sábado, 9 de agosto de 2014

Os vinhos e a Segunda Grande Guerra

Quando comparado com as abominações humanas perpetradas a nações inteiras, a raças, credos e gêneros, o vinho europeu pouco sofreu durante a segunda guerra mundial.

As comemorações e homenagens aos soldados e vítimas das duas grandes guerras mundiais que assolaram e devastaram o continente europeu, assim como parte substancial do mundo, têm-se sucedido ao longo dos últimos meses. Datas lúgubres que para o bem das gerações vindouras convém não deixar cair no esquecimento, datas que devemos reabrir periodicamente para que as gerações atuais e futuras não esqueçam os horrores do passado e as consequências que os erros de cálculo podem acarretar.

Quando comparado com as abominações humanas perpetradas a nações inteiras, a raças, credos e gêneros, o vinho europeu pouco sofreu durante a segunda guerra mundial. Mas as invasões, o domínio estrangeiro e os abusos associados, o trabalho escravo, os roubos, os atropelos e as pilhagens dispersas fizeram parte das muitas asperezas a que os produtores de vinho europeus tiveram de se submeter durante os longos seis anos de conflito.

Se Portugal e Espanha sofreram os males de forma menos imediata, danos colaterais que seguramente afligiram mas que foram vividos sem o acosso direto da invasão ou o convívio direto com a barbárie, o mesmo não se pode dizer dos restantes países produtores tradicionais. Itália, França, Alemanha e Áustria, os dois últimos numa fase muito mais tardia e de forma bem diferenciada, sofreram de forma direta e objectiva as consequências da guerra, tal como de resto o sentiram países mártires como a Grécia, Roménia, Bulgária ou a antiga Jugoslávia.

Alemanha e Áustria sofreram pilhagens devastadoras nas suas adegas nos estertores da guerra pelas mãos dos aliados, sobretudo soldados russos que destruíram a quase totalidade das múltiplas compilações de colheitas antigas que a maioria dos produtores dos dois países conservava religiosamente. Os países balcânicos, tal como a Grécia e a Itália, sofreram direta e intimamente a destruição de vinhas, adegas, caves e equipamento que chegaram em associação com a invasão, suportando um aniquilamento quase total durante várias vindimas.

A França viveu este período de guerra de forma igualmente aflitiva mas seguramente menos dolorosa que os restantes países produtores ocupados. O regime colaborador de Vichy que se ocupou do sul de França acabou por atenuar os efeitos diretos da presença alemã permitindo uma complacência que o resto da Europa ocupada não conseguiu lograr. Entre as denominações francesas mais relevantes, Bordéus foi aquela que sustentou menos aflições e desventuras.

Claro que a vida não terá sido fácil para a maioria de produtores e negociantes. Muitos terão certamente suportado dificuldades enormes e provações inimagináveis. Mas contaram ao mesmo tempo com a relativa indulgência das autoridades de Vichy e com a complacência condicional das autoridades alemãs, que não estavam interessadas em derrubar o ciclo produtivo de um dos vinhos mais famosos do mundo. Não só em sinal de respeito para com o nome Bordéus mas também por interesse próprio, para manter aberto o abastecimento de vinho bordalês aos oficiais e à cúpula política alemã.

Tal como nas restantes denominações francesas, a maioria dos châteaux, dos mais glorificados aos mais discretos, foram ocupados e as caves confiscadas e pilhadas. Muitas das adegas e caves foram convertidas em pontos de defesa privilegiados ou armazéns de armamento e munições face às condições naturais que dispunham. Muitas vinhas, algumas delas particularmente interessantes, foram arrancadas e reconvertidas em aeródromos, acampamentos, campos de treino ou posições de artilharia. A vida dos produtores, viticultores e negociantes não foi certamente fácil.

Mas os vinhos de Bordéus eram tidos em tamanha consideração que a administração alemã decidiu nomear um representante direto de Berlim para se ocupar exclusivamente do vinho e suas particularidades na região, uma espécie de weinführer cuja única missão residia na supervisão da produção e posterior requisição e aquisição directa de todo o vinho produzido. A disciplina imposta era rígida mas, tendo em conta as circunstâncias especiais da guerra e da ocupação, aparentemente relativamente justa e tendencialmente equitativa.

São raros os produtores que não se queixaram de ver as suas caves depredadas, de assistir ao saque de coleções privadas, de terem sido vítimas do espólio das colheitas antigas que seguiam diretamente para as coleções privadas de alguns privilegiados em Berlim. Mas são ainda mais raros os produtores que perderam tudo, que assistiram ao extravio total dos lotes de vinhos antigos. O roubo foi sistemático mas não exaustivo, permitindo que a maioria dos châteaux conseguissem manter um histórico decisivo para a compreensão do passado.

Mas um produtor em espacial, Mouton Rothschild, um dos nomes mais sonantes do universo do vinho, foi poupado aos devaneios e usurpações dos ocupantes alemães. O ultrafamoso e frequentemente endeusado Mouton-Rothschild conseguiu manter-se arredado dos arrestos cíclicos do exército alemão graças aos bons ofícios e ao respeito de Heinz Bomers, o comissário de Berlim responsável pela execução da política vínica do Terceiro Reich em Bordéus, e graças à ocupação da propriedade pelo governo de Vichy, conjuntura que colocava a propriedade automaticamente arredada da jurisdição de Berlim.

Homem ligado ao vinho, Heinz Bomers tinha sido, por coincidência... ou talvez não, importador do châteaux Mouton Rothschild na cidade de Bremen, na Alemanha. Pouco dado à política e pouco admirador das convicções nazis, Heinz Bomers conhecia bem o negócio e conseguiu manter o produtor afastado de confiscações e relativamente imune às gigantescas dificuldades da época. A relação foi tão proveitosa e tão cortês que o próprio Barão Philippe Rotschild não duvidou em nomear Heinz Bomers para seu importador e representante imediatamente após o termo da segunda guerra mundial, posição que ocupou até ao momento de reforma por idade.

Por Rui Falcão
Fonte: Fugasvinhos

Don Laurindo Reserva Cabernet Sauvignon 2010

Depois de um dia intenso curtindo as atrações de Gramado, durante nossa estada por lá, eu e Fernanda optamos por ficar no hotel descansando e curtindo a beira da lareira. Para deixar esse momento mais agradável e especial escolhemos o Don Laurinho Reserva Cabernet Sauvignon 2010.
 
Já comentei sobre a vinícola em outras postagens, então se você quiser conferir é só clicar nos links a seguir:
O brasão da vinícola Don Laurindo representa a grandeza, a coragem e o valor de uma família que marcou a história vinícola. Retratando a tradição e o trabalho dos antepassados.

Na taça o vinho apresentou cor rubi intensa com boa formação de lágrimas e sem sinais de evolução. No nariz apresentou aroma de frutas vermelhas e especiarias bem integradas as notas de tostado provenientes da passagem do líquido por barricas de carvalho por 8 meses. Em boca mostrou-se encorpado e repetiu as notas olfativas em boca, aliado a taninos maduros e elegantes.

Belo vinho! Excelente equilíbrio, gastronômico e com muitos dias pela frente, características bem comuns nos vinhos da Don Laurindo.

O Rótulo

Vinho: Don Laurindo Reserva
Tipo: Tinto
Castas: Cabernet Sauvignon
Safra: 2010
País: Brasil
Região: Vale dos Vinhedos
Produtor: Don Laurindo
Graduação: 12%
Onde comprar em Recife: Don Gennaro
Preço: R$ 45,00 (R$ 70,00 - H. Laje de Pedra)
Temperatura de serviço: 16º

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Que tipo de consumidor de vinhos você é?

Pelo preço, pelo conhecimento adquirido, estimulados por uma ocasião, pela paixão, para promover o status social ou simplesmente por serem recentes apreciadres de vinho são alguns dos critérios e perfis dos consumidores estadunidenses de vinho divulgados por um estudo feito pela Constellation Brand, líder mundial no negócio de vinho.
 
O estudo denominado “Project Genome – The Evolution of the Wine Consumer” começou há 10 anos e, além da investigação profunda sobre os consumidores estadunidenses, o estudo também avaliou o perfil de consumo dos canadenses. Em 18 meses, 7 mil pessoas foram entrevistadas.
 
A partir dos resultados obtidos, o estudo divulgou os seis principais perfis dos consumidores norte-americanos de vinho. Dos 7 mil entrevistados, 21% considera o preço como fator importante no momento da aquisição de um vinho e 20% é pautado pelo conhecimento e gosto adquiridos por determinado tipo de vinho.
 
Além destes, 19% é o grupo que bebe somente em ocasiões e não estão interessados em adquirir um vinho. Destes, 18% colocam a bebida como um acessório para promover a sua imagem social e estão dispostos a pagar até US$ 12 por um rótulo.
 
12% são jovens que estão começando a apreciar o vinho, mas que estão preocupados com a complexidade que o produto apresenta. Estes estão dispostos a pagar até € 13 (US$ 17) por uma garrafa e consideram o vinho como um suporte para a socialização.
 
10% são os amantes declarados do vinho. Para este o grupo, a bebida assume um papel importante na vida de cada integrante. Não há muitos, mas eles são os que promovem a cultura do vinho.
 
Fonte: Revista Adega

Estação do Vinho

Vem aí a 6ª edição da Estação do Vinho, com palestras e exposições trazendo o tema ”Harmonização de Queijos e Vinhos”.

Além das palestras que são ministradas por chefes e sommeliers , o evento também promove momentos de degustação e harmonização entre elementos, para que todos aproveitem e conheçam melhor essa charmosa bebida.

As palestras são gratuitas e acontecerão de quarta a sexta, nos dias: 13, 14, 15, 20, 21 e 22/08. As inscrições já estão abertas e podem ser feitas no SAC, piso L3, dentro do horário de funcionamento do shopping.

Confira a programação completa:

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Desempenho comercial do setor vitivinícola fica estável no semestre

Com a comercialização de 172,7 milhões de litros de vinhos, sucos e derivados, o setor vitivinícola brasileira chegou à primeira metade do ano com resultado positivo de 1,99% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Os desempenhos das categorias de produtos, entretanto, tiveram comportamentos comerciais distintos no mercado interno.

O somatório das vendas de vinhos de mesa, finos e espumantes registrou recuo de 5,98% frente ao mesmo período do ano passado. Enquanto que os vinhos de mesa tiveram desempenho de -6,23%, com a venda de 89,6 milhões de litros, e os vinhos finos de -5,79%, com 8,7 milhões de litros, os espumantes estabilizaram as vendas com índice de 0,05%.

A conjuntura econômica no Brasil não está favorável, e temos que lidar com as questões da resistência do consumidor em relação aos produtos nacionais e da baixa competitividade da cadeia nos custos de produção em relação aos importados - pondera o vice-presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin) e presidente da União Brasileira da Vitivinicultura (Uvibra), Dirceu Scottá, referindo-se aos vinhos finos.

Os indicadores positivos dentro do setor ficam por conta do Suco de Uva 100% prontos para consumo, que apresenta alta de 18,68% no período. As vendas dos espumantes moscatéis também tiveram crescimento de 17,17%. Categorizando por tipo de embalagem, a venda dos vinhos de mesa engarrafados ficou em patamar levemente superior ao primeiro semestre de 2013, com crescimento de 1,41%. Os 40,4 milhões de litros consumidos de janeiro a junho deste ano representaram 45% do total de vinhos de mesa comercializados no período.

O suco de uva caiu no gosto do consumidor, com volume de vendas superior ao do ano passado, sendo um produto de importância significativa para a cadeia produtiva. E é uma boa notícia o desempenho positivo do vinho de mesa engarrafado, que mostra o interesse do consumidor por produtos engarrafados na origem - observa o diretor executivo da Associação Gaúcha de Vinicultores (Agavi), Darci Dani. A análise é compartilhada pelo presidente da Federação das Cooperativas Vinícolas do Rio Grande do Sul (Fecovinho), Oscar Ló. Ele observa que, para as cooperativas, que trabalham muito forte nestes dois segmentos, o primeiro semestre foi positivo.

A previsão dos dirigentes do setor para o segundo semestre são de melhor desempenho em relação à primeira metade do ano. Entre os fatores citados para a avaliação está a perspectiva de manutenção em alta do comércio de suco, a retomada das vendas de vinhos e o reforço dos espumantes em função das festas de final de ano.

- Fizemos um trabalho forte de projeção de imagem do vinho nacional, que pode ajudar na reação do segundo semestre -, analisa Dani.

Já Scottá defende a necessidade da criação de políticas estruturantes e que auxiliem na desoneração de custos para dar sustentabilidade à cadeia produtiva, principalmente em função do volume de vinhos de outros países que entraram no Brasil no período. Sabemos que a grande maioria é de vinhos de baixo valor que entram com vantagens competividas em relação aos nacionais - observa o presidente da Uvibra.

A importação de vinhos registrou alta de 14,11% no primeiro semestre, frente ao mesmo período do ano passado. No total, ingressaram 35,6 milhões de litros de rótulos estrangeiros. Os indicadores foram positivos apenas para os vinhos tranqüilos, com crescimento de 15,36%. Os espumantes estrangeiros, por sua vez, recuaram 8,54%.
 
Fonte: Monitor Digital

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Bordeaux x Borgonha

 
Fonte: Winesearcher

Brasil pode ganhar a quinta Indicação Geográfica

A solicitação da Indicação de Procedência (IP) para os espumantes moscatéis produzidos na região da Farroupilha, no Rio Grande do Sul, foi feita pela Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados (Afavin) na Sede do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em Porto Alegre, no último dia 25 de julho.
 
A solicitação formal da IP exigiu a entrega de um dossiê detalhado com a delimitação geográfica, a caracterização da vitivinicultura (vinhedos e vinícolas), os processos de produção, as características de qualidade química e sensorial dos vinhos e o reconhecimento histórico da região como produtora de vinhos moscatéis. Além disso, o documento conta com Regulamento de Uso da IP, estabelecendo os processos de produção exclusivos e obrigatórios, bem como o plano de controle e certificação dos vinhos qualificados.
 
Para o pesquisador da Embrapa Uva e Vinho e coordenador técnico do projeto, Jorge Tonietto, o grande diferencial desta Indicação é que a área delimitada corresponde à tradicional região produtora de uvas moscatéis da Serra Gaúcha, responsável por abranger a maior concentração dessa variedade no país. “A conquista da Indicação pela Afavin irá possibilitar que centenas de produtores e dezenas de vinícolas estabelecidos dentro da região delimitada possam elaborar moscatéis espumantes, frisantes e vinhos tranquilos, que expressam a originalidade do terroir desta região”, destaca.
 
Para que os produtores da região recebam a certificação, precisarão passar por criteriosos processos de produção e de elaboração dos vinhos segundo o estabelecido no Regulamento de Uso desenvolvido especialmente para os vinhos da IP Farroupilha. Para o presidente do conselho técnico da Afavin, João Carlos Taffarel, a solicitação marca o fim de um importante processo. “Com a entrega da documentação desse projeto tão focado, temos a iminência do reconhecimento oficial como indicação de procedência”, salienta.
 
As atividades em busca da certificação começaram em 2005, com a criação da Afavin. Na sequência, diversas ações foram desenvolvidas, mas a iniciativa ganhou força no ano de 2009 com a aprovação do projeto de Desenvolvimento da Indicação Geográfica, sob a coordenação da Embrapa Uva e Vinho.
 
Assim que a IP Farroupilha for aprovado pelo INPI, o Brasil terá cinco Indicações Geográficas de Vinhos Finos: IP Vale dos Vinhedos (2002) – DO em 2012, IP Pinto Bandeira (2010), IP Altos Montes (2012), IP Monte Belo (2013). Todas receberam a orientação e o acompanhamento da Embrapa Uva e Vinho.

Fonte: Revista Adega