quarta-feira, 4 de junho de 2014

Sabe quanto vale uma rolha de cortiça?

São os estudos de mercado que dizem: o consumidor americano está disposto a pagar mais um euro por uma garrafa de vinho com rolha de cortiça. E dizem, também, que a fidelidade do mercado norte-americano a este produto tem impacto direto nas vendas do setor.
 
A procura das garrafas de vinho fechadas com as rolhas criadas a partir da casca do sobreiro aumentaram 24%, enquanto o crescimento das vendas dos vinhos engarrafados com vedantes como a rosca metálica ou o plástico cresceram apenas 10%.
 
 
 
Mas há outros relatórios, como o trabalho da Tragon Corporation, uma empresa especializada na área vinícola, sobre a preferência do consumidor americano pelos diferentes tipos de vedantes. A cortiça é preferida por 60% dos inquiridos, contra a quota de 3% dos vedantes das cápsulas de alumínio e a indiferença dos restantes 36%.
 
Cortiça para oferecer, sempre
 
Já se estiver em causa a compra de uma garrafa para oferecer ou para partilhar num jantar especial, a cotação da cortiça aproxima-se dos 100% nos Estados Unidos, o maior mercado mundial de vinho e o segundo maior mercado de exportação para a cortiça portuguesa.
 
Quando questionados sobre aquilo que um vedante pode aportar ao vinho, 93% dos americanos referem que a cortiça "representa alta qualidade" e 50% dizem que as cápsulas de alumínio estão associadas a "vinho de baixa qualidade".
 
No Velho Continente, a cortiça também é o vedante que melhor combina com os melhores vinhos e a proteção ambiental. Um estudo da OpinionWay, empresa francesa de sondagens e estudos de mercado, mostra que 88% dos inquiridos estão convictos de que a cortiça é a melhor escolha para um "Grand Cru" (denominação de origem controlada) e 73% sabem que esta é a melhor opção ambiental.
 
No mesmo trabalho, 83% dos consumidores de vinho regulares preferem a cortiça e a percentagem sobe dois pontos percentuais quando está em causa a oferta de uma garrafa de vinho.
 
Na Itália, um trabalho da empresa de estudos de mercado Astra Ricerche revela que 85% dos italianos apontam a cortiça como vedante de eleição para assegurar a qualidade do vinho; e 88% acreditam que a sonoridade obtida no momento da abertura da garrafa aumenta o prazer do consumo do vinho.
 
A meta dos mil milhões
 
Liderando um programa de promoção internacional da imagem da cortiça que envolve, este ano, um investimento de 7,3 milhões de euros num conjunto de nove mercados selecionados entre clientes fiéis, como a França, e novos destinos, como a China, onde as vendas da fileira cresceram 55% em 4 anos, a APCOR está atenta a estes números.
 
O sua ambição é continuar impulsionando as exportações do setor e cumprir o objetivo de atingir os mil milhões de euros de vendas ao exterior em 2015.
 
Em 2013, depois de três exercícios crescendo ao ritmo de 7%/ano, as exportações caíram 1%. Seguiu-se mais uma quebra, de 1,15% no primeiro trimestre deste ano.
 
Rolhas valem 68,3%
 
A meta fixada para 2015 parece, assim, difícil de atingir, mas a fileira, que tem nas rolhas 70% das suas exportações, está confiante na valorização do seu produto, no crescimento do mercado mundial e em novas soluções.
 
É o caso da Helix, uma rolha inovadora de aglomerado de cortiça, apresentada há um ano pela Corticeira Amorim, pronta a saltar do gargalo da garrafa apenas pela pressão do polegar, sem perder a sonoridade característica associada à abertura das garrafas de vinho, e reutilizável.
 
Com 637 empresas e 8.591 trabalhadores, Portugal exporta 95% da sua produção de cortiça e o contributo das rolhas para o valor total exportado ainda é de 68,3%, apesar do peso crescente de novos produtos destinados a diferentes sectores, da construção aos transportes e moda.

Como produzir um champagne em 15 minutos

Uma equipe de cientistas da Universidade de Ljubljana, na Eslovênia, encontrou um método mais rápido e eficaz para produzir Champagne espumantes de segunda fermentação em garrafa. Hoje, para se elaborar a bebida a partir do método tradicional, leva-se aproximadamente 60 dias, devido a todo processo de rémuage (para retirar as leveduras mortas de dentro da garrafa), no entanto, os cientistas prometem fazer isso em apenas 15 minutos.
 
De acordo com os pesquisadores do Instituto de Engenheiros Químicos (IChemE), eles encontraram uma maneira de anexar nanopartículas magnéticas à superfície das leveduras e, com o uso de ímãs, removê-las das garrafas em somente 15 minutos.
 
A levedura, segundo eles, não é afetada pela magnetização mesmo após ser fermentada. Além disso, testes sensoriais sugerem que o aroma, paladar, corpo, sabor, tamanho das bolhas e até mesmo a própria degustação não foram prejudicados pelo novo processo. Para o presidente-executivo da IChemE, Dr. David Brown, tempo e energia são fatores fundamentais para se produzir bebidas de qualidade.
 
Sobre o novo processo de produção e fermentação, Brown comenta que mesmo assim haverá apreciadores de vinhos e espumantes fiéis aos métodos tradicionais, mas reafirma que o novo processo dará à produção dessas bebidas mais eficiência. “A inventividade dos engenheiros químicos e bioquímicos demonstra que mesmo na produção de vinho, o que tem sido feito há milênios, pode ser mais eficiente com a nanotecnologia inteligente combinada com ímãs simples”, afirmou.
 
Esta não foi a primeira vez que a velocidade do processo de fermentação de vinhos e Chamapgne foi abordada. Na década de 1970, os produtores catalães de espumante inventaram a Gyropalette, uma máquina que permite que até 400 dúzias de garrafas sejam empilhadas e, com auxílio de agentes aceleradores, sejam processadas em menos de três dias.
 
Fonte: Revista Adega

Solução para uma das maiores pragas vinícolas da história pode vir de ovos de sapo

Uma equipe de cientistas da Universidade do Missouri, nos Estados Unidos, realizou recentemente experimentos para proteger as produções vinícolas de possíveis contaminações de doenças fungicidas como o oídio, por exemplo, uma das maiores pragas da vitivinicultura mundial há pelo menos dois séculos.
 
O estudo comandado pelo professor de ciências vegetais da universidade, Walter Gassmann, isolou um gene de Cabernet Sauvignon chamado NPF, ou família de transporte de nitrato e peptídio. "Transportadores de nitrato são proteínas que podem deixar passar moléculas (de nitrato) através das membranas. É como uma porta que se abre somente para os nitratos. Quanto mais nitrato a planta produz, mais ela suporta os patógenos que se infiltram, com o oídio", diz Gassmann.
 
Para que a pesquisa tivesse sucesso, contudo, foi necessária a ajuda de ovos de sapo, onde o comportamento do transporte de nitrato é mais facilmente observado do que nas uvas. Como os ovos contem proteínas que transportam nitrato, Gassman injetou neles uma determinada quantidade do gene retirado de uvas Cabernet Sauvignon, além de envolvê-los com uma fita de DNA da respectiva casta.
 
Os resultados mostraram que, ao entrar em contato com o gene da uva, os ovos assimilaram mais nitrato. Gassman informou que sua pesquisa oferece uma alternativa para que as videiras se tornem menos vulneráveis às doenças causadas pelo oídio. “Ou por seleção de mudas ou por modificação genética, nós vamos ser capazes de cultivar videiras mais resistentes”, informou.
 
Para Gassman, além de fornecer às videiras uma maior resistência ao oídio, o gene criado a partir do experimento pode fazer com que os vinhedos precisem de doses menores de fungicidas e sulfatos de cobre para se manterem protegidos do oídio.
 
Fonte: Revista Adega

terça-feira, 3 de junho de 2014

Taylor´s lança vinho de colecionador com mais de 150 anos

A Taylor, Fladgate & Yeatman é uma das primeiras casas de vinho do Porto, tendo sido estabelecida há mais de três séculos, em 1692. A empresa é sobretudo reconhecida pelos seus elegantes e longevos vinhos do Porto Vintages, que estão entre os mais procurados e colecionáveis.
 
A Taylor’s é também reconhecida como o mais importante produtor de Tawnies de Idade e possui uma das mais extensas reservas de vinhos do Porto envelhecidos em casco, maior do que qualquer outro produtor. Ao longo dos anos e devido à experiência como produtor de Tawnies de Idade, a Taylor’s foi aumentando essas reservas, procurando e adquirindo alguns lotes de vinhos muito velhos, de grande qualidade, incluindo alguns vinhos raros e de grande valor do século XIX.
 
Tradicionalmente estes vinhos do Porto muito velhos, concentrados após décadas de envelhecimento na madeira, eram usados em pequenas quantidades para enriquecer o lote do Taylor’s Tawny 40 Anos. Há quatro anos, a Taylor’s adquiriu o Scion, um vinho do Porto pré-filoxérico, muito raro, e em perfeitas condições. Devido à sua importância histórica, foi decidido que o vinho não deveria ser lotado mas apresentado como um vinho raro numa edição limitada, o primeiro vinho do Porto do seu género a ser lançado desta maneira. O sucesso do Scion revelou, e de facto em grande medida criou, uma forte procura a nível global por vinhos do Porto raros envelhecidos em madeira.
 
Para satisfazer esta crescente procura, a Taylor’s decidiu lançar mais um vinho do Porto raro da sua coleção, o Single Harvest de 1863. Reconhecida como a última grande produção antes da disseminação da filoxera por todo o vale do Douro, o ano do 1863 produziu vinhos de grande longevidade.
 
O diretor-geral da Taylor’s comentou: “Este vinho extraordinário é como uma cápsula do tempo, contendo um fascinante vislumbre de um passado distante.” E acrescentou: “O 1863 esteve em casco durante mais de século e meio e é uma parte da história do vinho. Graças ao seu envelhecimento em perfeitas condições, nos armazéns em Vila Nova de Gaia, está muito equilibrado e apresenta uma extraordinária vitalidade.”
 
As históricas Caves de Vinho do Porto em Vila Nova de Gaia, assim como as docas em Londres e os armazéns de Bordéus, proporcionam as condições ideais para o envelhecimento de vinho. Estes enormes e escuros armazéns, com espessas paredes de granito e tetos altos, conservam a humidade e a frescura trazidas pelos frescos ventos que sopram das frias água do Atlântico e da proximidade ao rio Douro.
 
O Taylor’s 1863 Single Harvest Tawny será apresentado num exclusivo decanter de cristal e numa belíssima caixa folheada a madeira de ácer, exibindo os elegantes e decorativos nós desta madeira. Cada embalagem contém um certificado personalizado e assinado pelo diretor-geral da Taylor’s, Adrian Bridge.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Existe maquiagem para 'consertar' vinhos?

Para isso eles são colocados na madeira.



Fonte: Revista Adega

Novo mundo dominando tudo...

Segundo relatório anual da consultoria Euromonitor Internacional, o ranking mundial de Grupos Vinícolas 2013 pouco se alterou nas 10 primeiras posições, porém, trouxe algumas surpresas como o Grupo Peñaflor, maior produtor de vinhos da Argentina, que assumiu a quinta posição. Antes, vinha na oitava.
 
Mas o ranking 2013 traz as mesmas vinícolas nas três primeiras colocações, sendo todas norte-americanas. A E & J Gallo Winery segue na liderança com 777 milhões de litros de vinho produzidos, seguida pela Constellation Brands (589 milhões de litros) e pela The Wine Group (456 milhões). Em seguida vem a vinícola Concha y Toro, responsável pela produção de 282 milhões de litros e o Grupo Peñaflor, com 278 milhões de litros .A companhia integra sete vinícolas como Trapiche, El Esteco, Finca las Moras, Bodegas La Rosa, Santa Ana, Suter e Andean Viñas e exporta seus produtos para mais de 90 países em cinco continentes atualmente e tem mais de dois mil funcionários em mais de seis mil hectares espalhados pelas províncias de Mendoza, San Juan, Salta e Catamarca.
 
Prosseguindo com o top 10, a sexta posição ficou com a Pernod Ricard, com 277 milhões de litros. Já os australianos Treasury Wine Estates seguem em sétimo, com 274 milhões. Por sua vez, os franceses do Castel Groupe alcançaram a oitava posição, com 270 milhões. Na nona colocação vem Accolade Wines Ltd, outra vinícola australiana, que produz 270 milhões. Por fim, o grupo italiano Caviro, com produção de 160 milhões, ocupa a décima colocação.
 
Fonte: Revista Adega

Um branco de 5 anos que vem evoluindo bem #cbe

Hoje é dia de falar sobre mais um vinho degustado para a Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, o trigésimo rótulo que comento para a primeira e única confraria virtual do país.
 
Este mês o tema foi: "Um vinho branco, de qualquer casta e país, com passagem por carvalho" e a sugestão do Victor Beltrami do blog Balaio do Victor.
 
Como meu consumo de vinhos brancos não possui a mesma frequência dos tintos fui ao garimpo em busca da minha garrafa e queria degustar algo fora do grupo chardonnay, sauvignon blanc e torrontés, foi aí que bati o olho no Miolo Reserva Viognier, que contava com um atrativo a parte: safra 2009, atrativo pois esta é uma das poucas castas brancas que envelhece com saúde, que evolui bem em garrafa e eu commprovar isso na taça é um verdadeiro deleite.
 
A viognier talvez seja a menos conhecida das grandes uvas brancos do mundo. Ela tem origem, ou pelo ela é mais conhecida por ser a grande uva branca das Côtes du Rhône, onde é usada até mesmo para emprestas seu aroma potente e amanteigado, de fruta supermadura, aos encorpados tintos da região. Ela é também a origem e a razão da mais importante denominação de brancos da região, a Condrieu, berço de algumas das maiores proezas enológicas em brancos e seco.
 
Na taça o vinho apresentou uma bela cor amarelo dourada e lágrimas grossas e lentas. No nariz aromas muito intenso, com notas de fruta branca madura (pêssego, abacaxi), damasco, amêndoas e elegante toque de tostado, proveniente da passagem de parte do líquido por barricas de carvalho. Em boca mostrou acidez correta e repetição das notas olfativas. Final de boca de média intensidade, com interessante untuosidade (amanteigado) e notas defumadas aparecendo delicadamente no retrogosto.
 
Vinho que surpreendeu, elegante, equilibrado, uma bela intensidade em boca e com um excelente custo x benefício... acho até que vou comprar outra garrafa para guardar por mais uns dois anos.
 
O Rótulo

Vinho: Miolo Reserva
Tipo: Branco
Castas: Viognier
Safra: 2009
País: Brasil
Região: Campanha Gaúcha
Produtor: Miolo
Graduação: 13%
Onde comprar em Recife: RM Express
Preço médio: R$ 32,00
Temperatura de serviço: 8º
Garraf nº : 3845.