schiavenin, respectivamente, tiveram as mesmas percepções do dirigente e acreditam em resultados positivos para essasafra. “Não houve registros significativos desfavoráveis em relação ao clima. Por enquanto, está tudo tranquilo. A sanidade da uva está boa, os produtores fizeram manejos adequados, incluindo uma boa adubação. Tudo se encaminha para bons resultados”, pontua Schiavenin.        

Em relação à qualidade, as vinícolas do estado do Rio Grande do Sul comemoram a sanidade observada nas variedades até o momento. Tudo indica também que as uvas atingirão uma boa graduação de açúcar. “Esta safra está com uma produção excelente. Noventa e nove por cento das regiões não apresentaram doenças fúngicas”, constata o ex-presidente do Ibravin e atual integrante do Conselho Deliberativo da entidade pela Comissão Interestadual da Uva, Moacir Mazzarollo.

Ainda segundo Mazzarollo, as próximas semanas serão decisivas para obtenção desses resultados. “A qualidade final se dá no momento da colheita. Mas as previsões climáticas indicam que os próximos meses estarão dentro da média ou ainda menor em volume de chuva”, explica.
 
O chefe-geral da Embrapa Uva e Vinho, Mauro Zanus, acredita que os efeitos do fenômeno La Niña ajudarão para que se colham as uvas com a maturação adequada. “Os prognósticos meteorológicos apontam para uma influência moderada do La Niña, em que ocorreria uma incidência de chuvas menor que o normal, mas este efeito ainda não se confirmou. Tudo indica que essas massas com menor umidade venham até fevereiro”, observa. “Estamos acompanhando e conversando com técnicos e os dados apontam para um prognóstico bastante positivo. As chuvas de setembro e outubro não impactaram negativamente”, avalia Zanus. 

Vindima no Vale dos Vinhedos: trabalho, dedicação e alegria na colheita da uva

Chegamos ao verão, estação sinônimo de férias e descanso para muitos. No Vale dos Vinhedos é a estação da colheita literal de nossos frutos. É quando alcançamos o momento mais glorioso e também do trabalho mais árduo: a Vindima.
 
Durante o ano, produtores rurais, enólogos e suas equipes esforçam-se incansavelmente para que as videiras cumpram seus ciclos em cada estação. Outono, inverno e primavera têm papel fundamental no desenvolvimento das videiras e frutos. Neste processo evolutivo, a natureza e o homem se aliam para originar aquelas que são o motivo do Vale dos Vinhedos existir: as uvas.
O ápice de todo este esforço acontece no verão, quando as diversas variedades que originam vinhos de características únicas, são colhidas pela comunidade e pelos viticultores do Vale.
Ao mesmo tempo que o trabalho de colheita é realizado, o espírito da Vindima toma conta dos nossos ares como que por magia: aromas adocicados pairam no ar, as paisagens mudam suas tonalidades alternando as cores das videiras e uvas com os chapéus de palha dos trabalhadores, a temperatura instiga a viver experiências junto a natureza e até mesmo o som dos tratores nos traz a nostalgia de tempos passados. A alegria toma conta até mesmo daqueles que não trabalham diretamente com a colheita: recepcionistas, garçons, camareiras, artesãos. Todos são contagiados pelo espírito de renovação da Vindima, em um mesmo clima de comemoração e de recomeço.
Por aqui, não apenas um ano novo se inicia. É uma nova safra, com novos e únicos vinhos e espumantes que trazem consigo a herança de nossos ancestrais, o aprendizado de nossos nonos, nonas, pais e mães refletidos nas milhares de caixas de uva e nas novas garrafas que descansarão nas adegas de nossas vinícolas.
A Vindima é o nosso melhor jeito de iniciar um novo ciclo, colhendo os frutos de nosso trabalho e oferecendo aos nossos visitantes o que melhor sabemos fazer: receber erguendo um brinde ao novo!
 
Programação especial para curtir a Vindima
Para aproveitar a Vindima em todos os seus aspectos, os atrativos do Vale dos Vinhedos oferecem atividades especiais no período de 07 de janeiro a 19 de março.
A Abertura Oficial da Vindima no Vale dos Vinhedos acontecerá no dia 28 de janeiro, no Hotel Villa Michelon. O evento contará com a bênção dos parreirais e dos vitivinicultores, colheita e pisa das uvas com as Soberanas do Vale dos Vinhedos e filó italiano de confraternização.
Durante o período, a colheita e pisa das uvas também poderá ser realizada em outros empreendimentos, em pacotes de um dia ou com hospedagem inclusa para um final de semana especial. Hotel & Spa do Vinho, Casa Valduga, Hotel Villa Michelon, Pousada Florenza e o Circolo Trentino di Bento Gonçalves oferecem esta atividade mediante reserva antecipada.
Eventos que unem gastronomia e vinho também são atração no período: o Winery & Food Cave de Pedra e o Cálice de Estrelas acontecem já no dia 14 de janeiro. E para os amantes do esporte, a Maratona do Vinho será realizada no dia 12 de fevereiro em meio às paisagens do Vale dos Vinhedos e da Estrada do Sabor. E a La Sfida Vindima 2017 será realizada nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro, em três cidades – Pinto Bandeira, Garibaldi e Bento Gonçalves – sendo encerrada no Vale dos Vinhedos. Ambas estão com inscrições abertas.
Piqueniques em meio aos parreirais carregados de uvas são atração também na Vinhos Larentis e na Cave de Pedra. A atividade também pode ser realizada no Jardim Leopoldina.
Oficinas de drinks com vinhos e espumantes e mini curso sobre uvas e vinhos são oferecidos pela Cooperativa Vinícola Aurora. E as tradicionais oficinas gastronômicas com temas variados são ofertadas pelo Valle Rustico Restaurante.
A Pizzato Vinhas e Vinhos oferecerá a oportunidade de realização de degustações verticais, além de harmonizar tábuas de frios de sabores variados com seus vinhos. E o Wine Garden, nos jardins da Miolo Wine Group segue durante a Vindima, com inúmeros eventos especiais.
A Vinícola Dom Cândido levará seus visitantes para conhecer os parreirais e realizará degustação orientada durante o período. Cursos de degustação e cursos de harmonização na Miolo Wine Group e na Casa Valduga complementam a oferta de atrações para o período.
Venha vivenciar conosco as belezas da Vindima 2017. Esperamos você com uma série de atrações e atividades diferenciadas, de 07 de janeiro a 19 de março.

Fonte: APROVALE