quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Calendário da Vindima 2015 começa na próxima segunda

As primeiras uvas para espumante já estão sendo colhidas na região sul do Brasil, mas a colheita das variedades tintas e brancas para vinhos tranquilos começará um pouco mais para o fim de janeiro. E essa é uma das épocas mais alegres, bonitas e festivas na mais tradicional região vitivinícola brasileira, o Vale dos Vinhedos.
 
Este período – juntamente com o inverno e suas temperaturas agradáveis para desfrutar dos bons vinhos por lá produzidos – talvez seja o mais interessante para visitar a região, que desenvolve diversas atividades na famosa festa da vindima. Para 2015, a programação é extensa, indo de 15 de janeiro até 15 de março. A abertura oficial, com colheita de uvas no parreiral do Hotel Villa Michelon, ocorre no dia 31 de janeiro e conta com a participação das lindas Soberanas do Vale dos Vinhedos, da Imperatriz do Vinho e Damas de Honra, além de autoridades.
 
Mas as opções para quem quer aproveitar esse período e vivenciar essa incrível experiência que é a colheita são muitas, com inúmeras vinícolas, hotéis e pousadas oferecendo pacotes promocionais nessa época. Neste ano, durante a vindima também ocorrerá o lançamento do documentário Memórias do Vale dos Vinhedos (data e local ainda não foram divulgados). O filme retrata deste as motivações que levaram os imigrantes a abandonarem a Itália até a chegada ao Vale dos Vinhedos.
 
Confira abaixo toda a programação e pacotes para a vindima 2015 no Vale dos Vinhedos
 
Programações de colheita e pisa das uvas:
 
Abertura oficial da Vindima no Vale dos Vinhedos 

Data: 31 de janeiro de 2015
Local: Hotel Villa Michelon

Programação:

18h: colheita das uvas no parreiral modelo do Hotel Villa Michelon. Participam da colheita as Soberanas do Vale dos Vinhedos, Imperatriz do Vinho e Damas de Honra, autoridades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, acompanhados de convidados, imprensa, comunidade local e visitantes.
 
18h30min: ritual da pisa das uvas, resgatando as antigas práticas dos primeiros imigrantes que se estabeleceram na região. Participam do ritual as Soberanas e Imperatrizes, autoridades e convidados.
 
19h: Celebração religiosa no Salão da Comunidade 8 da Graciema
 
20h: Filó Italiano com a presença dos Corais típicos da Região e o conjunto de acordeões de Santa Tereza. Degustação de vinhos do Vale dos Vinhedos, comidas típicas e jogos.
 
Valor por pessoa: R$ 40 

Informações e reservas: 54.2102.1800 ou reservas@villamichelon.com.br

Festa da Vindima Casa Valduga
 
Período: aos sábados, a partir do último final de semana de janeiro, até o primeiro final de semana de março.
 
Local: Casa Valduga 

Programação:

08h: café da manhã servido sob os parreirais ao som de temas italianos

09h30min: saída para colheita nos vinhedos da Famiglia Valduga

12h: almoço típico servido em ambiente histórico, em meio as pipas de vinhos

16h30min: café colonial servido em espaço reservado da Famiglia Valduga, com atração especial

18h30min: Visita a Capela das Neves – igreja construída com vinho – com recepção do historiador e escritor Remy Valduga
 
19h30min: pisa das uvas acompanhada pelo Coral Terra Nostra 

21h: jantar de confraternização e encerramento

Neste passeio estão inclusos: transporte com carro tradicional, materiais específicos e personalizados para as atividades propostas, café da manhã, almoço e jantar com bebidas inclusas, brinde especial para o casal e fotógrafo profissional acompanhando todo o evento.
 
Valor da programação para duas pessoas: R$ 985
 
Informações e reservas: 54.2105.3154 ou reservas@villavalduga.com.br 
 
Festa da Colheita Hotel & Spa do Vinho
 
Pacote Festa da Colheita - inclui 2 diárias 
 
Período: válido para os finais de semana de 06 a 28 de fevereiro de 2015 – exceto de 13 a 17 de fevereiro de 2015
 
Confira a completa programação de cultura, relaxamento, alta gastronomia e bem estar: 

Sexta-feira 

Check in diferenciado a partir das 12h;

Jantar Temático Harmonizado “História do Vale dos Vinhedos”.

Sábado 

Prima Colazzione (café da manhã típico colonial);

Festa da Colheita: Entrega das brítolas e vestimentas, passeio nos vinhedos com orientadores, colheita nos parreirais, pisoteio e degustação do primeiro vinho. Na sequencia, almoço típico colonial ao ar livre, ao som de coral de descendentes de imigrantes italianos na Praça dos Vinhedos (10h30 às 14h).
 
Domingo 

Café da manhã à francesa no Leopoldina Restaurante;

Brunch ao Espumante, inclui 2 taças de espumante por pessoa, no Leopoldina Restaurante (bebidas não inclusas);
 
Late check out até às 16hs. 

Sua estadia inclui também: 

Convite cortesia para visitação VIP à Vinícola Miolo, estacionamento, acesso às piscinas e jacuzzi externas, Health Center, quadras de tênis, sala de jogos, charutaria, biblioteca, Internet Wi-Fi e Lan House.
 
Informações e reservas: 54.2102.7200 ou reservas@spadovinho.com.br 

Programações diferenciadas 

Lançamento do Documentário Memórias do Vale dos Vinhedos

Data: em breve serão divulgadas data e local do lançamento. 

Informações: contato@valedosvinhedos.com.br

Piquenique da Vinhos Larentis

Período: durante toda a programação da Vindima, mediante agendamento antecipado. 

Que tal saborear as delícias da nossa gastronomia em meio aos parreirais, degustando um bom vinho ou espumante? A Vinhos Larentis oferece a seus visitantes esta oportunidade: o piquenique nos parreirais.
 
Você escolhe o local onde deseja estender a sua toalha e saboreia uma tábua de frios, pães com geleias diversas e uma garrafa de vinho ou espumante da Vinhos Larentis.
 
Valor: R$ 45 por pessoa.
 
Informações e reservas: 54.3453.6469 ou larentis@larentis.com.br 

Mini cursos de degustação Vinícola Aurora 

Além da tradicional visitação guiada, a vinícola Aurora oferecerá mini cursos de degustação gratuitos durante a vindima.
 
Necessário agendamento antecipado.
 
Datas: segunda a sexta, às 09h e às 14h. Em janeiro também aos sábados. 

Informações e reservas: 54.3455.2051 ou turismo@vinicolaaurora.com.br

Lídio Carraro Vinícola Boutique 

Durante o período da vindima a Lídio Carraro atenderá diariamente das 8h às 18h, com degustações de vinhos Premium e Top Premium.
 
Também serão oferecidas as seguintes atividades aos visitantes:
 
- Degustações de uvas (diferença entre Americanas e Vits Vinifera); 

- Jantares Harmonizados (mínimo de 15 pessoas mediante agendamento);

- Harmonização de Chocolates e Vinhos (mediante agendamento).

Informações e reservas: atendimento@lidiocarraro.com ou 54.2105.2555

Há ainda pacotes especiais em restaurantes, pousadas e hoteís da região.

Para mais informações sobre a programação da vindima 2015, acesse: 

www.valedosvinhedos.com.br

Fonte: Revista Adega

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Santa Alicia Reserva Carménère 2012

Não nego, não sou fã da carménère, mas não posso deixar de falar dos que agradam, ainda se eles tiverem um preço justo e foi isso que aconteceu com o Santa Alicia Reserva Carmènère.
 
O vinho é produzido no Vale do Maipo pela vinícola Santa Alicia. A fermentação é realizada em tanques de aço inoxidável por 7 a 10 dias e após ficar pronto matura por 8 meses em barricas de carvalho americano e mais 8 meses em garrafa.
 
Na taça apresentou cor rubi intensa e brilhante com  halo ligeiramente púrpura e lágrimas finas e rápidas. No nariz apresentou aromas de frutas negras, leve toque herbáceo (hortelã e pimentão), chocolate amargo, baunilha e tostado. Em boca apresentou corpo médio, confirmação  do olfato e taninos macios e bem integrados a acidez e ao álcool. Final de boca de coa intensidade com a fruta e o tostado aparecendo no retrogosto.

O Rótulo

Vinho: Santa Alicia Reserva
Tipo: Tinto
Casta: Carmènère
Safra: 2012
País: Chile
Região: Vale do Maipo
Produtor: Santa Alicia
Graduação: 14%
Onde comprar: DLP
Preço médio: 30,00
Temperatura de serviço: 16º

sábado, 3 de janeiro de 2015

Conheça o lugar onde vinho é mais barato que água

É fácil hoje em dia encontrar nas prateleiras de alguns dos maiores mercados da Austrália vinhos mais baratos do que água.

Você pode escolher entre uma garrafa de um pouco conhecido vinho tinto por apenas um dólar australiano (cerca de R$ 2,20) e um vinho branco muito popular que é vendido a 2,99 dólares australianos (cerca de R$ 6,50). Isso, é claro, antes de avistar um galão de 4 litros por 17 dólares australianos (aproximadamente R$ 37).
 
 
Seja qual for sua escolha, ela proporcionalmente custará menos do que uma garrafa de água de 350ml - vendida normalmente a 2,50 dólares australianos (cerca de R$ 5,50).
 
"Vinhos estão mais baratos do que uma garrafa de água", confirmou à BBC o professor Kym Anderson, do Centro de Pesquisa Econômica de Vinho de Adelaide. "E isso soa estranho, especialmente considerando que o preço inclui o imposto do atacado e do varejo", diz ele.
 
Como é possível?
 
Não é a primeira vez que esse tipo de cenário de preços é notícia na Austrália, mas hoje a situação é muito grave, de acordo com especialistas. Os preços em todas as áreas têm sido afetados por diversos fatores interligados, incluindo as taxas de câmbio recentes, a queda da demanda internacional e excesso do produto no mercado doméstico.
 
O aumento do valor do dólar australiano em relação ao dos EUA entre o início de 2011 e 2013 teve dois impactos na indústria de vinho, disse Paul Evans, diretor-executivo da Federação de Produtores de Vinho da Austrália (WFA, na sigla em inglês). "Grande parte do volume que exportamos voltou ao mercado interno quando caiu a demanda internacional por nosso vinho".
 
Neste cenário, a competição entre os produtores locais tem crescido, o que derruba mais os preços, explica Evans. "Isso também é um incentivo para as importações e, assim, vimos crescer substancialmente as vendas de vinhos importados no mercado doméstico".
 
Impostos e preços
 
Outro fator que contribui para o baixo preço dos vinhos da Austrália é o imposto sobre o álcool. Isso varia por produto.
 
"Na Austrália há um sistema em que vinho e cidra têm diferentes impostos", diz Robin Room,
pesquisador de álcool e diretor do Centro urning Point de Álcool e Drogas, em Melbourne. "Para bebidas está sendo cobrado um imposto com base no valor de venda do produto, em vez de pela quantidade de álcool que eles têm". Portanto, isso significa que, se o vinho é vendido tão barato, o imposto é muito baixo também.
 
"Aqueles que fazem um produto caro pagam um imposto maior sobre ele", explica. E isso cria uma divisão dentro da própria indústria, completa ele. Uma das funções de Room é ajudar a reduzir os problemas relacionados ao álcool na Austrália. Um aumento de impostos sobre o vinho poderia ajudar a reduzir alguns dos problemas de saúde relacionados ao álcool. "Veríamos uma diminuição de problemas de saúde realmente sérios, bem como daqueles relacionados à ordem social e violência derivados da bebida", opina.
 
Em contrapartida, Room diz que houve um aumento constante de problemas de saúde associados ao álcool. Por exemplo, "os pedidos por ambulâncias em Victoria dobraram nos últimos dez anos, e muitos episódios estão relacionados ao consumo de álcool, de acordo com números de departamentos de emergência", relata. "Também têm aumentado o número de internações por cirrose hepática".
 
No entanto, ele observa que algumas bebidas alcoólicas "sempre foram baratas" no país e, além de impostos, estabelecer um preço mínimo para esses produtos "pode ser importante na redução de problemas relacionados ao álcool".
 
O duopólio e os produtores de vinho
 
Outro fator que mantém acessível o preço dos vinhos é o duopólio de dois grandes supermercados, Woolworths e Coles. As duas empresas controlam mais de 70% de todas as vendas de vinho no varejo. A Federação de Produtores de Vinho elogia os investimentos feitos pelos supermercados na indústria, mas também aponta a necessidade de rever a situação. "Há uma diferença considerável entre o poder dos varejistas do mercado e dos produtores de vinho, o que afeta negativamente a indústria como um todo", diz Evans, da Federação de Produtores de Vinho. "Isso se reflete na margem de lucro dos produtores de uva, que cai em cascata".
 
Outros dizem que o duopólio não é tão ruim e que as grandes redes estão ajudando os produtores em um momento difícil no mercado. Um pequeno produtor de Canberra diz que alguns varejistas são realmente bons comerciantes. "Eles estão definitivamente ajudando alguns produtores (a escoar) seu excesso de oferta", diz Fergus McGhie, da vinícola Mount Majura. Segundo ele, há um debate para reduzir a produção de vinhos em 10% para conter esse excesso. "E isso é em todas as regiões. Ouvimos que todo mundo precisa retirar 10% dos seus vinhos (de circulação) para trazer as coisas de volta ao equilíbrio. Mas ninguém quer fazer isso. E eu não vou. Só aqueles que não entendem o cenário reclamam do duopólio. Esses grandes varejistas só estão vendendo vinho e estão se saindo muito bem".
 
Consumidores
 
Em geral, os baixos preços dos vinhos australianos parece aceitável para alguns produtores e uma vitória para os consumidores, que procuram uma garrafa boa e acessível por menos de US$ 10.
 
E talvez seja uma vitória também para grandes varejistas, que são vistos como salvadores por alguns produtores que precisam reduzir o seu excesso de oferta.
 
Mas e no longo prazo?
 
A federação garante que a situação não é sustentável e que está trabalhando com o governo para corrigi-la. "Atualmente estamos experimentando uma desvalorização do valor da marca que muitos enólogos australianos ajudaram a construir por muito tempo", diz Evans. "Mas eu acho que o mais importante, no longo prazo, é acabar com o mito da relação entre a qualidade do vinho e o preço que se está pagando por ele. Dessa forma, vai ser muito difícil para os consumidores voltar a um sistema de preços que tenha mais relação com a qualidade do vinho que está sendo consumido."

Aquecimento global pode alterar o gosto de vinhos Pinot Noir

O paladar marcante, característico dos vinhos Pinot Noir, pode estar com os dias contados. Devido às mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global, a uva, que sofre mudanças em temperaturas em sua acidez mais elevadas, pode ser substituída, alterando o sabor da bebida.
 
De acordo com o Daily Mail, pesquisadores suecos da Lund University afirmam que o sabor dos vinhos podem sofrer alterações pois o nível de açúcar das uvas muda de acordo com a velocidade de maturação da frutas, mais rápida em climas quentes.
 
Donos de vinícolas na França, Itália, América do Sul e Califórnia já estão tomando suas medidas para "salvar" os vinhos que levam a Pinot Noir, trocando-a por outra uva. O aquecimento global também pode aumentar o risco do vinho estragar, por isso os fabricantes terão de tomar um cuidado extra com as rolhas utilizadas e as condições de armazenamento.

Fungo atinge videiras na Serra gaúcha

O surgimento de um fungo que ataca as videiras preocupa os produtores de uva da Serra do Rio Grande do Sul. Chamado de "míldio", mas mais conhecido pelos agricultores como "mufa", ele pode ser altamente destrutivo.
 
As folhas ficam com manchas amareladas, enfraquecem e acabam caindo. A doença é causada pelo excesso de chuvas, típico do fenômeno El Niño. Segundo o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho Lucas Garrido, os tipos bordô, niágara e isabel são os mais afetados. Como o açucar da fruta é produzido na folha, o vinho também pode ser afetado.
 
 
“Tendo menos folhas, devido à queda precoce, menos açúcar vai ser drenado para o cacho. Menos açucar, o produtor depois terá um vinho mais ácido”, explica o pesquisador.
 
Em uma propriedade de seis hectares no interior de Pinto Bandeira, o fungo já atinge 30% da área. Por isso, as vistorias passaram a ser frequentes. São 2 mil pés de 14 tipos de uva. Se não for controlado, o fungo pode comprometer 70% da produção. “A gente vive disso. Se não dá certo, a gente se preocupa. E para o próximo ano também é uma preocupação, porque afeta o galho”, destaca a produtora rural Lenir Forest.
 
O também produtor rural Vanius Foresti ressalta que muitas das vinícolas para as quais entrega, analisam as frutas do caminhão antes da compra. “Tem de ter qualidade final. Se não tem, corre o risco de voltar para casa com o produto, que é o teu ganha pão”, conta.
 
A Emprapa acredita que, apesar do fundo, a próxima safra deve ter aumento, se comparada à safra deste ano. Na safra passada, o estado colheu mais de 600 mil toneladas de uva.

Château Rougerie Bordeaux Supérieur 2011

Eu e Fernanda abrimos, no início de dezembro, este Bordeaux que estava na adega há quase um ano.

O vinho é produzido por Patrick Valette, proprietário do pequeno Château Rougerie, do século XVII. O Patrick é enólogo e consultor de grandes vinhedos ao redor do mundo.

Este exemplar é produzido é um varietal merlot, algo pouco usual nos países produtores do velho mundo, e passou por envelhecimento em barricas de carvalho por 12 meses, sendo 30% em barricas novas, 35% em barricas de 2º uso e 35% em barricas de 3º uso.

Visualmente o vinho mostrou cor rubi com halo vermelho translúcido e boa formação de lágrimas. No nariz mostrou aromas de cereja, ameixa, folhas secas, tabaco e tostado. Em boca apresentou corpo médio com taninos macios, porém com leve adstrigência, boa acidez, álcool na medida certa e repetição das notas olfativas. Final de boca seco, leve amargor e boa persistência, com a fruta e as folhas secas aparecendo no retrogosto.
 
Harmonizamos com tomates recheados.

O Rótulo

Vinho: Château Rougerie Bordeaux Supérieur
Tipo: Tinto
Casta: Merlot
Safra: 2011
País: França
Região: Entre-Deux-Mers, Bordeaux
Produtor: Château Rougerie
Enólogo: Patrick Valette
Graduação: 14%
Onde comprar: Wine
Preço médio: 60,00 (R$ 35,20 na promoção)
Temperatura de serviço: 16º

Qual bebida é menos lesiva aos dentes?

As férias de fim  e início de ano incentivam o consumo de bebidas alcoólicas que, de uma forma geral, são grandes inimigas da boca e dos dentes. Além de diminuírem a produção de saliva (o “detergente” natural da buca), por conta de seu alto grau de acidez, agridem o esmalte dental e as gengivas.
 
“A mucosa da boca é revestida por uma pele muito fina e sensível que, em contato com a acidez exagerada de algumas bebidas alcoólicas, podem sofrem sérias lesões. Várias pessoas que chegam ao meu consultório com o diagnóstico de câncer de boca, muitas vezes tinham entre seus principais hábitos consumir bebidas alcoólicas” diz o estomatologista Ricardo de Lima Devides.
 
Combinação perigosa: álcool e açúcar
 
Quando a bebida é alcoólica e ainda por cima doce, como é o caso das famosas caipirinhas de frutas que costumam levar bastante açúcar, o problema fica ainda maior. “Quando o dente entra em contato com bebidas muito açucaradas e por períodos longos como acontecem nas festas ou nas praias, lugares em que as pessoas ficavam bebendo às vezes o dia todo, o risco de cárie e de corrosão dental aumenta sensivelmente”, diz Lucas Borbonha Livieiro, cirurgião-dentista.
 
E o alto nível alcoólico das pingas ou vodkas usadas para fazer esse tipo de bebida (com teor alcoólico de mais de 40%), só piora a situação. “O álcool age diretamente nas glândulas salivares, diminuindo em até 40% o volume da saliva”, diz Lucas. Outro exemplo dessa combinação perigosa são os champanhes. Essas bebidas nada mais são do que vinhos espumantes fermentados duas vezes, em que na segunda vez se acrescenta levedura e açúcar, tornando ela além de alcoólica, bem doce, um perigo para a saúde bucal. Porém, um ponto positivo dos champanhes é que o teor alcoólico deles está entre os mais baixos (11%).
 
Vinhos, os mocinhos?
 
Nas férias de verão uma das bebidas mais consumidas é o vinho (branco ou tinto). O tinto especificamente tem fama de ser um grande inimigo da saúde bucal por causa do seu alto grau de pigmentação. Porém, segundo o cirurgião-dentista especializado em estética, Alexandre Bussab, se não fosse o teor alcoólico dessa bebida (que para ajudar, está entre os mais baixos, em 12%), ela seria uma das que menos afetam a saúde bucal.
 
“Alimentos pigmentados tendem a manchar os dentes, mas esse efeito pode ser passageiro se, em um curto espaço de tempo, a pessoa conseguir fazer uma boa escovação. O efeito da forte pigmentação de um suco de uva que não contém álcool, por exemplo, pode ser eliminado com uma boa higienização da boca feita em seguida”, diz o especialista.
 
Truques
 
Para não deixar as bebidas alcoólicas de lado na hora do brinde, existem algumas dicas ou truques que diminuem as agressões que elas causam na boca. Ingerir água junto com o vinho, por exemplo, diminui a acidez responsável por facilitar a adesão da pigmentação nos dentes.
 
Outra dica simples e fácil é sempre manter uma boa higiene bucal. “Escovar os dentes três vezes ao dia e usar fio dental deixa os dentes limpos e sua superfície lisa, o que dificulta que os pigmentos do vinho grudem na estrutura”, diz Alexandre.
 
 Segundo um estudo feito pela Universidade de Adelaide, na Austrália, os maiores danos aos dentes ocorrem nos primeiros trinta segundos de contato dos ácidos com a boca. Para evitar esse choque tão perigoso, use o canudinho para consumir bebidas ácidas. “Essa tática vai ajudar a diminuir a área de contato do líquido com os dentes”, diz Lucas.