terça-feira, 18 de março de 2014

O homem do nariz biônico

O francês Alexandre Schmitt tem na sua cabeça mais de duas mil referências olfativas, é tido como o melhor nariz do mundo, mas diz que todos cheiramos da mesma forma. Não fomos é educados para a sensibilidade ao prazer e não sabemos como o descrever.
 
Nem sempre parece fácil distinguir os aromas quando apreciamos um vinho e a verdade é que, na sua quase totalidade, eles não são perceptíveis sem um treino adequado. Mesmo para profissionais experientes que diariamente lidam com as especificidades técnicas do vinho, como é o caso dos enólogos, entende-se que serão capazes de detectar apenas algumas dezenas entre os mais de 600 compostos aromáticos que se considera integrarem uma garrafa de vinho.
 
Não é o caso de Alexandre Schmitt, um francês que tem na sua cabeça mais de duas mil referências olfativas, sendo, por isso, considerado por muitos como o “melhor nariz o mundo”. Entende, no entanto, que a principal diferença está sobretudo no treino e na aprendizagem, já que basicamente todos cheiramos da mesma maneira. A questão é que a nossa sensibilidade está sobretudo orientada para a visão e para o ouvido e temos dificuldade em identificar os estímulos olfativos.
 
“Quando visualizamos não sabemos como pensar”, explica, acrescentando que o que faz falta depois é ligar a imagem (da visão) com as sensações (dos aromas) e pôr-lhe palavras para as exprimir. “Todos cheiramos da mesma maneira, não melhor nem pior, a forma e percepção é que é diferente e é por isso que tem que ser educada para se tornar cada vez maior e mais melhor”, assegura.
 
Schmitt vem do setor dos perfumes mas está hoje profundamente implicado com os aromas do vinho. É diplomado em química e em perfumaria, criou perfumes para grandes marcas em Paris e em Londres, estudou também música e ocupa ainda parte do tempo com a escrita de novelas. Uma personalidade que pode ajudar a explicar sua especial sensibilidade para entender o complexo mundo dos aromas.
 
Para lá das aulas que atualmente ministra na Faculdade de Enologia da Universidade de Bordeaux, colabora também com alguns dos mais conceituados produtores da região e corre literalmente o mundo para ministrar cursos de olfação. Entre os já beneficiaram dos seus ensinamentos estão os responsáveis pelo mítico Château Pétrus, das adegas Opus One, Mondavi, Torres e técnicos do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto.
 
Da velha questão do cheiro animal e dos odores a couro ou suor de cavalo aos aromas balsâmicos, resinosos ou de madeira com que vemos normalmente catalogados os vinhos, tudo é abordado em seus cursos. Schmitt explica também que uma das coisas que mais facilmente identificamos é o aroma doce, o que advém do fato de ser essa a primeira sensação que adquirimos com a absorção do leite materno. “Parker deve ter gostado mesmo muito do leite da mãe”, ironizou, numa referência ao americano Robert Parker, que é tido como o mais influente crítico de vinhos e contaminou a produção mundial com o seu gosto por vinhos doces e concentrados.
 
Mais que identificar, o trabalho de Alexandre Schmitt consiste sobretudo em ajudar a pôr palavras nas sensações, já que, ao contrário daquilo que acontece com a visão e a audição, nos falta o vocabulário para exprimir aromas e sabores. Um problema da educação recebida ao longo da vida, a qual é sempre mais orientada para as sensações de perigo que para as de prazer.
 
Estudos comprovam e revelam que que a nossa percepção é dominada pela visão (60 a 65%), seguida pelo ouvido (20 a 25%) e o tato (10 a 15%). Para os aromas e sabores dedicamos apenas à volta de um por cento. Ou seja, encaramos a vida com tal receio do perigo que acabamos por nem dar atenção ao prazer.
 
Portanto, pare de dar tanta importância a coisas que não dão prazer e aprecie tudo que uma boa taça de vinho pode lhe proporcionar.
 
Fonte: Público

segunda-feira, 17 de março de 2014

Vinhos brasileiros são tema de documentário na China

A presença dos vinhos na China e a participação do Brazilian Gate como elo de ligação entre as partes interessadas é abordada no documentário “Silk Road—Wine Culture and China”. O filme é produzido pela CCTV - Chinese Central Television, a emissora de televisão estatal predominante na China continental, com uma rede de 45 canais transmitindo programas diferentes e acessível a mais de um bilhão de telespectadores. A China é um dos mercados mais importantes e de alto crescimento do vinho no mundo e o documentário busca promover o desenvolvimento dessa cultura no país, além de impulsionar o hábito de consumo entre os chineses.
 
A importância do registro é tamanha que o documentário foi tema de reportagem do China Business Herald, um dos principais veículos de comunicação locais. Em ambos, o embaixador brasileiro Valdemar Carneiro Leão e a economista Tania Caleffi do Brazilian Gate foram entrevistados. O embaixador explanou sobre a estratégia de penetração dos vinhos brasileiros e lembrou que a visita da presidente Dilma Rousseff em 2011 foi a primeira vez que os vinhos foram incluídos entre os presentes nacionais, ressaltando que o Brasil produz vinhos de alta qualidade, inclusive com muitos prêmios internacionais.
 
Também foi enfatizado que ao integrar a civilização oriental e ocidental, a cultura do vinho avança não só com as trocas de cultura popular, mas também com o desenvolvimento do mercado de vinho chinês. O documentário mostra para os consumidores chineses em potencial, a cultura, a história e costumes dos países produtores de vinhos. Com relação ao vinho brasileiro foi destacada pelo embaixador, a abordagem da estratégia para introdução de vinhos brasileiros na China. A cultura do vinho é um hábito em ascensão na China e o Brazilian Gate é um dos pioneiros no relacionamento comercial com o país, tendo a vinícola Casa Valduga, em destaque no seu portfólio de bebidas premium.
 
Desenvolvido desde 2010, o Brazilian Gate visa basicamente atuar no nicho de produtos “made for China”, adaptando-os ao gosto, hábito, preferência e paladar do novo consumidor chinês. Tânia Caleffi lembrou de recente reportagem veiculada pelo jornal Global Times noticiando que “Xangai e Pequim, respectivamente, serão a quinta e a sexta cidades mais ricas do mundo em 2024”, e de que “o número de chineses com mais de 30 milhões de dólares em ativos crescerá 80% na próxima década”.
 
Vale lembrar que os chineses estão na fase de formação de uma identidade própria no que se refere ao consumo, tendo uma natural simpatia pelo Brasil. A 'Onda Brasil', que será gerada pelos megaeventos do porte da Copa do mundo e Olimpíadas em nosso país, será uma oportunidade única para aqueles empresários brasileiros que estiverem com seu foco definido buscando expandir os horizontes de suas marcas, principalmente na China.
 
Sobre o Brazilian Gate
 
Portal de entrada para a comercialização de produtos brasileiros na China, o Brazilian Gate é um showroom localizado em diversas cidades chinesas e sede no Xintiandi, o bairro mais sofisticado de Xangai - a maior cidade chinesa. Atua como um privilegiado espaço de relacionamento comercial em formato ‘café-bar-lounge’ com produtos ‘Made in Brazil’, mostrando no dia-a-dia o potencial de negócios para futuros distribuidores chineses. Recentemente adquiriu participação na rede de churrascarias Latina – pioneira na China - passando a ser fornecedor preferencial de bebidas Premium - alcoólicas e não alcoólicas - assim como cafés gourmet.

MINT, os novos mercados consumidores de vinho?

Após a recente desaceleração dos Brics, O’Neill (economista criador da sigla BRIC), criou uma nova sigla:MINT, para identificar outros quatro países – México, Indonésia, Nigéria e Turquia – que, segundo ele, também podem se tornar gigantes econômicos nas próximas décadas.
 

Este é o desejo de muitos países desenvolvidos, particularmente dos países produtores de vinho, que vêem no se México, Indonésia, Nigéria e Turquia, países que poderão atingir o padrão chinês de crescimento econômico de dois dígitos, registrado entre 2003 e 2008. Como características distintas destes mercados, todos contam com elevadas taxas de crescimento populacional, com um importante índice de população jovem e uma força laboral considerável para manter auspiciosas taxas de crescimento econômico. Além do mais, todos contam com uma localização geográfica estratégica, próxima de importantes mercados consumidores.
 
Fonte: Winesur

Pinot do Bio Bio Valley

Ainda na nossa visita ao Du Vin Bistrô degustamos um Pinot, escolhido por Marcílio, de uma região chilena relativamente nova: Bio Bio Valley.
 
O vale em questão possui dias quentes e noites frias, o que proporciona uma temporada de amadurecimento longa. Porém, a pluviosidade mais alta, os ventos fortes e os extremos em geral do Bio Bio trazem condições mais desafiadoras que aquelas das regiões mais ao Norte do Chile. Produzir vinho nesta regiãp requer mais paciência, técnica e coragem do que nos outros vales. No entanto, alguns poucos ousados se arriscaram e investiram em novas plantações de variedades de clima frio como Sauvignon Blanc, Chardonnay e Pinot Noir. Os primeiros resultados mostraram o esforço sendo recompensado com vinhos excitantes com uma acidez naturalmente fresca.

 
O vinho escolhido foi o Agustinos Pinot Noir Reserve 2011, produzido pela Bodega e Viñedos Corpora, vinícola muito recente, fundada em 1998, porém que, está equipada com equipamentos de última geração e laboratório de análises químicas e microbiológicas. Na adega, estão mais de 4.000 barricas de carvalho francês.
 
Os vinhos Agustinos respeitam inteiramente o legado da Natureza, com o firme propósito de sempre melhorar ao longo do tempo. O estilo enológico consiste em converter as melhores uvas no melhor vinho. Todas as uvas vêm de vinhedos próprios, de baixa produtividade. A colheita é manual e somente é executada quando as uvas chegam ao seu ponto ótimo de maturação.
 
Mas sem mais delongas vamos ao vinho. Visualmente mostrou cor rubi brilhante, com halo vermelho translúcido e boa formação de lágrimas. No nariz aromas de morango e cereja, seguidos de notas minerais, especiarias, terra molhada e tostado. Em boca mostrou taninos macios e elegantes e ótima acidez; repetiu a fruta e o tostado e uma boa persistência.

Pinot delicado e fácil de beber. Um belo exemplar desta casta na sua faixa de preço, que creio eu esteja na casa dos R$ 45,00 em lojas especializadas.

O Rótulo

Vinho: Agustinos Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Pinot Noir
Safra: 2011
País: Chile
Região: Bio Bio Valley
Produtor: Bodegas e Viñedos Corpora
Graduação: 13,5%
Onde comprar em Recife: Ingá
Preço médio: R$ 75,00 (no Bistrô)
Temperatura de serviço: 16°

domingo, 16 de março de 2014

Label Skin

Se tem os seus vinhos mais preciosos num local com muita umidade e pretende conservar os seus rótulos em ótimas condições, então este produto poderá ser a solução.
 
Um rótulo danificado pode quase reduzir pela metade o valor de um vinho guardado para investimento e até mesmo torná-lo invendável. Mesmo que seja para consumo próprio ou para oferecer, um vinho muito caro (na verdade, todos) merece um rótulo em excelentes condições.
 
Infelizmente, as caves naturais até costumam ter excelentes condições de conservação dos vinhos (escuridão, temperatura fresca todo o ano) mas a umidade geralmente acaba por atacar os rótulos, danificando-os. Isto sem falar em poeira ou insetos.
 
Um novo produto, chamado Label Skin veio para prevenir exatamente isso. Trata-se de uma película transparente de alta performance, eletrostática, que protege totalmente os rótulos mas, garante o fabricante, não tem nenhum efeito negativo sobre a estética da garrafa. A Label Skin é flexível e não usa cola. É fácil de aplicar e não deixa nenhum resíduo após a remoção. O preço? Existem duas versões: uma, em caixa com 12 unidades e um pano de limpeza; a outra um blister com 18 unidades (para profissionais). Ambas custam 39 euros.

sábado, 15 de março de 2014

Cursos para quem quer aprimorar conhecimentos no mundo dos vinhos

O Club du Vin está inaugurando novo espaço, localizado no primeiro andar da loja, dedicado à realização de cursos sobre os segredos da enologia. A sommelier Amanda Loyo vai coordenar as aulas em que os interessados poderão aprender desde a degustação à harmonização da bebida

A primeira atividade do curso Mulheres Enófilas acontece no dia 19 de março, a partir das 19h, e será uma homenagem especial ao mês do Dia Internacional da Mulher. Exclusivo para as amantes do vinho, o evento abordará tipos de uvas, estilos de vinhos, dicas de compras e como harmonizar a bebida com petiscos.

No dia 9 de abril acontece o curso Degustação de Vinhos; no dia 15 de maio haverá o Chile x Argentina e dia 5 de junho, Queijos e Vinhos. Todas as aulas serão ministradas por Amanda Loyo. Os participantes terão aulas teóricas com direito a degustações de vinhos. O investimento para cada curso é de R$ 99 e as inscrições podem ser realizadas no local.
 
Serviço

Endereço: Rua Solidônio Leite, 26, Boa Viagem
Informações: (81) 3267-3667

Olha que esteve na taça no interior pernambucano...

Apesar do consumo de vinho andar crescendo no Brasil ele ainda está longe de figurar entre os países que mais consomem este líquido e esta situação é ainda pior no interior de grande parte dos estados brasileiros, onde a maior parte dos vinhos consumidos é de vinho suave, o famoso vinho de garrafão.
 
Mas essa situação tem mudado e a prova disto é que encontrei vinhos Don Laurindo na carta de vinhos do Bistrô Du Vin em Garanhuns - PE, um ambiente aconchegante e com boa comida, queme foi apresentado pelos amigos Marcílio e Ana.
 
A história da Vinícola Don Laurindo remota para o ano de 1887 quando, procedente de Zévio, pequeno povoado na povíncia de Verona, norte da Itália, chega a Bento Gonçalves Marcelino Brandelli. Como todos os imigrantes, no início, sobreviveu dedicando-se à agricultura rudimentar da época e simultaneamente, iniciou o plantio de videiras, cujo vinho se destinava ao consumo da família. Em 1946, Cezar, filho de Marcelino, com sua família, adquiriram terras na localidade Oito da Graciema, onde se consolidaram na podução de uvas e vinhos, muito apreciados pelos vizinhos e amigos.
 
Esta tradição e a arte foram transmitidas de pai para filho. Laurindo, filho de Cezar, esmerou seus conhecimentos juntamente com o filho Ademir que formou-se em enologia e passaram a produzir e a elaborar vinhos finos de castas nobres. Em 1991 Laurindo resolveu institucionalizar a venda de seus vinhos, criando a Vinhos Don Laurindo LTDA.
 
Na taça apresentou uma cor rubi intensa,  com halo vermelho translúcido e lágrimas finas e lentas. No nariz mostrou, inicialmente, aromas de frutas vermelhas, seguido de notas especiadas (sobretudo pimenta seca) e toques delicados e elegantes de chocolate, tabaco e tostado. Em boca um vinho de corpo médico com taninos redondos e boa acidez. Repetiu as notas olfativas e um boa persistência.
 
Vinho elegante, muito bem feito e que valeu cada centavo. Deve ser apreciado lentamente como um bom vinho pede.

O Rótulo

Vinho: Don Laurindo D.O. Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Merlot
Safra: 2009
País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Don Laurindo
Graduação: 12%
Onde comprar: Don Laurindo
Preço médio: R$ 45,00 (R$ 75,00 no Bistrô)
Temperatura de serviço: 16°