quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Vinhos do Novo Mundo desafiam predomínio dos premium de Bordeaux


Em uma nota a colecionadores e investidores de vinhos finos, é dito que os principais vinhos da Califórnia e Austrália - junto com os vinhos de outros lugares da Europa - são atualmente desvalorizados e subrepresentados nos portifólios.

Os vinhos do Novo Mundo têm potencial a desafiar o predomínio de Bordeaux no mercado de vinhos finos no mercado, de acordo com um comerciante líder no setor.

A Slurp Investiment Research argumenta que o mercado premium atual comandado por Bordeaux é "insustentável".

"Depois de 18 meses de ganhos dramáticos, os vinhos tinto de Bordeaux são negociados entre 300-450% a mais que vinhos de notas idênticas de outras regiões", disse Slurp.

A nota prevê um "rebalanceamento de portifólios fora de Bordeaux, com o Novo Mundo, Rhône e Itália (Barolo) sendo os maiores beneficiados". Slurp disse que os preços de Bordeaux subiram devido a onda de consumo dos chineses, mas adicionou que sua força de vendas em Hong Kong está começando a ver uma grande diferenciação nos hábitos de consumo chinês.

A nota adicionou ainda que a Penfolds e outras marcas do Novo Mundo "estão se tornando ícones globais". "Produtores como Torbreck, Clarenden Hills, Catena Zapata, e muitas outras, têm potencial de se tornar muito mais conhecidas entre os colecionadores e investidores do que são hoje".

"Mais e mais vinhos premium do Novo Mundo estão sendo feitos para durar os necessários 20-30 anos para ser um potencial investimento genuíno. Isso está ocorrendo em um tempo que muitos vinhos de Bordeaux são feitos atualmente em um estilo mais acessível, de se beber cedo".

Fonte: Revista Adega

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Propriedades antioxidantes do vinho tinto mantém-se após fervura de até 60 minutos


 

 
OBJETIVO: Avaliar a capacidade antioxidante e a concentração dos compostos fenólicos de vinho tinto e suco de uva utilizados em preparações culinárias, quando submetidos ao processo de fervura. Métodos: A avaliação ocorreu após diferentes períodos de aquecimento (100ºC) em dois sistemas: i) panela de alumínio e chama de fogão e ii) balão de vidro e manta térmica. Amostras comerciais de vinho tinto (n=4) e suco de uva integral (n=4) foram submetidas à fervura por 10, 20 e 60 minutos. Antes e após cada período de fervura, a capacidade antioxidante total foi avaliada pela medida do potencial redutor férrico, e o teor de fenóis totais foi quantificado pelo método de Folin-Ciocalteau. As diferenças foram comparadas pela análise de variância para medidas repetidas (p<0,05). Resultados: A fervura durante os diferentes períodos de tempo não provocou variações importantes na capacidade antioxidante total e no teor de fenóis totais das bebidas, independentemente do sistema de aquecimento utilizado. Conclusão: De acordo com os resultados obtidos, as propriedades antioxidantes do vinho tinto e do suco de uva, quando submetidos à fervura por até 60 minutos, mantiveram-se relativamente estáveis.

Fonte: Teófilo, Jeanine Schütz Cardoso et al. Aquecimento de vinho tinto e suco de uva utilizados em preparações culinárias não afeta a capacidade antioxidante e o teor de fenóis totais. Rev. Nutr.; v.24, n. 1, p. 153-159, jan-fev. 2011.

domingo, 21 de agosto de 2011

Grandes Pintores e o Vinho - Número 1


O pintor renascentista espanhol Juan de Juanes (1523-1579) pintou em 1550 a “Ultima Ceia”, retratando a famosa reunião de Jesus com seus discípulos. A pintura está exposta atualmente no museu do Prado, em Madri, Espanha.

Taninos: a espinha dorsal dos tintos


Por Marcos Vian

Os polifenóis do vinho são antioxidantes poderosíssimos e os grandes responsáveis pelos benefícios do vinho para o coração, além de serem largamente empregados na produção de cosméticos e outros produtos à base de uva, utilizados em clínicas estéticas e spas buscando o rejuvenescimento. Estes polifenóis compreendem uma família muito grande de componentes, dentre os quais os mais conhecidos estão: os taninos, responsáveis pela estrutura e pelo sabor dos vinhos tintos; os antocianos, responsáveis pela intensidade de cor; ou ainda o famoso resveratrol, ao qual se atribuem muitos dos efeitos benéficos para saúde do consumo moderado de vinho.

Neste artigo vamos abordar especificamente os taninos: onde são encontrados na uva, como se formam e como amadurecem com o tempo e contribuem para a evolução dos grandes vinhos tintos.

Como se formam os taninos e onde são encontrados na uva

O conteúdo de taninos interfere no paladar. Ele é responsável pela sensação de adstringência ou trava que encontramos em alguns vinhos, causada porque os taninos coagulam as proteínas da saliva. Trata-se de um parâmetro fundamental na formação do sabor e nas características cromáticas dos vinho. Os taninos estão localizados, sobretudo, na pele e nas sementes das uvas e acumulam-se no decorrer da maturação. Eles evoluem no curso da vida inteira de um vinho condicionado por fatores como o teor alcoólico, pH e anidrido sulfuroso e amadurecimento em barris de carvalho.

O fator genético influencia na quantidade de taninos presentes na uva porque existem variedades que têm maior potencial de produzi-los, assim como a Tannat e a Ancelota com relação a outras como, por exemplo, Gamay e Pinot Noir. Mesmo na mesma variedade de uva podemos encontrar diferenças significativas entre seus diversos clones.

Como são extraídos da uva e qual a influência do tipo de vinificação escolhida

Para um vinho poder amadurecer nos barris de carvalho é necessário que seja potente, ou seja, que tenha quantidades mínimas de taninos para suportar o tempo que vai permanecer no barril de carvalho.

O enólogo monitora o IPT (Índice de Polifenóis Totais) por meio de uma análise simples, feita em um espectrofotômetro de luz ultravioleta. Sabemos que precisamos valores de, no mínimo, 60 ou 70 para poder pensar em levar o vinho para os barris de carvalho, caso contrário é melhor deixar no tanque de inox.

E como conseguir estes índices mínimos de IPT? Depende do potencial do terroir, da maturação da uva e do tipo de vinificação escolhida pelo enólogo.

Depois que esmagamos a uva e iniciada a fermentação alcoólica, as cascas sobem e formam um chapéu sobrenadante na parte superior do tanque enquanto o suco fermenta na parte de baixo. Por isso, temporariamente, temos de molhar e descompactar a parte sólida (cascas) – o que chamamos de remontagem.

Um fator importantíssimo que deve ser levado em consideração na hora de fazer a escolha do tipo de vinificação é que os taninos são alcoolsolúveis, enquanto os antocianos (cor) são hidrossolúveis. Por isso nos primeiros dias de fermentação não extraímos muitos taninos e, conforme o açúcar vai se transformando em álcool durante a fermentação, vamos extraindo cada vez mais taninos e o vinho fica cada vez mais adstringente. Outro fator a ser considerado é que os taninos são cedidos ao vinho por difusão das partes sólidas (cascas e sementes) na fase líquida e, por isso, quanto mais remontagens são realizadas, maior é a quantidade de taninos extraídos. Por esse motivo se preferem os tanques baixos e largos ao invés dos altos e estreitos para fazer os grandes vinhos tintos. Pois, dessa forma, o contato das cascas como vinho em fermentação se dá em uma área maior.

O enólogo não pode extrair taninos em excesso porque pode resultar um vinho duro e adstringente demais, que nem mesmo o amadurecimento em barris vai conseguir amaciar. Por isso, além do monitoramento através de análises de laboratório, a degustação diária dos vinhos durante a fermentação aliada a experiência do enólogo em anos anteriores é a melhor maneira para alcançar o equilíbrio entre todos os componentes do vinho.

Como evoluem e amadurecem com o passar do tempo

Os taninos são constituintes naturais dos vinhos que cumprem um papel importante na estrutura e características organolépticas dos mesmos. Porém, além da origem própria das uvas, podemos ter um incremento indireto através do amadurecimento do vinho em barris de carvalho, que cedem taninos da madeira para o vinho.

Outro fator importantíssimo em que atuam os taninos é na estabilização da cor dos vinhos. Eles se unem através de pontes com os antocianos, evitando que se oxidem e precipitem. Podem também formar complexos estáveis por meio da interação com proteínas e polissacarídeos do vinho. Por isso é comum ouvirmos os enólogos dizerem que os taninos são os suportes para a cor (antocianos).

Os vinhos tintos jovens e leves são, normalmente, guardados em tanques de aço inox, preservados do contato com o ar para chegarem frutados até o engarrafamento. Enquanto os vinhos tintos mais encorpados e carregados de taninos são guardados em barris de carvalho, onde acontece uma micro oxigenação por meio das aduelas de madeira produzindo reações de polimerização destes taninos que, por sua vez, tornam-se menos agressivos e o vinho mais macio.

Os vinhos tintos iniciam sua vida com cores intensas e tonalidades vivas. Com o passar do tempo, vão mudando em direção das tonalidades atijoladas. Por esse motivo, podemos estimar a idade do vinho pela sua cor. Outro fenômeno interessante que acontece com o vinho depois de engarrafado – quando guardado durante muitos anos – é uma precipitação no fundo da garrafa de cristais antocianos e taninos, que produzem um pequeno depósito. São eles que nos levam a aconselhar fazer a decantação (decanter) nos vinhos mais velhos algumas horas antes se servir, tanto para abrir seus aromas como para separar este depósito.

Fonte: Revista Adega

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Barricas de Carvalho

Abaixo dois bons vídeos sobre barris, o primeiro sobre a fabrcação e o outro sobre a influência da madeira nos vinhos.





Fonte: TV Adega

Clima atípico na França pode provocar ano de vinhos excepcionais

Segundo a Reuters, o clima atípico desse ano na França fez muitos vinicultores pensarem que a safra seria prejudicada.

Jérôme Despey, do setor vinícola da France AgriMer, um corpo agrícola e de peixes na França, disse que a safra estaria 10 a 30 dias antecipada e seria superior em volume. Estima-se que serão 47,6 milhões de hectolitros de vinhos, 2,3 milhões a mais que a safra de 2010.

O inverno foi o mais frio em 40 anos: as temperaturas chegavam a quinze graus negativos. Janeiro e fevereiro foram melhores, mas mesmo assim houve um déficit de água de 20%. A primavera foi seca e quente, as chuvas eram raras.

"O solo quente e seco tem sua influência. O crescimento das videiras parecia difícil e as plantas pareciam mais fracas que o comum. A atividade microbiológica que nutre as vinhas sofreu com a pouca água", disse Olivier de Moor, vinicultor francês.

"O solo também estava bem difícil de trabalhar e era duro remover as ervas daninhas. Disseram ser o solo mais seco dos últimos 50 anos".

Quando as chuvas de fato vieram, em julho e agosto, a água irrigou as videiras e a safra voltou ao seu tempo de maturação normal.

"As chuvas renovaram as nossas esperanças de uma safra de tamanho razoável, porque antes a falta de água anunciava uma grave falra de succo", disse Yves Hostens-Picant, outro vinicultor Bordeaux.

Se a segunda metade de agosto e o mês de setembro forem elsoarados  nós poderemos esperar não só um ano de boa qualidade, mas talvez um ano excepcional".

Fonte: Revista Adega

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Quando e Porque Decantar Vinhos


Há uma cerimónia simples e eficaz que se realiza antes de se servir um verdadeiro e irresistível néctar dos deuses – chama-se decantar o vinho. Com um acessório muito próprio, é feito por três importantes motivos, um dos quais, potenciar a sua degustação!

Um gesto, dois motivos

O ato de decantar implica, simplesmente, a passagem do vinho da sua garrafa original para um recipiente (de cristal ou vidro), designado por decanter ou decantador. Por norma, a decantação é feita exclusivamente aos vinhos tintos e beneficia-os de duas formas: elimina as borras acumuladas, especialmente em vinhos velhos que estão engarrafados há vários anos; e permite que o vinho “respire”, ou seja, a oxigenação permite a total libertação dos aromas contidos numa garrafa, um processo que contribui de forma positiva para o seu paladar.

Decantar vinho tinto jovem

O processo de decantação varia conforme o vinho em questão, ou seja, depende se se trata de um vinho velho ou jovem. No caso, dos néctares mais jovens, a decantação permite suavizar os taninos presentes no vinho e que normalmente são ásperos, secos e adstringentes. Geralmente, estes vinhos apresentam elevados níveis de acidez porque ainda não tiveram tempo de amadurecer, o que significa que necessitam de “respirar” durante uma ou duas horas. Verta o conteúdo da garrafa para o decantador num gesto único e contínuo. A etiqueta diz que se deve colocar a garrafa vazia ao lado do decantador para que os convivas possam identificar o vinho que irão ou que estão a provar.

Decantar vinho tinto velho

Tenha o cuidado de colocar a garrafa na posição vertical um ou dois dias antes de ser consumida, assim, todos os depósitos irão concentrar-se no fundo. A decantação deve ser efectuada cerca de meia hora antes do vinho ser servido, isto porque no caso dos vinhos antigos, a decantação acelera a evaporação dos aromas. Uma “respiração” curta é o suficiente para libertar e, consequentemente, “abrir” o bouquet depois de tantos anos “fechado”. Uma vez aberta a garrafa, limpe o gargalo para retirar qualquer resíduo e comece a verter o vinho para o decantador. Coloque uma vela acesa ou um pequeno foco junto do gargalho, utilizando esta fonte de luz para se certificar que não deita borras no decantador. Verta tudo de uma só vez, parando apenas quando aparecerem os primeiros resíduos no gargalo. Coloque o decantador e a garrafa original juntos na mesa.

Outras dicas

  • Não é obrigatório decantar cada garrafa de vinho que abrir, no entanto, é muito aconselhado quando se sabe, de antemão, que esse néctar contém partículas do depósito – ao mais pequeno movimento, o vinho puro vai misturar-se com a borra.
  • Abrir a garrafa e retirar a rolha não permite a respiração adequada do vinho, uma vez que apenas o líquido que se encontra próximo do gargalo é que está, efectivamente, em contacto com o ar.
  • No caso de se esquecer, ou por falta de tempo, recorra a esta técnica de decantação rápida: coloque um pano branco e fino ou um simples guardanapo de papel sobre a abertura do decantador e verta o vinho através do mesmo, parando quando surgirem os primeiros sinais de borra.
  • Se (ainda!) não tiver um decantador, utilize outro recipiente para o processo de decantação e, no final, reintroduza o vinho na sua garrafa original com recurso a um funil.
  • Um vinho de qualidade vai continuar a desenvolver e a libertar-se dentro do próprio copo, por isso, um brinde e boa degustação…

Fontes:

- Texto: Clube dos Vinhos
- Imagem: Google Images