domingo, 10 de abril de 2016

Viticultores franceses em guerra contra vinhos espanhóis baratos

A França e a Espanha estão envolvidas numa guerra sobre o vinho. Não os vinhos bons, engarrafados, mas os de baixa qualidade e vendidos ao litro, que a França tem importado em grandes quantidades ao país vizinho.
 
A prática está enfurecendo os viticultores franceses, que esvaziaram o conteúdo de vários caminhões tanque vindos de Espanha. Neste caso, pelo menos um tinha como destino a Turquia, mas muitos ficam em França.
 
“Durante o ano passado, foram importados 7,2 milhões de hectolitros de vinho estrangeiro. É algo que não aceitamos, porque suspeitamos de uma fraude”, diz um dos participantes no protesto.
 
Os caminhões atacados vinham de uma cooperativa na região de Toledo. Os viticultores franceses continuam na fronteira e o governo espanhol quer explicações: “Já pedimos um inquérito na Comissão Europeia contra a República Francesa, pelos atentados que os camiões espanhóis estão a sofrer. É uma situação intolerável entre dois países que são parceiros e amigos”, diz o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, José Manuel García-Margallo.
 
A França está a importar estes vinhos a um preço mais baixo que os vinhos de mesa franceses. Muitos viticultores temem que este vinho esteja na origem de fraudes ou seja falsamente vendidos como sendo de qualidade superior ou de origem francesa.
 
A guerra não passa pelos vinhos engarrafados e de melhor qualidade. Nesse campo, a França domina claramente o mercado doméstico.

A elegância do Château Savariaud Superieur 2010

Há um tempo atrás provei pela primeira vez o Château Savariaud da safra 2009 e no finalzinho de 2015 tive a oportunidade de degustar a safra 2010 deste corte bordalês produzido a partir das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot e uma pequena parcela de Cabernet Franc e de Malbec.
 
O ano de 2010 foi especial para a Região de Bordeaux e isso eu já pude comprovar em algumas garrafas de vinhos da região como a do  Château Savariaud, um exemplar com uma bela paleta de aromas e muita elegância em boca

Na taça o vinho mostrou cor rubi intensa e brilhante com halo vermelho translúcido e boa formação de lágrimas.

No nariz intenso apresentou uma intensa e rica paleta de aromas, com a presença de frutas vermelhas, toque floral, seguido de notas especiarias, leve mentolado e couro.

Em boca mostrou bom corpo, taninos vivos, porém elegantes e em boa harmonia com a acidez e o álcool. Repetiu as notas olfativas e apresentou um final de boca longo com notas de pimenta, menta, folhas secas e couro aparecendo no retrogosto.
 
Assim como em outros exemplares de bordeaux da safra de 2010 a rolha apresentou os famosos "diamantes do vinho".
Elegante e gastronômico, pede uma carne vermelha com molho ou massas como molho denso.
 

O Rótulo

Vinho: Château Savariaud Superieur
Tipo: Tinto
Castas: Merlot 60%, Cabernet Sauvignon 30%, , Cabernet Franc 5% e Malbec 5%
Safra: 2010
País: França
Região: Bordeaux
Produtor: Petit Château
Graduação: 13%
Onde comprar: Wine in Pack
Preço Médio: R$ 98,00
Temperatura de serviço: 16º 

Cruzeiros enebriantes no mundo

Há um público interessado em conjugar viagens de barco com bebidas. Vinho, champanhe, cerveja e outras e pensando nisso empresas investem em cruzeiros temáticos.

Se a ideia é passear de barco e "beber" belas paisagens vinhateiras, as sugestões passam por seis rios em toda a Europa.
 
 
O Reno (atravessa seis países, da Suíça, à Áustria, ao Liechtenstein, à Alemanha, à França, até à Holanda), o Ródano (da Suíça até ao Mediterrâneo, em França), o Sena (em França), o Danúbio (o segundo maior rio da Europa, da Alemanha à Roménia, atravessando mais oito países), o Mosela (nasce em França, atravessa o Luxemburgo e vai desaguar no Reno, na Alemanha) e o Douro.
 
São as chamadas regiões lendárias do vinho na Europa. A sugestão inclui, a bordo, especialistas em vinhos, provas, degustações, palestras e workshops sobre a temática vínica.

Beber vinho antes de dormir ajuda a emagrecer

Nada melhor do que acompanhar ou terminar a refeição com um copo de vinho. Quem anda a tentar resistir a este velho hábito para poupar aquelas calorias extra pode parar de lutar contra a sua vontade, pois segundo um estudo realizado por cientistas das Universidades de Washington e de Harvard, nos EUA, e que foi publicado na edição britânica da revista “Marie Claire”, beber vinho antes de dormir pode ajudar a emagrecer.
 
A explicação é esta: “No vinho existe um químico chamado resveratrol que impede as células responsáveis por acumularem gordura de fazerem-no. Ou seja, ajudam a emagrecer”, pode ler-se no artigo. “De acordo com os cientistas, beber pelo menos dois copos de vinho podia ajudar a combater a obesidade em 70%.
 
Além disso, o consumo do vinho aumenta o sentimento de saciedade. Por isso reduz a necessidade de consumir snacks ou sobremesas antes de dormir. O que, em muitos casos, provoca um aumento de peso.
 
De acordo com a “Marie Claire”, a Universidade da Dinamarca descobriu que as pessoas que bebem vinho todos os dias têm cinturas mais finas comparadas com aquelas que não bebem. A somar a este fato está ainda um outro estudo sobre aumento de peso realizado pela Universidade de Harvard que, depois de analisar duas mil pessoas, revelou que nenhuma delas engordou por consumir vinho.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Casa dos Frios sedia feira de vinhos nacionais com mais de 50 rótulos

Nove vinícolas vão particinar da II Feira de Vinhos Nacionais, que acontece no próximo dia 14 de abril, na Casa dos Frios, no bairro das Graças. Cerca de 50 rótulos estarão disponíveis para degustação, harmonizados com um buffet de frios e água.
 
Além da experimentar os vinhos quem for ao evento poderá se inscrever em um workshop com técnicas de receitas e harmonizações, ministrado pela chef Izabel Dias. A entrada custa R e metade do valor será revertido para compra de vinhos na casa. Para participar do curso, basta se inscrever no local, sujeito a lotação de 20 vagas. As vinícolas participantes são Miolo, Rio Sol, Botticelli, Dom Abel, Luiz Argenta, Valduga, Chandon e Dal Pizzol.
 
SERVIÇO II FEIRA DE VINHOS NACIONAIS
 
Onde: Casa dos Frios (Avenida Rui Barbosa, 412, Graças) Quanto: R$ 100 (metade do valor revertido para compra de vinhos na loja)
Informações: 2125-0220
 
Chef Izabel Dias vai ministrar workshop sobre harmonizações
 durante a degustação.
 

Cooperativa Vinícola Garibaldi cresce 34% em faturamento em 2015

A Cooperativa Vinícola Garibaldi fechou 2015 com 34% de incremento no faturamento, alcançando os R$ 110,1 milhões. O Balanço Social foi divulgado durante a Assembleia Geral Ordinária que reuniu mais de 600 pessoas, entre cooperados e convidados, na última sexta-feira, e também brindou os 85 anos da Garibaldi.
 
Entre os números apontados pelo Balanço, está a crescente venda de espumantes, com incremento de 23%, e de suco de uva, que apresentou a maior ascensão entre os produtos, com acréscimo de 38%. O relatório também destacou o valor pago em impostos, R$ 29,4 milhões, o que representa 27% do faturamento.
 
Desde 2004 a Cooperativa investiu mais de R$ 23 milhões, especialmente em novas tecnologias, equipamentos e estoque. Para este ano está previsto o investimento de mais R$ 2 milhões, destinados ao aumento da produção de espumantes, com tanques de estocagem e autoclaves. As regiões Sul e Sudeste continuam sendo os principais mercados compradores.
 
Para o presidente da Garibaldi, Oscar Ló, os números comprovam a força do trabalho. “A Garibaldi hoje está entre os principais produtores do Brasil. Vamos seguir unidos, elaborando produtos de qualidade que cada dia ganham referência mundial”, afirma, apostando na força dos espumantes para alavancar ainda mais o nome da Cooperativa.

As mulheres já vencem num mundo de homens

Leonor Freitas, Filipa Pato, Joana Santiago e Susana Esteban são exemplos do sucesso do vinho no feminino. Colecionam prémios e ajudam as exportações
 
O vinho português está a conquistar crescente notoriedade no mundo. Não só pelo aumento das exportações – pelo sexto ano consecutivo, as vendas de vinho ao exterior estão a crescer e valem já quase 740 milhões de euros -, mas pela atenção que a crítica e as revistas da especialidade concedem a Portugal. Não é, por acaso, que a ‘bíblia dos vinhos’, a revista norte-americana Wine Spectator, dedicou a sua edição de agosto de 2015 a Portugal, destacando que “o confronto entre a tradição e a modernidade, no meio de uma incrível variedade de castas, de terroirs e de culturas de vinificação, torna Portugal um dos produtores de vinho mais dinâmicos no mundo de hoje”.
 
 
Grande parte do sucesso internacional dos vinhos portugueses é feito no feminino. Se é verdade que o mundo dos vinhos é ainda predominantemente um universo masculino, não é menos certo que há um número crescente de mulheres a fazer a diferença. E a arrecadar prémios e distinções dentro de portas e além-fronteiras. Veja-se o caso de Susana Esteban, a galega radical em Portugal e que ainda hoje é a única mulher no vinho em Portugal distinguida com o título de ‘Enólogo do ano’ pela Revista de Vinhos, em 2012. Já este ano, a revista Wine considerou-a ‘Produtor Revelação do Ano’, pelo seu projeto no Alentejo.
 
Mas não é caso único. O Pintas 2011, vinho da duriense Wine & Soul, um projeto de Sandra Tavares e do marido Jorge Borges, continua a ser o vinho de mesa português mais bem pontuado de sempre, com 98 pontos pela Wine Spectator. Filipa Pato pertence a uma longa linhagem de produtores de vinho na Bairrada, que remonta ao século XVIII, pelo menos. Filha de Luís Pato, foi a primeira, e até agora única, mulher portuguesa a ganhar o Óscar do Vinho, distinção atribuída pela prestigiada revista gourmet alemã Feinschmeker em 2011. Já Leonor Freitas, a responsável da Casa Ermelinda Freitas, foi distinguida pelo ex-presidente da República, Cavaco Silva, com o grau de comendador da Ordem de Mérito Agrícola. E desde que assumiu a gestão da Casa Ermelinda Freitas, os seus vinhos já arrecadaram mais de 600 prémios e distinções em todo o mundo.
 
Joana Santiago é outra das mulheres do vinho com quem falamos. E se ainda não contabiliza distinções como as anteriores, para lá caminha. Até porque só recentemente se dedicou, de facto, em pleno ao sector vitivinícola, que vai dividindo com a advocacia. Também é a mais nova de todas as que entrevistamos. E embora os seus vinhos só tenham chegado ao mercado em 2013, têm vindo a suscitar grande entusiasmo da crítica especializada, com pontuações que variam entre os 88 pontos da Advocate, os 89 da Wine Spectator e os 90 pontos da Wine Enthusiast. Os vinhos portugueses estão na moda? E a que se deve o seu crescente sucesso internacional? Para Leonor Freitas, a explicação reside na qualidade. “Os vinhos portugueses evoluíram muito. Houve um enorme desenvolvimento nos conhecimentos da viticultura e da enologia e hoje temos vinhos modernos e competitivos” num mundo globalizado, diz.
 
Filipa Pato é, provavelmente, a quinta geração na linhagem da família a dedicar-se aos vinhos. Mas considera que é preciso manter a mente aberta e estar em constante contacto com o que se faz noutras paragens. Por isso, todos os anos aproveita as férias para, com o marido e os filhos, conhecer uma região vitivinícola diferente e visitar os vários produtores. No Natal, foi a vez da África do Sul, mas já esteve em várias regiões vitivinícolas em França, em Itália, no Canadá e n os Estados Unidos, entre outros. “Não podemos pensar que fazemos o melhor vinho do mundo nem nos devemos fechar no nosso casulo. O mundo é grande e para que possamos, também, valorizar o que fazemos temos de conhecer o que os outros fazem”, diz.
 
Susana Esteban acredita que a diferença está na capacidade de promoção de Portugal no mundo. “Houve um trabalho extraordinário, em termos de enologia, nos vinhos em Portugal nas últimas duas décadas e, finalmente, isso está a ser reconhecido”, diz. A jovem enóloga que trocou a Galiza por terras nacionais não têm dúvidas sobre a qualidade ímpar dos vinhos nacionais. “Portugal tem um portfólio vitivinícola dos melhores do mundo. Tem uma diversidade de microclimas de norte a sul e uma variedade imensa de castas autóctones. Tem tudo para ter excelentes vinhos e completamente diferentes de tudo o que se faz no mundo. O que tem falhado? Talvez a comunicação, porque a verdade é que, quando provam os nossos vinhos, gostam. E, finalmente, o mundo está a descobrir os vinhos portugueses”, defende.
 
Joana Santiago concorda. “Os vinhos portugueses evoluíram muito e têm hoje um padrão de qualidade que se iguala a qualquer umas das grandes regiões vitivinícolas mundiais”, diz. E porque o mundo “está direcionado para os vinhos portugueses”, há que aproveitar todas as oportunidades para o promover. “Ou apanhamos este comboio ou nunca mais. Temos todas as ferramentas à nossa disposição”, garante. A responsável da Quinta de Santiago dá o exemplo da Prowein, a maior feira de vinhos do mundo, que recentemente decorreu na Alemanha, em Dusseldorf, e na qual o pavilhão de Portugal teve “muito mais interessados do que é habitual”. E porque a promoção também é feita de esforços conjuntos, Joana associou-se a três produtores da região e criaram o Vinho Verde Young Projects: Fazem promoção conjunta e dividem esforços e custos.
 
Portugal obteve, em 2014, a sua melhor performance de sempre, com seis vinhos no top 100 dos melhores do mundo da Wine Spectator. Mais importante ainda, o melhor vinho do mundo no top desse ano foi o Dow’s Vintage Port 2011, com 99 pontos em 100 possíveis. O Chryseia 2011, da Prats & Symington, e o Quinta do Vale Meão 2011 ficaram em terceiro e quarto lugar, respetivamente, ambos com 97 pontos. No top 100 de 2015, Portugal voltou a contar com cinco vinhos distinguidos, embora nenhum constasse entre os 10 melhores.
 
Fonte: Dinheiro Vivo