Organização internacional tenta salvar variedades da extinção
"A
vida é muito curta para beber o mesmo vinho", disse Antonio Graca, enólogo e
líder de um grupo de pesquisa e desenvolvimento da portuguesa Sogrape. Enquanto
as listas de vinhos estão cheias de variedades interessantes, há muitas outras
que são quase desconhecidas e correm o risco de desaparecer. De acordo com a
organização internacional Wine Mosaic, centenas de variedades correm o risco de
serem extintas. Para tentar impedir que isso aconteça, experts em vinho
financiam pesquisas, compartilham informações e melhoram a imagem da uva para
encorajar produtores e consumidores a conhecê-la.
O
projeto é ambicioso: "Meu sonho é que em 2015 nós façamos uma degustação com
1,368 variedades e 1,368 degustadores", afirma Jean-Luc
Etievent, presidente do Wine Mosaic.
Um
estudo preliminar apresentado pelo pesquisador francês Alain Carbonneau, estima
que existam 155 variedades mediterrâneas plantadas num espaço de 24 acres (menos
de 0,2 acre para cada uma), o que configura uma situação de risco de extinção.
Para
o grupo, preservar as variedades raras não é apenas uma questão de diversidade
de vinhos. Pesquisas com o DNA das uvas são uma maneira de encontrar mais pistas
para montar o quebra-cabeças que é a história do vinho no mundo. Porém, o
trabalho não é fácil, uma vez que, após a filoxera, muitas variedades
desapareceram, assim como durante as últimas décadas do século 20, quando
variedades indígenas foram substituídas por castas de renome internacional.
"Vinicultores
tinham vinhas velhas de Carignan e Cinsault, mas preferiram replantar com outras
variedades, como a Syrah, cuja área total de plantação é, agora, 10 vezes maior
que em 1979. No mesmo período, a Carignan perdeu 143 mil acres, indo de 43% em
Languedoc para 13%", explicou Isabelle Pangault. Essa história cotada por
Isabelle se repete por tantas outras regiões, mas o Wine
Mosaic é otimista: "Eu acredito que as variedades desaparecidas estão nos
vinhedos. A morfologia delas torna difícil a distinção, muitas variedades se
parecem entre si", conta Antero Martins.
A chave é salvar as uvas tendo em mente que a "utilidade" delas pode demorar a aparecer. "Nós não nos preocupamos com o tempo ou com seu uso imediato. No futuro, encontraremos um lugar para cada uma", finaliza Martins.
Fonte: Revista Adega
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